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Çevre ve Ġklim Parametreleri

Em meados de 1986, surge na cidade de Olinda uma banda de maracatu chamada Nação Pernambuco6. Fundada por universitários de diversas áreas, profissionais liberais e produtores musicais, o Maracatu Nação Pernambuco rapidamente torna-se popular nas esferas dos ‘jovens intelectuais’. Vivendo o efeito trickle-up e trickle-down (GARCIA e MIRANDA, 2007) cultural, em pouco tempo outros grupos que tocam e cantam maracatu surgiram e, com eles, todo um modismo de virar batuqueiro nos jovens das cidades do Recife e Olinda. Coincidentemente, neste mesmo período, outro movimento cultural dá seus primeiros passos: o Manguebeat. Este, tendo como seu porta-voz Chico Science, tem, antagonicamente, suas inspirações musicais nos ritmos populares pernambucanos e no que há de mais contemporâneo na música internacional. Buscando nesta mistura, formas de utilizar a alfaia7 e outros instrumentos dos folguedos populares em sua banda chamada Nação Zumbi (TELES, 2000). Com um sucesso que se origina em primeiro lugar na periferia recifense, local de sua construção e inspiração; o movimento Mangue, assim por diante denominado, inicia um processo de identificação estética dos integrantes do seu grupo.

Para termos uma ideia de como é forte a estética trabalhada pelo maracatu pernambucano, já que esse será o ponto primordial de partida para o movimento e da estética bumba aqui estudada, trazemos um depoimento de Suassuna (apud RIBERIO e MONTES, 1999) em uma de suas experiências com o esse folguedo.

Apesar da pobreza em que há tanto tempo abate o Nordeste, do ponto de vista da Cultura o nosso Povo tem uma força que me comove e alenta. Uma vez, em Tracunhaém, um dos municípios mais pobres da Zona da Mata pernambucana, eu estava numa praça, quando de repente saiu de um beco um grupo de Maracatu-Rural, o Leão de Ouro, que, tanto como na música quanto como na dança, era um esplendor e um exemplo para todos nós. Integrado em sua maioria por cortadores-de-cana, e por suas mulheres e filhos, estavam todos os dançarinos cobertos de golas e mantos decorados com lantejoulas, espelhos e pedraria. E eu fiquei ali, deslumbrado diante do milagre, sem saber nem poder explicar como é que esse Povo brasileiro cria tanta beleza no meio de tantas dificuldades (SUASSUNA, apud, RIBEIRO e MONTES, 1999, p. 5).

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O Nação Pernambuco não tem sua formação como Nação de Maracatu. Ou seja, não estará ligado diretamente às questões religiosas. Sua preocupação será manter vivo este ritmo.

Mesmo com toda essa riqueza, não podemos deixar de lembrar que este folguedo vem das classes mais populares e, com isso, toda uma marginalização estará associada. Além disso, por ter sua fundamentação no sincretismo das religiões africana e católica, o estigma negativo do candomblé também fará parte dessa marginalização. Assim, esse folguedo ficará guardado em seus nichos, sendo apreciado apenas nos festejos de Momo.

Figura 05 – estilo estético mangueboy e manguegirl

Logo um estilo de vestir nascido da batida do mangue será traduzido em uma produção de moda também nascida de estilistas, todos frutos do próprio movimento. Será o caso de Eduardo Ferreira, que, em 1992, faz seu primeiro desfile solo, para o Salão da Moda de Pernambuco, projetando seu nome e essa estética para todo o Brasil.

Hoje, a estética mangue sofreu uma evolução e renovação, que a colocam como uma referência de comportamento e de valores na cidade de origem. Saindo das ruas, passa por lojas alternativas, chegando até passarelas de eventos nacionais e internacionais. A estética mangue instala-se no shopping Paço Alfândega (OVERMUNDO, 2010), local de referência de estilo e sofisticação, numa loja que trabalha com prioridade a venda e promoção de criadores locais. Essa evolução e integração, principalmente com o público jovem, criarão o termo ‘estética bumba’ para os usuários deste padrão de vestir e se comportar. A construção dessas novas estéticas propostas partirá do que os autores como Craig e Haytko (1997) chamam de consumidores interpretativos. Estes constroem discursos e significados que refletem seus diálogos recheados de personalidade, história de vida e interesses específicos para cada contexto. Estas novas propostas serão pouco a pouco reconhecidas, interpretadas, aprovadas e consumidas pelos grandes grupos.

É bem verdade que a moda estará mais associada ao universo feminino, que por questões históricas e sociais terá uma mobilidade e alteração superior aos trajes masculinos; mas não podemos negar o quanto os homens carregaram consigo uma série de significados tão fortes que irão além do gênero; o que será especialmente percebido no universo Mangue. A atmosfera da moda, construída pelas grifes, será responsável pela sua valorização e ‘glamourização’, que, em grande parte, não será percebida por classes mais baixas. Caberá ao sistema de moda a construção de uma leitura adequada e adaptada de produtos traduzidos e com o sotaque ideal para cada público-alvo.

Roupas e aparência podem ser exploradas diariamente. Assim, papeis são construídos por padrões sociais da roupa. Em alguns casos, esses padrões são reconstruídos, criando novos estilos, como é o caso do estilo Mangue e da estética bumba aqui percebido. Quando construímos nossa forma de vestir do nosso dia-a-dia, estamos sempre sujeitos à análise do outro. Essa análise, para ser composta, fará uso de significados e valores sociais para julgar e decodificar o objeto analisado. Aparentemente simples essa análise tem variantes diversas que agrupadas de uma determinada forma, lhe dará leituras distintas. Mas, basta um breve reajuste nesta linha de composição, para termos outras mensagens construídas (KAISER, 1998). O nosso decodificador também merece toda a atenção, pois a sua percepção do seu objeto de análise pode, em avaliações leigas ou sem cunho acadêmico, criar falsas interpretações dos signos e valores apreciados. Segundo Kaiser (1998), é no nosso everyday life onde se constroi a relação roupa e grupo.

Mergulhado neste universo mangue, que serve de esteio para nosso objeto de estudo, focamos na perspectiva de consumo trabalhada por Kaiser (1998), a linha do consumo simbólico e sua perspectiva cultural. Resgatando o que foi analisado anteriormente, seus pressupostos estão fundamentados em valores coletivos, na produção e reprodução por meio de formas culturais – aspectos intangíveis da cultura. Tratando do quanto é forte a capacidade de dar valor aos objetos e, consequentemente, às roupas que os membros de um grupo usam. Moda foi nosso objeto de estudo para entender a forma como este grupo constroi sua identidade. A partir dessa construção, buscamos identificar elementos contidos nesse consumo, que nos mostrem caminhos de reconstrução de produtos focados neste público-alvo.

Benzer Belgeler