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BİRİNCİ BÖLÜM DENİZ YETKİ ALANLAR

3. MEB’in ilanından önce uyrukları bölgede avlanan devletlerdir (BMDHS Md.62/3).

1.4. KIBRIS SORUNU :

A Teoria da Relevância (SPERBER; WILSON, 1986, 1995) é um modelo inferencial da comunicação humana que se contrapõe ao modelo de códigos clássico, segundo o qual a comunicação consiste em um simples processo de codificação e decodificação do sinal linguístico; a teoria partilha, portanto, a intuição griceana de que a expressão e o reconhecimento de intenções é uma característica fundamental da comunicação humana. O papel da decodificação é reconhecido, mas tem sua importância diminuída. De fato, à codificação e à decodificação se acrescentam diversos processos que permitem o enriquecimento do conteúdo veiculado de forma a capturar o sentido pretendido pelo falante (ou significado do falante). O código linguístico, nesse sentido, é apenas uma dentre as evidências disponíveis ao ouvinte. O objetivo central da teoria é explicar como, a partir das evidências fornecidas, o ouvinte infere o que o falante quer comunicar.

A Relevância, uma das máximas griceanas, é seu conceito-chave. Para a teoria, no entanto, a relevância não é um mecanismo consciente, ou um procedimento racional que escolhemos seguir, mas uma propriedade mais geral da nossa cognição. Essa característica nos impele a buscar sempre o melhor balanço entre custo e benefício ao processarmos informações57. A Teoria da Relevância, portanto, é uma abordagem cognitiva da pragmática,

que busca explicar a comunicação e o processamento de informações de uma forma psicologicamente plausível. Na teoria, a relevância se manifesta através de dois princípios, o

57 Isso se deve à maneira como nossos sistemas cognitivos evoluíram, sofrendo pressões para se tornarem mais

Princípio Cognitivo da Relevância e o Princípio Comunicativo da Relevância. O primeiro diz respeito à nossa tendência cognitiva a maximizar a relevância. Essa tendência é gerada por uma necessidade prática: já que não podemos processar todos os estímulos que recebemos, escolhemos processar aquilo que cremos mais relevante, maximizando suas consequências. O segundo princípio estabelece que certos estímulos, ditos ostensivos58, carregam uma

presunção ou expectativa de sua relevância ótima (sobretudo por seu caráter intencional). Ou seja, uma espécie de garantia de que seu processamento vale a pena. Entre esses estímulos estão os enunciados, os quais atraem a atenção do ouvinte, impelindo-o a buscar a intenção do falante, isto é, o que ele quer dizer.

(6) Princípio Cognitivo da Relevância

A cognição humana tende a ser dirigida para a maximização da relevância.59 (SPERBER; WILSON, 1995)

(7) Princípio Comunicativo da Relevância

Todo estímulo ostensivo comunica a presunção de sua própria relevância ótima60 (SPERBER;

WILSON, 1995)

A interação entre esses dois princípios cria expectativas que guiam o ouvinte na construção de hipóteses sobre o significado pretendido pelo falante:

(8) Procedimento de Interpretação para a TR

a) Siga o caminho de menor esforço ao computar os efeitos cognitivos: teste hipóteses interpretativas (desambiguizações, resolução de referências, implicaturas, etc.) em ordem de acessibilidade.

b. Pare quando suas expectativas de relevância forem satisfeitas61 (SPERBER; WILSON, 1995).

58 Os estímulos ostensivos se distinguem de outros tipos de estímulos porque a intenção informativa do falante,

nesses casos, está explícita. Se ouço um sotaque diferente, por exemplo, posso tirar conclusões a partir disso (inferir coisas a respeito do falante); esse estímulo, porém, não é ostensivo, pois o falante provavelmente não tem a intenção de tornar manifesto que ele é estrangeiro, por exemplo.

59 No original: “Human cognition tends to be geared to the maximization of relevance”. 60 No original: “Every ostensive stimulus conveys a presumption of its own optimal relevance”

61 No original: “Follow a path of least effort in computing cognitive effects: Test interpretive hypotheses

(disambiguations, reference resolutions, implicatures, etc.) in order of accessibility. b. Stop when your expectations of relevance are satisfied”.

Como podemos ver, a expectativa de relevância também funciona como um critério que permite decidir como processar e quando parar o processo de interpretação. Mas o que torna um estímulo (ou input) relevante? Segundo Sperber e Wilson (1986, 1995), inputs são relevantes para um indivíduo quando se conectam com informação de background disponível, além de suposições contidas em nossa mente, produzindo conclusões que interessam para esse indivíduo. Essas conclusões, chamadas de efeitos contextuais, podem ser respostas a perguntas, confirmações de hipóteses, correção de impressões incorretas. Em outras palavras,

inputs relevantes geram um aperfeiçoamento das nossas representações de mundo. A

relevância, porém, é um conceito comparativo, e não quantitativo. Um input relevante é aquele que consegue ser mais relevante do que os outros estímulos à disposição, apresentando a melhor relação entre custo de processamento e benefício cognitivo.

Como podemos observar, as noções de “custo de processamento” e “benefício cognitivo” são de grande importância para a teoria. De fato, quanto maior o esforço para processar um input, menor será sua relevância. Por outro lado, um maior benefício cognitivo (ou seja, informações que conseguem ter mais efeitos contextuais) significa uma maior relevância. A melhor interpretação é, portanto, aquela que consegue equilibrar melhor essas duas variáveis. No entanto, a teoria admite a possibilidade de que o falante simplesmente não queira cooperar, dando menos evidências do que possui; ou, ainda, que o falante não possua habilidade para escolher o estímulo mais relevante para o ouvinte. Nesses casos é possível que haja mal-entendidos (ou não, pois o ouvinte pode estar ciente das limitações de seu interlocutor).62

A tendência universal para a maximização da relevância torna possível, além disso, predizer e manipular estados mentais dos outros. Assim, falantes são capazes de produzir estímulos que acreditam serem os mais relevantes para cada momento e que vão provavelmente atrair a atenção do ouvinte. De fato, é de interesse do comunicador ser compreendido, por isso tende a produzir o estímulo ostensivo mais simples possível (de acordo com as suas capacidades e preferências, como vimos) e fornece evidências para os efeitos cognitivos que busca alcançar. Se estou em um restaurante, por exemplo, e desejo mais uma garrafa de vinho, posso levantar a garrafa vazia para o garçom. Ao fazer isso, estarei usando um estímulo ostensivo. Na TR, todo enunciado é um estímulo ostensivo que cria expectativas no ouvinte. Sua interpretação depende do reconhecimento de dois níveis de

62 Sperber (1994) propõe que há ouvintes mais e menos refinados. Crianças pequenas, por exemplo, que não são

intenções: a intenção informativa e a intenção comunicativa. A primeira se refere à nossa intenção de informar algo; a segunda informa o ouvinte sobre essa nossa intenção.

Para a TR, além disso, o processo de compreensão envolve subtarefas. Primeiramente, a partir da decodificação da forma lógica, o ouvinte busca construir uma hipótese adequada sobre o conteúdo explícito (explicatura); também elabora hipóteses sobre as suposições contextuais pretendidas (premissas implicadas); finalmente, constrói hipóteses sobre as conclusões implicadas (implicaturas). Essas subtarefas, porém, não ocorrem em série, mas em paralelo, uma vez que o processo de compreensão é on-line. Por essa razão, as hipóteses construídas podem ser revisadas conforme o processo de compreensão avança.

A teoria também possui uma visão particular de contexto. Nesse quadro teórico, ele é um construto psicológico, definido como um conjunto de suposições que um indivíduo possui sobre o mundo e que é utilizado na interpretação dos estímulos. Em outras palavras, o contexto corresponde ao conjunto de premissas que são usadas na interpretação de enunciados. Essas premissas, porém, apresentam-se sob a forma de representações mentais; assim, todos os elementos extralinguísticos que interferem de alguma maneira na comunicação devem estar manifestos aos interlocutores (isto é, devem ter sido percebidos, ainda que de forma subconsciente, do ambiente). Isso permite uma economia de processamento, uma vez que o contexto não está dado, mas é selecionado de modo a maximizar a relevância da suposição a ser interpretada. De fato, Sperber e Wilson rejeitam hipóteses mais tradicionais como a hipótese do contexto mútuo, alegando, entre outras coisas, que não consegue explicar como um contexto é selecionado na situação comunicativa. Eles substituem essa noção por outra que creem mais empiricamente adequada, o “ambiente cognitivo mútuo”, definido como “um conjunto de fatos manifestos ao indivíduo, percebidos ou inferidos através do ambiente físico e de suas habilidades cognitivas” (SILVEIRA, 2002, p.370); além disso, uma das suposições contidas nesse ambiente é o fato de ele ser mutuamente compartilhado. Portanto, toda suposição manifesta é mutuamente manifesta, o que possibilita que os dois interlocutores produzam as mesmas suposições caso isso seja relevante para a conversação. Os autores salientam, porém, que a manifestabilidade é um processo subconsciente: um fato pode ser manifesto sem ser conhecido ou suposto. Isso ocorre, por exemplo, quando ouvimos algum barulho na rua e não prestamos atenção nele, não construindo nenhuma suposição sobre sua origem. Embora não “saibamos” que isso aconteceu, essa informação pode ser trazida para o nosso consciente se encontramos um vizinho e ele nos pergunta se ouvimos o mesmo barulho, por exemplo. Ou seja, essa

informação, embora subconsciente, pode ser recuperada caso seja relevante em algum contexto posterior.