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V. Kontrol (İmza-Onay)

Nesta seção, traçamos um panorama sobre o gênero artigo recorrendo a diversos autores de manuais, a fim de levantar conhecimentos que nos permitam (re)conhecê-lo em publicações de periódicos.

O artigo acadêmico científico, embora seja um dos gêneros mais fortemente presentes na comunidade acadêmica científica, por vezes se torna alvo de dúvidas e dificuldades por parte de graduandos e pós-graduandos, até mesmo daqueles que já possuem certa experiência em curso de pós-graduação (FIGUEIREDO; BONINI, 2006, [s.p.]). Isso parece ser oriundo, a priori, de três fatores inter-relacionados: a falta de familiaridade com a escrita acadêmica em formatos outros que não o de ―prova‖; a dificuldade de inserir o artigo no rol das práticas sociais e discursivas cotidianas da comunidade; e o próprio contexto de circulação do gênero, que pode conter parâmetros variáveis.

De fato, o contexto de circulação do artigo acadêmico, cuja extensão costuma ser de aproximadamente dez mil palavras, concerne, normalmente, aos periódicos especializados. O objetivo principal desse gênero é apresentar resultados, de maneira relativamente breve, de uma pesquisa realizada, como afirmam Motta-Roth e Hendges (2010) e Medeiros (2010). Marconi e Lakatos (2003 [1985], p. 259) destacam que ―[...] por serem completos, [os artigos] permitem ao leitor, mediante a descrição da metodologia empregada, do processamento utilizado e dos resultados obtidos, repetir a experiência‖, posição ratificada por Medeiros

(2006), o que legitima sua cientificidade e o torna passível de ser verificado, ampliado, testado em outras bases ou até mesmo questionado.

Embora seja indicada a extensão de aproximadamente 30 páginas e o objetivo de divulgação de um novo saber, ambos os aspectos podem sofrer variações conforme a política editorial do periódico em que se pretende publicar (SEVERINO, 2007, [s.p.]). Com isso, o tamanho do texto pode ser reduzido, e o artigo pode ser de dois tipos, original ou de revisão, como exporemos adiante.

O(s) sujeito(s) autor(es) do artigo precisa(m) estar inserido(s) num cenário de pesquisa, ou seja, se envolver(em) em algum nível de pesquisa da graduação ou da pós- graduação. O envolvimento do sujeito na descoberta assegura ao artigo a modalidade de discurso primário, pois, por meio dele, esse indivíduo pretende envolver a comunidade com o valor de verdade de sua descoberta. É por isso que, geralmente, o artigo ―[...] apresenta o resultado de estudos ou pesquisas pequenas, porém completas, que não constituem matéria para um livro‖ (BRITTO, 2001, p. 1).

Assim, o artigo está vinculado ao contexto acadêmico e científico e cumpre o papel de divulgar entre pesquisadores de diferentes níveis, ―[...] em âmbito nacional e internacional, os resultados parciais e finais de pesquisas desenvolvidas em cursos técnicos, tecnológicos, de graduação e pós-graduação‖ (SANTOS; OLIVEIRA, 2011, p. 119). Isso é de extrema relevância para o desenvolvimento de cada área, visto que o artigo ―[...] proporciona não só a ampliação dos conhecimentos como também a compreensão de certas questões‖ (MARCONI; LAKATOS, 2003 [1985], p. 259).

Ainda segundo os autores acima referidos, cada nível de ensino pode produzir artigos conforme as exigências discursivas do nível. Assim, ―[...] no ensino técnico, tecnológico e na graduação, os artigos científicos podem ser oriundos de pesquisas de Iniciação Científica (IC), Trabalhos de Conclusão de Curso (TCC), monografias e demais trabalhos de pesquisa‖, (SANTOS; OLIVEIRA, 2011, p. 120), ao passo que, no nível da pós-graduação, ―os artigos podem ter como origem os resultados parciais ou finais de monografias de cursos de especialização, de dissertação de mestrado e de teses de doutorado‖ (Ibidem).

Segundo a NBR 6022 (2003, p. 2), o artigo científico ―[...] parte de uma publicação com autoria declarada, que apresenta e discute ideias, métodos, técnicas, processos e resultados nas diversas áreas do conhecimento‖. O conteúdo desse gênero pode ser original, em que se tem a apresentação de tema ou abordagem originais; ou de revisão, em que se tem a análise e a discussão de informações já publicadas (NBR 6022, 2003, p. 2; SANTOS; OLIVEIRA, 2011, p. 121).

Podemos distinguir os dois tipos de artigo da seguinte maneira: artigo original, em que o objeto ou tema se origina numa pesquisa em andamento ou concluída e cujas partes textuais podem ser decompostas14 em: título, resumo em língua materna, resumo em língua estrangeira, palavras-chave (termos representativos do estudo), introdução (apresentação do tópico), embasamento teórico (teorias que amparam o trabalho), fundamentos e procedimentos metodológicos (como o trabalho é conduzido), resultados e discussões (dados obtidos por meio da análise e elaboração de nova teoria), conclusões ou considerações finais (resultados que amparam a nova teoria) e, por fim, referências, assim como já salientado por Silveira (2012).

Marconi e Lakatos (2003 [1985], p. 261-262) apresentam três subtipos de artigos científicos, sendo que dois deles parecem corresponder ao artigo original e ao de revisão. O primeiro subtipo de artigo apresentado é denominado ―argumento teórico‖, em que há argumentação desenvolvida sobre uma visão que pretende levar a uma tomada de posição. A nomenclatura do artigo é problemática, porque parece excluir a argumentação presente no artigo de forma geral, o que não é possível se levarmos em conta que o artigo é um gênero dissertativo e que busca, por meio da análise dos argumentos, convencer o interlocutor de que o saber novo é legítimo. Esse subtipo parece ser o que denominamos acima de artigo de revisão.

O segundo subtipo de artigo trazido pelas autoras diz respeito ao ―artigo de análise‖, em que o produtor ou sujeito-autor analisa um elemento a fim de descobrir ou provar uma tese sobre sua natureza. Esse tipo corresponde ao artigo original e possui uma denominação problemática, uma vez que os artigos parecem ser resultados de pesquisas que exigem análises, embora os tipos de análise possam diferenciar os subtipos de artigos. Quer seja o artigo de revisão ou o original, ambos envolvem pesquisa teórica bibliográfica e análise do que for encontrado; o que os diferencia, então, são o foco e a maneira de lidar com a análise.

E o terceiro subtipo de artigo elencado por Marconi e Lakatos (2003 [1985], p. 262) é o ―classificatório‖, no qual o sujeito-autor tenciona classificar determinados ―[...] aspectos de um determinado assunto e explicar suas partes. Primeiramente, ele faz a divisão do tema em forma tabular, ou seja, em classes, com suas características principais. Depois apresenta: definição, descrição objetiva e análise‖. Não está clara a natureza desse artigo, mas acreditamos que possa ser mais um subtipo do ―artigo de análise‖, ou seja, do artigo original. Medeiros (2006), inspirado em Marconi e Lakatos (2003 [1985]), também apresenta esses três

14 As partes da estrutura global do artigo podem ser inseridas em outras ou, até mesmo, com uma ordem diversa da que apresentamos. O importante é que o conteúdo a que se refere cada subdivisão esteja presente.

subtipos de artigo, mas não fornece detalhes sobre cada um, assim como se verifica em Marconi e Lakatos.

O artigo deve, ainda, conter uma série de elementos pré e pós-textuais, como título, autor, resumo, palavra-chave, citação, notas, referências, tabelas e outros elementos textuais que complementam o trabalho ou que contribuem para sua identificação (NBR 6022, 2003, p. 2). Para a produção do artigo, o sujeito-autor deve ser capaz de demonstrar algumas habilidades, como: a) selecionar bibliografia relevante; b) refletir sobre estudos já desenvolvidos na área; delimitar um problema a ser estudado; c) elaborar uma abordagem para o exame desse problema; d) delimitar e analisar um conjunto de dados representativo do universo sobre o qual se deseja alcançar generalizações; e) discutir e apresentar resultados; f) concluir com uma generalização relacionada à área específica em questão (MOTTA-ROTH; HENDGES, 2010, p. 68). Segundo Marconi e Lakatos, (2003 [1985], p. 260), o sujeito-autor pode:

 Versar sobre um estudo pessoal, uma descoberta, ou, ainda, dar um enfoque contrário ao já conhecido;

 Oferecer soluções para questões controvertidas;

 Levar ideias novas ao conhecimento do público intelectual ou especializado no assunto, para sondagem de opiniões ou atualização de informes;

 Abordar aspectos secundários, levantados em alguma pesquisa, mas que não seriam utilizados nela.

Destarte, o artigo implica sujeito(s) envolvido(s) com o meio científico em algum momento de seu percurso profissional, e exige que ele(s) mobilize(m) conhecimentos e habilidades para realizar e mostrar o seu feito, ou seja, a capacidade de construir textualmente seus saberes para contribuir com as práticas sociais da esfera científica.

Benzer Belgeler