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5. TÜKETİCİ SATIN ALMA DAVRANIŞINI ETKİLEYEN PSİKOLOJİK FAKTÖRLER

5.5. Kişilik ve Hayat Tarzı

Contrário Favoráveis A vida é de Deus e só Deus pode tirá-la. O Estado é laico e crenças pessoais não devem

interferir na legislação ou em seu cumprimento (só aborta quem assim decidir, não se trata de imposição).

Fonte: Sanematsu (2005)

No que se refere ao espaço nos jornais para os/as articulistas, Sanematsu (2005) considera que os principais protagonistas do debate na esfera midiática foram, de um lado alguns representantes da hierarquia da Igreja Católica e seguidores de sua ortodoxia, em especial advogados/as, e, de outro lado, médicos/as, advogados/as, pesquisadores/as e representantes de organizações não-governamentais. Do lado dos representantes da Igreja Católica, destacou-se

como articulista dos interesses católicos, o jornalista Carlos Alberto Di Franco, e do lado da defesa dos interesses e direitos da mulher, teve ênfase o papel da antropóloga Débora Diniz, principal articulista da ação da CNTS que culminou na liminar do Ministro Marco Aurélio Mello. Tendo em vista que tanto Carlos Alberto Di Franco como Débora Diniz representaram interesses de seus representados, projetando sua voz à esfera pública para fazer valer seus argumentos, podemos considerar que, conforme definição apresentada no terceiro capítulo, esses atores configuram-se como porta-vozes de posições opostas na controvérsia sobre a moralidade do aborto no caso de fetos anencefalicos.

O jornalista Carlos Alberto Di Franco é um dos numerários18 mais influentes e bem relacionados do Opus Dei. É representante no Brasil da Escola de Comunicação da Universidade de Navarra e diretor do Master em Jornalismo, um programa de capacitação de editores que já formou mais de 200 cargos de chefias dos principais jornais do país.

Débora Diniz é doutora em Antropologia pela Universidade de Brasília (UnB) e pós- doutora em Bioética. Atualmente, é diretora da organização não-governamental ANIS- Instituto de Bioética, Direitos e Gênero, da Associação Internacional de Pesquisas Feministas para Bioética e da Associação Internacional de Bioética. Foi considerada pela mídia brasileira uma das principais articuladoras da medida liminar do Ministro do Supremo Tribunal Federal.

5.5. Procedimentos de análise

Para a consecução da análise dos documentos escolhidos para compor o estudo empírico proposto agrupamos tais documentos em dois conjuntos: os de caráter jurídico, caracterizados pela retórica forense e deliberativa; e os de caráter midiático, caracterizados pela retórica epidêitica.

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Os numerários são membros da Opus Dei que se comprometem a manter uma vida de pobreza, castidade e obediência, têm geralmente uma sólida formação universitária ou, alternativamente, podem ser herdeiros de grandes fortunas; vivem em casas da Opus Dei, são celibatários, e contribuem com a totalidade do seu ordenado para a seita, atribuindo-lhes esta algum dinheiro de bolso para as despesas diárias mínimas, nomeadamente a alimentação.

Análise dos documentos jurídicos

Os três documentos de caráter jurídico foram adquiridos por meio de pesquisa no site do Supremo Tribunal Federal19 que disponibiliza na web toda a jurisprudência transitada nessa Corte. A análise desse primeiro conjunto de documentos, composto pela Argüição de

Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF)-54, liminar do Ministro Marco Aurélio

Mello e parecer do Procurador-Geral é apresentada no próximo capítulo e se deu da seguinte forma:

• descrição do contexto de produção e do conteúdo argumentativo de cada documento;

• análise dos dícticos, que consistiu na identificação e descrição dos tipos de

dícticos utilizados em cada documento e a respectiva finalidade de seus usos;

• análise dos dícticos como argumento de autoridade, onde foi realizada uma distinção dos dícticos do discurso usados como argumentos de autoridade para descrição da estratégia de empilhamento usada em cada documento;

• análise dos repertórios interpretativos, que versou sobre a interpretação dos usos dos termos associados à interrupção da gestação, gestante e concepto (ou embrião) empregada em cada um dos três documentos jurídicos;

• análise retórica, que consistiu na interpretação da utilização dos recursos

estratégicos (apresentados no primeiro capítulo) como categorias analíticas do

conteúdo argumentativo dos textos jurídicos analisados.

Análise dos documentos midiáticos

O corpus de documentos da mídia escolhidos para a análise retórica desta pesquisa foi

composto por matérias jornalísticas produzidas pelos atores sociais de posições distintas e contrárias na controvérsia moral sobre a autorização legal do aborto em casos de anencefalia do feto.

De um lado, a entrevista concedida por Débora Diniz à Revista Época, em 2004, e o artigo “Anencefalia: dois anos de espera”, escrito pela feminista em 2006 e publicado no site da

19

Assessoria de Comunicação (ACS) da Universidade de Brasília (UnB), foram as matérias escolhidas para análise da posição “pró-escolha”. De outro lado, os artigos “Aborto e Democracia”, publicado em 2004, e “Brasileiro é contra o aborto”, de 2006, ambos de autoria de Carlos Alberto Di Franco, foram eleitos para a análise da defesa dos argumentos “pró-vida”. A definição desses documentos se deu como estratégia para contemplar momentos distintos de produção de sentidos sobre a argumentação defendida por Débora Diniz e Carlos Alberto Di Franco a respeito da autorização da liminar do Ministro Marco Aurélio Mello.

Tivemos acesso à entrevista de Débora Diniz, publicada na Revista Época, por meio do

site da própria Revista20

. A escolha por essa matéria jornalística se deu com a ajuda das informações fornecidas pelo estudo de Sanematsu (2005), que indicou esta entrevista como uma das principais produções da feminista acerca do tema. A outra matéria relacionada à produção de Débora Diniz sobre seus posicionamentos acerca da defesa moral do direito de livre escolha pelo aborto, o artigo “Anencefalia: dois anos de espera” foi localizada a partir de seu Currículo Lattes, disponível no site do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) 21

. A busca pelo segundo artigo se deu com o objetivo de localizar uma produção retórica da autora após a cassação da liminar. Por meio do currículo de Débora Diniz chegamos ao site onde esse artigo22 foi publicado e adquirimos o documento.

Os artigos de Carlos Alberto Di Franco também foram escolhidos a partir das informações oferecidas pelo estudo de Sanematsu (2005), e foram adquiridos no site do jornal O Estado de S.

Paulo23, onde foram publicados. O primeiro artigo, “Aborto e Democracia”, foi destacado pela pesquisadora, e o segundo, “Brasileiro é contra o aborto”, foi obtido a partir de uma busca no referido site.

A análise dos quatro documentos midiáticos é apresentada no sétimo capítulo e se deu de maneira semelhante a dos documentos jurídicos:

• descrição do contexto de produção e do conteúdo argumentativo de cada uma das matérias; 20 Disponível em http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT757558-1666-1,00.html. 21 Disponível em http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/index.jsp. 22 Disponível em http://www.secom.unb.br/artigos/at1006-06.htm 23 Disponível em http://txt.estado.com.br/editorias/2007/10/22/opi-1.93.29.20071022.3.1.xml

• análise dos dícticos, composta pela identificação e descrição dos tipos de dícticos e suas finalidades, exceto no artigo publicado em 2006 de Di Franco: “Brasileiro é contra o aborto”, pois os usos se repetiam em relação ao artigo de 2004;

• análise dos dícticos como argumento de autoridade, realizada apenas nos artigos assinados por Di Franco, pois na entrevista e no artigo de Débora Diniz não identificamos o uso da estratégia de empilhamento de argumentos de autoridade; • análise dos repertórios interpretativos, que consistiu na interpretação dos usos dos

termos associados à interrupção da gestação, gestante e concepto (ou embrião) empregada em cada uma das quatro matérias;

• análise retórica, que consistiu na interpretação da utilização dos recursos

estratégicos usados nos quatro documentos midiáticos.

O quadro a seguir ilustra os objetivos dos usos dos conceitos para a análise.

Quadro 5 – Objetivos dos usos das categorias analíticas.

Categoria analítica Objetivo

Dícticos Identificar o contexto agonístico de produção

dos documentos.

Argumentos de autoridade Descrever a estratégia de empilhamento usada pelos atores para sustentar suas argumentações. Repertórios interpretativos Identificar as posições morais defendidas pelos

atores em controvérsia.

Recursos estratégicos Descrever as estratégias retóricas usadas para persuadir a respeito das acepções de vida defendidas pelos atores em controvérsia.

6. Os sentidos da vida: retórica forense e deliberativa no contexto da liminar