1. KOSTÜM VE AKSESUAR
1.5. Kostüm Ve Aksesuarları n Bakı mı
Parece notório que o instituto da medida de segurança se encontra em completa inadequação com o ordenamento jurídico brasileiro e com a concepção médica de tratamento. Assim, imediatamente afigura-se um questionamento sobre qual seria a medida substituta para o tratamento do “louco infrator”. Tal indagação é tão importante quanto complexa, posto que, em boa parte dos casos, lida-se com situações ditas limite, isto é, de difícil resolução e iminente, ou, até mesmo, de atual violação de direitos.
A dificuldade em dar uma resposta à altura ou mesmo a falta de interesse condenou a medida de segurança a anos de esquecimento e contradições com os Direitos Humanos e o próprio ordenamento jurídico local. Soma-se a isso a virada teórica e prática sobre a percepção que se tem de doença, saúde e transtorno mental. Essas mudanças devem-se, em grande medida, ao movimento de Reforma Psiquiátrica.
O compromisso da Reforma, da qual a luta contra o fim dos manicômios constitui apenas uma das pautas, figura como um compromisso assumido pelo Estado brasileiro frente à sociedade. Ocorre, contudo, que esse ajuste parece não ter sido tão bem equacionado, visto que leitos em hospitais psiquiátricos são extintos e o sistema ambulatorial, em muitos municípios, vem sendo precarizado. Assim, se as condições de tratamento da pessoa em sofrimento psíquico encontram-se em sérias dificuldades, esse quadro apenas se agrava quando se trata daquele que cumpre medida de segurança.
Ademais, embora não se negue que alguns dos sujeitos ditos inimputáveis estejam envolvidos com a prática de atos que atentem contra à vida de outras pessoas, e até mesmo a sua própria, não se pode incorrer no mito da periculosidade e atribuir a todo inimputável um perigo iminente. Deve-se, todavia, refletir qual o tipo de tratamento que pode ser desenvolvido com esses indivíduos.
Assim, destaca-se que a Reforma Psiquiátrica é um processo gradual que dependente de múltiplas ações, dentre elas, uma mudança de consciência, caso contrário, o tratamento dito extra-hospitalar apenas será um reflexo do modelo anterior em um ambiente diferente. Ressalta- se, desospitalizar não é desinstitucionalizar. A proposta maior não é a criação de leitos, mas a criação de condições que favoreçam que esses sujeitos possam reconstruir, ou construir, suas vidas. Nesse sentido, os HCT’s tem sido ao longo do tempo mero depósito de pessoas que vivem
à mercê de seus quadros clínicos.
Por fim, observa-se uma tendência crescente, tanto de teóricos do direito como de psicólogos e psiquiatras, de considerar a possibilidade de responsabilização desses indivíduos. Embora não se verifique exatamente como isso deve ser feito, sem causar ainda mais sofrimento a essas pessoas, o entendimento desses estudiosos, como apresentado, é que responsabilidade e dignidade caminham em conjunto. De fato, junto à ideia de responsabilidade vem a possibilidade desses sujeitos de se manifestarem ao longo do processo, garantia que integra o direito de defesa. Talvez um sistema de responsabilização, tal como o desenvolvido para os adolescentes em conflito com a lei, possa ser uma alternativa, mas esse assunto demanda outra espécie de aprofundamento diverso do realizado neste estudo.
Assim, conclui-se que a liberdade deve ser uma aspiração comum e prioritária a todas as ideologias, devendo sempre ser maximizada nos limites de proteção de outros direitos. Como afirmou Joaquim Nabuco, em O Abolicionismo, ainda no período imperial brasileiro, a liberdade deve ser o “alfabeto da nossa política” com o qual definiremos o que deve ser feito adiante para a concretização dos demais direitos.
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