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Será que já podemos prever o que um livro-brinquedo põe em cena? Existe um design marcante e característico que acompanha obras editadas ou em elaboração?

A tipografi a no livro-brinquedo é variada e pode assumir as formas maiúscula, minúscula,

mista e às vezes cursiva. As fontes também variam bastante, assim como o corpo das letras. Uma mesma obra também pode fazer uso de escritas em parágrafos, ondas, espirais, ecos visuais,64 balões – como ocorre nos quadrinhos –, e pode simular a escrita em bilhetes, receitas, periódicos,

placas, cartas, documentos, pontilhados etc.

Fig 2.92 Livro sensorial Brinque Comigo (Ed. Caramelo). Letras dançantes, em caixa alta e baixa.

Em relação ao tamanho dos caracteres, o autor Burt (1959, apud COUTINHO, 2006)65 afi rma que para os primeiros anos de leitura todos os livros devem ser impressos em letras grandes, e as frases devem ser curtas. No entanto, letras grandes geram palavras grandes. E os livros-brinquedo não levam à risca este conselho.

Autores como Willberg e Forssman (2007)66 observam que a máxima “quanto menor a criança, maior a letra” pode estar equivocada. Crianças motivadas podem iniciar a leitura em contato com a diferenciação das formas e tamanhos de letras. Aliás, como as vêem no mundo: variadas.

64 Num eco visual a tipografi a pode crescer, dançar, infl ar, retumbar, trepidar, ondular, encaracolar e incorporar muitos outros

efeitos gráfi cos.

65 COUTINHO, Solange Galvão; SILVA, José Fábio Luna. Linguagem visual em livros didáticos infantis. Anais do XV Encontro

Nacional da ANPAP. “Arte: limites e contaminações”. Salvador, 2006.

66 WILLBERG, Hans Peter; FORSSMAN, Friedrich. Qual é o seu tipo: primeiros socorros em tipografi a. Tradução: Hans

Dürrich. São Paulo: Editora Rosary, 2007. Acesso em maio de 2012. Fonte: http://pt.scribd.com/doc/78352678/TIPOGRAFIA-PARA- -LIVRO-INFANTIL-to-de-Um-Guia-Com-Recomendacoes-Tipograficas-Para-Designers

Fig 2.93 Na projeção do livro-bolsa Omis handtasche, acessórios e documentos. O passaporte vem em linguagem fi gurativa brincante.

Willberg e Forssman (2007) recomendam que, sempre que possível, não haja divisão de palavra, que as linhas não sejam longas demais e possam ser percebidas em um único olhar pela criança. Os autores apontam também que a quebra de linha pode ocorrer de acordo com o sentido das frases. Isto facilita a leitura. E muitos livros-brinquedo já seguem este padrão – como

é o caso de Caja de herramientas (Beascoa: 2010), obra que valoriza a coordenação motora

para encaixe de 15 ferramentas, frases curtas e a atenção visual para descobrir onde aparece o personagem da joaninha (desafi o).

A leitura sílaba a sílaba tende a facilitar o acesso ao texto no início da alfabetização. Letras em maiúscula são bastante usadas em livros-brinquedo, porém o uso mais típico na atualidade é o de “Cab”, ou seja, a frase se inicia com caixa alta (maiúscula) e se desenvolve em Cb (mi- núscula). Assim, o leitor é testemunha de um discurso usual, verifi cável em outros meios de

comunicação de massa.

Um aspecto a ser considerado é o que tange às letras ascendentes e descendentes. As as- cendentes e descendentes na tipografi a são as partes estendidas para cima e para baixo da altura de “x”. Segundo Willberg e Forssman (2007), as letras em livros infantis devem ser sufi cientemente grandes para impedir a confusão entre os caracteres na leitura pelas crianças. Uma tipografi a com ascendentes e descendentes muito curtos é um exemplo de escolha “desagradável” para a leitura e apreciação infantil. As letras fi cam confusas. Ascendentes e descendentes mais longos, letras sem serifa e sem incisão, sem orelha e link são bem-vindos na literatura infantil ‒ e tais observações ainda podem ser muito úteis aos livros-brinquedo.

Fig 2.94 Exemplo de proporções de tamanho das letras. Fonte: Daniel Lourenço.67

Fig 2.95 Arranjo de tipos e legibilidade.68

Fig 2.96 Livro-brinquedo ábaco e livro-brinquedo sensorial.

Ascendentes e descendentes de clara legibilidade facilitam a leitura e o interesse pela apreensão. Na obra Tails, de Matthew Van Fleet, a escrita de capa é chamativa, mas não é clara.

Fig 2.97 Opção pela maiúscula em negrito no miolo e pela caixa alta e baixa nas doze minicapas (no nome dos pintinhos). Uma dúzia de diversão (Ciranda Cultural), vem inserido num blister-embalagem caixa de ovos.

67 LOURENÇO, Daniel. Dissertação Tipografi a para livro de literatura infantil. UFPA, Curitiba, 2011. 68 Fonte: http://www.bichodegoiaba.com.br/tipografi a/classifi cacao-e-anatomia-das-fontes. Acesso out. 2012.

Um cuidado que os livros-brinquedo devem ter se refere, por exemplo, ao espaço entre letras, espaço entre linhas e à modularidade de algumas formas minúsculas – como a, d, g, o,

p, q. As crianças tem de conseguir perceber que há letras compostas por um elemento redondo e

outro reto – exatamente o que é utilizado para formar as hastes das ascendentes ou descendentes. Mas esta é uma preocupação que engloba todas as produções voltadas para o público infantil. Afinal, o discurso deve se desenvolver de modo legível.

Os livros-brinquedo têm utilizado mais as fontes não inclinadas, costumam respeitar um bom espaçamento e valorizam a escolha do substrato de impressão. No entanto, como este tipo de gênero chega às prateleiras como gênero recreativo, as variações de seleção de tipografia são bem experimentais ainda. O que não quer dizer que haja menos otimização das proporções tipográficas nos livros-brinquedo. Ritmo e harmonia são valorizados na estética das obras. Es- tilos de letra mais justos – no efeito “letras coladas” – na linha são evitados. Letras em negrito e muito grossas são pouco utilizadas.

Heitlinger (2007) afirma que “não existe um consenso, mas o uso de fontes consideradas ‘divertidas’ ou irregulares não é recomendado para fins didáticos”. Como o livro-brinquedo che- ga mais para sensibilizar as crianças no que diz respeito a um outro conjunto de curiosidades e conhecimentos integrados – ler-brincando –, este gênero tem potencial para vincular diversão à

leitura. Assim, estilisticamente, as letras têm como participar de um investimento mais emocional,

artístico, visual, ao contrário de terem de ser bem previsíveis e determinadas.

Fig 2.98 Fonte Escola Portugal. Uniformidade e legibilidade. Lembra o estilo caligráfico.

Letras com formas semelhantes são apresentadas para as crianças perceberem intuitivamente a modularidade inerente a letras, como, por exemplo, o P, B e R; ou o T e o F.69

69 Em Portugal, no ano de 2009, foi criada por Paulo Heitlinger uma fonte para suprir as necessidades das crianças em relação à

Fig 2.99 Livro imantado O patinho feio (Ed. Girassol). A quebra de linha considera o conteúdo. Opta-se por maiúscula. A estética da página ainda pode ser melhor desenvolvida, pois a letra escura em fundo azul difi culta a leitura, e as chamadas para os ímãs às vezes estão perto demais de outros textos ou do refi le.

Fig 2.100 A verdadeira história de Chapeuzinho Vermelho, Quem nos ensina? e A three-dimensional victorian doll house são livros que investem em formas, cores e montagens articuladas para entreter e motivar uma proximidade entre leitor e livro. Seções online de venda de livro – como o site Americanas.com ou a Amazon – têm assimilado “livros” + “pop up” + “infanto-juvenil” + “brinquedos e jogos”.

Deve-se igualmente levar em consideração nos livros infantis o que Foucambert (1994) destaca quando diz que mais do que alfabetizar é preciso “leituralizar”, ou seja, não somente ensinar a ler, mas motivar a leitura exploratória da escrita de uma forma linear e não linear, considerando o que é signifi cativo à compreensão e à imaginação.

Fig 2.101 Penélope (a personagem) vai ao Museu do Louvre explorar. Frases em negrito, boa entrelinha, escolha tipográfi ca adequada e corpo da fonte propiciam uma mancha gráfi ca agradável e atraente.

Os formatos de capa podem ou não ser convencionais, mas estrategicamente devem surpreender o leitor e favorecer a brincadeira – como no caso de livros com jogos. O formato pode ser vertical, horizontal ou quadrado. Um formato que vem ganhando adeptos é o 28 x 25 cm, mas a relação entre altura e largura das páginas num livro-brinquedo varia enormemente, assim como a forma das capas.

Fig 2.102 Formato quadrado, tradicional, com adicional de encaixe móvel, interativo. Fig 2.103 Formato maletinha.

Alguns elementos e recursos de facas especiais – ou seja, recortes especiais –, aliados ao uso de imagens e à qualidade de impressão afi m à escolha de substrato, se combinam na estrutura do livro-brinquedo para oferecer uma sensação geral de estilo compositivo dinâmico e lúdico, convidativo ao público-alvo potencial.

Fig 2.104 Um dia na praia. Coleção Gira-Gira. CMS Editora. 14,5 x 14,5 cm. Capa dura.O sumário criativo é colorido e fi gurativo. Cada livro tem 10 fi guras impressas na borda, formando uma aba que leva diretamente à página com o texto e a ilustração correspondentes.

Fig 2.105 Cinq petit doigts. Editor: L’Ecole des Loisirs, 1995. Fig 2.106 A tartaruga ensina os opostos. Editora Girassol, 2007.

Fig 2.107 Casa assombrada. Ed. Manole, 2007. Chamada: “Puxe as alças... e descubra assombrações!”

A valorização da literatura para a criança e o “exercício” de mudança de formatos de livros infanto-juvenis acabam por ressaltar o trabalho de artistas do campo editorial. Mas, mesmo com os avanços na indústria editorial e tal repercussão no Brasil, ainda são muitas as editoras brasi- leiras que buscaram soluções mais rápidas e “certeiras”, como a tradução de obras estrangeiras e a impressão em formatos lúdicos já idealizados e produzidos fora do País.

Fig 2.108 Contação e ofi cina de criação de livro-brinquedo. Público: crianças de 5 anos. Escola pública Teresa Íñigo de Toro, Valladolid, Espanha, 2011. Obra de referência: Qué le passa a mi cabelo?, de Satoshi Kitamura. México: FCE, 2008. 37 x 29 cm. O formato lúdico e a história divertida encantam e mobilizam as crianças.

Importante mesmo na escolha do formato é a coerência. Um livro de bolso deve caber num bolso, um atlas requer páginas maiores. Um livro-brinquedo maletinha, por exemplo, assume um formato de transporte, utilitário e resistente, assim como um livro-travesseiro deve assumir um formato compatível e também ser macio, confortável e proporcional ao tamanho do seu leitor potencial. Formatos de palco para livros-cenário igualmente explicitam que a forma deve se conectar ao conteúdo, dar espaço à encenação infantil, como que oferecendo espaço à atividade, fi ccionalização e à decoração das ideias e pensamentos do leitor-criança que aprende a ler-brincando.

Como peculiaridade, vale mencionar que os livros-brinquedo costumam variar bas- tante o padrão 14 x 21 cm, típico em livros adultos. Isto porque chamadas ao público exigem

mudanças de formato e de apelo, além de adaptabilidade ao manuseio. O volume também muda signifi cativamente, sobretudo por causa das dobraduras. O estilo códex também pode variar e o livro-brinquedo contemporâneo tem assumido mesclas com folders, bolsas, maletas e estruturas desmontáveis, só para citar algumas.

Fig 2.109 The magical farm, de Erica-Jane Waters. Madri: Editorial Bruño, 2010.

27.1 x 6 x 29.3 cm. O volume inclui o livro e a montagem do cenário lúdico. Apelo: ”Build a story”.

Na prateleira ou no armário do leitor-infantil podem ser guardados de pé, deitados, alguns pendurados e outros até à parte, pois assumem formas incompatíveis ao empilhamento – como livros de encaixe no formato cubo ou obras com peças de grande relevo, como movable eyes. Estes lugares reinventados para colocar os livros-brinquedo também atiçam uma curiosidade e colocam em destaque seus formatos, volumes e propostas diferenciados.

Fig 2.111 As aventuras do Sapo Sapeca. Ed. Vale das Letras, 2010. Olhos esbugalhados e móveis.

Fig 2.112 Le grand livre animé du corps humain. Milan Jeunesse, 2007. A interação em trilhos e em janela mágica pode ser realizada em manuseio autônomo e mediado, dependendo da faixa etária do público-alvo.

O manuseio é facilitado quando as páginas do livro-brinquedo não fecham sozinhas no folheamento, não rasgam fácil, não amassam fácil, não pesam muito, não precisam ser amarradas em laço para formar cenários e organizam chamativamente os locais de ação interativa direta.

Os temas nos livros-brinquedo são muito variados, ora literários ora informativos, ora originais, ora recorrentes, ora simples, ora complexos. Poucos livros-brinquedo, no entanto, são poéticos – talvez por uma atual cegueira editorial –, e mesmo os jogos de linguagem lúdicos e as escrituras artísticas ainda são subutilizados neste gênero.

Fig 2.113 Imagem projetiva, que a partir do folhear da página gira o globo. Atlas del mundo. Ed. SM, 2009.

Em geral, os temas sugerem aventuras, suspenses, jogos, passatempos, brincadeiras e fantasias. Há também as adaptações de clássicos em versão livro-brinquedo.

O gênero livro-brinquedo trata em sua maioria de assuntos que sensibilizam o imaginário infantil, tais como contos de fadas, histórias assombradas, nome de animais, desafi os motores,

vivências práticas, explorações lógico-táteis, recreações lúdicas, observação de ambientes, de dimensões, de peso, de volumes, de movimentos, gradações, encenações etc. Percebe-se que, para além do tema, há também um espaço de destaque na estrutura editorial do livro-brinquedo para o suporte, o formato e os registros de impressão que fomentam conhecimentos e curiosidades.

As procedências variam muito, pois atualmente há mercados produtores de livros-

-brinquedo em todos os megacentros editoriais do mundo. O Reino Unido, os EUA, a França e a Espanha são grandes exportadores de títulos para o restante do mundo. Algumas edições já saem em co-print – roda-se o livro todo e depois cada país insere sua língua de divulgação.

Nota-se também editoras que assinam autorias coletivas70 – onde deveria aparecer autor da obra – e tem se tornado comum que a equipe dos créditos fi que expandida em autor, ilustrador, engenheiro do papel, projetista gráfi co, fotomontador, designer e tradutor.

As capas são muitas vezes ousadas em aplicação de hologramas, lenticulares, glitter etc. Mas

ainda há muitas capas de livros-brinquedo tradicionais, sem aplicações de apelo gráfi co e sem efeitos

tridimensionais. Por questão de resistência ao uso e manuseio direto pelas crianças, as capas têm sido

produzidas em substratos duráveis, capa dura, duplo revestimento de miolo, lombada bem aderida, às vezes com fechos imantados para evitar que o livro abra no manejo ou deslocamento, forçando a lombada. Desde a primeira visualização de contato, as capas enviam mensagens e convites aos leitores. Quando semelhantes a embalagens, as capas criam expectativas e afi nidades entre o objeto livro e o objeto brinquedo. As capas também refl etem o alcance a um público leitor e esta distinção pode acentuar um lugar para os gêneros no espaço editorial.

Fig 2.114 Le petit livre des voeux. Coleção Rose Felicity. Paris: Felicity Wishes/Tamino, 2000. O livro, inserido na bolsa, é purpurinado na capa e miolo, e vem com um batom cintilante. A história, em tom poético, vem em letra cursiva e a personagem fadinha surge sempre com asas brilhantes em glitter. A fonte nas páginas ímpares, no entanto, é muito pequena para o público-alvo potencial – não foi bem selecionada apesar do efeito delicado. Nas páginas pares a seleção do corpo (fonte) foi apropriada.

70 A exemplo do livro In the air and everywhere - The scientifi c american pop-up book of birds, produzido pela White Heat Ltd.

Muitas capas, de forte impacto visual, chamam à diversão e à descoberta, atraindo pelo emocional e pela estética. No livro-brinquedo, o apelo compositivo é supervalorizado nos forma- tos e acabamentos gráfi cos, confi rmando, em geral, o destaque para o nome da obra, chamadas

lúdicas e interativas, depois autoria e editora.

Fig 2.115 Mia’s jungle jive. Hinkler Books, 2010. Capa com moveable eyes. Os olhos mexem para os lados, para cima e para baixo, estão em relevo e obecedem à ação do leitor (via mecanismo no verso da contracapa).

Deve-se também estar atento a uma certa identidade e marca criada pela importação/tra- dução de livros-brinquedo que desembocam no mercado brasileiro. Originalmente publicados no exterior e hoje impressos em outras línguas, tais obras circulam mundo afora com a mesma arte de capa, o que acaba por ressaltar aspectos de uma arte gráfi ca, formatos e certos estilos profi ssionais de montagem e ilustração – a exemplo das artes de Robert Sabuda, Neal Layton, Corina Fletcher, Roland Pym, David Hawcock, Ron van der Meer, Tor Lokvig, Chuck Murphy’s etc., engenheiros

de papel respeitados no mercado contemporâneo. Tal movimentação das obras no mercado editorial mundial cria uma cultura visual assimilada a livros lúdicos – alguns deles livros-brinquedo – e uma

expectativa ao redor do jogo de cena de capa e do que se iniciará após a primeira abertura de página.

Fig 2.116 Obra do engenheiro do papel David Hawcock e de Lee Montgomery (Tango Books, Sadie Fields Productions Ltd., 1996).71 O livro Wasp pode ser lido, desdobrado e pendurado.

Fig 2.117 Color surprises – a pop-up book. Autor: Chuck Murphy’s (ilustrador e engenheiro do papel).

Alguns livros infantis e juvenis editados para favorecer o ler brincando ou a curiosidade pelo objeto livro apresentam a arte – como Pénélope au Louvre, Gallimard Jeunesse – e outros são, eles próprios, peças de arte – como Inventos que cambiaron el mundo, Editorial Montena. Capa, formato e encadernação nem sempre, no entanto, são capazes de anunciar de cara um livro-brinquedo, distinguindo-o de outros gêneros. Há obras que optam apenas pelo título e não colocam chamadas extras afi ns à proposição do ler brincando; outras obras mantêm capa tradicional e inserem acabamentos especiais apenas no miolo. Ou seja, o formato de capa nem sempre é alterado ou projetado para uma objetiva relação com o apelo “brinquedo”. Mas vale res- saltar que a tendência no momento gira em torno de uma valorização da capa de livros-brinquedo para chamadas diretas à diversão. O que afeta a escolha dos substratos de impressão de capa, a escolha de facas especiais para recortes de formato e a seleção de acabamentos especiais atraentes.

Há que se observar, entretanto, se o formato de capa não vai alterar a legibilidade do miolo. Há livros no formato travesseiro, por exemplo, que ficam mal costurados na margem interna, o que dificulta a leitura textual nestas partes.

Quanto à durabilidade, sabemos que a maioria dos títulos pesquisados ainda é recente. Somente um trabalho de longa duração poderia observar a resistência de livros-brinquedo ofe- recidos ao manuseio direto infantil. Mas os materiais utilizados estão cada vez mais adaptados à interação – rasgam menos, quando sujam podem ser limpos, amassam menos, estão melhor

presos à lombada.

No que tange a reedições, ainda são poucas, mas já observáveis. O livro Mi primer abecedário (Ediciones SM, 2007), por exemplo, está em sua 9ª edição – a 1ª edição é de 1999 e a última é de 2007. Mas parece que o mercado se alimenta mais da engrenagem da novidade do que de reedições no caso de livros-brinquedo, ainda que, naturalmente, obras premiadas ou de autores mais consagrados sejam reeditadas com frequência maior. A oscilação – incluindo a busca pelo “mais novo” – parece ser a experiência fundamental à modernidade. O mercado de livros é afetado por esta tendência.

Percebe-se uma forte circulação globalizada, possivelmente fruto do agenciamento lite- rário e das traduções, o que traz efeito de influência marcante no mercado interno – que pouco cria livros-brinquedo na atualidade e ainda prefere importar títulos e autores consagrados por

seus métodos de expressão.72

Quanto às editoras que colocam as obras no mercado e propiciam a abertura de linhas editoriais em seus catálogos, observa-se que as maiores, mais bem conceituadas e mais premiadas ainda são as que elegem os livros-brinquedo de melhor padrão no que tange ao conjunto: tema, seleção de conteúdo, resistência ao manuseio direto do leitor-criança, acabamento gráfico e com- posição visual artística. Editoras menores e bem menos experientes tendem a errar mais na seleção dos originais, no refile de formatos especiais, nas costuras internas de lombada, no alceamento das páginas, na escolha de substratos de impressão e no excesso visual de apelos.

Num mundo de tantas telas – computador, TV, Iphone, e-book etc. – talvez o alcance desde a infância e adolescência a livros impressos atraentes em ilustração, conteúdo e impressão tátil

represente uma espécie de necessidade ou uma opção a mais de escolha na seleção de canais e meios de saber. Por isso, também se torna relevante comentar as influências visuais e projetivas

que já são marcantes nos projetos gráficos de livros-brinquedo circulantes:

72 Haja vista, por exemplo, a observação de títulos das editoras Cosac Naify, Companhia das Letrinhas, Brinque-Book, Caramelo, Salamandra, Melhoramentos, Girassol etc.

• Perspectivas de planos de leitura; • Noções de volume e profundidade; • Treinamento tátil-sensorial;

• Incentivo à interatividade;