2.5 Yaygın Değişken İmmün Yetmezlik
2.5.6. Klinik Bulgular Enfeksiyonlar Enfeksiyonlar
A comunidade da Pontezinha também vivencia duas experiências que compõem sua representação do turista. Mas, ao contrário da comunidade do Forte, são experiências que se contradizem. A maioria dos entrevistados se referiu a “estudantes”, “gente que estuda pedra”, “professores”, “gente curiosa”, que nunca viu fogão a lenha, nem sabe como que faz rapadura, “essas coisa tudo que a gente faz”. Essas pessoas são descritas como “gente educada”, que aparecem pedindo água, ou alguma informação. São também, diferentes em tudo:
Eu conheço muito pouco do turista. Normalmente, quando eles chega, eles num conhece quase nada da natureza. Ele chega procurando conhecer uma coisa que pra gente é natural e pra eles num é. Eu conheço muito pouco, ele vai chegando e logo, ele procura. Eles que sabe a origem daquilo. Só pelo jeito de fala, você já sabe, pelo jeito de vestir (SURURINA)
Ao contrário, do turista pesquisador, alguns entrevistados também se referiram a um outro tipo de turista, que é indesejado. Esse turista é o que visita a cachoeira próxima a comunidade. A cachoeira fica à montante. Assim, qualquer contaminação ou lixo chega aos quintais por meio do córrego da Pontezinha, interferindo no uso da água para atendimento às necessidades das famílias. A grande maioria destaca a presença de pessoas na cachoeira como um transtorno. Quem são esses turistas, usuários da cachoeira? São amigos, parentes de alguns moradores próximos que vêm na época do Natal e do carnaval. “Incomoda porque as
pessoas sujam o rio” (Sururina). “Nós dependemo muito do rio, das nacente pra viver” (Savacu). Sururina levanta ainda um outro tipo de preocupação associada a esse turista:
Tem também umas coisa que cê tem que toma cuidado. É difícil de falar, mas cê sabe, a gente que tem esses minino aí...Lá no Sitio Bom Jesus a gente vê muita essas pessoas que fica até doente, gente que fica internada lá. Sabe o que que é né? Essa tal de droga, que as pessoa fica viciado e depois tem que interna lá pra se trata. É muito triste.
Muitos participam de um encontro que ocorre no Sitio Bom Jesus, no terceiro domingo do mês. O Sítio Bom Jesus abriga e dá assistência a dependentes de álcool e drogas, além de receber outras pessoas precisando de apoio emocional. O Sítio é mantido por um casal, originário de Brasília e, com o apoio de outras pessoas. A maior parte dos entrevistados revelou ter admiração e respeito pelo trabalho espiritual e caridoso desenvolvido lá, sobretudo pela Senhora responsável por essas atividades. Para irem ao Sítio, os entrevistados e suas famílias saem da comunidade bem cedo, e seguem pela estrada de terra e um trecho de trilha. Essa caminhada, que dura cerca de seis horas, ocorre em meio a orações e cantos religiosos. Cada família leva sempre algum alimento a fim de colaborar com o preparo coletivo das refeições, que são feitas no próprio Sítio. É um período de doações, de trocas, de oração.
O grupo do Projeto Mulheres das Águas pensa na possibilidade de elaborar um produto turístico, relacionado a esta caminhada religiosa, uma trilha voltada para a questão espiritual. Assim, procuramos investigar de que forma a comunidade interage com outras pessoas durante este período, Sururina esclarece: “Nessas caminhada a gente ajuda um o outro, nós num vende nada, que é momento de oração e de doação. Nós sempre leva alguma coisa, essas coisa que nós faz, é farinha, é rapadura, é feijão, pra ajudar os outros”. Muitos visitantes vêm de outros lugares, incluindo Brasília, mas não participam da caminhada, vão de carro. Além dos alimentos, as pessoas também oferecem roupas, utensílios e brinquedos que são vendidos em um bazar.
Como o grupo do Projeto pretende incluir neste produto turístico a visita à comunidade da Pontezinha, desenvolvendo atividades em período independente do que a própria comunidade está em caminhada, parece ser uma opção bem interessante. Assim, se promoverá um encontro de pessoas afinadas e voltadas para as questões espirituais e ao mesmo tempo, poderá ser favorável à venda de produtos locais, exatamente como a comunidade expressa querer participar do turismo. Todos se referem à dificuldade de locomoção para vender seus produtos na Feira de São João. Em geral, são os homens que vão em cavalos ou bicicletas. As mulheres falam do perigo na estrada, GO 118, e de casos de atropelamento. Além disso,
acreditam que com o turista poderiam vender mais, porque acham que as pessoas locais também não valorizam muito seus produtos. Mas não é só isso, também querem participar porque percebem nesse contato uma oportunidade de aprendizado e porque gostariam de mostrar aos turistas como preparam e desenvolvem suas atividades:
Gostaria de conhecer para saber escolher, o que fazer. Eu também gostaria de apreender, e desenvolver alguma coisa. Com o turismo eu acredito que a gente pode apreender com os turistas. As pessoas poderiam ver como funciona: moer a cana no engenho de madeira, descaroçar o algodão, fazer comida no fogão de lenha, cachoeira, gruta, ... tem um lugar que parece que chove de baixo para cima. Seria bom também ter uma saída pra o artesanato. (Savacu).
Sururina e Saurá gostariam de desenvolver seus produtos artesanais, tapetes e colchas de tear, junto com seu grupo familiar, no espaço da cooperativa, mas não sabem como poderiam conseguir apoio para comprar o material necessário. Um outro ponto destacado pelo grupo foi a necessidade de melhorar a apresentação dos produtos, principalmente a rapadura. Arapapá acredita que só seria vantajoso se fosse com um grupo, porque a produção é muito pequena e não se sente em condições para investir sozinho, assim como, não se identifica com o espaço da Associação. Ele e Saurá falam sobre participação:
Não participamos da Associação. Eu comecei, mas desisti logo. Eu achei que era melhor ficar por conta, do que espera beneficio da Associação. Eu sou uma pessoa assim, eu num do conta de debater com as pessoas pra pedir um beneficio. Tudo tem que ter a participação de todo mundo, debater e trocar uma idéia. E eu nesse ponto, eu já sou fraco. Igual pai fala, chega aqueles que gosta de fala mais... Fala mais e fala pra ele mesmo. As liderança tinham que fala mais em nome dos fraco. Eu fiquei mais de dez anos na Associação, eu já vi cada coisa feia lá. A gente vê umas coisa errada, aí já começa a virar conflito. Quando eu vejo umas coisa errada, eu num tenho coragem de debater, eu prefiro sair. Num especialista se presta atenção, às vezes. Às vezes uma pessoa tem uma pergunta mais importante pra fazer, e deixar de fazer porque num teve oportunidade (ARAPAPÁ).
A gente vai conversando, vai se soltando mais, se entendendo, aprende umas coisa e explica outra. A gente tendo participação aqui, a gente aprende mais. (SAURÁ) Savacu, irmão de Arapapá, participa da Associação, mas tem receio de propor a criação de um rótulo comum, de fazer contratos de fornecimento, porque teme que o grupo não consiga se organizar no atendimento a quantidade exigida por possíveis compradores.
Apesar de identificarem os pesquisadores como turistas, assim como na comunidade do Forte, não fazem uma relação direta entre turista e ambiente natural ou atrativos culturais. A maioria dos entrevistados vê no turismo uma grande possibilidade não só para escoamento de seus produtos artesanais, mais uma oportunidade de conhecer novas pessoas: “Se tivesse como participar seria bom, assim um almoço, a gente poderia vender e arrecadar alguma
coisa, né? Conhecer coisas novas, conhecer pessoas diferente. É bom porque incentiva muito, né? E uma forma da gente tá evoluindo, criando uma amizade assim maior” (Saurá).
A comunidade da Pontezinha tende a se beneficiar mais facilmente com a presença de turistas, mas, por outro lado, também pode criar, com a mesma facilidade, resistência à presença de turistas “indesejados”, conforme já experimentaram. Expressam claramente valores e preocupações em relação a esses turistas e as possíveis conseqüências para a qualidade de vida da comunidade. As expectativas estão relacionadas, principalmente, a vontade de favorecer a venda de seus produtos tradicionais, farinha e rapadura e artesanatos.