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A. Eklem Tutulumu

2.12. Bilişsel Egzersiz Terapi Yaklaşımı (BETY)

2.12.3. Klinik pilates egzersizler

A segunda fase da pesquisa compreendeu o estudo coletivo de casos, realizado de fevereiro a maio de 2012. A fase anterior da pesquisa permitiu conhecer a prática pedagógica e os sujeitos envolvidos na investigação, o refinamento dos dados obtidos e o delineamento do caminho a ser percorrido. O retorno dos(as) alunos(as) à escola a partir das férias escolares de fim de ano gerou na pesquisadora grande expectativa para a continuidade da investigação.

Na primeira semana de fevereiro, as professoras e a coordenadora organizaram a enturmação destes(as) alunos(as). Pôde-se perceber um aumento considerável de alunos pertencentes a uma faixa etária mais jovem. A pesquisadora realizou entrevistas com as professoras, buscando elucidar sobre a formação, atuação docente e especificidade na

prática pedagógica na EJA, com o intuito de conhecer como as professoras ministrariam as aulas com a sala de aula pesquisada em 2012.

Definir as características dos sujeitos que iriam compor o estudo coletivo de casos não foi uma tarefa fácil. Após a realização das entrevistas, percebeu-se que cada um trazia características importantes para o prosseguimento da investigação. O primeiro critério utilizado foi em relação à faixa etária, sendo escolhidos todos sujeitos que fossem adultos. Buscou-se escolher aqueles que estivessem em diferentes etapas da vida adulta. Outro critério considerado foi a assiduidade às aulas, com o objetivo de garantir a continuidade da pesquisa.

Alguns(mas) alunos(as) foram escolhidos, mas até antes do término da pesquisa não haviam dado prosseguimento à escolarização. Assim, alguns estudos de caso não puderam ser completados em função da saída destes alunos da escola. Alguns deles comunicaram às professoras e algumas vezes também à pesquisadora que não retornariam às aulas. Outros(as) não retornaram, sem prestarem esclarecimento anterior.

As situações apresentadas demonstram a realidade vivenciada na EJA. Isso pode ser exemplificado pela desistência de um aluno de 67 anos de idade, que demonstrava muito interesse e alegria em aprender. Sua história de vida foi marcada por inúmeras dificuldades, que não permitiram sua escolarização. Em entrevista realizada, ele expressa: “Hoje em dia, a pessoa que não tem estudo. A gente trabaia demais e ganha menos que os ôtros que trabalha até pôco. Então, nesse mei tempo, agora que eu vim cá e agora que eu tô dano valor à escola”.

Durante o processo de escolarização na EJA, este aluno tinha adquirido o domínio da leitura e da escrita: “Posso lê com calma aquilo ali, ir soletrano”. Relatou os enfrentamentos que teve que fazer em sua trajetória para lidar com a falta que fez aquisição da leitura e da escrita. Entretanto, havia avisado que se conseguisse o emprego ao qual havia se candidatado não poderia dar prosseguimento aos estudos. Na ocasião da pesquisa, já estava aposentado, mas, em função da necessidade financeira, teve de retornar ao mercado de trabalho. Ele conseguiu o emprego de vigia noturno, sendo contratado pelos moradores de determinada rua para fazer a vigilância de um quarteirão. Como o trabalho seria exercido no turno da noite, ficou impedido de continuidade dos estudos.

Esse exemplo mostra que trazer para o interior das escolas aqueles a quem foi negado esse direito em idade escolar e garantir-lhes a permanência na EJA é muito complexo. A constituição do sujeito histórico-cultural marca com profundidade a

relação deste com o conhecimento. Assim, este aluno que quase não freqüentou a escola, que demonstra prazer em aprender, mais uma vez, a abandona, mostrando a relação dialética entre o saber e o não saber.

Para o prosseguimento da pesquisa, participaram os alunos José e Francisco e a aluna Rosa.

José tem 59 anos. Declarou-se pardo. Atualmente, está aposentado por problemas de saúde. Separado da primeira esposa, com a qual teve três filhos, reside há mais de vinte anos com a segunda mulher. Dessa relação, teve uma filha. Sua escolarização constituiu-se em passagens descontínuas pela escola. Estuda na Escola Vila Leste desde 2010.

Rosa tem 38 anos. Declarou-se negra. Trabalha como empregada doméstica diarista e vendedora de produtos de beleza. Tem um filho de 13 anos. Mora com a mãe, um irmão e o filho. Frequentou outras escolas na EJA, porém sem dar continuidade aos estudos. Iniciou na Escola Vila Leste em 2011.

Francisco tem 29 anos. Declarou-se pardo. É solteiro e oriundo de uma cidade perto de Belém, no estado do Pará. Trabalha como pedreiro em um depósito de material de construção. Nunca havia estudado antes. Iniciou os estudos na Escola Vila Leste, em 2009.

Nesta etapa da pesquisa, os eventos ocorreram em uma sala de aula que não era utilizada para tal, no turno da noite. A organização desse espaço físico proporcionou um espaço de mediação no qual a pesquisadora e os sujeitos puderam estabelecer uma interlocução.

Os instrumentos utilizados para a coleta dos dados emergiram do próprio campo. Escolheram-se exercícios e provas utilizadas na sala de aula, elaboradas pela professora e algumas questões das provas aplicadas no Programa AVALIA-BH, dois textos de um livro didático muito utilizado na EJA e uma poesia. Dessa forma, os instrumentos de pesquisa foram colhidos na prática pedagógica. Ou seja, foram exercícios e avaliações já aplicados em sala de aula e algumas atividades relacionadas à leitura e à compreensão de textos.

Os materiais utilizados funcionaram como instrumentos mediadores na compreensão dos modos de pensamento daqueles alunos. Solicitou-se a cada sujeito pesquisado, após a leitura dos materiais, o esclarecimento do que e como entendeu o que havia lido. Dessa forma, pretendia-se que cada um expressasse seu modo de pensamento a partir da relação dialógica entre estes e a pesquisadora.

A título de organização dos capítulos seguintes, as atividades realizadas foram nomeadas da seguinte forma: a) atividade inicial; b) atividades de interpretação de texto; c) atividade realizada para organização das turmas; e d) avaliação diagnóstica.

A atividade inicial foi composta a partir de duas provas, ambas aplicadas pela professora da EJA, no final de 2011. Foram escolhidas algumas questões que poderiam favorecer a compreensão sobre seus modos de pensamento.

Em prosseguimento à investigação, para as atividades de interpretação de texto escolheu-se um tema adequado à EJA que fizesse parte do universo do aluno. Dessa maneira, buscou-se o tema “Alimentação”, com apoio em livro didático de referência na área, como a coleção Viver e Aprender38 (AÇÃO EDUCATIVA, 2003), do qual foram escolhidos os textos “Uma campanha maléfica” e “Alimentação equilibrada”. Ainda no âmbito deste tema, escolheu-se o poema “O Bicho”, de Manuel Bandeira39

As atividades relacionadas ao tema “Alimentação” foram realizadas em diferentes dias. No primeiro, solicitou-se a leitura do texto “Uma campanha maléfica” (AÇÃO EDUCATIVA, 2003 p. 4) pelo(a) aluno(a). A seguir, a pesquisadora leu para ele. Após a leitura do texto, perguntou-se sobre o assunto de que o texto tratava e foi estabelecido um diálogo sobre o tema. O mesmo procedimento foi utilizado com o texto “Alimentação equilibrada” e o poema “O Bicho”.

, fazendo contraponto, já que o poema aborda a fome e a condição humana em relação à falta de alimentação.

Na atividade realizada para a organização das turmas durante o mês de fevereiro de 2012, a professora utilizou uma prova, para diagnosticar o nível de aprendizagem dos alunos e realizar a enturmação neste ano letivo. Para compreender os modos de pensamento dos adultos, a pesquisadora também usou questões desta avaliação.

A avaliação diagnóstica constou de algumas questões de uma avaliação aplicada pela professora em abril de 2012. Utilizou a mesma avaliação realizada em novembro de 2011, elaborada pelo sistema de avaliação Avalia-BH.

Tomando em conta o exposto, pode-se concluir que esta pesquisa teve por objetivo compreender os modos de pensamento de adultos em processo de escolarização da EJA. Inicialmente, foi selecionada uma escola vinculada à RME/BH, seguida da escolha da sala de aula na qual seria realizada a fase inicial da pesquisa, nomeada como

38

AÇÃO EDUCATIVA. Viver, Aprender: Educação de Jovens e Adultos. 4ª. ed. São Paulo: Global, v. 3, 2003.

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estudo exploratório. Posteriormente, optou-se por realizar o estudo coletivo de casos, com o intuito de promover maior aproximação com o foco da pesquisa. Dando prosseguimento à investigação, foi realizado o estudo coletivo de casos, que será apresentado nos capítulos seguintes.

Benzer Belgeler