4. FOTOĐK BAT ARALIĞI
4.9 Fotoniklerin Üretimi
4.9.5 Kimyasal metot
O estrangulamento financeiro provocado pela recusa de Emídio Guerreiro em facultar mais dinheiro à organização, colocou problemas graves em termos financeiros e de acção. Entre 1969 e 1971 houve um esforço para a organização diminuir drasticamente as despesas. Foi dada indicação de que todos os militantes teriam de arranjar um trabalho que permitisse a sua subsistência. As despesas com a compra de armas e explosivos foram mantidas, mas substancialmente contidas. Em suma, a ideia era manter a LUAR com o pouco dinheiro que ainda restava do assalto à Figueira da Foz.
Mas, a partir de 1971, com a mudança de estratégia e orientação da organização, passou a ser necessário mais dinheiro para planear e realizar novas acções. Colocava-se a questão de realizar novos assaltos em Portugal ou de os fazer em França. A decisão acabou por ser a de efectuar assaltos em Paris, mas, a agências de bancos portugueses, onde os emigrantes depositavam o seu dinheiro. Os bancos tinham um seguro que seria accionado em caso de roubo, o que fazia com que os emigrantes não perdessem o seu depósito, pelo que estes assaltos só prejudicariam os próprios bancos e nunca os emigrantes462.
Tais acções nunca foram reivindicadas pela LUAR, e, ainda hoje, os antigos militantes da organização, preferem não falar especificamente nem dizer em concreto quantas operações do tipo realizaram
Sabemos que foram assaltadas, pelo menos, duas carrinhas de bancos portugueses que iam aos bidonville, geralmente ao Domingo, recolher o depósito dos emigrantes. Esta era uma prática comum dos bancos, sobretudo das agências de bancos portugueses, que facilitavam aos emigrantes o depósito de dinheiro, uma vez que assim estes não teriam de perder tempo de trabalho durante a semana para se deslocarem a uma agência bancária.
Na entrevista realizada a Joaquim Alberto Lopes Simões, participante em todos os assaltos realizados pela LUAR entre 1971 e 1973, ele dá-nos uma ideia do plano de acção que foi aplicado,
460 Entrevista a Fernando Pereira Marques, Lisboa, 26 de Setembro de 2012
461Entrevista Joaquim Alberto Lopes Simões, Riachos, 15 de Julho de 2012
com êxito, a todos os assaltos.
Segundo Joaquim Alberto Lopes Simões, praticamente em todas as acções da LUAR entre 1971 e 1973, os percursos e horários das carrinhas eram previamente estudados. De seguida, era escolhido o dia para a operação e escolhidos os operacionais que iriam participar, sendo que Joaquim Alberto se fazia acompanhar de um núcleo em quem confiava. Palma Inácio também participou em alguns dos assaltos aos bancos, delineando com Joaquim Alberto toda a acção.
No dia escolhido, deixavam a carrinha do banco fazer o seu percurso habitual percorrendo os bidonville e numa rua previamente escolhida eram colocados dois carros, bloqueando-a e obrigando a carrinha a parar. Os operacionais, estrategicamente colocados, empunhando armas, obrigavam os funcionários do banco e o condutor a sair das viaturas, manietando-os. A carrinha era levada depois para um local seguro, geralmente um parque de estacionamento ou uma floresta, onde se procedia ao arrombamento do cofre e à transferência do dinheiro para um dos carros da organização. O dinheiro era depois transportado para uma das casas da LUAR em Paris onde se procedia à sua contagem e ficava guardado para ser utilizado no que fosse necessário463.
Foi com este dinheiro que a LUAR comprou novas armas na Checoslováquia e na Suíça, mandou homens para o interior do país para esconder material e proceder ao estudo de novas acções, alugou garagens e casas em Portugal, na França e na Bélgica para depositar o material bélico, manteve um conjunto de operacionais que se dedicavam em exclusividade à organização e financiou cooperativas e centros culturais para emigrantes e a redacção, impressão e distribuição do jornal Fronteira.
3.5 - O aparelho de falsificação
Parte significativa dos militantes da LUAR tinham saído de Portugal clandestinamente, fosse como refractários ou desertores, fosse porque tinham fugido ao recrutamento e à incorporação militar, ou porque eram procurados pela polícia política ou ainda por terem saído do país a “salto”. Além disso, a estrutura da LUAR implicava a deslocação de dirigentes e militantes entre vários países europeus, pelo que necessitavam de documentação falsa, inclusivamente para ser utilizada nas suas deslocações clandestinas a Portugal. Assim, desde o início da organização, que houve um esforço grande para criar uma estrutura de documentação que dispusesse de bilhetes de identidade, cartas de condução, certidões militares e passaportes que pudessem ser rapidamente distribuídos pelos militantes para a realização de uma acção.
A falsificação de documentos requeria competência técnica, de modo a que os documentos tivessem grande qualidade, praticamente iguais aos originais. Simultaneamente, era necessário que
os militantes ou os apoios que procedessem a esta operação dessem garantias de segurança e confidencialidade. Inicialmente eram utilizados documentos que eram entregues à organização por militantes e simpatizantes. Estes documentos eram depois falsificados, às vezes mais de uma vez, para poderem ser utilizados e reutilizados. Alguns militantes da LUAR procediam a esta operação sempre que era necessário, como José Hipólito dos Santos e Joaquim Alberto Lopes Simões464.
Porém, a LUAR também contou com a colaboração de Adolphe Kaminsky, resistente francês da Segunda Guerra Mundial, especialista em falsificação de documentos, que tinha colaborado na resistência francesa aos nazis, na fuga de judeus, no apoio aos argelinos e aos movimentos de libertação das colónias (PAIGC, MPLA, e ANC)465. Kaminsky foi apresentado à LUAR por Henri Curiel466 que se disponibilizou para produzir documentação falsa e para dar formação aos militantes da organização portuguesa para que estes pudessem começar a falsificar documentos o mais rapidamente e eficazmente possível467. Esta formação, apesar de ter durado pouco tempo, teve efeitos na produção de documentação mais fácil de falsificar como cartas de condução e certidões militares.
Com as alterações surgidas na estrutura e organização da LUAR, após a nova reorganização de 1970, surgiu a ideia de assaltar Consulados portugueses noutros países, para obter documentos em branco, nunca utilizados, e carimbos com selo branco do consulado. Foram escolhidos os consulados portugueses em Roterdão e no Luxemburgo, porque a deslocação à Holanda e ao Luxemburgo era fácil, a fronteira era fácil de atravessar legalmente e não havia vigilância policial significativa por parte da polícia local e da PIDE, ao contrário do que acontecia na França e na Bélgica468.
Em Maio de 1971 foi assaltado o Consulado de Portugal em Roterdão. Esta acção foi levada a cabo por um grupo que se considerava maoista que existia no interior da LUAR e que, depois da prisão de Palma Inácio, se tinha autonomizado, passando a denominar-se Divulgação Popular, embora nunca deixando de fazer parte da organização469. No assalto também participou Joaquim Alberto Lopes Simões e outros militantes que faziam parte do grupo ligado ao sector católico. A ligação quer do grupo de Divulgação Popular, de Jacinto Rodrigues, quer de Joaquim Alberto, à LUAR é, de qualquer modo, na altura, difusa e encarada pelos próprios de modo diferente.
464Entrevista Joaquim Alberto Lopes Simões, Riachos, 15 de Julho de 2012;Entrevista a Hipólito dos Santos, Lisboa, 29
de Abril de 2012
465 Cf: KAMINSKY, Sarah, 2009, Adolfo Kaminsky, une vie de faussaire, Paris, Calmann-Levy
466Henri Curiel foi um destaco militante comunista e anti-colonialista. Fundador do Movimento Egípcio de Libertação
Nacional, foi expulso do país, e estabeleceu-se em França, onde participou activamente no réseau Jeanson e fundou o Movimento Anticolonialista Francês e o réseau Solidarité que dava formação prática a militantes de todos os movimentos de libertação nacional e a organizações de luta contra as ditaduras europeias.;
467KAMINSKY, Sarah, 2009, Adolfo Kaminsky, une vie de faussaire, Paris, Calmann-Levy, p. 236
468 Entrevista Joaquim Alberto Lopes Simões, Riachos, 15 de Julho de 2012
Segundo Jacinto Rodrigues, este grupo que fez o assalto aos consulados já não tinha nada a ver com a LUAR e não tinha informado Palma Inácio da realização das acções. Eles tinham perdido confiança na organização e consideravam que o derrube da ditadura só podia ser feito através da luta de massas realizada em Portugal, pelo que queriam vir para o interior do país, o mais rapidamente possível, mas, para isso, necessitavam de documentos falsos, pelo que decidiram arranjar essa documentação assaltando os consulados470. Joaquim Albeto confirma que Palma Inácio não tinha sido informado dos assaltos aos Consulados, mas considera que ele e os elementos do seu grupo pertenciam à LUAR, e sempre consideraram que tinham feito estas acções para a organização. Quando Jacinto Rodrigues saiu da LUAR, a documentação roubada ficou na posse de Joaquim Alberto, que preenchia os documentos em branco, entregando-os a Palma Inácio, sempre que este o solicitava471.
Para compreender esta divergência é necessário explicar que o pequeno grupo Divulgação Popular, ligado a Jacinto Rodrigues e constituído por elementos que tinham pertencido ou tinham estado na orla da FAP/CMLP, mostrou-se, desde cedo, interessado em actuar no seio da LUAR. Estes tinham-se incompatibilizado com a FAP/CMLP depois das prisões dos seus dirigentes, por considerarem que esta se estava a desviar do projecto de realizar acções armadas. O CMLP, por seu lado, acusava-os de “castristas” e “guevaristas” por defenderem a aplicação da táctica de guerrilha foquista à realidade portuguesa472. Por este motivo, este grupo procurou aliar-se à LUAR, uma organização aberta, que não questionava o seu posicionamento ideológico e que defendia a luta armada. Segundo Jacinto Rodrigues, que chegou a pertencer à direcção da LUAR, este grupo procurou dar um cunho ideológico marxista-leninista à organização, mantendo sempre uma posição crítica face à sua indefinição ideológica, mas sem resultados concretos. Jacinto Rodrigues descreve, em 2012, a sua entrada para a LUAR depois do afastamento da FAP:
“Aparece o Palma, de romantismo e com o sucesso militar da Figueira da Foz. O que eu vivi foi o Maio de 68 e portanto quando o gajo diz vamos agora para Portugal que há um contexto favorável. O Salazar está doente, a gente tem de aproveitar a brecha. E eu acreditei que era possível. […] Para a malta era o ultimo gripo. O grito do Ipiranga.”473
Em relação à heterogeneidade interna, Jacinto Rodrigues também reafirma que dentro da LUAR havia pessoas de todas as correntes ideológicas e até sem qualquer motivação política: “Não sei explicar muito bem como é que aquela malta veio para Portugal. Havia gatunos, havia de tudo mas o gajo conseguia uma certa unidade”474.
470Entrevista a Jacinto Rodrigues, Esposende, 18 de Setembro de 2012
471Entrevista a Joaquim Alberto Lopes Simões, Riachos, 25 de Julho de 2012
472Entrevista a Jacinto Rodrigues, Esposende,18 de Setembro de 2012
473Entrevista a Jacinto Rodrigues, Esposende,18 de Setembro de 2012
Em relação ao grupo que liderava dentro da LUAR, o próprio afirma que este era um grupo “marxista-leninista”, que publicou o primeiro número de uma pequena publicação intitulada
Revolução na Revolução, e que foi este grupo que organizou os assaltos aos Consulados de Portugal
no Luxemburgo e em Roterdão. O grupo funcionaria autonomamente, definindo, planeando e realizando acções embora estivessem integrados na LUAR475. Desta forma, mostravam que tinham capacidade logística e operacional e que podiam agir sozinhos, sem o apoio da organização.
Mas, havia também, evidentemente, uma desconfiança mutua entre a maioria da direcção da LUAR e este grupo “marxista-leninista”, que consideravam ideologicamente demasiado radical. Ambos desconfiavam das intenções uns dos outros e sobretudo que houvesse infiltrações policiais em cada um deles, o que contribuiu para que cada grupo, em certas circunstâncias, efectuasse reuniões e acções sem dar conhecimento ao outro476. Ao mesmo tempo, este grupo considerava que tinha condições para sair definitivamente da LUAR e formar uma nova organização. Esta certeza era-lhes dada pelo sucesso das operações dos assaltos aos Consulados e a carrinhas de transporte de dinheiro, em Paris, pois significava que tinham dinheiro, homens, meios e contactos para se transformarem numa organização independente477.
O facto de a LUAR não ter um programa político e ideológico definido e não hostilizar as outras organizações oposicionistas permitiu que diversos grupos se tivessem aproximado da organização, convivendo ao mesmo tempo dentro desta. Isto criou, por diversas vezes, situações de conflito e gerava focos de contestação e de sectarismo, sobretudo entre os elementos que tinham vindo do PCP e da FAP. Estes tinham uma experiência política e uma formação ideológica que os tornava mais radicais e menos complacentes para com aqueles que nunca tinham militado em qualquer organização anteriormente e por isso não partilhavam da sua “pureza ideológica”. Estes elementos tinham, algumas vezes, comportamentos rígidos em relação aos que “não pensavam de forma correcta”, segundo a sua concepção, pretendendo mesmo expulsar da LUAR os “focos de burguesia”478.
Estas correntes mais sectárias, embora desempenhassem um papel importante dentro da LUAR, nunca conseguiram fazer vingar tais propostas e a organização, por sua vez, nunca deixou de admitir a existência de várias correntes internas e, mesmo quando se preocupou em definir a sua base política, quis sempre manter esta abertura e trabalhar internamente de forma construtiva, com o apoio, as opiniões e as sugestões dos diversos grupos, rejeitando todo o sectarismo479.
475Entrevista a Jacinto Rodrigues, Esposende,18 de Setembro de 2012
476Entrevista a Jacinto Rodrigues, Esposende, 18 de Setembro de 2012
477Entrevista a Jacinto Rodrigues, Esposende, 18 de Setembro de 2012
478Entrevista a Jacinto Rodrigues, Esposende, 18 de Setembro de 2012; Entrevista a Fernando Pereira Marques, Lisboa,
26 de Setembro de 2012
Após os assaltos aos Consulados, o grupo de Jacinto Rodrigues decidiu sair da LUAR e criar uma organização autónoma, tendo, juntamente com Alfredo Margarido, fundado um grupo denominado Grupo de Informação sobre a Repressão em Portugal [GRIP] que teve uma duração curtíssima de três meses e que se reunia numa mesquita árabe que ficava perto da Faculdade de Letras de Censier, em Paris480.
3.5.1. O assalto ao Consulado de Roterdão
No dia 30 de Abril de 1971, o grupo de operacionais que devia participar no assalto parte para Roterdão, de comboio, excepto Joaquim Alberto Lopes Simões que foi de carro, dirigido por José Casimiro, porque estava incumbido de transportar o material retirado do Consulado para a casa de um amigo em Haia. A ideia era realizar a acção nesse mesmo dia, ao final da tarde, ainda na hora do expediente, para poderem apropriar-se do máximo de material possível. Não estava, assim, previsto pernoitarem nenhuma noite na Holanda porque não tinham dinheiro para pagar a estadia e a maioria dos operacionais trabalhava e precisavam de regressar aos seus empregos no dia seguinte.
Porém, ao planarem o assalto não se tinham apercebido que o dia 30 de Abril era o aniversário da rainha e, como tal, era feriado na Holanda, e estava tudo fechado. No dia seguinte, era 1º de Maio, e voltava a ser feriado e, depois, era fim-de-semana, pelo que o Consulado só reabriria na segunda-feira seguinte, cinco dias depois. A única solução era fazer o assalto naquela noite, retirar o que fosse possível, e o que não estivesse dentro do cofre, pois eles não tinham meios para o arrombar. Assim, nessa noite, por volta das duas horas da manhã, Jacinto Rodrigues, Joaquim Alberto Lopes Simões e Nélson Rosário dos Anjos arrombaram a porta dos fundos e procedem ao assalto tendo conseguido retirar máquinas de escrever, selos brancos, passaportes e Bilhetes de Identidade antigos que depois seriam falsificados481. Fora do edifício tinha ficado o carro e o seu condutor, José Casimiro, que devia estar preparado para arrancar assim que terminasse a operação no interior. Entraram e saíram do edifício sem terem sido vistos. Apenas à saída, quando já estavam a meter todo o material roubado dentro do carro é que passou na Avenida do Consulado um indivíduo em bicicleta que reparou no Nélson Rosário dos Anjos, que ainda tinha acesa na cabeça a lanterna eléctrica usada no assalto. No entanto, o homem imprimiu velocidade á bicicleta e saiu dali. Este episódio foi suficiente para provocar algum receio nos operacionais, que decidiram sair da Holanda o mais depressa possível482.
480IANTT/PIDE-DGS, pr. 671/73 SC PC, U.I: 6431-6432 - Auto de Interrogatório a José Casimiro Martins Ribeiro, fl.
13 a 30
481No assalto ao Consulado Português em Roterdão participaram: Joaquim Alberto Lopes Simões, Jacinto Rodrigues,
Nélson Rosário dos Anjos, Henrique Sanchez, José Casimiro Martins Ribeiro, Jaime Oliveira Bastos
Os elementos da LUAR que participaram no assalto iam munidos de armas embora algumas não fossem verdadeiras. Elas serviriam essencialmente para assustar no caso de alguém os surpreender durante a operação e para se defenderem caso fossem descobertos pela polícia. Nélson Rosário dos Anjos levou consigo um revólver verdadeiro, carregado. Ele era considerado a pessoa mais habilitada para usar a arma porque tinha sido militar, tendo estado na Guiné, de onde desertou483.
De seguida, Joaquim Alberto e José Casimiro dirigiram-se para Haia, onde o material de que se haviam apropriado seria escondido, enquanto os restantes elementos partiram de comboio para França. Só na segunda-feira seguinte, quando o Consulado reabriu é que o assalto foi descoberto, apesar de a porta ter sido arrombada e ter ficado aberta484.
3.5.2. O assalto ao Consulado do Luxemburgo
Esta acção realizou-se a 4 de Junho de 1971, tendo Joaquim Alberto se deslocado de véspera para o Luxemburgo para preparar a acção. Como era necessário passar lá uma noite, e não convinha ficar em hotéis ou pensões para não haver registo da sua passagem, foi solicitado apoio através de uma organização de solidariedade a migrantes e exilados, a que pertencia a filha do Primeiro- Ministro do Luxemburgo, Pierre Werner, que disponibilizou a casa de família, uma vez que o seu pai ia estar fora do país durante uma semana. Assim, na noite anterior ao assalto, Joaquim Alberto dormiu em casa do Primeiro-Ministro luxemburguês485.
Os restantes elementos que participaram no assalto foram conduzidos ao Luxemburgo em dois automóveis alugados, conduzidos por dois portugueses486. A entrada no Consulado deu-se no final da tarde, durante o expediente, mas perto da hora de encerramento, estando os operacionais de óculos escuros e armados de pistolas de fabrico checo. Foi necessário neutralizar os funcionários e outras pessoas que estavam no interior do edifício, pelo que decidiram que teriam de fazê-los reféns. Assim, com plasticina e fios eléctricos simularam que estavam a armadilhar o edifício e ameaçaram que se alguém se mexesse provocaria a explosão de uma mina. Foram retirados passaportes usados, impressos virgens, bilhetes de identidade e outros documentos, além de carimbos e algum dinheiro que encontraram. Quando se preparavam para sair apareceu o Cônsul,
de 1972, fl. 28 e 29
483IAN/TT – PIDE/DGS, Pr. 330-72 SC PC, vol. 1, UI: 6434 - Auto de Declarações de Nélson Rosário do Anjos, 13 de
Maio de 1972, fl. 28 e 29
484IAN/TT – PIDE/DGS, Pr. 330-72 SC PC, vol. 1, UI: 6434 - Auto de Declarações de Nélson Rosário do Anjos, 13 de
Maio de 1972, fl. 28 e 29
485Entrevista a Joaquim Alberto Lopes Simões, Riachos, 25 de Julho de 2012
486No assalto ao Consulado Português em Roterdão participaram: Joaquim Alberto Lopes Simões, Jacinto Rodrigues,
que foi amarrado e colocado junto ao restante grupo de reféns487.
Durante o planeamento da acção tinham admitido a hipótese se serem surpreendidos pelas autoridades policiais e nesse caso tinham pensado em utilizar os funcionários do Consulado como reféns, ameaçando dinamitar o prédio e exigindo a realização de uma conferência de imprensa para explicar as razões da sua atitude. Depois, libertá-los-iam e entregar-se-iam às autoridades.
Após o assalto, saíram do Luxemburgo nos dois carros que os tinham transportado até ao país, excepto o Joaquim Alberto, que regressaria à Bélgica de comboio, transportando as duas malas