2. KONUT SEKTÖRÜNÜN YAPISI
2.3.5. Konut Finansman Sistemi
É o Traité de sociologie générale que, comumente, é associado ao novo
momento da trajetória de Pareto, ainda que várias de suas idéias básicas já estivessem contidas em trabalhos anteriores.265 Na verda- de, o livro é tomado como via de acesso, privilegiada e suficiente, ao pensamento sociológico do autor, tornando desnecessário o recurso a outros escritos. À passagem pelas obras que precederam o Traité,
consideradas econômicas, pode ser atribuída alguma importância no máximo pelo fato de que, conforme a leitura que é feita de Pareto, consagrada principalmente a partir de Raymond Aron, ele definia a sociologia por contraste com a economia (Aron, 1982:383).
Como se viu, entretanto, há que se relativizar essa leitura, não sendo tão evidente o contraste entre as duas disciplinas, nem rígido o corte entre elas. O que se pode observar, de fato, é que as idéias so- ciológicas de Pareto, elaboradas a partir da reflexão econômica, ter- minaram assumindo uma dimensão e uma importância tais, que passaram a ser percebidas como fundamentais mesmo para a pró- pria compreensão da economia. Se havia portanto um conjunto de ações econômicas que podiam ser caracterizadas como lógicas, a sua grande maioria, como de resto era o que em regra marcava as ações humanas como um todo, deveria ser reconhecida como não- lógica, passível assim de um estudo sociológico.
A distinção, pois, entre ações lógicas e não-lógicas é que constituía uma das principais bases da sociologia de Pareto. A par- tir dela, a partir de um estudo das ações humanas, é que o autor procurava alcançar seu objetivo principal no Traité de sociologie générale: conhecer as formas sociais (Pareto, 1933:65).
Pareto iniciava o livro buscando justificá-lo e, ao mesmo tempo, demarcar seu ineditismo, sua originalidade. Isso se fazia necessário
porque, segundo o próprio autor, os sociólogos, de maneira geral, há muito que vinham também se debruçando sobre as ações humanas.
Sua novidade e assim também seu sentido residiam justamen- te no modo distinto como as ações humanas eram tratadas. Mais do que afirmar sua diferença, distinguir-se de seus antecessores, Pare- to procurava legitimar sua incursão na sociologia impondo-a a um só tempo como pioneira e definitiva, uma vez que escorada no que afir- mava ser um rígido método científico, lógico-experimental, habili- tando-se por essa mesma via a reivindicar, para utilizar seu próprio termo, a etiqueta de sociólogo científico.266
Segundo o autor, os sociólogos haviam se limitado, até aquele momento, a classificar as ações humanas concretas tal como po- diam ser diretamente observadas e, ao mesmo tempo, a forma como eram justificadas, racionalizadas. De igual modo que um composto químico, entretanto, as ações concretas, na visão de Pareto, eram sínteses de elementos diversos, combinados em proporções variá- veis. Sem conhecer esses elementos, e as maneiras específicas como se combinavam, portanto, deixava-se de dar conta do próprio senti- do das ações. Diante disso, cabia ao sociólogo, da mesma forma como procedia o químico, decompor os fenômenos observados em seus ele- mentos mais simples, constantes, para, aí sim, classificá-los e às suas combinações (Pareto, 1933:66).
Por essa via, pela decomposição das ações humanas em suas menores partes constitutivas, é que Pareto desembocava na sua distinção em lógicas e não-lógicas. As ações lógicas, na acepção do autor, eram aquelas que se constituíam em meios mais apropria- dos para alcançar objetivos visados, aquelas que, como indicava o próprio nome, formavam uma cadeia lógica de causa e efeito com seus fins. Não era bastante, no entanto, que apenas aos próprios atores, àqueles que as empreendiam, valia dizer, subjetivamente, segundo o pensador, o encadeamento parecesse lógico. Era preci- so que ele assim se mostrasse também objetivamente, isto é, aos olhos do analista.
As ações que escapassem a esse enquadramento, quer porque subjetivamente, quer porque objetivamente, ou porque por ambos os lados não se afigurassem como lógicas, eram consideradas não- lógicas. Vê-se, assim, que as ações não-lógicas, definidas pelo autor de forma residual, não deviam ser confundidas, tratadas como ne- cessariamente ilógicas.
Amostras de ações lógicas eram, por exemplo, os movimen- tos de compra e venda de bens dos agentes no mercado, os atos técnicos de um engenheiro, os experimentos empreendidos por
um físico em um laboratório. Já os sacrifícios oferecidos a Posei- don pelos gregos antigos como forma de garantir o sucesso em em- preitadas marítimas podiam ser tomados como ações não-lógicas. É certo que, subjetivamente, ou para os próprios gregos, aquelas oferendas podiam ser tão lógicas quanto o ato de remar, estimulan- do-os inclusive a perseguir suas metas com maior afinco, o que sem dúvida podia contribuir para que terminassem sendo bem-sucedi- dos. Em termos objetivos, contudo, o mesmo já não podia ser dito, uma vez que não havia nenhuma prova cabal da existência de um vínculo direto, lógico e necessário entre sacrifícios e sucesso naval (Pareto, 1933:66-7).
De fato, como observava Pareto, retomando sua tese já anti- ga, as ações humanas, em sua grande maioria, eram não-lógicas, ainda que nem sempre à primeira vista pudessem assim parecer. E era justamente nas ações não-lógicas que a sociologia, em sua acepção, tinha seu objeto de estudo.
Os homens, de maneira geral, tendiam a racionalizar suas ações, atribuindo-lhes um caráter lógico que, na verdade, eram justificativas ex post facto. Tais justificativas eram aquilo que Pare-
to chamava de derivações (Pareto, 1933:459).
As ciências sociais, segundo ele, tinham até então incorpora- do as derivações, contentando-se assim com as justificativas lógi- cas das ações não-lógicas que de fato desprezavam, não as perce- bendo como uma componente fundamental dos atos humanos em geral. Tomando portanto de forma acrítica as justificações pelas ações, como se estas fossem sempre lógicas, as ciências sociais dei- xavam de produzir o seu necessário desvelamento, enxergando por toda parte um domínio crescente da razão, que seria responsá- vel pelo progresso, pela coesão e pelo equilíbrio sociais.
Nas palavras de Pareto:
1º – A existência e a importância das ações não-lógicas. Isso é contrário a muitas das teorias sociológicas, que desde- nham ou negligenciam as ações não-lógicas, ou lhes dão pouca importância, esforçando-se em tornar todas as ações lógicas. A via a ser seguida no estudo das ações dos homens, em sua re- lação com o equilíbrio social, será diferente se dermos impor- tância maior às ações não-lógicas ou às ações lógicas. É preciso, portanto, que nos detenhamos agora nessa matéria.
2º – As ações não-lógicas são geralmente consideradas do ponto de vista lógico por aqueles que delas tratam, produzindo sua teoria. Daí a necessidade de uma operação de importância pri-
mordial para o nosso estudo, que é a de levantar aqueles véus e re- encontrar aquilo que dissimulam. Ela é, por isso, contrária a mui- tas teorias que se detêm nos véus, não tidos como tais, mas to- mados como a parte fundamental das ações (Pareto, 1933:150).
Na visão do pensador, por conseguinte, é como se — para utili- zar seus termos — as ciências sociais, até o Traité, não passassem de
estudos não-lógicos, cujos meios, objetivamente, não se coaduna- vam com os fins, ainda que, subjetivamente, ou aos olhos dos pró- prios cientistas sociais, pudesse parecer que sim. A história das ins- tituições sociais, observava Pareto, havia se tornado uma história das derivações, o que acabava por cumprir uma finalidade prática, qual seja, a de persuadir os homens a agirem de uma forma conside- rada útil à sociedade. Este, porém, não era o seu próprio objetivo. Outra não era a sua finalidade, asseverava ele mais uma vez, a não ser conhecer a uniformidade dos fatos sociais de modo imparcial, restringindo-se ao domínio lógico-experimental para, assim, poder ir além dos véus que se interpunham entre ele — ou entre os sociólo- gos de maneira geral — e a realidade (Pareto, 1933:790-1).
Esta, segundo Pareto, era a marca do absoluto ineditismo, da relevância e da superioridade de sua sociologia. Ela se fundava, de fato, sobre um esforço de objetivação da sociologia. À diferença do que até ali se vinha fazendo, em suma, o que almejava o autor, to- mando sua própria terminologia, era produzir um estudo lógico das ações não-lógicas.267
É preciso ressaltar, contudo, que Pareto não subestimava a importância das derivações, como se pode perceber pela substan- cial parte do Traité a elas dedicada. Ao contrário, acentuava ele
que as derivações se constituíam em um contrapeso fundamental para o equilíbrio social, orientando as ações dos indivíduos uma vez que estes delas se convencessem, a elas aderissem, assim como a um credo. Um indicador disso estava, por exemplo, no fato de que tanto a proposta democrática quanto a socialista, então em ascen- são, afiguravam-se ao autor como derivações, operando mesmo como verdadeiros cultos religiosos.268
A questão, por conseguinte, estava não em descartar as deri- vações, desconhecê-las, mas sim em tratá-las como tais, como justi- ficações, e não como causas profundas das ações. Essa visão, po- rém, fazia permanecer o problema de quais eram, efetivamente, aquelas causas. Para respondê-lo, Pareto lançava mão do conceito de resíduo, que foi buscar na psicologia.
Os resíduos correspondiam a determinados sentimentos e ins- tintos dos homens. Eles não eram os próprios sentimentos e instin- tos, mas sim a sua manifestação, de maneira análoga à da coluna de mercúrio de um termômetro, que não era a variação da temperatu- ra em si, ou a sua origem, mas seu indicador (Pareto, 1933:461-2).269
Se uma derivação tinha força, empolgava, isso se devia não a um poder de convencimento, de persuasão, a um acordo racional ou a considerações lógico-experimentais, mas sim aos sentimentos que ela evocava em seus adeptos. Desse modo, sua aceitação ou sua re- jeição devia ser explicada não a partir dela mesma, de sua formula- ção, de sua lógica interna, mas sim dos resíduos que acionava:
Os homens se deixam persuadir sobretudo pelos sentimen- tos (resíduos), por conseqüência, podemos prever, o que aliás é confirmado pela experiência, que as derivações tirarão sua força não de considerações lógico-experimentais, ou ao menos não ex- clusivamente dessas considerações, mas sim dos sentimentos (Pa- reto, 1933:785).
Pareto dividia os resíduos em seis classes, que iam do instinto de combinações e da persistência dos agregados à integridade dos indivíduos e de seus dependentes, passando pela necessidade de manifestar os sentimentos através de atos exteriores, pelos senti- mentos de sociabilidade e pelo instinto sexual (Pareto, 1933:466-8). Na verdade, porém, duas eram as classes fundamentais para a so- ciologia, visto que essa ciência, na sua acepção, voltava-se para as ações humanas, sim, mas na sua articulação com o equilíbrio social. Eram elas a do instinto de combinações e a da persistência dos agre- gados. Na primeira estava incluída a necessidade de combinar coi- sas — dados, sentimentos em geral, semelhantes ou não — e de pro- duzir desenvolvimentos lógicos, com desdobramentos práticos, bem como a fé na eficácia dessa operação. Essa classe de resíduos esta- va, por exemplo, na base da tomada de atitudes arriscadas, é certo, mas também empreendedoras ou inovadoras. Já a segunda abarca- va a persistência das combinações já existentes, das uniformidades e das personificações (Pareto, 1933:466-8). A essa classe estavam as- sociadas a preservação da tradição e as atitudes conservadoras.
A distribuição dos resíduos pela sociedade se fazia, segundo Pareto, de forma desigual, em níveis e com forças variáveis. Desse modo, enquanto alguns indivíduos tinham uma proporção maior de resíduos de uma determinada classe, outros tinham de uma outra e assim por diante (Pareto, 1933:1.070). Nessa perspectiva, portan-
to, os homens eram diferentes entre si, dotados de natureza diver- sa, com distintas propensões à ação.
Enquanto elementos geradores de ações, os resíduos, ainda que desigualmente distribuídos, perpassavam a sociedade como um todo, não sendo exclusivos de um ou de outro grupo social. Todos os indivíduos, de todos os grupos sociais, eram dotados de uma deter- minada composição de resíduos. Somada porém à classificação hie- rárquica, a sua concentração diferencial era um importante fator di- versificador, imprimindo nas sociedades, quaisquer que fossem elas, mesmo as que se diziam mais igualitárias, a marca necessária da he- terogeneidade.
Cabia então, da perspectiva de Pareto, a fim de se promover uma compreensão mais efetiva das formas sociais e do seu equilí- brio, aprofundar a reflexão sobre a questão da heterogeneidade. Ele o fazia através da retomada de sua observação de que havia, em todos os ramos das atividades humanas, indivíduos que se destaca- vam dos demais por suas capacidades, por suas qualidades superio- res. Esses indivíduos compunham uma minoria, distinta do restante da população, à qual se denominava elite (Pareto, 1933:1.296-7).
Contudo, da mesma forma que antes, fazia o autor um esfor- ço no sentido de neutralizar o termo, explicando que o havia em- pregado assim como poderia tê-lo feito com qualquer outro, até uma simples letra, com o mesmo sentido. O que importava, ao no- mear a minoria, era não atribuir-lhe um valor positivo ou negativo, qualificá-la como intrinsecamente boa ou má, mas caracterizá-la, como já se viu, como uma aristocracia, como composta dos melho- res, daqueles que condensavam, que concentravam as característi- cas definidoras de um grupo, qualquer que fosse, de operários a la- drões, de guerreiros a sacerdotes (Pareto, 1933:1.297).270
Pareto podia de fato ter utilizado qualquer outro termo, ou mesmo uma letra, mas não o fez. Optou pela categoria elite, o que não é axiologicamente indiferente, nem isento de desdobramentos significativos, uma vez que o seu sentido, então, como aponta Ray- mond Williams, era o de eleito, preferido, seleto, excelente, expres- sando distinção social (Williams, 1981:96-8). Isso se torna ainda mais evidente se lembrarmos que o autor usava o termo de modo inter- cambiável com aristocracia.271
De toda forma, a impressão que se tem à primeira vista é a de que, na concepção de Pareto, as sociedades eram bipolarizadas, divi- didas de forma estanque entre elites e não-elites. Ele, contudo, vai aos poucos complexificando esse quadro, ainda que voltando-se ape- nas para as elites constituídas, seu objeto básico de preocupação.
Nesse sentido, Pareto começava por observar que, para o es- tudo do equilíbrio social, a elite devia ser dividida em duas. De um lado estava a elite governante, composta pelos indivíduos que de- sempenhavam um papel significativo e influente no governo, e, de outro, a não-governante (Pareto, 1933:1.297).
A elite governante, no entanto, não se confundia necessaria- mente com aqueles indivíduos que ocupavam as posições formais de poder. Em uma construção muito próxima à da classe política de Mosca, Pareto, que além de elite governante também emprega- va o termo classe governante, afirmava:
Existe em toda parte uma classe governante, mesmo lá onde há um déspota; mas as formas sob as quais ela aparece são diversas. Nos governos absolutos era apenas um soberano que aparecia em cena; nos governos democráticos, um parlamento. Nos bastidores, porém, encontram-se aqueles que desempe- nham um papel importante no governo efetivo. Sem dúvida eles devem, por vezes, inclinar-se diante dos caprichos dos soberanos ou de parlamentos ignorantes e tirânicos; mas eles não tardam a retomar sua obra tenaz, paciente, constante, cujos efeitos são bem maiores do que aqueles da vontade dos seus mestres apa- rentes (Pareto, 1933:1.442).
Mesmo a elite, ou a classe governante, na visão de Pareto, não podia ser tomada como um todo homogêneo. Ela apresentava diferenças no que tocava, por exemplo, à maneira e aos mecanis- mos como galgava e se mantinha no poder, quer privilegiasse o emprego de maiores doses de força, quer de astúcia, ardil, na busca de consentimento.272
Outra linha de segmentação possível, ditada pela concentra- ção diferencial de resíduos, era aquela que dividia spéculateurs e rentiers.273 Enquanto nos primeiros predominavam os resíduos da classe dos instintos de combinações, nos segundos eram os da per- sistência dos agregados. Portanto, enquanto os primeiros eram em- preendedores, arrojados, buscavam novidades em todos os domí- nios, os segundos eram contidos, receosos (Pareto, 1933:1.427-32).
Enfatizava o autor, todavia, que essas duas categorias estavam referidas não a atores concretos, a ocupações econômicas determina- das ou a partidos políticos específicos, mas sim a atitudes, impulsos, instintos, em suma, a resíduos em proporções variadas. Assim, um co- merciante tanto poderia ser um rentier quanto um spéculateur. Por
dominados por rentiers, da mesma forma em que predominariam spé- culateurs em um conservador (Pareto, 1933:1.433-5).
Vale observar que é principalmente quando se refere à elite governante que Pareto, no Traité, aborda a questão da circulação
articulada à do equilíbrio social, à da possibilidade de rupturas po- líticas revolucionárias.
Pelo efeito da circulação das elites, a elite governamental se encontra em um estado de transformação lenta e contínua. Ela corre como um um rio; a de hoje é diferente daquela de on- tem. De tempos em tempos se observam perturbações bruscas e violentas, semelhantes às inundações de um rio. Em seguida, a nova elite governamental recomeça a modificar-se lentamente; o rio retorna ao seu leito e corre novamente.
As revoluções se produzem porque, seja pela redução do ritmo da circulação da elite, seja por uma outra causa, elementos de qualidade inferior se acumulam nas camadas superiores. Esses elementos não possuem mais os resíduos capazes de mantê-los no poder e evitam o uso da força; ao mesmo tempo desenvolvem-se, nas camadas inferiores, elementos de qualidade superior, que pos- suem os resíduos necessários para governar e estão dispostos a fazer uso da força (Pareto, 1933:1.304-5).
A citação acima enfeixa duas questões importantes, inter-re- lacionadas, que cabem ser ressaltadas. A primeira é a do eterno movimento cíclico de modificação da elite governante. Esse movi- mento, esclarecia Pareto, não se caracterizava pela simples alter- nância de indivíduos — e principalmente de indivíduos de uma mesma inserção social — nas posições de mando. A incorporação de indivíduos oriundos das classes inferiores afigurava-se, para ele, como fundamental, na medida mesmo em que traziam com eles novas energias e proporções de resíduos necessárias à manu- tenção do poder (Pareto, 1933:1.304).
A circulação das elites, portanto, diferia daquilo que podería- mos chamar de cooptação, ou de uma adesão total, em que os novos indivíduos mudavam sua maneira de ser, adotando a dos an- tigos, como ocorria na Itália do transformismo. Era fundamental
para a circulação, na visão de Pareto, que os novos membros trou- xessem e mantivessem seus sentimentos, opiniões e valores, pro- duzindo assim uma mudança no perfil e nas ações da elite (Pareto, 1933:1.654).
Este era um mecanismo básico que, quando cessava de ope- rar, cristalizando-se a elite governante, conduzia a uma inevitável degeneração. Desse modo, o próprio equilíbrio social se via seria- mente comprometido, perturbado, o que poderia levar a uma situa- ção de ruína mesmo da nação como um todo (Pareto, 1933:1.304). Aqui se abriria a possibilidade de uma mudança radical da elite, através de um processo revolucionário, segundo ponto importante do trecho de Pareto anteriormente citado.
Incorporando a perspectiva marxista, o autor referia-se à eli- te, à classe governante e à governada como inimigas em luta. Essa luta todavia, ao contrário do que sustentavam os pensadores socia- listas, era eterna, infindável, uma vez que sempre, fosse qual fosse o sistema, mesmo comunista, haveria uma elite no poder e um grupo dele excluído. O fim das classes, portanto, não levaria à anulação ne-