• Sonuç bulunamadı

Korpus Kallozum Spleniumda Görülen Geçici Beyin Lezyonun Klinik ve Radyolojik Önemi: 2 Olgu Sunumu

A República preparou o Estado e colocou em evidência o modelo educacional herdado do Império. Os ideais republicanos apoiaram a necessidade de escolarização e, assim, a escola passou a ser objetivo das famílias que almejavam para seus filhos níveis elevados nas carreiras burocráticas e intelectuais.

A Constituição Republicana foi promulgada solenemente no dia 24 de fevereiro de 1891, com profundas convicções positivistas no meio educacional. Nesta Constituição, a educação passou a ser gerenciada pelo Estado. A Constituição reservava à União o direito de criar instituições de ensino superior e secundário nos Estados como também prover a instrução secundária no Distrito Federal. Assim concedia aos Estados da Federação a competência para prover e legislar sobre a educação primária e o ensino profissional, que na época, compreendia também as escolas normais de nível médio para moças e escolas técnicas para rapazes (Romanelli, 2002, p. 41).

O ensino primário foi dividido em dois graus: um para crianças na faixa etária entre sete e treze anos, e outro entre treze e quinze anos. Essa medida deixou o currículo mais complexo, o que exigia dos profissionais o diploma de Curso Normal. Contudo, o ensino primário brasileiro, até 1920, permaneceu como ensino de primeiras letras, ou

seja, o aprendizado da leitura, da escrita e do cálculo, considerado como simples alfabetização.

Ficou sob a responsabilidade do Congresso legislar sobre a educação superior, e criar nos Estados instituições desse ensino e do ensino secundário no município neutro. Dessa forma, Azevedo é enfático ao concluir que

A instrução secundária e superior na capital do país foi posta diretamente sob a jurisdição do governo central que transferiu (lei de 20 de novembro de 1892) à órbita dos poderes municipais do Distrito o ensino primário e profissional que estava, quanto ao Município Neutro, a cargo da União, no Império. Em vez de arredar os obstáculos à organização de um sistema geral, a República não fez mais do que agravá-los, repartindo entre União e os Estados as atribuições na esfera da educação e renunciando explicitamente ao dever que lhe indicaram as instruções democráticas de dar impulso e traçar diretrizes à política de educação nacional (1958, p. 119)

O período da Primeira República, compreendido entre 1889-1930, constituiu décadas de várias reformas no ensino, elaboradas no regime republicano, empreendidas por Benjamin Constant (1889), Rivadavia (1911), Maximiliano (1915) e Rocha Vaz (1925). Além de dispor sobre o ensino superior, regulamentava os ensinos primário e secundário no Distrito Federal.

A Primeira República tentou elaborar, em um primeiro momento, algumas reformas educacionais que não resolveram e tampouco atenuaram problemas graves na educação brasileira. Todavia, a reforma proposta por Benjamin Constant não chegou a ser posta em prática em todos os seus aspectos.

A principal meta desta reforma era transformar o ensino em formador de aluno e não apenas prepar dos mesmos para cursos superiores. A reforma tentou, porém, sem êxito, entre outros aspectos, a substituição do currículo acadêmico por um currículo enciclopédico, com inclusão de disciplinas científicas. Porém, faltou-lhe apoio político das elites, que acreditavam serem as ideias do reformador uma ameaça à formação da juventude, cuja educação se pautava nos valores da mentalidade da aristocracia-rural.

O Decreto nº 667, de 16/08/1890, deu origem ao estabelecimento do ensino profissional ―pedagogium‖, resultado do Museu Escolar. Este previa uma escola- modelo, espécie de laboratório onde seriam observados os regulamentos e os programas adotados nas escolas públicas primárias (Caron, 2007, p. 70).

Quanto à finalidade educacional das escolas, que foram chamadas de escolas de aprendizes, estas tinham bem claras as suas diretrizes e objetivos, ou seja, o de formar operários por meio do ensino prático de conhecimentos técnicos convenientes e necessários ao Estado da Federação onde a escola funcionasse. Antes de abrir as escolas os governos de Estados deveriam sempre consultar os industriais locais para saber as demandas necessárias. Muitas das escolas abertas permaneceram, mesmo após a Revolução de 1930, durante a chamada Era Vargas.

É importante salientar que houve, durante os primeiros períodos do século XX, projetos de educação profissional diferentes dos propostos pelo Estado e classes dominantes. Esses projetos foram executados por alguns sindicatos, que na época eram chamados de reuniões e que, embora não atingissem uma grande parcela dos trabalhadores, realizaram um trabalho educacional que se diferenciava dos moldes e projetos vigentes. Visto que não eram regulamentados, portanto, não seguiam as determinações impostas através das leis educacionais, resoluções impostas e/ou propostas pelo Estado.

No tocante ao ensino superior, o Decreto nº 1.159, de 3 de dezembro de 1892, foi assegurada a liberdade de ensino e, também, aprovado o Código das Disposições Comuns às Instituições do Ensino Superior dependentes do Ministério da Justiça e dos Negócios Interiores. Esse decreto dava direito a qualquer pessoa ou associação de particulares a instalar cursos ou estabelecimentos, desde que atendessem as matérias aprovadas no programa de qualquer curso ou estabelecimento federal.

A Reforma Rivadavia Correa, de 1911, desoficializou o ensino, pregou a liberdade de ensino – a pretensão era a de que o curso secundário fosse suficiente para a formação do cidadão – e tentou a abolição do diploma em substituição de um certificado. Essa reforma desorganizou a educação brasileira, mesmo assim foi seguido pela Reforma Maximiliano, em 1915, em reação à desoficialização e às consequências da reforma de 1911. Essa última reforma retomou a oficialização do ensino no Brasil.

No que diz respeito à Reforma de Rocha Vaz de 1925 (Decreto nº 16.782- A, de 13/01/1925), ela restaurou a seriação dos estudos secundários, manteve a equiparação dos estabelecimentos estaduais de ensino, e ainda baixou algumas normas de

funcionamento para cursos de direito, engenharia, farmácia, medicina e odontologia extensivas a outros cursos que fossem criados24.

Contudo, as reformas não modificaram o caráter elitista da escola da Primeira República, sob os cuidados das Províncias, pois deixou nas mãos do poder central o controle do ensino superior e o ensino do Município Neutro, cuja política atendia às ordens por causa da expansão e modernização do ensino de elite que se fez via introdução das ciências positivas no currículo secundário e dividido.

Podemos dizer que havia uma grande distância entre o discurso e a prática das reformas que deixaram marcas na educação brasileira. Com a laicidade ficou evidente a dicotomia entre Estado e Igreja. A laicidade da educação na Primeira República deixou marcas na educação e também no Ensino Religioso.