2. MATERYAL VE METOT
2.1. Kontrol Sistemleri ve Özellikleri
O incipit de No Longer at Ease mostra Obi Okonkwo chegando ao tribunal, onde o veredicto com relação ao seu delito será declarado. Ainda no mesmo capítulo, temos uma mudança de cenário e somos apresentados a Mr Green. Esse, num clube de tênis, emite sua opinião sobre a natureza da corrupção nos países africanos e sua teoria sobre as causas do crime de Obi :
‘O africano está completamente corrompido.’ (...)
‘O fato de que, durante incontáveis séculos, o africano foi vítima do pior clima do mundo e de todas as doenças imagináveis. Isso nem é culpa dele. Mas ele foi minado mental e fisicamente. Nós lhe trouxemos a educação ocidental. Mas qual é a utilidade disso para eles?’117
Para efeito da análise realizada neste capítulo, que se concentra primordialmente nas articulações narrativas, dando atenção total ao texto literário, deixaremos de lado o fator extremamente irônico presente na fala do personagem Mr Green, no trecho citado acima. O personagem culpa o clima africano e se esquece de mencionar a colonização como fator corrompedor do continente africano.
A cena seguinte àquela apresentada acima acontece em uma reunião de emergência da Umuofia Progressive Union. Os membros dessa associação, todos originários do vilarejo de Obi, Umuofia, estão reunidos para decidir o que fazer com relação ao resultado do julgamento. Como Obi foi considerado culpado, uns acham que já fizeram demais por ele, outros acham que ainda devem ajudá-lo: “‘Estamos apenas jogando dinheiro fora.’ (...) Mas esse homem não teve nenhum simpatizante. Os homens de Umuofia estavam preparados para lutar até o fim.”118
117 ‘The African is corrupt through and through.’ (…)
‘The fact that over countless centuries the African has been the victim of the worst climate in the world and of every imaginable disease. Hardly his fault. But he has been sapped mentally and physically. We have brought him Western education. But what use is it for him? (NLE, p. 3)
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Temos, então, a visualização de três acontecimentos diferentes e simultâneos – a cena de Obi no tribunal, a argumentação de Mr Green no clube de tênis e a reunião da assembléia dos umuofianos – todos precisarão ser explicados em seguida: Por que Obi está sendo julgado? Quem é Mr Green e por que ele se dá o direito de teorizar sobre a natureza da corrupção nos países africanos? O que é a Umuofian Progressive Union e qual é seu papel no romance?
A explicação sobre Mr Green, por exemplo, aparecerá bem mais adiante no texto. Ele entra em cena dando sua opinião sobre o caso de Obi no primeiro capítulo, mas é apenas no capítulo sete que descobrimos que ele é o chefe de Obi: “O que é a tragédia de homens como o Mr Green, o chefe de Obi”119. E apenas no capítulo onze, entendemos qual é sua “tragédia”, pois a narrativa se organiza de modo que as explicações vão surgindo aos poucos, como paráfrases narrativas, na voz do narrador, na medida em que se desenrola o fio narrativo. William Green vive num país colonizado, mas às vésperas da independência, o que o torna um ser fora de seu lugar, um colono britânico num país africano prestes a se tornar independente. As regras não são mais as mesmas dos tempos áureos da colonização, quando o homem branco tinha poder absoluto e inquestionável; o que resta a Mr Green, então, é fazer críticas e reclamar da situação presente.
Seguindo a lógica dessa narrativa que se constrói paulatinamente, é apenas mais adiante que conheceremos a natureza do deslocamento de Mr Green:
Aqui estava um homem que não acreditava num país e que mesmo assim trabalhava tanto por ele. Será que ele simplesmente acreditava no dever como necessidade lógica? Ele constantemente adiava sua consulta ao dentista porque, como sempre dizia, tinha um trabalho urgente a fazer. No caso de Green era difícil entender qual era seu prazo, a não ser que fosse a independência da Nigéria. Diziam que ele se demitiu quando se pensou que a Nigéria poderia se tornar independente em 1956. Na época, isso não aconteceu e Mr. Green foi convencido a pedir a revogação de sua demissão.120
But this man had no following. The men of Umuofia were prepared to fight to the last. (NLE, p. 5)
119 Which is the tragedy of men like William Green, Obi’s boss (NLE, p. 59, grifo nosso)
120 Here was a man who did not believe in a country, and yet worked so hard for it. Did he simply believe in duty as a logical necessity? He continually put off going to see his dentist because, as he always said, he had some urgent work to do.
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Era óbvio que ele amava a África, mas apenas um certo tipo de África (...) Ele deve ter vindo originalmente com um ideal – trazer a luz para o coração das trevas, (...). Onde estava sua adorada mata repleta de sacrifícios humanos? (…) mas, em 1957, a única coisa que ele podia fazer era insultar e xingar.121
São as analepses e prolepses da diegese narrativa que fornecem as explicações que o leitor de No Longer at Ease precisa. Ainda no primeiro capítulo, o narrador realiza uma analepse a partir da reunião da Umuofia Progressive Union, para acrescentar informações sobre a família de Obi, seu sucesso na escola e o esforço que os moradores de Umuofia fizeram para mandá-lo para a universidade na Inglaterra.
A narrativa de No Longer at Ease dá-se como a organização da retórica dos personagens igbos de Achebe, que costumam construir suas argumentações com provérbios, seguidos de suas “explicações”, como nos exemplos:
‘Ele não é o único cristão que vimos,’ disse um deles. ‘Mas é como o vinho de palma que bebemos. Algumas pessoas podem bebê-lo e manter o juízo. Outros perdem todos os sentidos.’122
“A barriga de algumas pessoas é como a terra. Nunca está cheia demais que não possa receber mais um corpo.”123
A frase “é como o vinho de palma que bebemos” é um elemento da argumentação que exige uma paráfrase ou explicação logo em seguida, para que seu significado faça sentido para aquele que escuta e, consequentemente, para aquele que lê. Para nós, o importante no exemplo é a constatação de como se constitui a retórica igbo, tão explorada por Achebe em seus romances e contos. O leitor habituado aos romances de Chinua Achebe e que já leu Things Fall Apart (1958) ou Arrow of God (1964), obras que retratam a cultura igbo antes da colonização, está acostumado a encontrar provérbios e imagens metafóricas ao longo de sua leitura. No entanto, o que Achebe faz
In the case of Green it was difficult to see what his deadline was, unless it was Nigeria's independence. They said he had put in his
resignation when it was thought that Nigeria might become independent in 1956. In the event it did not happen and Mr Green was persuaded to withdraw his resignation. (NLE, p. 96)
121 It was clear he loved Africa, but only Africa of a kind (…) He must have come originally with an ideal – to bring light to the heart of darkness, (…). Where was his beloved bush full of human sacrifice? (…) but in 1957 he could only curse and swear. (NLE, p. 96 – 97)
122 'He is not the only Christian we have seen,' said one of the men. 'But it is like the palm-wine we drink. Some people can drink it and remain wise. Others lose all their senses.' (NLE, p. 44)
123 “Some people's belly is like the earth. It is never so full that it will not take another corpse. God forbid,' said a palm-wine tapper I knew.” (MOP, p. 87)
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em No Longer at Ease é expandir esta forma de elocução retórica igbo para a própria forma de seu romance, pois nele vemos exatamente essa formação: primeiro a cena do tribunal e depois, ao longo do romance, a explicação de sua razão.
A configuração da narrativa de No Longer at Ease acontece de forma similar às imagens proverbiais dos igbos: primeiro somos introduzidos a uma cena, que se dará apenas no fim da narrativa primeira, o julgamento de Obi. Trata-se de uma prolepse interna, termo utilizado por Genette para a análise da ordem temporal dos eventos em uma narrativa, isto é, suas anacronias - “diferentes formas de discordância entre a ordem da história e a da narrativa” (GENETTE, 1995, p. 34). Essas podem ser classificadas segundo seu alcance e sua amplitude. O alcance define-se como a distância temporal em que determinada anacronia acontece, tendo como referência o tempo que é tido como presente dentro da narrativa. Esse afastamento temporal pode se dar tanto no passado quanto no futuro. Já a amplitude é o tempo decorrido na história relatada durante a anacronia. Com base nesses dois conceitos, pode-se dizer que a cena de abertura de No
longer at Ease pode ser classificada como uma prolepse, ou seja, uma visão do futuro
da narrativa. Seu alcance é de um ano depois do presente da narrativa, que começa com o retorno de Obi da Inglaterra, e sua amplitude é de apenas alguns minutos, pois trata dos momentos iniciais do último dia de julgamento.
A “narrativa primeira” é o principal curso de eventos dentro do romance. As anacronias podem relatar eventos que possuem alcance anterior ou posterior à narrativa primeira, analepses, ou depois desta, prolepses, a qual, por sua vez, podem ser classificadas como internas ou externas. As anacronias externas acontecem fora do espaço de tempo da narrativa primeira (em No Longer at Ease, por exemplo, seriam os momentos em que o narrador volta até a infância de Obi) e as anacronias internas ocorrem dentro do espaço de tempo da narrativa primeira (um exemplo é a cena em que o narrador volta até o momento em que Obi reencontra aquela que será sua namorada, no navio de volta da Inglaterra).
As anacronias podem ainda ser mistas, de acordo com uma característica de amplitude. A analepse mista é aquela que começa em um período no passado e se prolonga até alcançar o tempo da narrativa primeira, enquanto a prolepse começa dentro da narrativa primeira, mas se estende para além desta.
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No âmbito dessa análise, as classificações formuladas por Genette nos ajudarão a perceber a natureza interna da construção narrativa dos quatro romances em questão, para revelar os aspectos estruturais do que chamamos aqui de progressão narrativa, isto é, a maneira como a configuração da narrativa se modifica, à medida que a construção dos personagens-tipo de cada romance evolui.
A partir do capítulo dois, o narrador retoma o que chamaremos de narrativa primeira, ou seja, ele vai passar a narrar, de maneira mais ou menos cronológica e linear, o percurso de Obi desde Londres, seu retorno a Lagos, sua profissão e seu declínio financeiro. Ocasionalmente, a narrativa voltará ao passado em breves analepses, sempre tendo Obi como foco. Um exemplo de pausa analéptica para retomar a infância de Obi acontece nas páginas 52 a 54. Nesse episódio, Obi, observando a mãe, começa a pensar que talvez ela preferisse contar para seus filhos histórias da tradição oral igbo, em vez de apenas se ater a orações e histórias bíblicas. Assim, o narrador faz uma analepse para explicar o fato de o pai catequista ter obrigado a família a seguir unicamente os preceitos do cristianismo. Por conseguinte, os filhos não podiam frequentar casas de vizinhos pagãos, nem aceitar comida da parte deles:
Um dia um vizinho ofereceu um pedaço de inhame a Obi, que tinha quatro anos de idade. Ele balançou a cabeça, como suas irmãs mais velhas e mais experientes, e disse: “Não comemos comida pagã”. Sua irmã, Janet, tentou cobrir a boca dele, mas já era tarde demais. 124
O capítulo 3 do romance, por sua vez, é uma grande analepse que reconstrói o início do relacionamento de Obi e Clara, sua namorada, desde a primeira vez em que se viram, num baile em Londres, até quando realmente ficaram juntos, no navio que os trazia de volta da Inglaterra para a Nigéria:
Obi se deu conta de repente que era verdade. Que desperdício de água. Uma fração microscópica do Atlântico transformaria o Saara num prado florescente. Já chega dessa ideia de o melhor dos mundos possíveis. Excesso aqui e nada lá.125
124 One day a neighbour offered a piece of yam to Obi who was then four years old. He shook his head like his older and wiser sisters, and then said: 'We don't eat heathen food.' His sister Janet tried too late to cover his mouth with her hand. (NLE, p. 53) 125 It struck Obi suddenly that it was true. What a waste of water. A microscopic fraction of the Atlantic would turn the Sahara into a flourishing grassland. So much for the best of all possible worlds. Excess here and nothing at all there. (NLE, p. 24, grifo nosso)
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As quatro narrativas romanescas aqui analisadas são carregadas de inúmeras referências literárias. O leitor se depara constantemente com nomes de autores, obras, versos e comentários críticos. No trecho citado acima, temos uma referência ao filósofo Gottfried Leibniz, quando Obi, por meio da voz do narrador, pensa sobre “o melhor dos mundos possíveis”. Segundo Leibniz, no trabalho “Ensaios de Teodiceia sobre a bondade de Deus, a liberdade do homem e a origem do mal”126, de 1710, o mundo em que vivemos, com tudo de malévolo e benéfico que nele encontramos, é o melhor dos mundos possíveis de existir.
O filósofo alemão tentava explicar como é possível que um deus bondoso permita a existência de tanto mal sobre a terra. Para ele, a existência do mal é necessária para que a coragem humana possa triunfar e, assim, fazer surgir o bem, ou seja, sem o mal, o bem não existiria, e, logo, deus também não. Portanto, um mundo sem mal é impossível de existir se acreditamos na existência de um deus bondoso. A ideia de “melhor dos mundos possíveis”, obviamente, sofre inúmeras críticas. A ideia é retomada, por exemplo, por Voltaire, em Candide (1759), na fala de seu personagem otimista, que sempre repete: “Tudo vai pelo melhor no melhor dos mundos possíveis”127. Em tom sarcástico, Voltaire questiona a resignação que pode estar por trás do raciocínio de Leibniz.
É exatamente esse aspecto de aceitação que Obi questiona ao pensar sobre as desigualdades do mundo, no navio que o leva de volta para a Nigéria. No meio do caminho entre dois mundos tão diferentes, a metrópole e a colônia, o protagonista se dá conta do quão injusto é o mundo que habita e se irrita com a ideia de que as coisas devem ser como são, apenas porque este é o melhor dos mundos possíveis.
A desigualdade e injustiça do mundo, que tocam Obi especialmente no que concerne a seu país natal, enchem-no de vontade de mudança. Obi acredita ser capaz de fazer algo diferente, apoiando-se em sua educação superior:
A teoria de Obi de que o funcionalismo público da Nigéria permaneceria corrupto até que os velhos líderes africanos fossem substituídos por jovens saídos da universidade foi primeiramente formulada em um ensaio que apresentou para a Nigerian Students' Union de Londres. Mas diferentemente da maioria das teorias formuladas por estudantes em Londres, esta
126 Essais de Théodicée sur la bonté de Dieu, la liberté de l'homme et l'origine du mal 127 " Tout est pour le mieux dans le meilleur des mondes possibles "
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sobreviveu a sua chegada em seu país natal. Na verdade, apenas um mês depois de sua chegada, Obi se deparou com dois exemplos clássicos desse tipo de velho líder africano.128
Os pensamentos de Obi, traduzidos pelo narrador onisciente em discurso indireto livre, ressaltam a natureza da formação acadêmica de Obi, responsável, em parte, pela sua visão crítica do mundo. Além disso, o discurso indireto livre contribui para transferir a função que Genette chama de “testemunhal” para as reflexões de Obi.
Segundo Genette, o narrador pode assumir cinco funções dentro da narrativa, cada uma delas diretamente ligada a um aspecto da narrativa. O primeiro aspecto é a história e a função do narrador correspondente é a “função narrativa”, à qual nenhum narrador pode fugir. A segunda é a “função de regência”, que diz respeito ao caráter organizacional do texto, ou seja, o narrador marca as articulações e a ordem do que é contado. A terceira função se relaciona com a situação narrativa em si, ou seja, alguns narradores assumem, em determinados textos, essa “função fática”, para manter relação com o narratário, aquele para quem a história é narrada. O narrador pode ainda estabelecer uma relação emocional e afetiva com aquilo que narra, assumindo assim a “função testemunhal” ou de atestação, que lhe permite fazer comentários sobre os sentimentos que os fatos narrados despertam em si. Com relação ao caráter intelectual e ideológico da narrativa, o narrador assume a “função ideológica” caso este se ponha a tecer comentários didáticos e explicativos. Genette afirma ainda que “nenhuma dessas categorias é completamente pura” (Genette, 1995, p. 255); assim, todo narrador assume pelo menos três dessas funções ao mesmo tempo.
Em No Longer at Ease, vemos uma aparição bastante sintomática da necessidade de explicação sentida pelo narrador, que, nesse caso, trata de questões que vão para além da narrativa; por isso, interfere no texto, entre parênteses, para se distanciar por completo dos personagens, numa alusão altamente irônica aos fatos e comportamentos que costumavam ser ignorados com a justificativa de serem necessários para se evitar problemas políticos internos:
128 Obi's theory that the public service of Nigeria would remain corrupt until the old Africans at the top were replaced by young men from the universities was first formulated in a paper read to the Nigerian Students' Union in London. But unlike most theories formed by students in London, this one survived the first impact of homecoming. In fact, within a month of his return Obi came across two classic examples of his old African. (NLE, p. 35)
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Ou talvez devêssemos dizer, para sermos rigorosamente fidedignos, que três deles estavam devidamente impressionados porque o quarto dormiu durante toda a entrevista, fato que, em si, poderia parecer sem importância se não fosse esse cavalheiro o único representante de uma das três regiões da Nigéria. (Levando em conta a preservação da unidade nigeriana, tal
região permanecerá inominada.)129
Esse aparte do narrador revela a tensão das disputas internas de um país dividido em regiões que abrigam diferentes etnias, que não vivem necessariamente em paz umas com as outras. Existe uma disputa interna para a conquista de postos dentro do governo. Obi faz parte dessa corrida, já que foi patrocinado pelos habitantes de sua cidade para estudar e alcançar um cargo importante que pudesse beneficiar seus conterrâneos. A intromissão do narrador não é apenas irônica, já que ela também dá a pista para entender todo o contexto social e histórico em que o protagonista se encontra.
Neste romance, fica claro que será Obi Okonkwo o foco principal, caracterizando assim a focalização interna. Outros personagens também serão o foco de seus episódios narrativos, principalmente no primeiro capítulo, como Mr Green, na cena inicial, quando expõe sua opinião sobre Obi, no clube de tênis (NLE, p. 2). No entanto, tais mudanças de foco serão raras e a maior parte dos acontecimentos serão observados e narrados pelo ponto de vista de Obi, que detém o foco dominante. Muitas vezes, no decorrer da trama narrativa, a voz do narrador se mistura às falas dos personagens, sem transição entre as duas instâncias narrativas, como no exemplo seguinte: “A única
solução era contar uma mentira. Algumas vezes, uma mentira era mais gentil do que
a verdade. Obi sabia por que a pergunta tinha sido feita.”130
Observamos também outra modalidade de entrelaçamento entre a voz do narrador e a dos personagens, quando aquele chama a atenção para a língua do personagem, que fala igbo: “‘Olha para ele’ disse Odogwu. ‘Ele é a reencarnação de Ogbuefi Okonkwo. Ele é Okonkwo, kpom-kwen, exato, perfeito.’”131
129 Or perhaps we should say in strict accuracy that three of them were duly impressed because the fourth was asleep throughout the interview; which on the surface might appear to be quite unimportant had not this gentleman been the sole representative of one