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The contribution of mono printing to free and creative learning as an eclectic learning discipline: A case study

ÖNERİLER

Em complemento às entrevistas temáticas e à análise documental, foi utilizada a técnica da observação participante, uma pesquisa de campo embasada na etnografia. Amplamente difundida por antropólogos, a etnografia é um método complexo, que pressupõe a imersão do pesquisador em uma determinada comunidade de estudo, por longo período. Por esse motivo, a observação participante vem complementar as outras técnicas de levantamento de dados.

os quais não seria possível a realização de uma pesquisa de campo rigorosa. Voltando para a origem desse método, encontrei as pesquisas de Malinowski (considerado o pai da etnografia e da técnica da observação participante) com os Trobriandeses, na década de 1920. Entretanto, as reflexões sobre o método foram constantemente repensadas por outros autores, como Geertz e Lévi-Strauss.

Para Malinowski, a etnografia é o estudo da totalidade de uma sociedade, para, a partir de um objeto ou de um costume, reconstruir a sua cultura. É uma produção sempre contemporânea, que não se refere à história, mas a fenômenos cotidianos, representações e manifestações de tal sociedade. Essa coleta de dados, no caso comportamentos e atitudes, deve ser realizada de forma minuciosa e detalhada, sendo necessário, para tanto, o contato íntimo com a vida nativa (MALINOWSKI, 1973). Nesse sentido, a observação participante, por

ser uma técnica da etnografia, também se caracteriza por uma descrição do cotidiano da sociedade analisada, ainda que tenha sido adaptada à realidade das sociedades complexas.

A etnografia revela a interação entre o indivíduo e o grupo, por meio da observação de pequenos grupos e até mesmo por meio de canções, organizações rituais, espetáculos, reuniões decisivas, conversas de rua, entrevista entre pesquisador e pesquisado ou em qualquer outro ambiente. Essa relação entre quem “fala” e quem escuta ou observa é o ponto chave da pesquisa de campo e também da observação participante, sendo importante o seu registro formal (por meio de gravações, filmagens, fotografias etc.), análise e entendimento, para, a partir daí, realizar a discussão crítica a respeito do tema (ZALUAR, 1986).

Na observação das festas em Santa Olímpia, produzi um material significativo de fotografias, que acabou não sendo disponibilizado neste texto, tanto pela falta de tempo, quanto pela ausência de um preparo técnico para o trabalho de edição de imagens. Utilizei apenas algumas para ilustrar itens específicos, como a decoração e as vestimentas (cap.4).

Na observação participante, há necessidade de explicar os dados obtidos: por um lado a partir das observações diretas e das exposições e interpretações do próprio grupo analisado; por outro lado, baseado na capacidade do pesquisador em deduzir certos elementos. Esta diferença entre observação e dedução deve sempre estar explícita para que o leitor possa compreender precisamente a relação do pesquisador com os fatos e grupos estudados. Há também na etnografia uma grande distância entre o material bruto colhido pelo investigador, como gravações, fotografias, entrevistas, e o resultado final apresentado ao leitor. O fato de existir esta distância deve ser levado em conta pelo pesquisador para que se possa reduzir ao máximo as imprecisões entre a coleta de material e o resultado escrito da pesquisa

(MALINOWSKI, 1973, p.21-22).

Para evitar problemas de viés na análise dos dados, a combinação de outras técnicas de pesquisa é fundamental, garantindo ao leitor a possibilidade de identificar outros possíveis olhares que não apenas aquele definido pelo pesquisador no campo.

Na pesquisa de campo, é também essencial que o pesquisador possua uma base teórica suficiente para poder compreender os fatos, o que não significa estar carregado de ideias pré- concebidas, mas saber onde e em qual momento estar presente e ter um conhecimento prévio do grupo que está estudando. Não basta apenas ir a campo, deve-se conhecê-lo, ter hipóteses e objetivos para que o trabalho etnográfico traga resultados positivos (MALINOWSKI, 1973, p.

26). Nesse sentido, os primeiros contatos com o grupo de tiroleses e o conhecimento prévio do bairro e das festas foram elementos fundamentais, antes de ir a campo.

Por outro lado, o desejo de pesquisar, ou seja, a motivação também é fundamental. Não se realiza uma investigação aprofundada com um objeto que não agrade, pois a empatia com o grupo e a curiosidade também são parte da vontade de saber. Peirano (1992, p.7-8) chega a afirmar, quando se refere à etnografia (e aqui podemos trazer também para a observação participante), que as impressões de campo não são “apenas recebidas pelo intelecto, mas exercem um verdadeiro impacto na personalidade total do etnógrafo”.

Com relação à observação participante no bairro de Santa Olímpia, enfatizei as festas. No entanto, o contato esporádico com o bairro em dias não festivos não pode deixar de ser contemplado na análise dos dados, uma vez que trouxe elementos significativos para compor a pesquisa. O foco, porém, exigiu um recorte, uma vez que o bairro realiza diversas delas ao longo do ano, com os mais diferentes objetivos. Estabeleci alguns critérios para a escolha, sendo que aquelas que atendessem dois ou mais critérios seriam selecionadas:

- Antiguidade, ou seja, ser realizada desde a fundação do bairro, ou há mais de duas décadas;

- Ser conhecida fora do bairro, com participação de visitantes e turistas; - Movimentar o bairro e mudar a rotina da comunidade;

- Estar ligada na temática à identidade tirolesa.

Além desses fatores, outros fatores de menor representatividade foram considerados para seleção. O projeto inicial de pesquisa trazia como recorte a realização da observação participante de três festas: Nossa Senhora, Cuccagna e Polenta. No entanto, as pesquisas revelaram a necessidade de ampliar esse número para cinco, uma vez que foi observado que outras (Mercadín e Imigração) também possuíam significados especiais para a cultura e as

tradições tirolesas. Abaixo, faço uma breve descrição das festas selecionadas:

 Nossa Senhora: segundo a tradição católica, maio é o mês consagrado aos festejos da mãe de Jesus. Essas celebrações ocorrem no bairro desde sua fundação, já que as primeiras festas eram essencialmente religiosas, ocorrendo em maio e no início de dezembro. Para este trabalho, acompanhei a de maio, que sofreu significativas mudanças nos últimos anos;

 Cuccagna: ocorre todos os anos na terça-feira de carnaval, portanto entre os meses de fevereiro e março. Essa análise ampliou-se para os demais festejos do carnaval no bairro, que compreendem o desfile das escolas de samba locais, mas mantive o nome da Cuccagna, ao invés de Carnaval, pois esse é o ponto central e mais significativo. É uma das mais antigas do bairro, remontando ao início do século passado;

 Polenta: é a maior e mais conhecida festa do bairro, atraindo muitos visitantes que buscam contato com as comidas “típicas” e com a cultura local. Ocorre sempre no penúltimo final de semana do mês de julho e é essencialmente cultural, com aspectos significativos nas apresentações artísticas (dança, coral), na culinária, na decoração do bairro e outros fatores;

 Fundação do bairro ou Festa da Imigração: surgida com o intuito de celebrar a fundação da colônia tirolesa em Piracicaba e de render culto aos antepassados, revalorizando a cultura e os valores morais recebidos dos imigrantes pelos seus descendentes. É realizada sempre no mês de novembro de cada ano, comemorando o dia da chegada à Fazenda Santa Olímpia – 20 de novembro de 1892;

 Mercadín de Nadal: é a representação do natal tirolês, com a exposição de artesanatos locais produzidos pelos membros da comunidade, danças “típicas” e representações natalinas. O Mercadín é a festa mais recente do bairro e foi criada com o intuito de unir as duas comunidades tirolesas de Piracicaba, que vivem nos bairros de Santa Olímpia e Santana, uma vez que em geral as comunidades são separadas. É realizado sempre dentro do mês em que ocorre o Natal, variando na data.

A pesquisa de campo, no ano de 2011, centrou-se em três festas: a de Nossa Senhora, a da Polenta e a do Natal, com o uso de diário de campo, gravador de voz e máquina fotográfica. A Cuccagna e a Imigração foram apenas acompanhadas para conhecimento inicial, sem uso dos instrumentos de pesquisa. No ano de 2012, realizei os registros (gravação, fotografia e anotações) destas duas últimas, enquanto as demais foram novamente acompanhadas para aprofundamento em outras questões. Acompanhei a Festa da Imigração apenas em 2012, a partir de sugestões dos próprios moradores, pois, neste ano, a comunidade celebrou os 120 anos da fundação da colônia de Santa Olímpia, sendo que os festejos foram

mais ampliados devido a esse fato.

No capítulo quatro, aprofundarei essa discussão, as peculiaridades, as formas de festejar, suas motivações, principais embates gerados dentro da comunidade e outras questões levantadas, com base nos registros efetuados no decorrer da pesquisa.

Na parte que segue, discorro sobre as características do grupo estudado: o tirolês de Santa Olímpia.

CAPÍTULO 2:

O TIROLÊS DE SANTA OLÍMPIA: RAÍZES, IMIGRAÇÃO E

HISTÓRIA.

Benzer Belgeler