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KİNETİK CEPHE SİSTEMLERİ İÇİN ALTERNATİF SINIFLANDIRMA ÖNERİSİ

An evaluation approach specific to classification of kinetic architectural facades

KİNETİK CEPHE SİSTEMLERİ İÇİN ALTERNATİF SINIFLANDIRMA ÖNERİSİ

Ancorado na perspectiva da história oral, estabeleci critérios para escolher os entrevistados, sendo eles:

- Morar no bairro de Santa Olímpia atualmente; - Ser descendente de tiroleses;

- Participar ativamente como organizador ou ter participado por muitos anos das festas do bairro;

- Ser indicado por, no mínimo, um outro entrevistado.

Tendo como pano de fundo esses pressupostos, optei por selecionar os entrevistados pela lógica da rede ou teia, o que significa que cada entrevistado indicaria um ou mais moradores para serem entrevistados posteriormente, e assim sucessivamente.

Deste modo, foi estabelecido um contato com a Sra. Cecília Stênico, uma das líderes do bairro, que foi denominada “ponto zero”, conceito cunhado por Meihy (2000, p.84) para definir o sujeito que conheça a história do grupo, ou com quem se deseja fazer a primeira entrevista. Essa escolha foi baseada nas observações realizadas nas primeiras festas que frequentei. Realizei uma pré-entrevista com essa moradora do bairro, ainda sem os equipamentos de gravação para que pudesse familiarizar-me com o bairro e com seus

moradores. Desse contato, foram indicados os senhores Geraldo Stênico17 e José Estevan Forti18. O primeiro, em entrevista realizada no dia trinta e um de março de dois mil e doze (31/03/2012), indicou como possíveis entrevistados Leonardo Degasperi19 e Ivan Correr20. O segundo, entrevistado na mesma data, indicou também Ivan Correr e Eduardo Forti21. E assim sucessivamente.

O único indicado que não foi entrevistado, o senhor Francisco Caetano Degasperi – descendente de segunda geração (riscado com um X), que infelizmente faleceu ao longo da pesquisa. A senhora Clementina Christofoletti Degasperi22 também faleceu alguns meses após conceder a entrevista.

Além disso, duas entrevistas foram realizadas com mais de uma pessoa a pedido dos entrevistados. A primeira delas foi a de Jacob23 e Clementina Degasperi que apenas aceitaram falar se estivessem juntos. A outra entrevista, prevista para ser realizada separadamente, acabou por ser realizada em trio devido à interferência de um entrevistado na fala do outro, foi a de Estephânia24 e Olésia Pompermayer25. A participação de Francisco Pompermayer26 deu-

17 Geraldo Stênico, 77 anos, trabalhador rural aposentado, estudou até a quarta série do fundamental - antigo

primário. É casado com uma descendente de tiroleses, possui oito filhos, sendo que todos moram em Santa Olímpia. É descendente de terceira geração e atualmente não atua diretamente em nenhum trabalho do bairro.

18 José Estevan Forti, 63 anos, possui curso superior completo e é casado com Claudete Christofoletti, também

descendente de tiroleses, com quem possui três filhos. É descendente de quarta geração e sua atuação se resume em participar dos corais adulto e masculino.

19 Leonardo Degasperi, o mais jovem dos entrevistados, possui 21 anos, estudante do curso superior em

Biologia, solteiro. É descendente de quinta geração, professor de dialeto trentino no bairro, membro da Diretoria do Círcolo Trentino e do grupo de danças, atua na organização das festas.

20 Ivan Correr, 32 anos, professor e engenheiro, é dono do Café Tirol, existente no bairro. Descendente de quarta

geração, é casado com uma não descendente de tiroleses. Foi presidente do Círcolo Trentino e faz parte da Diretoria atual novamente, participando do grupo de danças adulto. Ivan é um dos principais líderes do bairro atualmente.

21 Eduardo Forti, 71 anos, pedreiro e agricultor, estudou até a 3ª série do fundamental - antigo primário. Casado

com Inês Stênico, também descendente, teve sete filhos, sendo que apenas um deles não mora em Santa Olímpia. É descendente de quarta geração dos imigrantes, foi Presidente da Igreja por aproximadamente uma década, é membro do Coral Stella Alpina e do Coro Càneva.

22 Clementina Christofoletti Degaspari, contava na data da entrevista com 81 anos, dona de casa, estudou até a

quarta série do fundamental - antigo primário. Era casada com Jacob Degaspari, com quem teve treze filhos, sendo descendente de terceira geração dos imigrantes. A entrevista faleceu alguns meses após conceder a entrevista, vítima de complicações respiratórias.

23 Jacob Degaspari, 90 anos, trabalhador rural e pedreiro aposentado, estudou o Ensino Fundamental completo -

até o quarto ano no bairro e depois o Ginásio no seminário. Viúvo de Clementina Christofoletti Degaspari, pai de treze filhos, sete ainda vivos. É descendente de terceira geração dos tiroleses e não desenvolve nenhum trabalho no bairro atualmente, pelo avançar da idade.

24 Estephânia Stênico Pompermayer, 87 anos, dona de casa, estudou até a 4ª série do fundamental - antigo

primário. Casada com Francisco Pompermayer, é mãe de treze filhos e descendente de terceira geração dos tiroleses. Não desenvolve nenhum trabalho no bairro atualmente, pelo avançar da idade.

se em poucos momentos dessa entrevista, portanto ele entrou como 16º entrevistado, uma vez que não participou de entrevista completa. Apresento, a seguir, um esquema da rede de entrevistados e seus indicados, que também foram entrevistados ou que não foram:

Há significativas diferenças entre entrevista individual e a com mais de uma pessoa. A primeira, considero uma desvantagem: é a grande quantidade de interrupções que ocorrem nas falas quando se entrevista mais de uma pessoa ao mesmo tempo, uma vez que um entrevistado fala em cima da fala do outro, gerando cortes na linha de raciocínio. Nesse sentido, o trabalho é mais difícil, pois tive que retomar temas e conduzir a entrevista, “garantindo” que todos participem de maneira equilibrada. Outra desvantagem são os

área. É Solteira, descendente de quarta geração dos imigrantes, faz parte da Diretoria do Círcolo Trentino e sua função nas festas é a de organizar e cuidar do museu provisório.

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Francisco Pompermayer, 91 anos, trabalhador rural aposentado, estudou até a 4ª série do fundamental - antigo primário. É casado com Estephânia Stênico Pompermayer, com quem teve treze filhos, e é descendente de terceira geração dos tiroleses. Não desenvolve nenhum trabalho no bairro atualmente, pelo avançar da idade.

eventuais constrangimentos que a presença de um conhecido pode causar aos entrevistados, ao tratarem de temas conflituosos ou não consensuais.

Por outro lado, uma diferença interessante e favorável das entrevistas coletivas, em especial, no caso de entrevistados idosos, é que estes parecem sentir-se mais à vontade para falar quando acompanhados de alguém próximo, que lhes inspire confiança, pois há uma proximidade nas falas, como no caso de Jacob e Clementina, que completaram a fala um do outro durante a entrevista. Isso pode acontecer pela grande ligação entre ambos, que possuíam mais de 60 anos de casados, na data da entrevista.

Optei por apresentar os nomes completos dos entrevistados, bem como os demais dados de identificação, pois eles aceitaram a divulgação e assinaram a carta de cessão da entrevista (ver modelo no Apêndice 1), sendo que nenhum apresentou restrição ao uso de seu nome no trabalho.

Todas as entrevistas foram realizadas por mim, com auxílio de um gravador digital de voz, de câmera fotográfica e de caderno de campo. As entrevistas, conforme contato prévio com cada um, foram realizadas em locais pré-determinados, a critério dos entrevistados, em ambientes pouco ruidosos.

É importante explicitar que a realização de entrevistas com o gravador, como é o caso da história oral, torna o processo de convencimento para cessão da entrevista um pouco mais difícil, já que muitos dos entrevistados são pessoas idosas que possuem receios com relação ao uso da tecnologia e a registros, sejam de áudio, fotográficos ou outros. Por outro lado, essas barreiras são reduzidas, a partir do momento que entrevistador e entrevistado alcançam um grau de intimidade maior, o que demanda tempo e investimento por parte do entrevistador. Nesse caso, as resistências foram quebradas pelo diálogo estabelecido antes da gravação.

Para caracterizar o grupo de entrevistados, elaborei uma ficha resumo de cada um, com informações básicas pessoais colhidas antes ou durante a entrevista, que foram compiladas e estão apresentadas em um quadro no Apêndice 2. As fichas completas, com dados pessoais dos entrevistados, foram por mim arquivadas.

Finalmente, destaco o fato de eu ter realizado pessoalmente todas as entrevistas e que o fator que mais colaborou na sua realização, e que vai se repetir na discussão sobre a etnografia das festas, é o meu parentesco com os membros da comunidade. Por ser descendente de tirolês e possuir inúmeros parentes no bairro, a minha aceitação foi facilitada. Em vários momentos das entrevistas, o parentesco foi revisitado pelos entrevistados,

buscando essa aproximação ou procurando facilitar o meu entendimento por meio das relações familiares. No entanto, nunca vivi na comunidade, nem meus pais, apenas meus avós há mais de 60 anos, portanto essa aproximação, ainda que seja um facilitador, não foi tão simples.

Além disso, apesar de possuir esse parentesco, eu não conhecia a maioria dos entrevistados antes do início desta pesquisa, pois nunca tive a prática de frequentar o bairro. Dos 15 entrevistados, conhecia pessoalmente apenas Jacob Degasperi e Clementina Christofoletti Degasperi (meus tios-avós), seu neto Leonardo Degasperi, e Eduardo Forti (primo do meu pai). Todos os demais me foram apresentados no decorrer da pesquisa.

A proximidade com o nativo tem suas vantagens e desvantagens e a relação do pesquisador com seu objeto precisa ser explorada. Neste caso, a proximidade de parentesco com os pesquisados pode facilitar uma aproximação e uma abordagem do pesquisador, uma vez que os vínculos familiares foram significativos para a penetração no bairro e para iniciar um diálogo que muitas vezes poderia ter sido mais resistente quando da distância com o objeto de pesquisa. Além disso, há uma facilidade no entendimento de algumas lógicas internas ao grupo, como o conceito de família, a religiosidade que permaneceu mesmo nos que foram para a cidade, pois, apesar de não viver no bairro, a própria família reproduz em certa medida alguns modelos de comportamento encontrados nos entrevistados e nas festas.

Muitos fatos, segundo Peirano (1992), acabam não sendo percebidos pelo pesquisador apenas no momento da observação. Por esse motivo, aproximar-me do grupo de Santa Olímpia, de seus moradores, conhecer as famílias, as casas, conviver com eles nas festas, em suma, conviver com os nativos, facilitou que outros olhares pudessem surgir do embate entre os relatos dos tiroleses e o meu olhar teórico:

Ao fim de um século de pesquisa de campo, parece haver hoje certo consenso de que os dados de pesquisa não são apenas "observados". Eles oferecem a possibilidade de que se possa revelar, não ao pesquisador, mas no pesquisador, aquele "resíduo" incompreensível, mas potencialmente significativo, entre as categorias nativas apresentadas pelos informantes e a observação do etnógrafo, inexperiente na cultura estudada e apenas familiarizado com a literatura teórico-etnográfica da disciplina.

PEIRANO, 1992, p.7 Por outro lado, a proximidade pode gerar o risco de um olhar insuficientemente crítico e distanciado por parte do pesquisador, facilitando o encantamento com o objeto, que reduz a capacidade em desvelar aspectos escondidos das entrevistas e das festas, sejam eles sociais, simbólicos ou culturais:

Uma dedução possível, entre muitas outras, é a de que, em Antropologia, é preciso recuperar esse lado extraordinário das relações pesquisador/nativo. Se este é o lado

menos rotineiro e o mais difícil de ser apanhado da situação antropológica, é certamente porque ele se constitui no aspecto mais humano da nossa rotina.

DAMATTA, 1978, p.35 Há, nesse sentido, a “familiarização do olhar”, que implica em desatenção a aquilo que é familiar para o pesquisador, reduzindo elementos significativos da constituição do objeto a fenômenos sem importância para a pesquisa. Para diminuir o impacto desse fator, busquei mesclar o olhar “de perto e de dentro” (MAGNANI, 2002) com o olhar de fora, distanciando-

me do objeto sempre que possível e necessário para a compreensão e a criticidade. Busquei também um distanciamento “construído” em relação ao objeto, que facilitasse a percepção daquilo que poderia ser passado despercebido na pesquisa, visando o estranhamento em relação ao familiar.

No entanto, a proximidade trouxe algumas complicações. Uma delas foi a dificuldade de distanciamento que exigiu cuidados redobrados na análise do material colhido. Um exemplo foi a presença da religiosidade nas entrevistas e na vida do bairro, que, aos olhos do pesquisador “de dentro”, pareceu natural, mas que, de fato, tem significados importantes na composição identitária do grupo, como apresento no capítulo quatro.

O pesquisador deve sempre se colocar com um olhar de curiosidade, sabendo que não se tornará um “nativo”. Por esse motivo, durante toda a pesquisa, a crítica foi valorizada a fim de se evitar uma análise míope dessa construção identitária tirolesa.

Benzer Belgeler