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4. KOSGEB’İN YAPISI VE DESTEK SİSTEMİ

4.2. KOSGEB’in Destek Sistemi

4.2.1. KOSGEB Desteklerinin Gelişimi

Na tentativa de compreensão da importância das relações sociais de trocas no mercado para a construção de uma identidade coletiva para seus frequentadores, buscou-se investigar de que forma os próprios as representam e as diferenciam de relações sociais em outros espaços comerciais. O que há de próprio no mercado que o diferencie de outros estabelecimentos comerciais da cidade? Segundo mercadores, feirantes e fregueses, as relações cotidianas de convívio social são o grande diferencial do mercado. Segundo Dona Nieta,

o mercado é bem diferente. Porque no supermercado a gente não tem tempo de parar pra conversar, pra bater um papo, pra saber da família e aqui não. Aqui primeiro a gente conversa, passa a saber da família né, dos amigos e depois, na verdade, é que a gente efetua a venda.

As formas de relações de trocas no mercado são percebidas inseridas numa teia de relações sociais que fazem deste espaço um lugar de relações afetivas.

A diferença que aqui tem é esse povo que é caloroso, eu acho que é prazer que eles tem de vir comprar aqui. Todos que eu conheço fala: ‘quem bebe da água daqui não vai mais embora, sempre quer voltar”. Eu acho que é porque todo mundo gosta mesmo, tem aquela amizade, tem aquela recepção (Tatiane).

Num lugar onde relações de trocas materiais estão correlacionadas à diferentes formas de trocas simbólicas, ao convívio cotidiano, aos sentimentos de confiança, as “trocas mercadoria-dinheiro” são realizadas entre um freguês e o produtor das mercadorias trocadas. Segundo muitos, este é outra grande especificidade do mercado municipal em Araçuaí. De acordo com Dona Rosinha do tempero, mercadora de temperos e medicinais, “quando cê vai comprar no supermercado, o dono coloca os empregado né, aqui não, você encontra com o próprio produtor”. Interessante perceber que a grande maioria dos tipos de trocas materiais trabalhadas no capítulo 5 só podem ser efetivadas por conta desta

especificidade. Nas poucas bancas onde foram encontrados funcionários contratados fora da relação familiar, os relatos foram diferentes tendo em vista a falta de autonomia do vendedor de baratear a mercadoria e de realizar as trocas “escambo”, “direta por necessidade/ajuda”, e “sacrifício/esmola”. Dona Helena, funcionária de uma banca de carnes relata:

Geralmente ele aparecem pedindo né. Pede uma ajuda, um pedacinho. Aí como a mercadoria não é minha, mas pelo menos um pouquinho. O que pode. Porque quando a mercadoria não é da gente, a gente não pode simplesmente... né... Eu não tenho autonomia pra isso. (...) as trocas aqui acontece muitas vezes. Aqui comigo é raro né, porque é um tipo de coisa que eu não posso fazer porque eu não trabalho com minha própria mercadoria. Mas... geralmente eles fazem né. Às vezes troca uma carne por uma verdura, por uma folha, por uma coisa assim. Eles até costuma fazer isso aqui.

Se dentro do mercado a relação entre um funcionário e não- produção/posse da mercadoria inibe a realização de diferentes tipos de troca, em outros comércios isso acontece de forma mais intensa e freqüente. Em estabelecimentos como supermercados, os grandes concorrentes do mercado municipal, as mercadorias não são produzidas por seus vendedores, sequer, em sua grande maioria, por produtores da região. Um funcionário de um supermercado não tem autonomia para realizar trocas de mercadorias que não sejam as “trocas mercadoria-dinheiro” ou as “trocas mercadoria-dinheiro a prazo” desde que garantidas pelos mecanismos comerciais como cheques e cartões de crédito. E apesar destes funcionários terem certa “liberdade” de conversarem com clientes e estabelecerem alguns tipos de trocas simbólicas, lhes falta geralmente tempo para isso durante o horário comercial. “Aquele que compra no supermercado num tem aquele bate-papo, é diferente” (Dona Rita). Seu Baiano e Dona Silvana também relataram suas opiniões sobre o assunto.

Hoje parece que as pessoas tão carentes, e elas entram no supermercado e o pessoal num tem condição de dá uma atenção a ninguém. Tem que passar o carrinho rápido porque tem uma fileira atrás e tem de passar a verdura rápido porque tem um atrás. E aqui não, o dono para, o vendedor conversa. Quando o mercado tem de fechar o pessoal das lojas reclama que fica uma tristeza aí fora... Fica uma tristeza na rua. Parece que o mercado segura a região inteira (Dona Silvana).

Uns que qué ir pro supermercado, o pessoal mais novo, é porque é luxuoso, pra empurrar o carrinho. Então aquelas madame pega os carrinho, é bonito, mais

grande, mais confortável. Como se diz, cada um tem aquele gosto né. Lá num tem tempo de prosear não Lá chegou no caixa já pagou e vai embora (Seu Baiano).

Seu Baiano traz um outro aspecto de enorme importância para a diferenciação do mercado de outros pontos comerciais: o público freqüentador. Os frequentadores do mercado municipal de Araçuaí são, em sua maioria, pessoas de baixa renda, muitas delas com origens rurais, mesmo que hoje vivendo na cidade. A escolha de se comprar no mercado se dá pelo preço das mercadorias, pelas relações de convívio e pelas diferentes relações de trocas, materiais e simbólicas, nele possíveis. Os frequentadores de supermercado se distinguem desse perfil na cidade, caracterizando-se pela busca por conforto, comodidade, pelo interesse na compra de produtos industrializados. São, em sua maioria, moradores da área urbana das classes mais favorecidas economicamente da cidade e jovens. Segundo Silvana, “alguns nem entram no mercado. Tem gente que tem uns preconceito com o mercado, num sei. Acha que tá misturando com certo tipo de pessoa, principalmente os jovens, num qué misturá com os idoso”. Segundo a cozinheira e mercadora Maria Moem, “aqui tem que sentar pra comer mesmo. Se tiver frescuraiada, aí tem que ir prum lugar mais chique (risos)”. Segundo ela, a grande maioria dos fregueses que na sua banca almoçam são da zona rural, pessoas que se identificam com o mercado e com os outros frequentadores nele presentes. “Eles vem da roça e procura nóis. Ele já vem com menos acanhamento, já sabe como lidar. Com a gente se sentem mais a vontade”. Uma comparação, através de uma simples e rápida observação, do comportamento de idosos da zona rural nos momentos em que estão no mercado e nos poucos outros quando estão em outros locais da cidade como bancos, farmácias, papelarias ou instituições públicas, nos permite inferir que o mercado municipal é o espaço urbano onde a população rural de Araçuaí se sente mais identificada.

As relações de trocas materiais e simbólicas (como por solidariedade, por mercadoria em falta, esmola, dádiva e experiências) acontecem no mercado entre iguais, ou seja, todos que estão se ajudando possuem um nível social e de renda parecidos, pertencem, praticamente, a um mesmo grupo social, e estando todos numa forma quase linear de reprodução econômica e social, se sentem como tal. É pouco provável que essas trocas se dessem entre dois grupos de mercadores onde

a renda e o padrão de vida fossem diferenciados, porque a lógica não seria a mesma. A lógica nesse caso, seria a da competição e não a da solidariedade.

Essa solidariedade se permite pelo compartilhamento de uma mesma realidade sociocultural, onde as relações cotidianas de trocas são realizadas a partir de uma vivência coletiva, onde cada freqüentador possui identidades individuais próprias inseridas numa identidade comum que é representada pelo sentimento de “ser do mercado”. Em meio à essa identidade coletiva produzida pelo ato de freqüentar o mercado e nele realizar trocas materiais e simbólicas com outros de seus frequentadores, estão diversos outros sentimentos de identidade. Identidades comunitárias, familiares, profissionais, religiosas, políticas, regional, urbana e rural fazem do mercado um lugar de forte diversidade cultural onde, entretanto, o sentimento de pertencimento comum é preservado. Diferentes mercadores podem vivenciar diferentes grupos afetivos dentro do mercado, em alguns casos se conhecerem sem sequer possuírem sentimentos de empatia, mas se sentem parte de um mesmo grupo social. Mesmo nos momentos em que um freguês do mercado compra em outro estabelecimento, o que não é raro, essa identidade é mantida.

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Benzer Belgeler