3. BULGULAR
3.1 Kimya Öğretim Programlarının İçerik Analiz Bulguları
3.1.2 Kimya Dersi Öğretim Programlarında Yer Alan Konuların İçerdiği Kimya
No ano de 1893, Bilac retornou como colaborador fixo da Gazeta de Notícias na seção “Crônica livre”, a convite do diretor do periódico, Ferreira de Araújo (1848-1900). Se em agosto do mesmo ano se afastou, por divergências políticas, da Cidade do Rio, nos últimos dias do mesmo mês a sonhada Gazeta de Notícias anunciava em primeira página:
De hoje em diante abrilhantará as páginas de nossa folha a pena do festejado escritor Olavo Bilac, que se encarregou da seção ‘Crônica livre’. Estamos certos de que os nossos leitores receberão com prazer a notícia desta preciosa colaboração. 53
A partir de “Crônica livre”, a parceria entre Bilac e a Gazeta de Notícias tornar-se-ia incessante, até o afastamento inesperado do parnasiano das redações de jornal 54 em 1908. O jornal situado na esquina da Travessa da Rua do Ouvidor possibilitou ao cronista, assim como o próprio nome da coluna transparecia, a liberdade de expressão, de linguagem e de temática que a Cidade do Rio não lhe proporcionava mais.
“Crônica livre” estampou, intermitentemente, os relatos bilaquianos sobre a vida carioca, da qual o mestre era testemunha diária. Sátiras, anedotas, fait divers, de tudo o
51 SIMÕES JR., A contribuição de Bilac para a crônica brasileira. In: Eixo e a roda. Belo Horizonte, v 9/10, p.
239-250, 2004.
52 EDMUNDO, op. cit., p. 983. 53
EXPEDIENTE. Gazeta de Notícias. Rio de Janeiro, 22 de agosto de 1893, p. 1, 1. col.
54 Um dos aspectos mais sombrios da vida pública de Olavo Bilac é seu desligamento das redações. Essa
passagem de sua biografia, de acordo com o estudioso, mereceria mais atenção por parte de pesquisadores da vida e obra de Olavo Bilac. DIMAS, Antonio. Bilac, o jornalista. São Paulo: EDUSP, 2006. 3 vol.. p. 41.
investigador minucioso relatou, sob o pseudônimo de Fantásio, em seus textos. Mesmo quando, por ordem de Floriano Peixoto, foi novamente detido em fins de 1893 e, por conseqüência, teve de se refugiar em terras mineiras, Bilac continuou a enviar suas impressões para a “Crônica livre”; contudo, a partir de então eram comentários acerca das paisagens de Ouro Preto 55 e, posteriormente, de Juiz de Fora. A prisão em novembro de 1893 e o forçado exílio trouxeram novas experiências a Bilac. Do contato em Ouro Preto nasceu a amizade com Afonso Arinos (1868-1916). As longas conversas com o estudioso mineiro e as pesquisas históricas sobre a região levam a crer que dessa íntima relação é que adveio o espírito patriótico que iria transbordar das obras e das opiniões bilaquianas no início do século XX. Comprova a afirmação Antonio Dimas:
De modo inesperado, seu exílio político transformara-se em ganho pessoal e intelectual, além de modificar para romaria involuntária aquilo que lhe fora imposto como calvário. Romaria que lhe atiçou os brios nacionalistas e que acabou também por arremessá-lo a projeções utópicas de um país prestes a se modernizar. 56
O exílio, forçado e frutífero em Minas Gerais, terminou com a posse de Prudente de Moraes em 1894. E foi neste mesmo ano que se inaugurou no Rio de Janeiro A Notícia. Em 17 de setembro surgiu no Rio de Janeiro o primeiro jornal vespertino que trazia em seu bojo notícias frescas. A dependência dos vespertinos tradicionais aos periódicos que saíam pela manhã era clássica. Notícias requentadas mantinham as redações dos jornais da tarde funcionando. A partir da inauguração de A Notícia houve uma revolução. O vespertino impresso, a partir de seu segundo ano de edição, em delicado papel cor-de-rosa inovou ao conseguir trazer para as seis colunas de suas quatro páginas matéria nova e atual. A Notícia funcionava nas oficinas da Gazeta de Notícias e, em contraposição a muitos vespertinos da época, saía aos domingos57. Sua apresentação se diferenciava dos demais matutinos e vespertinos da Capital Federal; tipos grandes chamavam a atenção nas largas colunas do jornal.
A colaboração de Olavo Bilac para A Notícia se estendeu, exatamente, de 7 de agosto de 1895 até 12 de novembro de 1908; coincidência ou não, é nesta mesma data que
55 A primeira cidade mineira que acolheu o exilado foi Ouro Preto, contudo, como conseqüência de uma pilhéria
feita a um importante fazendeiro da região, Bilac, ameaçado pelos moradores da cidade revoltados com seu comportamento, teve que se transferir para Juiz de Fora.
56 DIMAS, op. cit., p. 86.
57 Cf. SIMÕES JR., Alvaro S. A contribuição de Bilac para a crônica brasileira. O eixo e a roda. Belo Horizonte,
se encerram, abruptamente, todas as colaborações de destaque de Bilac nos vários periódicos para os quais contribuía.
Jornal de linha moderada, A Notícia não se envolvia em conflitos políticos e, juntamente com a Gazeta de Notícias, era um dos periódicos que mais davam destaque às letras. A linha editorial defendida pela “dama cor-de-rosa” é perceptível através do expediente publicado, em 3 de setembro de 1895, pelo Sr. Manuel Jorge de Oliveira Rocha, o Rochinha, diretor do jornal:
Publica todos os dias os seguintes artigos: Dr. Ferreira de Araújo (‘Questão do dia’), Dr. Alberto Torres (‘A política’); Medeiros e Albuquerque (‘Ciências’); Figueiredo Coimbra (‘Diálogos’, notas humorísticas); O exterior pelo telégrafo (exposição dos fatos mais importantes da Europa e da América). Além desses artigos, publicados diariamente, publica pelo menos três vezes por semana ‘Fantasias’, de Olavo Bilac.
Durante o período parlamentar publica artigos sobre matéria financeira e orçamentária, do Dr. Augusto Montenegro, e desenvolvida crônica do Senado e da Câmara. Uma vez por mês, ‘Palestras Higiênicas’, crônica do Dr. Silva Araújo.
Colaboração semanal: Segundas-feiras, Semana Literária do Dr. Valentim Magalhães; terças-feiras, Reminiscências políticas, de Anapurus; quartas- feiras, folhetim ilustrado de Julião Machado; quintas-feiras, O teatro, crônica de Artur Azevedo; sextas-feiras, Notas de um simples, de Figueiredo Coimbra; sábados, crônica de Lulu Sênior (Ferreira de Araújo). Entre os colaboradores que escrevem sem dia determinado; Dr. José Avelino, Capistrano de Abreu, Dr. Mello Moraes, Aluízio Azevedo, Gastão Bousquet, Figueiredo Pimentel, etc. Correspondentes em Lisboa e Paris. 58
A primeira coluna de Bilac nas páginas róseas foi “Fantasia”. De 7 de agosto de 1895 até 18 de fevereiro de 1897, produções satíricas, fesceninas, livres, originais e muito subjetivas sobre a sociedade carioca, como já narrado, fizeram sucesso, três vezes por semana através da assinatura de O.B.
De curta duração e acomodada no rodapé da segunda página, “Crônica” retratava em tom pessoal, apesar do disfarce do pseudônimo Flamínio, os acontecimentos corriqueiros da capital carioca. Entre 9 de junho de 1897 e 27 de julho de 1898, de modo inconstante, Bilac publicou sua genérica crônica n’A Notícia.
Durante um ano, de 5 de junho de 1899 até 5 de junho de 1900, Bilac relatava diariamente, de modo rígido e pouco inovador, comentários acerca dos acontecimentos do dia. Longe da originalidade que sempre marcou suas participações nos jornais da época, “A data”, rubricada por B., mantinha o objetivo de rememorar algo de relevante ou curioso transcorrido na mesma data em anos passados.
Entretanto, o momento pelo qual passava o poeta n’A Notícia tornou-se fértil a partir de 1900. Em 6 de agosto, estreou “Registro”. No canto superior da página dois, Bilac, com a inicial B., espalhava recordações e emoções pessoais. Diferenciando-se da coluna “Crônica”, publicação semanal multitemática da Gazeta de Notícias, estritamente vinculada aos fatos transcorridos nos últimos sete dias, “Registro” era o momento de desabafo livre e sem as amarras do cotidiano:
REGISTRO
Desde o dia em que se inaugurou esta seção d’A Notícia, começou o mísero B. a ser interpelado sobre o modo de escrever o seu título. “Que razões tem você para escrever registro? Olhe que todos os clássicos escrevem registo! olhe que quase todos os jornais do Rio escrevem registo! Por que não há de você escrever registo?”.
Francamente, a razão pela qual se manteve aqui a grafia registro foi uma razão... de cabo de esquadra. Sem pensar no que fazia, o cronista plantou no meio da palavra o r fatal: uma vez adotado esse modo de escrever, que utilidade havia em alterá-lo? ganhariam com isso as crônicas, em bom senso e em sinceridade? nasceria disso, para a pátria e para o mundo inteiro, uma era nova de concórdia e progresso? daria isso tolerância aos homens, prosperidade às finanças, novo rumo à moral? E aí ficou o r, escandalizando os puristas, dando-lhes vertigens de indignação, torturando-lhes a vista e a alma. 59
Ao relatar, nessa crônica de fevereiro de 1901, os motivos pelos quais o seu texto assumiu o título de “registro”, notamos o tom fortemente pessoal de Bilac ao se dirigir em primeira pessoa aos leitores. Sua crônica alcançou características de diálogo, como se o leitor e o poeta estivessem em uma conversa amena, e um pouco humorística, na confeitaria mais próxima. Característica marcante dessa produção do poeta foi a manutenção obsessiva da unidade temática do texto; poucos outros trabalhos de Bilac para jornais permitiram tamanha liberdade e entrega pessoal.
As impressões bilaquianas perduraram na rotina do leitor de A Notícia até 12 de novembro de 1908, no mesmo momento em que abandonou sua mais profícua
participação na Gazeta de Notícias - o último texto publicado por Olavo Bilac na Gazeta de Notícias data de 1º de novembro de 1908.
Entre 1895 e 1908 marcou-se a fase áurea da produção bilaquiana. Além de crônicas para os mais diversos jornais e revistas de São Paulo e Rio de Janeiro, Bilac também produziu, na sua maioria em parcerias com Manuel Bonfim (1868-1932), então diretor do Pedagogium, e Coelho Neto, inúmeros volumes de livros didáticos e paradidáticos. Neste período surgiram as obras Contos Pátrios (1894) e A terra fluminense (1895), escritas em colaboração com Coelho Neto. As publicações infantis de Bilac lhe confeririam, em 1898, indicação para substituto de Bonfim no Pedagogium e o favoreceram na nomeação como inspetor escolar em 1899.
Mas não foi apenas seu trabalho n’A Notícia e as publicações didáticas que alçaram Bilac ao estrelato literário. Outros jornais e revistas o fizeram também, principalmente a Gazeta de Notícias. O antigo sonho de ver seu nome entre os outros prestigiados colaboradores da grande folha carioca já havia se realizado várias vezes, entretanto colocar-se no posto antes brilhantemente mantido por Machado de Assis, era a sagração por excelência. E ainda mais por não se tratar de mera substituição, mas, sim, de efetivação no posto de cronista de domingo, o dia em que as tiragens das folhas normalmente eram mais volumosas.
A grande consagração no renomado jornal carioca viria então no dia 7 de março de 1897. A convite de Ferreira de Araújo, Bilac assumiu o lugar de Machado de Assis nas crônicas dominicais: “Para substituir Machado nessa função de cronista, Ferreira de Araújo, proprietário da Gazeta de Notícias e jornalista respeitável, convocou Olavo Bilac, cuja colaboração para o jornal já vinha ocorrendo há [sic] alguns anos, de modo intermitente”. 60
A seção “A Semana”, publicada pelo presidente da Academia Brasileira de Letras desde 1892, foi substituída por “Crônica”, que iria deleitar os leitores do periódico, agora não mais de modo inconstante, mas por mais de onze anos, com raras interrupções. Entre 7 de março de 1897 e 1º de novembro de 1908, Bilac redigiu, aproximadamente, 500 crônicas sobre os mais variados assuntos e temas para as primeiras páginas do grande jornal do momento.
Apesar de já ter contribuído, de modo intermitente, na Gazeta de Notícias, em 1890 e em 1893, é na seção “Crônica” que Bilac assumiu o papel de opinador. Seu posto permitiu-lhe uma visão ampla da sociedade carioca. Os mais diversos temas - ou suposta falta de temas - são abordados nos textos bilaquianos. Veja-se um fragmento sobre a costumeira dificuldade de ter de pescar no dia-a-dia um assunto interessante para comentar, e dessa forma, fazer surgir o mais delicioso poema em prosa:
Senta-se um homem à mesa, disposto a cumprir, com pontualidade e consciência, o seu dever de cronista, põe diante de si as folhas virgens do papel, empunha a caneta, e começa a recordar-se do que encheu a semana: “suicidou-se ontem, bebendo uma larga dose de ácido fênico...” Nisto, com estrépito, o vento escancara a janela, trazendo consigo o cheiro suave das rosas do jardim, e dispersa as folhas de papel, e revoluciona tudo. Pela janela aberta, vê-se um pedaço de céu azul, um tufo de ramagens verdes, um canto de muro coberto de hera... “Telegramas de New York dizem que o bombardeio de Porto Rico...” Outra lufada de vento: agora, uma borboleta, apressada e tonta, sacudindo as asas de safira, entra no quarto, paira num raio de sol, pousa na lombada de um livro, dá três voltas no ar, e parte... “A falta de pão na Itália...” Agora, um pássaro começa a cantar alto, na glória da manhã radiante... Por que é que há de haver gente que se mate? por que é que há de haver guerra em Porto Rico? por que é que há de haver fome na Itália? por que é que um homem há de ser obrigado a pensar nessas coisas feias, quando Maio desenrola lá fora todo o seu fulgor?
Dez horas da manhã... É cedo ainda para suar sobre o papel... Vamos! Um bom livro e um banco de pedra no jardim... Em cima, balançam-se os ramos; no chão, manchas claras de soalheira tremem e fulguram; e o livro fica abandonado sobre os joelhos, e o pensamento sai por aí além, vagabundo, sem destino, voando sobre todos os assuntos, sem se demorar em nenhum.
[...]
Meio dia... Vamos lá escrever o diabo desta Crônica!
Mas o estômago chora: é preciso contentar o coitado... E, ao fim do almoço, acendendo o charuto, olhando enojado a mesa do trabalho, dando um olhar à rua, vendo a alegria do sol e das árvores, — Santo Deus! Como há de a gente recapitular o que encheu a semana?
Não! Fique o povo sem Crônica! A única cousa decente que um homem pode fazer numa tarde assim, é prender à lapela do veston um botão de Camélia, — o primeiro botão de Camélia de Botafogo! — e sair, devagar, devagar, gozando a delícia de viver, bebendo em sorvos lentos o ar cheiroso, e rimando o começo de um soneto, — todo cheio da frescura de Maio e do esplendor das suas grandes rosas vermelhas... 61
Todavia, a decadência do Rio de Janeiro e a urgência de modernização da capital da República foram seus assuntos prediletos e marcaram-se como a temática mais contundente e marcante nas colunas da “Crônica”. Comentar a cidade, elogiá-la e principalmente criticá-la foram algumas das grandes forças motrizes da crônica dominical de
Bilac para a Gazeta de Notícias; segundo avalia Antônio Dimas, a imprensa ganhou “um colaborador incansável e o Rio de Janeiro um comentador que nunca encobriu sua paixão autêntica pela cidade, cheia de altos e baixos como a própria paisagem de que tanto gostava”.62
Bilac foi mestre na arte de criticar e desejar um futuro moderno e urbanizado para o Rio de Janeiro, seguindo os moldes da Paris remodelada por Haussmann, que tanto encantou o “Príncipe dos Poetas” já em sua primeira viagem, em 1890, para a Cidade Luz.
A Gazeta de Notícias foi tão fundamental para Bilac quanto ele para ela. A relação de mais de onze anos de cumplicidade entre ambos tornou a coluna “Crônica” o chamariz de leitores para o jornal e fez de Bilac, a estrela maior. A paixão do cronista pela Gazeta, desde antes de alcançá-la, é delicadamente retratada em crônica de agosto de 1903 63, em homenagem ao aniversário da folha:
É que a Gazeta daquele tempo, a Gazeta de Ferreira de Araújo, era a consagradora por excelência. Não era eu o único mancebo ambicioso que a namorava: todos os da minha geração tinham a alma inflamada daquela mesma ânsia. Não era dinheiro o que queríamos: queríamos nome e fama, queríamos ver nossos nomes ao lado daqueles nomes célebres”. 64
Todavia, antes de iniciar, em 1897, a mais duradoura e famosa parceria com a Gazeta de Notícias, Bilac fundou em 1895, no Rio de Janeiro, juntamente com Julião Machado (1863-1930) A Cigarra. Conciliando o novo trabalho com A Notícia, o jornalista tornou-se redator-chefe 65 desta revista, que perduraria apenas por 37 semanas. De 1895 a 1896 Bilac escreveu a resenha semanal “Crônica” d’A Cigarra, além de colaborar nas outras principais seções do hebdomadário. Situada à Rua do Ouvidor, número 115, a publicação semanal, sempre às quintas-feiras, contava com ilustres colaboradores, além do parnasiano. Escritores e ilustradores como Julião Machado, Artur Azevedo, José do Patrocínio, Joaquim Nabuco (1849-1910), Ferreira de Araújo, Luiz Murat e Francisca Júlia (1874-1920) se dividiam entre crônicas, charges, críticas teatrais, ilustrações e informações culturais nesta revista, que não prezava a linguagem jornalística nem mesmo assumia partidos políticos.
62 DIMAS, Antônio (org.). Introdução. In: Idem. Vossa Insolência: Crônicas. São Paulo: Cia. das Letras, 1996. p.
10.
63 Esta crônica está também recolhida em volume. BILAC, Olavo. Ironia e Piedade. 2 ed. Rio de Janeiro:
Livraria Francisco Alves, 1921. p. 7.
64 BILAC, Olavo. Crônica. Gazeta de Notícias. Rio de Janeiro, 2 de agosto de 1903. p. 1, 8 col.
65 Bilac ocuparia o cargo até 31 de outubro de 1895, mas continuaria a rubricar a crônica semanal da revista.
O número inaugural d’ A Cigarra, de 9 de maio de 1895, trouxe uma espécie de expediente, no qual a redação, a cargo de Olavo Bilac, apresentava, metaforicamente, o novo hebdomadário:
... A cigarra66 é um jornal ilustrado, que não tem programa nenhum e terá
muitos assinantes. Esta cigarra vai cantar enquanto para isso houver forças; e as forças não faltarão enquanto o dinheiro chover dentro deste escritório, como já está chovendo. 67
A nova revista possibilitou a utilização de grande inovação técnica que até então ainda era incompatível com a pressa do periodismo diário. A Cigarra, como publicação semanal, tinha como recurso básico a reprodução de ilustrações e charges. Como este atrativo sempre demandou tempo para ser produzido, os jornais diários não tinham tempo útil para despender, e as revistas semanais como A Cigarra e A Bruxa, para a qual Bilac também contribuiu, podiam, com um intervalo satisfatório de tempo, utilizar gravuras em abundância. A qualidade artística, talvez mais valorizada do que a jornalística, era o diferencial de tais hebdomadários.
No início de fevereiro de 1896, pouco após abandonar a chefia de redação d’ A Cigarra, Bilac passou a conduzir, novamente em companhia de Julião Machado, A Bruxa. Durante os onze meses em que circulou, o hebdomadário republicano de oito páginas sombriamente68 ilustradas contou com a assídua cooperação de Lúcifer, pseudônimo mais usado por Olavo Bilac na revista: “Na Bruxa, redige todas as rubricas. Crônicas, sátiras em verso, contos, teatro, crítica literária, tudo lhe pertence”. 69
66
O título da revista aludia à fábula de La Fontaine, sugerindo que a revista pretendia ser uma fonte de diversão para as formigas da sociedade carioca. Mas as cigarras do periódico não eram tão imprudentes quanto as da fábula; desde o primeiro número, fizeram questão de estabelecer o preço da assinatura semestral ou anual e do exemplar avulso. Apud SIMÕES JR, Alvaro S. A sátira do Parnaso: estudo da poesia satírica de Olavo Bilac publicada em periódicos de 1894 a 1904. Assis, 2001. Tese (Doutorado em Letras). FCL, UNESP. p. 249.
67A Cigarra.
Rio de Janeiro, 9 de maio de 1895. p. 2.
68 Esse termo foi utilizado porque a revista A Bruxa, seguindo a conotação que seu título pressupõe, lançava mão
de ilustrações carregadas em tintas e com imagens melancólicas e fúnebres.
Com o fim de A Cigarra, A Bruxa herdou seus assinantes e atraiu os colaboradores. Além das crônicas de Bilac, as seções literárias contavam com Machado de Assis, Coelho Neto e Guimarães Passos (1867-1909). Já as ilustrações, o atrativo principal do semanário, eram divididas entre Julião Machado e Henrique Bernadelli (1858-1936), dentre outros.
Junto à colaboração prolongada na Gazeta de Notícias e nas efêmeras revistas em que cooperou, Olavo Bilac também participou d’O Estado de São Paulo. Jornal