De acordo com a bibliografia estudada, verifica-se que não há um consenso sobre o conceito de competência, que tem sido utilizado com sentidos diferentes, de acordo com o ambiente em que a reflexão está inserida. Assim, por exemplo, no ambiente acadêmico há o sentido de saberes, capacidades e conhecimentos desenvolvidos, já o ambiente empresarial se refere à qualificação, desempenho, produtividade, eficiência e profissionalismo e no âmbito teórico, noções e conceitos. Estas diferenças conceituais têm sido um obstáculo na elaboração de programas educativos baseados em competências.
A palavra competência deriva do grego ―agon‖ e ―agonistes‖, que indicam aquele que se preparou para ganhar as competições olímpicas, ser vitorioso e aparecer na história. Segundo Argudín (2007), a educação grega almejava a virtude suprema. Foi a partir de Pitagóras, Platão e Aristóteles que se buscou o melhor em saber, em construção de teorias direcionadas a projetos políticos. As competências também significavam desenvoltura atlética para triunfar.
Fazendo uma analogia para a Sociedade do Conhecimento e Informação, a virtude suprema é o desenvolvimento de novas teorias e tecnologias para a produção de um mundo mais ágil, que atenda os desejos da humanidade, que possa mesmo antever e criar desejos e necessidades humanas. Para alcançar esta realidade, as novas gerações necessitam de competências para ampliar o avanço tecnológico e da ciência.
Ao resgatar o conceito de competências, Fleury & Fleury (2001) argumentam que, em 1970, na França, o conceito de competência surgiu no questionamento do conceito de qualificação e do processo de formação profissional, especialmente técnica. Descontentes com o desacordo que ocorria entre as necessidades do mundo do trabalho e o que os trabalhadores ofereciam, buscavam aproximar o ensino das necessidades empresariais, tendo em vista o aumento de capacitação dos trabalhadores. Havia uma relação entre competências e saberes (saber agir) no referencial do diploma e do emprego.
A partir da década de 1990, ainda na França, o conceito de competência vai além da qualificação. Para Zarifian (2001), a competência é a inteligência prática para situações
que se apoiam sobre os conhecimentos adquiridos e os transformam com tanto mais eficácia, quanto mais aumenta a complexidade das situações. Neste sentido, a competência só se mani- festa a partir de ações, isto é, na atividade prática.
Para que a competência se manifeste na prática, é preciso um processo de ensino e aprendizagem. A inserção do desenvolvimento de competências a partir da educação é assumida pela UNESCO que adota em seus documentos, a partir de 1996, a necessidade da aprendizagem continuada, ou seja, que ao longo da vida as pessoas sejam criativas, aprenden- do sobre os relacionamentos interpessoais, ultrapassando o plano interpessoal imediato e bus- cando relacionamentos amplos e planetários. Os documentos da UNESCO passam a defender que a educação deve se organizar em quatro aprendizagens, conhecidas como os pilares da educação.
Aprendizagens fundamentais que, ao longo de toda a vida, serão de algum modo pa- ra cada individuo, os pilares do conhecimento: aprender a conhecer, isto é adquirir os instrumentos da compreensão; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio en- volvente; aprender a viver juntos, a fim de participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas; finalmente aprender a ser, via especial que integra as três precedentes. É claro que estas quatro vias do saber constituem apenas uma, dado que existem entre elas múltiplos pontos de contato, de relacionamento e de permuta. (DELORS, 2006, p. 90).
A educação, com base nestes quatro pilares, permite uma educação flexível e di- nâmica, uma vez que representam um guia geral para as reformas dos sistemas educacionais, incluindo mudanças metodológicas, curriculares e de capacitação docente. Propõem também, o desenvolvimento de competências de alunos, para tal será necessário reformular objetivos, revisar conteúdos e criar novas atividades com vistas à participação democrática na sociedade. A educação é uma constante na vida das pessoas, não ocorre em apenas um lugar ou em determinada fase da vida. Assim, a educação com base nos quatro pilares do conheci- mento concebe que se aprenda participando, vivenciando, tomando atitudes diante dos fatos, escolhendo procedimentos para alcançar objetivos. A UNESCO propõe repensar a educação para que cada pessoa, ao longo da vida, tire o melhor proveito de um ambiente educativo em constante ampliação.
Seguindo a proposta da UNESCO, Miguel (2007) define as competências como estruturas complexas de processos que as pessoas põem em ação-atuação-criação para resol- ver problemas e realizar atividades da vida cotidiana e profissional, orientadas para a constru- ção e transformação da realidade. O autor enfatiza os mesmos saberes definidos como pilares do conhecimento pela UNESCO: o saber conhecer que envolve o observar, analisar, compre-
ender e explicar, o saber fazer, que é o desempenho baseado em procedimentos e estratégias, o saber estar que ocorre com a participação e trabalho cooperativo, e o saber ser que é auto- motivação, iniciativa, liderança e criatividade, considerando as exigências do entorno, as ne- cessidades pessoais e as condições de incertezas, com autonomia intelectual, consciência crí- tica e espírito de desafio, assumindo ao mesmo tempo as consequências de seus atos e bus- cando o bem-estar humano.
Com o ponto de vista de que o ensino por competências tem a perspectiva de formar cidadão, (PERRENOUD 2000, p. 2) argumenta que:
A onda atual de competências está ancorada em duas constatações:
1. A transferência e a mobilização das capacidades e dos conhecimentos não caem do céu. É preciso trabalhá-las e treiná-las. Isso exige tempo, etapas didáticas e situa- ções apropriadas.
2. Na escola não se trabalha suficientemente a transferência e a mobilização não se dá tanta importância a essa prática. O treinamento, então, é insuficiente. Os alunos acumulam saberes, passam nos exames, mas não conseguem mobilizar o que apren- deram em situações reais, no trabalho e fora dele (família, cidade, lazer etc).
Para a construção da cidadania, é necessario informação com amplo acesso, formação que se dá pela transformação de conhecimentos em saberes, competências e conscientização.
As competências podem ser classificadas em relação a quem está envolvido, ou seja: competências pessoais ou organizacionais e, também, em relação à amplitude que ocorre na formação educativa, quais sejam, competências básicas, transversais e específicas.
Competências Básicas: são competências importantes para o desenvolvimento e realiza- ção de todas as pessoas independente de sexo, condição social ou formação. O Parla- mento Europeu e o Conselho da União Europeia concebem competências básicas como uma combinação de conhecimentos, capacidades e atitudes que todas as pessoas neces- sitam para sua realização pessoal, inclusão e empregabilidade. As competências básicas deveriam ser desenvolvidas até o final do ensino obrigatório, como base para a forma- ção das outras competências ao longo da vida. O Parlamento Europeu define oito com- petências básicas: Comunicação em língua materna; comunicação em língua estrangei- ra; competência matemática e em ciências e tecnologias; competência digital; aprender a aprender; competências sociais e cívicas; espírito de iniciativa; e, consciência e ex- pressão cultural. Estas competências se entrelaçam para a formação da criatividade, do espírito crítico, da capacidade da iniciativa, de resolução de problemas, e da avaliação de riscos para a tomada de decisões.
Competências Genéricas ou Transversais: são competências compartilhadas por um grupo de profissionais, ou seja, comum a várias profissões ou ocupações. Mas não são especificas de um determinado posto de trabalho ou profissão. São conhecimentos que atravessam diferentes profissões e/ou atividades profissionais. São capacidades genéri- cas que possibilitam a um profissional sucesso em uma gama variada de ocupações, tais como: domínio das tecnologias de comunicação e informação (TICS), comunicação es- crita e oral, atuação em equipe e adaptabilidade às mudanças.
Competências Técnicas ou Específicas: são desenvolvidas com a especialização. São aquelas competências específicas de uma determinada profissão ou ocupação; necessi- tam um grau de especialização e normalmente são desenvolvidas por meio de progra- mas de formação de educação superior ou formação profissional.
Partindo do princípio de que as pessoas se relacionam na sociedade, que estão em constante mutação, as competências são construídas no cotidiano. ―A competência não está estabelecida de uma vez por todas. Não é algo estático, ao qual deva se ajustar o compor- tamento dos indivíduos, ou um modelo prescrito num Código‖. (RIOS, 1993:79).
O uso do termo competência na educação, para Zaballa & Arnau (2008:19) é uma necessidade de superar o ensino, que em grande parte, se reduziu à aprendizagem do conhecimento por repetição, por exercício de memória, dificultando o uso dos conhecimentos no cotidiano.
O ensino por competências possibilita, segundo Ropé & Tanguy (1997), passar do sistema de ensino centrado nos saberes escolares para um sistema de aprendizagem centrado no aluno.
Philippe Perrenoud, em entrevista para a Revista Nova Escola, destaca que a escola deve preparar para a vida, e sobre o conceito de competência diz: ―Competência é a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informa- ções etc) para solucionar com pertinência e eficácia uma série de situações‖. (PERRENOUD, 2000).
As competências não são de objetos, mas de pessoas, assim as pessoas é que são ou não competentes, e compreendendo que a vida é construída na relação entre as pessoas, as competências são construídas socialmente, na prática, são concretas e compartilhadas. Como diz Macedo (2002, p.120), parece simples ―imaginar como os sujeitos se tornam, pela prática partilhada, competentes em diferentes domínios de atividades cotidianas. A dificuldade parece
residir em como experiências escolares podem ser planejadas para construir competências situacionais‖.
O domínio de conceitos teóricos continua importante, mas na sociedade do desenvolvimento tecnológico, em que os computadores e a internet auxiliam na divulgação e acesso à informação, a educação estará mais voltada em como encontrar, interpretar e fazer uso das informações para a solução dos problemas cotidianos e futuros da humanidade. No mundo do trabalho, como diz Le Boterf (2003, p. 16), a sociedade de incertezas
leva os diretores de empresa a apostar mais nas competências dos empregados, na sua capacidade de adaptação e de iniciativa e na sua capacidade de aprender do que em uma previsão fina das evoluções do conteúdo dos empregos. O profissionalismo está mais ligado à capacidade de enfrentar a incerteza do que à definição estrita e totalizante de um posto de trabalho.
O uso do termo competência tem tomado força na área educacional, no debate sobre sistemas de ensino, formação profissional e redefinições de políticas educacionais, criando tensão e conflito em relação à noção de qualificação empregada no mundo da produção e das escolas para formação profissional.
Nos anos 70 do século XX, o termo competência era utilizado nos cursos de formação profissional, em especial cursos técnicos, e segundo Le Boterf (2003), tinham a nocão de qualificação. A partir do final da década de 1990, o desenvolvimento de competências abrangeu a todos os níveis educacionais. O sistema de avaliação de ensino internacional se baseia no domínio de competências. As universidades têm elaborado estudos fundamentados em competências, e cada vez mais os currículos oficiais de diversos países são elaborados considerando o desenvolvimento de competências.
O ensino superior tem um preponderante papel na formação de cidadania, com instituições de ensino superior comprometidas com a participação e compromisso social. Em relação ao ensino superior, o Glossário da Red Iberoamericana para la Acreditación de la Calidad de la Educación Superior (RIACES) define competências como o conjunto de conhecimentos, habilidades e destrezas, tanto específicas como transversais, que devem compor uma formação para satisfazer as exigências sociais. E o Glosário Educación Superior en América Latina y el Caribe (IESALC s.d.), acrescenta que se refere a um conjunto de capacidades que se utiliza para resolução de problemas concretos, em situações de trabalho que incluem certas margens de incertezas e complexidade técnica.
Nesta sociedade de tecnologias e incertezas, a proposta para o ensino superior é a formação de pessoas a partir de competências. Cada curso definirá, com o conjunto da
profissão, quais as competências específicas e transversais necessárias para o desenvolvimento da atividade profissional. Le Boterf (2003:90) argumenta que ―o profissional competente é aquele que sabe ir além do prescrito, que sabe agir e, portanto, tomar iniciatiativas‖.
Isambert-Jamati (1997) fez um estudo sobre o uso científico da noção de compe- tências. Além de salientar a incerteza conceitual, argumenta que as competências demandam a mobilização de qualidades subjetivas das pessoas na busca de soluções no ambiente de traba- lho, e que estas competências não necessariamente são desenvolvidas na formação profissio- nal, mas que podem ser adquiridas em estágios, atividades socioculturais, lazer, convivência com amigos e familiares.
Para o ensino por competências, é imprescindível conhecer as necessidades e ca- rências dos alunos, para prepará-los para o enfrentamento de problemas que se manifestarão ao longo de sua vida pessoal e profissional. A competência consistirá na intervenção eficaz nos diferentes âmbitos da vida por meio de ações concomitantes e inter-relacionadas.
O ensino superior facilita o desenvolvimento de competências profissionais, exer- cendo uma função orientadora que permite o reconhecimento e potencialização de habilidades dos alunos de acordo com sua capacidade e interesse. É claro que na sociedade das incertezas o aluno precisa compreender as mudanças e saber conviver com elas. Portanto, o profissional, além de saber fazer, precisa saber pensar, ter uma atitude de formação permanente, sem per- der a criticidade diante das desigualdades e estar comprometido com a transformação social e econômica para além do interesse do mercado.
O termo competência chega à educação pelo mundo do trabalho e atualmente é tema central na literatura sobre educação. Na tabela-1, verifica-se a diversidade de definição de competência, há várias direções para o conceito: habilidade ou capacidade individual, con- junto ou resultado da combinação de elementos, potencial ou pré-requisito de condutas, estru- turas do pensamento. Em sua definição, há vários conceitos como, conhecimentos, destrezas, atitudes, valores, que por sua vez também são complexos. A competência pode ser classifica- da e qualificada em função de parâmetros, pois podem ser básicas, transversais ou específicas. Assim se pode entender competência como um conceito não consensuado.
A partir das leituras realizadas e com base no texto de Alonso (2009)8, organizou- se um quadro com fragmentos do que diferentes autores e instituições compreendem por competência.
Tabela 1 Definições de competência pesquisadas na literatura para elaboração da tese
Autor/instituição Conceito de competência
EURYDICE A competência é considerada como a capacidade geral baseada nos conhecimen- to, experiência, valores e disposições que uma pessoa desenvolveu mediante seu compromisso com as práticas educativas, junto com as habilidades, os conheci- mentos e as atitudes.
OCDE Competência é a capacidade de atender com sucesso demandas complexas em um determinado contexto. A competência implica na mobilização de conheci- mentos, habilidades cognitivas práticas, bem como, componentes sociais e de comportamento, como atitudes, emoções, valores e motivações.
RIACES Competência: conjunto de conhecimentos, habilidades e capacidades tanto espe- cíficas como transversais, que deve reunir um titulado para satisfazer plenamen- te as exigências sociais.
Projeto TUNING As competências representam uma combinação dinâmica de conhecimento, compreensão, capacidade e habilidades. Os programas educativos objetivam fomentar as competências.
As competências se descrevem como pontos de referência para o desenho e a avaliação dos planos de estudos [...]. Os pontos de referência garantem flexibili- dade e autonomia na construção dos planos de estudo e ao mesmo tempo pro- porcionam uma linguagem compartilhada com o que descreve seus objetivos. [...] as competências se entendem como conhecer e compreender (conhecimento teórico de um campo acadêmico, a capacidade de conhecer e compreender), saber como atuar (a aplicação prática e operativa do conhecimento a certas situ- ações), saber como ser (os valores como parte integrante da forma de perceber os outros e viver em um contexto social). As competências representam uma combinação de atributos (com respeito ao conhecimento e suas aplicações, ati- tudes, capacidades e responsabilidades) que descrevem o nível ou grau de sufi- ciência com que uma pessoa é capaz de desempenhá-los. As competências po- dem ser avaliadas e desenvolvidas.
OIT O termo competência inclui conhecimento profissional, aptidões e o conheci- mento para o saber fazer, que são controlados e se aplicam em determinado contexto.
Parlamento Europeu – Mar- co Europeu de Qualificação para a aprendizagem per- manente
Competência é a capacidade de utilizar conhecimentos, destrezas e habilidades pessoais, sociais e metodológicas, em situações de estudo ou de trabalho e em desenvolvimento profissional e pessoal, no Marco Europeu de Qualificações, a competência se descreve em termos de responsabilidade e autonomia.
Mario de Miguel Miguel (2005) citando (Spencer & Spencer, 1993). Diz que competência é uma característica subjacente em uma pessoa que está casualmente relacionada com o desempenho, referindo-se a um critério superior ou efetivo, em um trabalho ou situação. Consequentemente, entendemos a competência como um potencial de condutas adaptadas a uma situação. [...] a competência é o resultado da interação dos componentes ou conforme a consolidação de uma competência exige a reu- nião de todos os componentes.
A competência é constituída dos seguintes componentes: 1- conhecimentos intelectuais; 2- habilidades e destrezas; 3- atitudes e valores.
Elizabeth Macedo Competência poderia ser entendida como a eficácia de acionar esquemas para fazer frente a uma dada situação, como uma capacidade de mobilização de re- cursos.
8 ALONSO, Luis Enrique; RODRIGUEZA, Carlos J. Fernández; NYSSEN, José Maria. El Debate sobre las
Competencias: una investigación cualitativa en torno a la educación superior y el mercado de trabajo en España. Madri: ANECA, 2009 Algumas fontes primárias que citamos são as mesmas utilizadas por Alonso.
Autor/instituição Conceito de competência
É mais complexo do que saber fazer, nesse sentido, competência do tipo saber fazer podem, inclusive, ser mobilizadas para a construção de competências de mais alto nível. Uma competência teria duplo sentido: tanto poderia funcionar como competência, como poderia ser ferramenta para a construção de uma com- petência.
Philippe Perrenoud Capacidade de agir eficazmente em um determinado tipo de situação, apoiada em conhecimentos, mas sem limitar-se a eles (1999).
Competência é a faculdade de mobilizar um conjunto de recursos cognitivos (saberes, capacidades, informações, etc.) para solucionar com pertinência e eficácia uma série de situações (2000a).
Philippe Zarifian Competência é a inteligência prática para situações que se apoiam sobre os co- nhecimentos adquiridos e os transformam com tanto mais eficácia, quanto mais aumenta a complexidade das situações – só se manifesta através de ações na atividade prática.
Ruy Berger Filho Entendemos por competências os esquemas mentais, ou seja, as ações e opera- ções mentais de caráter cognitivo, sócio-afetivo ou psicomotor que mobilizadas e associadas a saberes teóricos ou experienciais geram habilidades, ou seja, um saber fazer.
Carolina Fernández-
Salinero Miguel Competências são estruturas complexas de processos que as pessoas põem em ação atuação criação para resolver problemas e realizar atividades da vida coti- diana e profissional, orientadas para a construção e transformação da realidade. Ministério da Educação-
proposta de diretrizes para a formação inicial de professores da educação básica, em cursos de nível superior. 2000.
As competências tratam sempre de alguma forma de atuação, só existem "em situação" e, portanto, não podem ser aprendidas apenas pela comunicação de ideias. Para construí-las, as ações mentais não são suficientes ainda que sejam essenciais. Não basta a um profissional ter conhecimentos sobre seu trabalho; é fundamental que saiba fazê-lo.
[...] Competências são as modalidades estruturais da inteligência, ou melhor, ações e operações que utilizamos para estabelecer relações com e entre objetos, situações, fenômenos e pessoas que desejamos conhecer.
[...] As competências são estruturas do pensamento mais gerais e mais profun- das. O desempenho são as ações, são o fazer em si. As competências geram tais ações. Não há, portanto, desempenho sem competências, nem competências sem desempenho. E, ainda, o desempenho, seja ele qual for, é indicial do processo de aquisição de competências. Se os desempenhos são comportamentos considera- dos indesejados ou errôneos, são, muitas vezes, indícios de diferentes etapas do processo de aquisição de competências. Subentende-se, portanto, uma concep- ção dinâmica, processual e vivencial da aprendizagem.
MEC/ENEM Competências são as modalidades estruturais da inteligência, ou melhor, ações e operações que utilizamos para estabelecer relações com e entre objetos, situa- ções, fenômenos e pessoas que desejamos conhecer. As habilidades decorrem das competências adquiridas e referem-se ao plano imediato do ―saber fazer‖. Por meio das ações e operações, as habilidades aperfeiçoam-se e articulam-se, possibilitando nova reorganização das competências.
A partir dos fragmentos sobre competência expostos na tabela-1, verifica-se que para a Eurydice e OCDE as competências são adquiridas e desenvolvidas através de práticas educativas. Para Riaces e Projeto Tuning, as competências designam as qualificações necessá- rias para determinada titulação ou formação. Os demais autores relacionam a competência