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KONSOLİDE FİNANSAL TABLOLARI ÖNEMLİ ÖLÇÜDE ETKİLEYEN YA DA

Em alguns momentos de nossas vidas, encontramo-nos em situações nas quais expressamos nosso descontentamento sobre determinadas visões de mundo que nos rodeiam. Assim, lançamos nossas avaliações que expressam nosso rechaço por essas vozes e, então, acabamos por delinear nosso ponto de vista. Martin e White (2005) nomeiam essas manifestações avaliativas como avaliações de Contraposição, isto é, posições alternativas que seriam invocadas com o objetivo de serem diretamente rejeitadas, substituídas ou consideradas como insustentáveis (MARTIN; WHITE, 2005, p. 118).

Negar ou refutar a palavra de outrem é uma atitude que requer grande responsabilidade argumentativa no enunciado. Quando se contraria uma voz externa, o nível de engajamento discursivo se amplia em seu grau máximo por produzir um efeito de fechamento de ideias. Estrategicamente, posicionar-se de maneira contrária a uma voz potencializada não é uma tarefa simples, principalmente quando se trata de textos inseridos na esfera de produção científica. Depois de uma negação, espera-se que a voz autoral delineie um conjunto de ideias que respaldem suas colocações, resultando, no mínimo, em uma proposta coerentemente aceitável para comunidade discursiva em que o texto é destinado.

18,7% das manifestações por heteroglossia pontuadas em nossas análises estão classificadas como Negação. Foram catalogados 110 casos, dentre os quais destacaremos três para exemplificação. Vejamos:

(10) O que muitos desses estudos não falam é do lado do professor (RP16ADD); (11) Educar não está resumido a passar e receber conteúdos (RP27OTA);

(12) Adolescentes não tem encontrado no ambiente escolar, um espaço aonde (sic) suas dúvidas sobre suas sexualidades possam ser esclarecidas (RP33OEA).

É relevante destacar o grau de comprometimento que os produtores textuais assumiram ao atualizar as citadas asserções. Nos exemplos, encontramos situações em que as vozes autorais atualizam afirmações que não dão margem para a entrada dialógica entre pontos de vista divergentes aos seus. Na citação 10, por exemplo, ao refutar que muitos desses estudos não falam o lado do professor, o autor, através de um adjunto de negação, desconsidera, por completo, qualquer outro posicionamento que contrarie sua construção de pensamento, trazendo, como consequência, um alto grau de responsabilização para seu enunciado. Isso acontece porque, com base em suas reflexões, ele arquiteta uma linha de pensamento que

desconstrói as potenciais vozes que possam realizar confronto com a sua, desencorajando as outras propostas.

O mesmo acontece nas asserções 11 e 12. Os produtores textuais descartam o diálogo com correntes de pensamentos que apontam para uma educação baseada no ensino tradicional e na ideia de que a escola tem sido um espaço de debate em que o adolescente possa discutir sobre temas como a sexualidade. Segundo Martin e White (2005), esse tipo de avaliação não seria uma mera oposição lógica direcionada a uma sentença positiva/afirmativa, uma vez que o negativo necessariamente atua sobre o positivo, enquanto no sentido contrário não se observa essa reciprocidade (MARTIN; WHITE, 2005, p.118).

Ao mesmo tempo em que a voz autoral arrisca sua face perante o leitor, ao realizar avaliações por Negação, ela se compromete ao máximo com suas avaliações e se responsabiliza pelo exposto.

Se, em algumas vezes, nossas avaliações entram em cena puramente para refutar a palavra alheia, em outros casos, as vozes externas podem ser acionadas com o objetivo de desencorajá-la. É comum observarmos a entrada de certos posicionamentos no discurso com a finalidade de apresentar suas fragilidades, ou seja, as exceções que esses posicionamentos não conseguem abarcar. Quebra-se, então, a expectativa construída e revela-se um questionamento que, antes, não era esperado. Para esses tipos de avaliação, o Sistema da Avaliatividade emprega o nome de avaliação por Contra-Expectativa. Nesses tipos de avaliação, o engajamento discursivo é um pouco mais atenuado, quando comparado com a avaliação por Negação, mas não deixa de possuir alta carga de responsabilização autoral. 12% das ocorrências encontradas em nosso corpus são por esse tipo de avaliação. Vejamos como isso se manifesta nos recortes a seguir:

(13) Apesar desses negativos dados, é possível haver métodos que diminuam esses números (RP03ICP);

(14) Embora a fase do REM não resulte em um descanso profundo, não há dúvida de que ela é importante para a nossa recuperação emocional (RP10OSC).

(15) [...] os pais que bebem incentivam os filhos a beberem, não por meio de palavras, mas por meio de atitudes (RP04ANA);

Nos exemplos 13 e 14, observamos partículas concessivas que representam proposições

visadas a “combater” uma ideia que teria sido esperada pelo leitor. Apesar de e Embora estão inseridos como elementos que preveem uma expectativa que não pretende ser confirmada no decorrer dos discursos. Inicialmente, essas marcas concessivas reconhecem o valor de suas primeiras asserções, para, depois, desencorajá-las por meio da apresentação de exceções. Essas

exceções são responsáveis por enfraquecer os argumentos iniciais que demonstram insuficiência para se sustentar como verídicos em todos os casos. Nesse sentido, ainda que saibamos que a fase do REM não resulte em um descanso profundo, verificamos que ela possui um determinado grau de importância (exemplo 13). O mesmo acontece quando pensamos na ideia de que os dados são negativos, mas que não são fortes o suficiente para barrar a existência de métodos que atenuem seus impactos (exemplo 14).

Orações com teor adversativo também geram quebra da expectativa em uma avaliação. No exemplo 15, verificamos que a conjunção mas desconstrói o conteúdo de uma possível voz potencial. O autor prevê que o leitor poderia direcionar o sentido do texto para um determinado caminho e inicia uma estratégia argumentativa de prevenção através de uma avaliação por

Contra-Expectativa. Com a finalidade de proteger sua voz e desencorajar possíveis pontos de vista alheios ao seu, o autor, através de um advérbio de negação, refuta a voz que pregaria o incentivo dos pais por meio da palavra e, por meio de um recurso adversativo, encaminha o leitor para o ponto que ele pretende chegar: o incentivo dos pais por meio de suas atitudes. Esse estilo de avaliação que contém negações e quebras intencionais com a expectativa textual cumpre um papel essencial no discurso, visto que reflete as crenças e ânsias particulares do destinatário (MARTIN; WHITE, 2005, p. 212) e despertam responsabilidade autoral arriscada nas entrelinhas.

6.2.2 Contração Dialógica: manifestações avaliativas de Proposição por Expectativa-

Benzer Belgeler