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5.1. Tasarımda Etkili Parametreler

5.1.2. Yapısal parametreler

5.1.2.5. Kontrol sistemleri

Em momentos específicos desta análise, ficou claro para nós o quanto ser reconhecido, não só como membro, mas como um personagem de destaque neste universo esteve presente. Em alguns casos, as várias formas de discursos aqui analisados explicitaram que esta verdade não se limitava ao universo das escolas de percussão ou grupos de maracatu. Ela transbordava para meios como o ambiente de trabalho, escolas e/ou universidades, e até junto à família. Como exemplos desta afirmação, destaco:

Entrevista 06 – linhas 26 a 27

“Já gostava de música popular brasileira e tudo mais, então, foi unir o útil ao agradável. Coisa de família, né?!”

Não Verbal – tom explicativo na tentativa de convencer o

entrevistador sobre o domínio do tema, além da postura do corpo relaxada sobre a cadeira e mesa.

Neste exemplo, ao explicar seu conhecimento o entrevistado apresenta no seu tom de voz a intenção de passar domínio sobre o assunto, mostrando que sua integração com a música é anterior a sua atuação nas escolas de percussão ou maracatu, o que lhe coloca num nível, segundo sua percepção, superior aos demais. É como se este, por ter uma formação e conhecimento musical requintado, descrita ao afirmar em seu discurso como um estudioso amador da música popular brasileira, onde o jargão ‘música popular brasileira’ está associado à qualidade desta produção e seu consumo por uma elite intelectual onde ele teve sua origem. Temos aqui, uma visão clara o pensamento de Bourdieu (2008) e sua teoria de distinção

fundamentada no capital familiar e escolar. Para o autor, os gostos e preferências do indivíduo estão fundamentados na sua formação familiar ou no que este venha a apreender no ambiente acadêmico. Neste exemplo, a formação do entrevistado e a vivência que o ambiente familiar lhe proporcionou junto a MPB, lhe conferem o sentimento de distinção perante o grupo.

Essa mensagem fica ainda mais clara quando sua postura apresenta um relaxamento sobre o corpo com um ar de descaso e superioridade sobre o assunto discutido, o que vem a significar, segundo Tompakow e Weil, (1986), uma postura de intimidade com um tema que lhe leva a descontrair o corpo seguro do que está falando.

Já na entrevista 04 temos o verbal e o não verbal, unidos para enfatizar o quanto o entrevistado é especial na sua avaliação, junto aos demais membros do grupo. No contexto, o entrevistado descreve o desejo de que seu marido tem em sempre trabalhar para o crescimento no que faz. Destaco a seguinte passagem:

Entrevista 04 – linhas 50 a 25

Chico, assim, a necessidade de, de ser bom, de, de levar aquilo ali não só como uma coisa pra desopilar, mas de levar uma coisa a sério mesmo.

Verbal – a narrativa afirma uma qualidade positiva do seu marido. O empenho e a preocupação em levar a sua participação no grupo como algo sério e que venha a lhe dar qualidade perante os outros integrantes.

Não Verbal – ênfase em falar o texto tem uma conotação de positivo.

Para o entrevistado 04 o “ser bom” dito para o seu marido mostra claramente seu desejo de distinção. Esta distinção, como classifica Bourdieu (2008), tem aqui uma construção do conhecimento a partir da formação escolar, neste caso não teremos uma formação acadêmica tradicional, mas sim uma construção musical das escolas de percussão e maracatus de onde já fez parte e construiu sua habilidade como músico. É interessante perceber neste exemplo o que o difere do entrevistado anterior. O capital escolar, mesmo não convencional, lhe dá uma distinção no grupo. Torna-lhe nobre perante os seus.

Assim como o entrevistado 04, entrevistado de número 08 que veremos a seguir, a característica aqui analisada é percebida diante da sua atuação no seu trabalho que é levada para o ambiente. Ele narra que trabalhar com produção cultural e educação, é o que o difere dos demais.

Entrevista 08 – linhas 24 a 28

Hoje eu trabalho com educação. Trabalho na Fundação Roberto Marinho. Fundação Roberto Marinho, trabalho com com (corrige-se) é, educação e cultura. É, eu sou jornalista de formação, mas aí ..., é... Trabalho numa, num, num, num, num, numa área da Fundação Roberto Marinho

Verbal – a narrativa leva a crer que sua atuação levada ao ambiente do maracatu, é uma forma de reconhecimento. Sua formação e área de atuação, lhe colocam numa função de colaborador.

Não Verbal –tom de superioridade ao relatar local de trabalho, dando ênfase na sua formação acadêmica.

No trecho da entrevista 07, o reconhecimento narrado e ressaltado num aspecto não verbal. A fala do entrevistado descreve sua distinção no grupo, reconhecido em especial pelo mestre do maracatu9. Contextualizando a passagem, o entrevistado narra o depoimento do mestre sobre seu desempenho e o apresenta como um exemplo a ser seguindo.

Entrevista 07 – linhas54 a 55

E a minha relação com ele sempre é muito boa. E ele sempre, ele já comentou, me disseram uma vez que eu não fui no ensaio, eu não fui, eu não tava, e alguém... tava lá fazendo alguma coisa muito errada assim, ele fez assim “Pô, porque não faz feito Pablo?”

Verbal – a narrativa ressalta qualidades e reconhecimento pelo membro superior do grupo, lhe transformando em uma referência de qualidade.

Não Verbal – sorriso nos lábios de reconhecimento do que foi dito, transmite a alegria pelo

reconhecimento.

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Personagem de maior valor junto a batucada do maracatu ou escola de percussão. Este funciona como um maestro deste grupo, repassando ensinamentos e mantém a identidade do grupo a que pertence.

Papéis sociais serão um forte indicador de distinção e diferenciação (BOURDIEU, 2008) e neste exemplo temos mais que um papel ou função no grupo, mas sim uma validação hierárquica sobre sua qualidade. É importante ressaltar o quanto o Mestre do maracatu é respeitado e o que ele fala é reconhecido pelos membros do seu grupo como lei. Diante disso, ser lembrado e destacado como exemplo a ser seguido é uma forma de destinação no grupo.

Concluímos com a análise do material desta categoria que o adjetivo que a sintetizaria seria NOBREZA. Esta não traz na sua tradução uma um sentido de distinção ou diferenciação econômica ou social, justificamos esta nomenclatura na percepção que tivemos nos depoimentos dos entrevistados em ser e pertencer a uma elite cultural que não lhe dá esta distinção a partir da educação literária, mas sim, e também, do seu engajamento e participação num movimento cultural e folclórico do seu Estado. É como se para fazer parte desta elite cultural não bastasse apenas ter o conhecimento teórico sobre o assunto, mas sim uma atuação perene que lhe faz um guardião e um elemento a ser preservado da sua cultura. Possivelmente, este sentimento expressado e percebido durante o campus tenha seu fundamento também no que descreve Maciel e Miranda (2008) em sua análise sobre a formação da cultura pernambucana, na qual um histórico de riqueza e uma nobreza que faz parte do alicerce desta cultura é introjetado num comportamento de consumo característico dos seus nativos. O mais interessante de ser percebido é que essa preservação e nobreza aparecem também no nível da cultura popular, e transforma o que em outros tempos era marginal em algo raro e de valor.

Esse valor percebido passa a ser copiado e adotado por seus pares, não só nesta categoria mas e todas que veremos a seguir. Isso reconstrói um padrão a ser seguido, seja na forma de se comportar e consumir. Quanto nosso foco é a moda, veremos claramente elementos dos seus espelhos10 replicados de forma sutil em peças ou formas do vestir.

6.2 Categoria Analítica – 02

Sendo um homem um ser social por excelência, como podemos concluir no pensamento de Baudrillard (1973), sua integração está associada ao consumo, e este consumo por sua vez será mídia da felicidade e da certeza de pertencer ao grupo de desejo. Crendo assim, ficou fácil perceber por que este desejo esteve presente em todas as entrevistas

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Entendemos espelho aqui tratado como um exemplo a ser seguindo. Elemento do grupo que é percebido como uma referência.

trabalhadas. O desejo de fazer parte, de estar integrado, e de ser percebido como membros das escolas de percussão, reforça o pensamento acima.

No depoimento do entrevistado número 06, apesar de se tratar de ser natural da cidade de São Paulo, fica claro a sua escolha por Recife como sua nova cidade natal. Veremos nos níveis verbal e não verbal o quanto esse desejo de integração com este novo ambiente será fundamental para ele.

Entrevista 06 – linhas 17 a 18

Conhecia menos ainda a cultura pernambucana e fui morar em Boa Viagem. Não conhecia a cidade, mas queria me inteirar...”

Verbal – a narrativa afirma que o entrevistado tinha o interesse explícito de fazer parte, de se sentir integrado socialmente.

Não Verbal – ênfase na citação valoriza o desejo percebido. Sua entonação é positiva e funciona como uma resposta afirmativa ao seu esforço.

Seguindo o pensamento de Baudrillard (1973), hoje, consumir é um desejo social. A oferta não está mais só no valor e sim na experiência e no prazer de consumir, na forma como o meio e os objetos se comunicam e como nos relacionamos com eles. Conhecer a cultura pernambucana é a forma que o nosso entrevistado propõe para pertencer a este novo universo.

Na narrativa da entrevista número 01, vemos o quanto o a vivência em um novo grupo veio a alterar gostos de consumo deste entrevistado. A partir de sua entrada na Universidade o acesso a uma nova forma de consumir passa a fazer parte do seu dia-a-dia. Neste acesso e consumo, o maracatu aparecerá como uma chancela de pertencimento.

Entrevista 01 – linhas 16 a 19

Sério agora. Acho que meu universo era outro. Eu não tinha acesso a uma vida, vivência, mais apurada. Eu era apenas um espectador, que tava lá vendo.

Verbal – a narrativa já traz uma afirmação da sua descoberta em fazer parte destes novos grupos como algo positivo.

Com os novos amigos,

possibilidade de chegar perto. Um conhece o outro, que é amigo do outro, e por aí se vai.

Nestes dois exemplos, o “fazer parte de algo”, mesmo que ainda não seja reconhecido pelos entrevistados de forma explícita, demonstra o quanto essa integração é importante. A chegada a uma nova cidade, ou a chegada a um novo grupo de amigos que lhes abre a possibilidade de integração em novos grupos ou subgrupos sociais a partir do consumo de produtos reconhecidos e validados por este grupo (BAUDRILLARD, 1973). Estas possibilidades também não têm uma postura passiva, pois ambos irão à procura de caminhos e contatos que trabalhem essa integração no decorrer das entrevistas.

Ao perceber nesta análise a narrativa “já faço parte” e “reforço minha identidade pertencendo”, relembramos o pensamento de Mizrahi (2007) e os funkeiros cariocas. Para esta autora, o consumo simbólico de objetos ou do ambiente onde o grupo de desejo se encontra nada mais é que uma forma de também pertencer. Transferindo seu objeto de pesquisa do funk para o maracatu, a apreensão do gosto de consumir este ritmo se dará no trânsito entre a vida cotidiana a as aulas de percussão, ou o próprio desfile do cortejo durante o carnaval. Neste contexto a roupa será o grande elemento de conexão, identificação e pertencimento no grupo. Esse vestir não se resume ao carnaval. Veremos nas análises seguintes como a adoção de moda será elemento fundamental da formação da identidade deste grupo em espaços diversos.

O “ter” esteve sempre associado ao “pertencer”, como visto na perspectiva cultural trabalhada por Kaiser (1998), onde valores coletivos construídos na cultura em análise representam as ideias abstratas e ingredientes da formação desta cultura, manifestando-se na forma como seus integrantes se relacionam socialmente ou com esses valores. Na entrevista 03, fica claro que “ter”, ou melhor, “vestir-se como os demais”, traz a sensação de fazer parte do grupo.

No contexto de onde foi retirado e exemplo a seguir, o entrevistado descreve dois momentos do vestir onde a roupa está sendo usada individualmente e em grupo.

Entrevista 03 – linhas 85 a 87

Perde até um pouco da questão do espetáculo, ás vezes até quando a gente vê uma roupa

individualmente falando, a roupa do maracatu não é tão bonita, mas quando junta o grupo, todos usando a mesma roupa, fica, visualmente falando, bastante atraente, e vem a calhar.

Verbal – a narrativa afirma o sentido de grupo a partir da posse de elementos em comum.

Não verbal – a ênfase com euforia denota um tom positivo no que é dito.

Neste exemplo percebemos que a posse da roupa, assim como os cabelos dos funkeiros ou as jaquetas de couro dos motoqueiros Harley Davidson, nada mais são que uma forma simbólica de consumir elementos de integração. Garcia e Miranda (2007) defendem que as pessoas compram produtos para ver refletidas neles a si mesmas, seus valores e seus gostos pessoais. Valores representam as crenças dos consumidores sobre a vida e o que julgam como um comportamento aceitável. Se crenças, ainda sob a ótica das autoras, nada mais são que um pensamento descritivo que uma pessoa tem de algo. Partilhando a máxima que moda é comunicação, peças do vestuário comunicarão sempre o que sou e no que acredito. Desta forma o consumo será sempre simbólico, e quando temos a roupa como nosso objeto de análise, teremos este simbolismo presente e em movimento no seu usuários. Isso lhe dará a sensação de conforto e de carregar sua mensagem de identidade permanentemente nos seus trajes.

Não tendo a roupa como exemplo, mas tão rico quanto, destaco mais uma passagem da entrevista 06, na qual a integração é a grande tônica. Neste exemplo, a escolha de um novo automóvel para o entrevistado passa por todo um processo de análise, diante da grande preocupação de não vir a ferir a relação já construída com seu grupo.

Entrevista 06 – linhas 196 a 222

Eu comprei o meu carro pensando em poder entrar na favela e não agredi-los. E não chamar a

Verbal – o texto descreve a preocupação do entrevistado em não agredir seu grupo com um objeto que ostentasse status

atenção, e não, e não... E não ser um... Um elemento de

estranhamento e ao mesmo tempo de que tu pudesse, quer dizer, eles iam aceitar, evidente, mas é... Pra não chamar atenção, eu me, me mimetizar melhor.

Quer dizer eu comprei um bom carro, gastei 43 mil naquela época, só que era um carro absolutamente comum, não chamativo, nem... Entendeu? Porque eu tinha medo de entrar na comunidade e chamar a atenção e ser agressivo e não ser bem, assim, e o pouco que eu tinha conquistado lá dentro, de repente ser...

Ser perdido. Não ser perdido, mas assim, o pessoal começar a me olhar como... O, o, o cara de fora, que além de tudo tem dinheiro, e com isso de repente despertar... Intenções não, não só ligadas ao movimento cultural propriamente dito, é... Era essa a minha... Então esse é um exemplo. E foi uma besteira que eu fiz na minha vida, porque pensando no ponto de vista, é... Econômico. Porque dois anos depois o meu, o meu carro tava valendo menos do que 50, é, praticamente menos que 50% do,

financeiro superior. Por outro lado, descreve também o seu grande conflito por ter que fazer esta escolha.

Não verbal – o tom durante a narrativa deste texto variará entre o espanto e de ironia em ter que viver a situação narrada. Mas, em momento algum, o tom passou a ser de desaprovação pelo que foi escolhido.

Interacionais – apesar de não estarmos no tempo e espaço onde a narrativa ocorreu, o entrevistado deixa claro o seu reconhecimentos do meio e as consequências de uma ação bem planejada possa vir a causar.

do preço que eu tinha, é... investido nele. Então... É... Isso pesou. Pesou fortemente. Escolher um carro que fosse mais discreto, embora ele seja um bom carro, e tenha todos os, as condições legais, mas eu não queria finalizar... Olha só, isso é ao contrário né, quer dizer,

normalmente você compraria um carro, e, e, um, e aqui, tem muito isso também, que você, com o carro finalizar um, um

progresso... (palavra inaudível) um status... Uma coisa do tipo, e eu... Eu fiz o oposto, eu comprei um carro que... Finalizou o

oposto. Né, então acho que isso foi uma... Uma, Uma... Um exemplo forte de como esse, esse meu envolvimento com esse movimento cultural influenciou a minha vida.

É interessante perceber como um bem que tem um reconhecimento positivo de status, como é o automóvel para o meio em análise, leva o entrevistado a questionar e decidir sua compra por algo que lhe traz desvantagem, mas não vem a desconstruir sua imagem de integração com o grupo. Ter um veículo percebido como luxuoso para o meio, causaria uma distância ou até uma imagem de arrogância ou de prepotência, onde sua identidade não dialogaria no mesmo nível do grupo.

Assim, para esta categoria analítica passaremos a chamá-la de PERTENCIMENTO. Lembrando que pertencer, como já visto acima, é inerente ao homem. Nesta categoria, o universo alternativo das escolas de percussão e maracatus, deixa claro que esse desejo faz parte de uma construção da sua identidade alternativa. Lembrando o pensamento de Solomon

e Rabout (2004), veremos que não importa se o grupo ou subgrupo de desejo é formal ou informal, teremos sempre a possibilidade de uma participação passiva ou ativa neste espaço. Os grupos alternativos das escolas de percussão e maracatus caracterizam-se por um desejo de participação ativa. Mesmo quando sou apenas um membro da batucada (papel massificado sem um destaque hierárquico na escola ou folguedo), estou colaborando ativamente. Não existe admiração ou cópia isolada de participação.

Ainda sob a lógica dos pensadores acima, temos, na sua escala de referência de participação em grupos formais, ou não, características distintas neste corpus. No nível intragrupo existe a predominância na escala ‘recompensa’, na qual a integração é prazerosa pelo reconhecimento do grupo de sua participação. Já no nível extragrupo, teremos três escalas presentes: ‘Poder de Referência’, onde a relação com outros grupos está associada a ser admirado e copiado; ‘Informação’, onde o membro é percebido como uma fonte positiva de consulta sobre este universo; e, por fim, ‘Expertise’, onde a vivência lhe dá a chancela de participante.

Neste sentido, assim como na categoria NOBREZA, o participante deste universo terá a capacidade de influenciar o consumo dentro e fora do seu grupo. Essa forma de consumir servirá como retroalimentação deste universo, já que viveremos aqui uma relação de produção e consumo associados. A produção partirá dos nativos que reproduziram intuitivamente hábitos e uma estética comum a eles. Consequentemente estes mesmos produtores serão consumidores, assim como os não nativos que pelos motivos aqui apresentados em nossa análise estão inseridos neste consumo. Fazendo uso da máxima Moda é comunicação (Garcia e Miranda, 2007), vestir-se será uma das formas de reforçar este pertencimento, através da adoção de uma nova estética na sua forma de vestir.

6.3 Categoria Analítica – 03

Na categoria 03 fica claro que o espaço alternativo das escolas de percussão e maracatus é prazeroso e vem a servir como uma válvula de escape para padrões formais desta sociedade. Outro ponto de destaque é a relação narrada pelos entrevistados com relação à hierarquia e comando. Nestes grupos a voz de comando será seguida não por um papel social ou por uma escala hierárquica de uma organização. Existirá sempre um reconhecimento de

valor associado à vivência e experiência no grupo. Um mestre de maracatu é mestre por fazer parte deste universo e carregar com ele a história do maracatu em sua vida.

No ambiente onde aconteceu o encontro com o entrevistado 07, havia alguns objetos e instrumentos do maracatu presentes. Quando indagado sobre o que representavam aquelas alfaias11 em canto de destaque na decoração do ambiente de sua sala de estar, este respondeu que:

Entrevista 07 – linhas 35 a 40

É... Sempre está a, uma, uma tá furada que é a do Porto Rico que é vermelha e verde, e a outra tá no pono. Assim, qualquer hora que eu quiser, que bate uma saudade eu pego ela, boto no carro, e vou me embora tocar. Eu gosto muito assim, tanto do, da questão somente musical, como eu acho muito bonita a questão da religiosidade, né, das, das coisas que envolvem o maracatu de nação.

Verbal – a narrativa descreve o quanto é prazeroso para o entrevistado tocar. Da mesma forma que a possibilidade de fugir para o ambiente do maracatu é um fato de liberdade acessível.

Não verbal – tom explicativo tenta passar a alegria vivida em tocar e participar deste universo.

A liberdade acessível é o grande mote neste exemplo. Para o entrevistado as alfaias sempre à vista lhe dão a sensação de pertencimento. Estes objetos carregados de simbolismo do universo do maracatu e escolas e percussão, como visto no pensamento de Baudrillard (2000), nada mais são que representações simbólicas e que lhe dão a constante sensação da possibilidade de transitar entre estes universos. O consumo tem no pensamento de Debord (2006) um caráter negativo, onde a massificação faz do consumidor um alienado que busca uma realidade construída e imposta pela mídia; mas na relação vivida neste grupo vemos justamente o oposto. Existe uma constância com o reconhecimento do consumo relacionado a este universo. Faz-se necessário a este consumidor uma compreensão e fundamentação no que

Benzer Belgeler