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II. BÖLÜM

II.1. Küçük ve Orta Ölçekli İşletmeler (KOBİ’ler)

II.1.2. KOBİ Tanımları

Descartes, já citado anteriormente, no século XVI, apresenta o que passa a ser conhecido hoje como método científico. Deste período, herda-se a ânsia e fortalece-se a vontade em encontrar verdades sobre o viver humano. Propaga-se a certeza de que, através do controle ou da exatidão matemática, pode-se oferecer saúde e evitar doenças (Dantas, 2009).

De acordo com Nogueira (2008), os médicos são moldados nesse contexto da metafísica cartesiana, e defendem que algo só existe quando é mensurável. Pode-se então afirmar que, para a área médica, há saúde onde não é encontrada uma enfermidade.

Há uma cisão no que a ciência – e, consequentemente, o homem – compreende o que é saúde e o que é doença. Dentro dessa cisão há outra cisão, na qual a doença se divide entre a área específica do seu saber, detendo-se em cada parte do corpo, de forma separada. Cada parte do corpo é território investigativo e de prática de uma determinada especialidade. Há, concomitantemente, a cisão entre o que é considerado objetivo e no que é considerado subjetivo (Anéas, 2010). É, pois, a contemporaneidade trazendo um especialista para cada parte da vida do homem, o que não se configuraria de forma diferente na saúde.

É apontado que, através do seu método,

a ciência transformou a manifestação das coisas, a qual passou a acontecer mediante a representação de um sujeito pensante. Nesse sentido, as ciências foram se constituindo a partir de uma representação do seu objeto de estudo, como é o caso das ciências que se ocupam do homem. Tal representação coloca o homem como sendo um ente dotado, no caso da Medicina, de funções corporais/fisiológicas, ou como possuidor de uma interioridade psíquica, no caso da Psicologia, sendo uma responsável por curar os males do corpo e a outra, os males da mente (Rebouças, 2015, p. 82).

Diante disto, com relação à forma como a ciência vê o corpo humano, e como a tecnologia apresenta influência diante deste panorama, Goia (2007) aborda que o corpo humano é cartografado pelo Projeto Genoma “enquanto minúcias, microscópicas e deterministas, que possam ser manipuladas. Por seu lado, a cibernética busca cada vez mais uma inteligência artificial que copie e reproduza a experiência humana” (p.102). Existe uma previsibilidade proporcionada pelo DNA, podendo existir substituições do que é considerado falho; o virtual passa a invadir e modificar o real. E, “talvez, resumindo estas possibilidades, as ciências cheguem à derradeira descoberta do humano sem corpo, descolado do tempo, isento e soberano sobre a vida e a morte” (Goia, 2007, p. 102). Então, não é de se estranhar que seja comum, e freqüente, que os investimentos em pesquisas científicas apontem para os caminhos de controle e definição, assim como apontem modos de vida (Santos, 2012).

Em um resgate histórico, de acordo com Dantas (2009), a saúde já foi vista como uma dádiva que seria recebida pelas divindades, de um modo geral. E, como consequência, a doença era percebida como o resultado de uma transgressão individual ou coletiva no que tange às forças sobrenaturais. Foi somente no período renascentista que as raízes históricas do modelo biomédico, que predominam hoje, se iniciaram. É apenas a partir do século XVI, que o filósofo e matemático René Descartes, ressalta o que está na base do que é conhecido hoje como método científico. A autora complementa afirmando que é, desde então, que a certeza por encontrar verdades, com relação ao viver humano, vem se fortalecendo. Uma certeza que, é através do controle, que se torna possível ofertar saúde e evitar doenças.

Já nos dias atuais, a Organização Mundial de Saúde (OMS), define saúde como a situação de perfeito bem-estar físico, mental e social (Segre & Ferraz, 1997). E o que seria um perfeito bem-estar? Será que existe alguém que se encaixe nessa “perfeição”? Isso significa dizer que todos estariam, então, em maior ou menor escala, adoecidos?

Dantas (2009) afirma que, na atualidade, deve-se “estar sempre ativo, disposto e dando o melhor de si, para desta maneira, conseguir ser bem sucedido na execução de múltiplos papéis, sem se descuidar da aparência ou da obtenção de prazer como manda a regra contemporânea” (Dantas, 2009, p. 576). Este ideal de saúde cobra, cada vez mais, que deva ser constantemente feliz, produtivo, disposto; consumindo e adequando-se aos padrões de beleza e saúde impostos. Talvez existam dificuldades para que todos se encaixem nesse ideal.

Embasado no discurso neurocientífico, não existe espaço para a experiência singular humana. O que existe enquanto único e singular e, portanto, foge à regularidade e à generalização, é ignorado. Pois a experiência individual não pode ser mensurada ou quantificada; os sintomas, então, considerados como não-mutáveis, revelam o lugar da experiência singular, já que podem ser generalizados e quantificados. O que foge ao padrão pré-estabelecido é rapidamente descartado e considerado como inexistente. Tais sintomas são descritos nos manuais de classificação de doenças mentais como o DSM e CID, que não fazem referência à esfera singular (Barbosa, 2012).

A medicina clássica ocidental, pois, oscila entre dois lados de consideração, no que tange à apropriação da psicopatologia: o ontológico – que remete e se apropria da concepção do ser-doente – e o mecanicista, que rejeita e ignora o ser próprio do doente, enfatizando a doença (ou o sintoma), enquanto algo concreto e objetivo (Nunes & Holanda, 2008).

Apenas como forma de introduzir o leitor no pensamento heideggeriano sobre o tema, trago que, na contramão dessa proposta contemporânea, pelo olhar heideggeriano, de acordo com Santos (2012), as discussões suscitadas por Heidegger não objetivavam apontar causas pelas quais o adoecimento se desenvolve ou, ainda, determinar a origem das des-regulações fisiológicas e psíquicas. Heidegger irá, sim, discutir sobre o sentido do ser e dos fenômenos que são vivenciados na cotidianidade. Ou seja, ele propõe a analítica da existência, ao interrogar sobre o sentido do ser.

Heidegger (1987/2001), mais tarde, em sua obra Seminários de Zollinkon – série de seminários organizados pelo médico suíço Medard Boss, entre 1959 e 1969, realizados na Suíça, nos quais o público principal era de médicos – explanou, entre outras temáticas, acerca do ser-doente e o ser-sadio, discussão que será abordada neste capítulo.

Diante do panorama exposto, como é possível refletir, compreender e pesquisar o mundo através do olhar da fenomenologia? Olhar este que, como visto no decorrer desta dissertação, afasta-se de uma concepção cientificista do modo de ser humano.