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projetos que desenvolvia e não teve como mantê-lo, perdendo um profissional que teve 10 anos dedicados ao lugar. Tal característica coloca por terra a pretensão de funcionamento segundo uma economia liberal, segundo a qual, as empresas e a iniciativa privada dariam conta deste tipo de empreendimento e da sua conseqüente responsabilidade social.

A

PIXAÇÃO CONSOLIDADA

O final dos anos 1990, período em que ocorreu a emersão deste grupo, também é marcado por um traço distintivo em relação às demais épocas analisadas por esta pesquisa. Foi durante estes anos que a pixação se consolidou na metrópole, aumentando sig- nificativamente o número de praticantes e constituindo uma organização que demarcava os procedimentos para se fazer parte da expressão. Enquanto ato de lançar tinta na parede não possuía nada de novo, mas enquanto reunião de mecanismos comuns a toda uma geração de jovens periféricos da metrópole, foi um fenômeno absolutamente singular.

Todavia, esta organização não se traduzia numa institucionalização da expressão, como pretendeu a instituição Cidade Escola Apren- diz. Bastava simplesmente definir os valores, as técnicas, os estilos e as maneiras de se fazer tidas como eficazes e verdadeiros pelo conjunto dos praticantes. Durante esta fase de solidificação da expressão, não existia uma instituição que definia os critérios destinados à crença dos artistas. Ocorria, simplesmente, uma reunião com regularidade semanal dos grupos juvenis que buscavam trocar suas experiências e façanhas e que, neste processo, foram reconhecendo os elementos de que partilhavam, apesar de suas distintas localizações na cidade.

Diante de seu poder de atração e da crença na sua pertinência para os jovens da metrópole, ela tornou-se referência inescapável para qualquer sujeito que desejava adentrar no universo das intervenções urbanas.

Antes de Eymard Ribeiro finalizar a sua experiência no Aprendiz, ele também realizou um projeto que fixou pixações em azulejos alocados nos muros do cemitério São Paulo, localizado na Rua Cardeal Arco Verde. Segundo o educador:

“(...) está foi a grande surpresa, “porque já havia me desgastado nas relações com os grafiteiros e imaginava que o terreno da pixação fosse ainda mais difícil para colocar a mão, mas aconteceu justamente o contrário. Chamei o ‘Dino’ 41, que tinha respeito no meio, e foram aparecendo os pixadores, primeiros os locais, depois

os de mais longe, e em 50 sessões foram pintando os azulejos que hoje estão nas paredes do cemitério. Os encontros eram muito mais para trocarem as experiências radicais pelas quais passaram na cidade, num tom de divertimento em busca da adrenalina, do que quaisquer outros. Por mais que pudesse haver um tom de protesto e crítica social na manifestação este não era o foco. Havia uma dimensão muito lúdica no processo. As histórias eram muito diversas, e entre elas a de um pixador que pegou um trabalho de porteiro para liberar o acesso para os amigos fazerem o pixo, outros que pegavam o trabalho de entregador de pizza para realizar o mesmo, e ainda um que resolveu sair com uma menina pela qual não nutria muita atração somente para fazer um pixo em seu prédio. Existe uma irmandade na pixação que é menos vaidosa, eles não desqualificam os trabalhos dos outros segundo critérios estéticos. A diversidade estilística é muito menor, havendo pouca abertura para grandes diferenciações.” (RIBEIRO, E., 2008)42

O

PROTESTOFAZPARTE

Entretanto, em alguns destes pixadores existe uma dimensão do protesto muito mais efetiva do que no grafite: Tatei do grupo Túmulos é um destes exemplos.

Na ocasião do assassinato do coronel da Policia Militar Ubiratan Guimarães 43 (10 de setembro de 2006) os grupos “Túmulos” e “Os

41 Nome de um pixador.

42 Entrevista concedida ao autor em 7 de março de 2008.

43 Caso amplamente noticiado pela mídia, sobre o assassinato do

coronel responsável pelas ordens que resultaram no massacre de 111 presos no Complexo Penitenciário do Carandiru.

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Bixo Vivo” (sic) lançaram, na parede em frente ao edifício onde habitava e em que foi morto, a seguinte frase: “Aqui se faz, aqui se paga”. Imediatamente, a mídia que fez a cobertura do evento divulgou a imagem da pixação e promoveu, ainda que a contragosto, a consagração do grupo no meio da manifestação. O coronel era visto, majoritariamente, como “persona non grata” pelos jovens da periferia. E o assunto não se encerrava com a crueldade de sua ação, ainda fôra eleito deputado estadual com o número 111 90, em referência ao assassinato em massa, que comandara, dos 111 detentos no presídio do Carandiru, no curso de uma rebelião em 1992.

Diante do resultado produtivo deste tipo de pixação, e da repercussão interna do feito, que trouxe grande “ibope” na terminologia da manifestação, estes grupos ficaram atentos a novos escândalos para lançarem novas frases de efeito.

Um dos elementos que facilitou esta manifestação deve-se ao fato de que os pixadores detêm um vasto mapeamento da cidade, esta foi a condição para eles terem chegado ao local do crime concomitantemente à mídia. Foi possível porque além de conhece- rem a cidade eles puderam acionar quem possui os endereços dos famosos. Determinados segmentos da sociedade necessitam dos serviços de motoboy, e esta rede de profissionais realiza um mapeamento destas localidades no ato de seu serviço. Por sua vez, os pixadores também estão conectados com a rede dos motoboys. Eles mesmos são muitas vezes profissionais deste ramo, assim sendo, está dada a possibilidade de chegarem rápido em qualquer lugar da cidade. Mas as estratégias não se encerram neste mapeamento: também usam terno para driblar a desconfiança e sobem “a caráter” em edifícios da região da Avenida Paulista para realizarem suas pixações.

O rol de estímulos também não se encerra nos famosos. Na seqüência do caso do coronel Ubiratan, estes jovens se manifestaram em Osasco, nas portas de uma padaria que mandou prender seu balconista por roubar 4 bifes. Nesta ocasião, a frase foi: “Cadeia é só para pobre. P. Neves, Lalau, soltos” (ALVES, M., 2007). Demandaram, sobretudo, justiça. Em seguida, se manifestaram no caso do assassinato da menina Isabela, noticiado como o caso dos Nardoni, e antes do coronel Ubiratan, no caso de Suzane Von Richthofen, que assassinou os pais.

S

EMÂNTICA

,

DISTINÇÕESCOMOGRAFITE

,

EOS ASPECTOSPRIMORDIAIS

Embora a pixação e o grafite tenham a mesma ação, no caso do pixador ela ocorre dentro de um grupo pelo qual deve ser aceito pelo líder, e a tipografia utilizada é predeterminada, para que além do nome, tenham na forma um mecanismo de identificação. Neste processo, a própria leitura é eclipsada por um investimento plástico, tornando-a acessível apenas para aqueles que adentraram no circuito da pixação e passaram a ter intimidade com os seus códigos de leitura. Embora pareçam indecifráveis para a maioria da população, qualquer adolescente que frequenta o point passa a dominar sua leitura rapidamente, pois se trata da mesma língua por- tuguesa que todos aprenderam na escola, a sua diferença é possuir um investimento na estilização maior, como também era o caso das letras dos escribas nos monastérios medievais.

Na sua composição, a pixação de São Paulo desdobra-se em três elementos: a “grife”, representada, geralmente, por um emblema que identifica uma associação de grupos; o “pixo”, nome dado ao grupo de pixadores; e, de forma abreviada, o nome, ou o apelido, dos indivíduos que integram aquele grupo e que estavam presentes no momento da ação. Além desta composição também podem aparecer no conjunto da inscrição o ano da pixação, e os adjetivos: “em paz”, caso o nome se refira a alguém falecido, e um número referente a um artigo do código penal caso o pixador esteja preso: “157” (assalto à mão armada). Estes adendos dão perenidade à presença do sujeito na cidade mesmo com sua ausência da rua, marcam o tempo e a longevidade de suas trajetórias no contexto urbano e conferem status aos seus praticantes. Por meio destas características, os grupos presentes há mais tempo na cidade e que alcançaram os espaços mais difíceis são consagrados pelos seus pares, e ainda mais exigentes para acolherem novos membros. Além disso, o conjunto da inscrição caracteriza a dimensão coletiva da prática, suas associações e a abrangência de sua influência ao longo do tempo e do espaço. Pela própria composição da inscrição, percebe-se que o ícone relativo ao nome do sujeito, ao individual, é o elemento menor no conjunto da inscrição.

Imagem 46: Pixo dos grupos “Túmulos” e “Os Bixo Vivo”. Fonte:

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De modo geral, ainda que desconhecida nas suas especificidades, a pixação sempre foi abertamente rechaçada pela maioria da po- pulação. Com a sua ascensão e abrangência, no início da década de 1980, atraiu posturas repressivas do poder público e da polícia, e a indignação generalizada por todos os estratos da sociedade, com ataques de todas as mídias (televisão, rádio e jornais). Ao mesmo tempo, houve uma diferenciação de tratamento em relação ao grafite que acontecia no período, o qual também era vítima de incompreensão no início e marcadamente transgressivo. Este, contudo, foi muito valorizado assim que entrou na Bienal Internacional de São Paulo em 1981, com as obras de Keith Haring. O grafite, inclusive, foi absorvido em diversos âmbitos como mecanismo para frear a pixação: foi utilizado para pintura das portas de metal e muros residenciais como forma de impedir sua presença; foi ensinado em ONG para os jovens preterirem a pixação; transformou-se em política pública de governos que o incentivaram; foi integrado pela publicidade para atingir o público jovem e tratado como arte, enquanto que o pixo era tido como vandalismo. Mas no contexto da arte as opiniões são distintas: há quem veja beleza na estilização de alguns pixos, e como a única expressão que mantêm a resistência característica dos primórdios do grafite de Nova Iorque.

Todavia, pixação e grafite são práticas que não possuem necessariamente contraposições ou incompatibilidades. Muitos de seus praticantes transitam pelas duas expressões com tranqüilidade e não as tratam como formas que evoluem de um estado a outro. Em- bora haja no grafite um investimento plástico maior, seu processo é interno, sem rupturas com a prática anterior. Ele demanda uma iniciativa do sujeito com o seu desenho, sendo que o grafiteiro não precisa abolir as outras práticas possíveis de intervir na cidade para ser considerado enquanto tal. Para o pixador, existe um crime capital: negar o seu passado e criticar a pixação como um meio inferior de se expressar em comparação ao grafite. Juneca, um dos primeiros pixadores da cidade, foi vitima desta sentença depois de começar a fazer grafites, mudar de discurso e ser cooptado pela prefeitura, a qual o premiou por sua iniciativa com uma viagem para a França concedida pelo Consulado Geral da França em São Paulo no período de realização do evento “São Paulo Capital do Grafite” em 2003.

Porém, o que mais interessa nesta pesquisa é o mecanismo característico da pixação de São Paulo, que permitiu aos seus praticantes conhecerem a escala da metrópole em que atuam. Coisa inimaginável para os outros habitantes da cidade, habituados aos enclaves que cresceram no período. Para Alexandre Pereira, “os pixadores têm uma forma muito particular de vivenciar a cidade. Apesar de serem acusados de sujá-la e de torná-la mais feia, eles a conhecem como poucos e circulam pelos mais diferentes lugares. Eles percorrem todas as regiões, da periferia ao centro” (PEREIRA, 2005, p. 34-5). Neste sentido, não são territorializados como acontecia com os grafiteiros dos primórdios de Nova Iorque, que usavam a expressão para demarcar o domínio de seu lugar, o que fez com que se restringissem a este na maioria dos casos. Em contraposição, os pixadores, através das alianças no entorno das grifes e dos encontros regulares com todos os praticantes da cidade nos points, impediram uma atitude de repelir os forasteiros dos seus bairros de origem. Muito pelo contrário, convidar o forasteiro tornou-se uma iniciativa para dar notoriedade ao grupo e ganhar respeito dos demais. Neste processo, a sociabilidade dos pixadores é amplificada em relação a dos demais cidadãos. Freqüentar o point central também tornou o encontro com o estranho uma oportunidade e não um risco. Segundo Alexandre Pereira, “no Point da Vergueiro, pixadores de diversas quebradas 44 da cidade, muitas vezes, não se conhecem, mas se reconhecem enquanto portadores de deter- minados símbolos e códigos de pertencimento” (Ibidem, p. 34-5). Desta forma, para ordenarem estas relações encontraram códigos que fomentaram a interação e o reconhecimento diante de um desconhecido. Ainda, sendo o centro da cidade o lugar de fixação dos points e de encontro entre todos, este passou a ser o espaço, em especial, para conquistar notoriedade, transformando-se no principal alvo das pixações.

As regras de pertencimento aos grupos de pixadores, em contraposição às gangues norte-americanas das quais emergiram os grafiteiros, também são distintas. Primeiramente, porque são menos rígidas e não incluem a violência como ritual de inclusão ou obrigação de prática quando acontecem os conflitos. Segundo, porque operam um código de conduta que não se restringe a eles, mas a todos os circuitos de relações das periferias paulistanas, como a torcida do Corinthians, as agremiações do futebol de várzea, os motoboys, e mesmo a rede da criminalidade. Tal código é conhecido como LHP: Lealdade, Humildade e Procedimento. Lealdade às pessoas que compõem o grupo, mas não obrigações. Humildade como comedimento e não como subserviência. E procedimento

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sofra uma humilhação, deve-se ser leal desde que não haja traições.

Para além destes aspectos, a pixação fornece aos seus membros uma dimensão histórica de pertencimento à cidade. Suas inscri- ções registram suas passagens e trajetórias e o tempo em que participaram do complexo espaço urbano da metrópole. É uma ação que registra a presença do indivíduo na cidade, átomo perante a escala do incomensurável da grande São Paulo. Elas oferecem uma resistência à invisibilidade social que enfrentam ao fazerem parte de algo praticamente inatingível para quem os evita e os inferioriza, e que só podem conhecer essa escala da cidade se a sobrevoam de helicóptero. Entretanto, a pixação não retira o sujeito necessariamente do anonimato, apenas oferece sentido para sua existência entre aqueles que, como ele, aprenderam a circular entre os ‘enclaves fortificados’ e a periferia que os circunda. Certamente poucos pixadores conhecem pessoalmente o Di e o Tchencho, nomes consagrados da pixação, mas saberiam de sua existência pela notoriedade de suas ações, ações estas que mostraram as falhas do sistema de controle da pretensa segurança total que oferecem os condomínios de luxo.

A pixação não é apenas emissora de um “eu existo”, mas ativa para estes jovens como uma oportunidade de escapar do enclausura- mento dos guetos de toda espécie. É a afirmação de que alguns sujeitos não possuem medo de andar pela cidade. E se a violência da polícia os reprime, integram esta dificuldade no processo dizendo que: “Pixar é adrenalina, tomar geral 45 faz parte” 46.

Esta oportunidade gerada pela pixação não está colocada apenas para os jovens das classes baixas. Quando os jovens de outras classes sociais também conseguem operar com maestria os códigos de conduta da periferia, podem ser aceitos e bem recebidos enquanto pixadores, pois esta é a principal identidade considerada por aqueles que participam da expressão. Desta maneira, Marcelo Cidade, um jovem de classe média alta, encontrou um lugar nesta prática, pixando o codinome ATEU.

Porém, este não é um exemplo generalizável no meio da pixação, mas são possibilidades instaladas na realidade e mobilizadas pela capacidade inventiva com que os sujeitos lidam com a regra. Justamente pela sua capacidade criativa, e pelo acesso singular tanto à pixação como ao curso de Artes Plásticas na FAAP, Marcelo Cidade pôde realizar um empreendimento que lhe rendeu frutos num contexto institucionalizado da arte. Mas, embora este pixador tenha entrando no circuito da Arte Contemporânea nos últimos anos, a sua herança ligada à experiência de pixador teve que ser transmutada para uma tradição instalada na história da arte das últimas décadas, fazendo da performance e da instalação o suporte necessário para expressar o que ela já dizia pela pixação. Porém, nesta passagem a um meio social que continuava a ter a mesma percepção comumente tida sobre a pixação (salvo raras exceções, como a curadora da XXVII Bienal Internacional de São Paulo, Lisette Lagnado), omitiu sua identidade de pixador e fomentou a identidade de artista, ainda que reconheça, numa entrevista 47 concedida ao autor desta dissertação, que o universo da pixação é o celeiro de sua matéria-prima, ao qual sempre volta para recolher novas idéias para os seus empreendimentos conceituais na Arte Contemporânea. Segundo Marcelo Cidade, a pixação é performance por excelência: quando um jovem da periferia atravessa a cidade e subverte o sistema de segurança de um edifício para realizar sua inscrição nele, está realizando uma grande performance.

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ONDUTASDEPIXADOR

Para o pixador de São Paulo, não existe lugar que não possa ser perscrutado por suas andanças. Os subterrâneos, os ‘picos’ mais altos das edificações e das paragens de onde se observa a cidade. A cidade não é um labirinto. Nela, ele lança-se a uma investigação contemplativa ou interventora, não se perde. O pixador provém das classes sociais mais baixas, e ainda que em seus grupos haja membros de outras classes, estes se adequam ao comportamento ditado pela periferia. O pixador se aventura, coloca-se em risco de vida para realizar sua intervenção, sempre está em estado de alerta, não possui ar contemplativo.

Ele busca, na paisagem da cidade, as pixações realizadas e em potencial e, nos nomes dos pixos uma pessoa, um grupo de amigos, seus aliados na grife. A multidão assombra o pixador, mas não como um perigo, um risco, apenas como apagamento, da mesma forma que sofre na sua invisibilidade social enquanto jovem da periferia.

O pixador não encontra conforto na rua, pois esta lhe oferece riscos quando está praticando sua expressão, para ele é lugar de nin- 45 Gíria para definir a abordagem policial ostensiva.

46 Entrevista concedida ao autor, pelos pixadores/grafiteiros Sujo e

Roy, no Capão Redondo, em 17 de abril de 2002.

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guém, mas passa a ser ‘dele’, na medida em que inscreve seu pixo nos muros.

Para o pixador, a cidade é suporte, ele transforma sua paisagem e ‘caracteriza’ sua feição com a sua iniciativa. Hoje, São Paulo não consegue se definir sem considerar este elemento como constitutivo de sua imagem. O pixador jamais está passivo diante da cidade. Pode-se dizer que o pixador também é conduzido para outros tempos, mas desde que estes tempos não excedam a existência de seus amigos e dos notáveis da pixação.

A maconha, para o pixador, age como um calmante diante da tensão por que passam em meio ao risco. É usada ao longo de toda a ação. A maconha dificulta o estado de atenção requerido pelas práticas do pixador, da mesma forma que o haxixe dificulta a con- centração necessária à prática da escrita, mas ele não precisa se concentrar em um texto, mas sim, na proporção e na escala do seu trabalho.

O pixador também vive num espaço banalizado, mas na sua iniciativa oferece saturação para a paisagem urbana, reiterando a bana- lização. A atitude do pixador já parte do desencantamento.

O pixador faz estratégias, vive entre a euforia e o desespero do risco da morte.

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S

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RAFITEIROS

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OLETA

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OVÓRTICEDA SENSIBILIDADEESPACIAL

Este artista 48 de 31 anos, proveniente da Sapopemba, um bairro de classe média baixa da zona leste paulistana, é um dos expoentes da New School. Ele é significativo para esta pesquisa por dois aspectos principais: primeiro, porque é admirado entre a sua geração de grafiteiros, por realizar um empreendimento abstrato que demarcou uma diferença significativa em relação à geração Old School, a qual se restringiu ao figurativo; segundo, porque sua trajetória percorre todo o campo do grafite.

A influência que ele exerce para toda a geração de grafiteiros de que faz parte se dá pelo desprendimento dos ícones dominantes do