2. KURAMSAL TEMELLER VE ÖNCEKİ ARAŞTIRMALAR
2.11. Konu ile İlgili Uluslararası Araştırmalar
Adentrar nas discussões relativas aos procedimentos e às metodologias de pesquisa indica o quanto os aspectos relacionados à visão de mundo e de construção de conhecimento, implícitas a todo ato de pesquisar, podem direcionar para distintas atitudes e ações diante de um mesmo objeto de estudo.
Na realização de uma pesquisa de cunho qualitativo um aspecto que se destaca é o que se refere ao pesquisador e ao seu envolvimento no estudo: ele não é tido como neutro (e nem tem o anseio de manter-se neutro) diante do que busca pesquisar e compreender. Nesse sentido, torna-se importante que sejam esclarecidos os procedimentos realizados e as concepções que permeiam as tomadas de decisão do pesquisador, desvelando como se dá o movimento do pesquisar, uma vez que as diversas etapas da pesquisa não são estanques ou separas entre si, mas enredam-se umas às outras nessa trama.
A fim de esclarecer os procedimentos realizados nesta pesquisa, procuramos explicitar, da forma mais abrangente possível, nossas posturas, compreensões e tomadas de decisão, explicando a movimentação realizada na busca da manifestação e compreensão do fenômeno indagado.
A fenomenologia aqui não se coloca apenas enquanto postura filosófica, ou forma de voltar-se para o mundo em suas possibilidades diante do que intentamos compreender, mas se apresenta também como modo de proceder na organização, interpretação e análise dos dados, indicando uma metodologia concernente a essa postura.
Buscando discorrer sobre os aspectos da pesquisa fenomenológica, dialogamos com autores que trabalham com essa abordagem (MARTINS& BICUDO, 1989; PAULO & DETONI, 2000, 2011; KLUTH, 2001; BICUDO, 2011) e que explicitam etapas orientadoras da pesquisa e destacam procedimentos que devem ser cuidadosamente tratados durante a investigação.
Uma das características proeminentes da pesquisa fenomenológica refere-se à ausência de pressuposições sobre o investigado, ou seja, um estudo fenomenológico não parte de hipóteses predeterminadas a serem comprovadas. Ao interrogar o fenômeno, busca-se ir-à- coisa-mesma, isto é, busca-se compreender o fenômeno em sua essência, na forma como é
dado na experiência vivida, sem embasamento em teorias previamente estabelecidas, avançando no movimento de compreensão.
Colocamos o fenômeno “em suspensão” (BICUDO, 2011), suspendendo-o dos juízos mundanos, atentando apenas para os modos pelos quais ele se apresenta na percepção, como verdade enquanto presença. Colocar em suspensão não significa negar a existência do mundo, mas destacar o fenômeno desse fundo mundano, suprimindo a validade objetiva das ciências e deixando-o aparecer no solo do mundo-vida. Busca-se expor as estruturas do fenômeno, avançando para além das vivências subjetivas e individualmente dadas na experiência vivida. Para isso, efetuamos a
Epoché, também chamada de redução ou de ato de colocar em evidência. Refere-se a dar destaque ao que está sendo interrogado, de modo que os atos da consciência constitutivos da geração do conhecimento sejam expostos. (BICUDO, 2010, p. 32)
Esse movimento de redução visa aos invariantes por meio dos quais podemos compreender a estrutura do fenômeno investigado.
Uma investigação fenomenológica é orientada pela sua questão diretriz, em um movimento complexo que envolve sujeito significativo22, pesquisador e pergunta.
O rigor no âmbito da pesquisa fenomenológica não se funda em metodologias construídas e aceitas como válidas em si, ou seja, independentemente da interrogação, da região de inquérito, da indagação pelo quê se pesquisa e como procede à investigação, mas se constitui no próprio movimento de perseguição à interrogação. Ele se instaura na própria dialética de perguntar, buscar pelo inquirido sempre atento ao o quê se busca conhecer, suas características antevistas, e os modos de proceder para dar conta do indagado. (BICUDO, 2011, p. 56)
O pesquisador volta-se para o fenômeno em foco e, guiado por sua interrogação, busca compreender a experiência vivenciada junto aos sujeitos de sua pesquisa, voltando-se também para sua própria vivência, que se entrelaça às dos demais. Ele direciona sua atenção para o fenômeno, a partir da perspectiva assumida de sua visada, ou seja, do seu ponto zero (MERLEAU-PONTY, 1990) que é aquele dado pela posição de seu corpo-próprio, explicitando, a todo o momento, suas ações e as formas pelas quais compreende e articula suas compreensões.
Para esclarecer o foco desta pesquisa e os movimentos efetuados, apresentamos a interrogação que a sustenta, assim explicitada:
22 Sujeito tomado como importante para a investigação, por vivenciar o fenômeno em foco. Neste estudo, são alunos em situação de ensino e aprendizagem de Geometria.
Como se dá o ensino e a aprendizagem da geometria assumida nos
aspectos de compreensões pré-predicativas e nos encaminhamentos
que direcionam para uma produção geométrica?
O “como” presente nessa interrogação indaga os modos pelos quais se dão as vivências dos sujeitos em situação de produzir conhecimento geométrico, abrindo-se para os sentidos e os significados que se produzem na temporalidade dessas vivências. A interrogação posta não tem a finalidade de solicitar uma explicação determinística, apresentando passos lineares a serem dados por qualquer sujeito para que essa produção seja desencadeada.
O indagado aponta para a compreensão dos atos intencionais que se presentificam em atividades geométricas, expressando possibilidades de produção de conhecimento em situação específica de ensinar e aprender Geometria. Abrange, então, questionamentos sobre conteúdos geométricos que estão presentes nos currículos de ensino de Geometria; modos pelos quais deslancha a compreensão do aluno quanto ao que lhe é ensinado; e processos de produção de conhecimento geométrico, destacando processos de abstração, de articulação de percepções compreendidas, interpretadas e comunicadas, de idealização e de formalização.
Buscamos ver como as ideias geométricas se presentificam, ou se mostram, em situações de ensino e aprendizagem de conteúdos geométricos, elencados da perspectiva de seus aspectos curriculares, em atividades que buscam valorizar situações potencializadoras para exploração de intuições e respectivos desdobramentos cognitivos, na direção da produção do conhecimento geométrico junto aos cossujeitos, em sua objetividade constituída intersubjetivamente. Atentamos para as manifestações de alunos que se encontram voltados intencionalmente em um coletivo que se efetua ao estar com o outro (alunos, professora, pesquisadoras, textos produzidos, atividades elaboradas, materiais disponibilizados etc.).
É importante ressaltar que esta investigação não tem por meta efetuar uma aplicação da filosofia fenomenológica husserliana às situações de ensino e aprendizagem de Geometria, buscando comprovar (ou refutar) resultados. Buscou-se aqui, pela ótica fenomenológica, avançar na direção de uma interpretação que permita, a partir das análises efetuadas, compreender as camadas de sentido que se entrelaçam no processo de produção do conhecimento geométrico e realizar um salto teórico no que se refere à produção desse conhecimento, desvelando as vivências intencionais que se destacam ao olhar das pesquisadoras como aberturas para significações de ideias geométricas. Ao aprofundar o entendimento da obra de Husserl, buscamos a possibilidade de compreensão do fenômeno
focado, e não uma classificação em categorias de análise preestabelecidas a serem legitimadas.