2. BÖLÜM
2.3. Kişiler Arası Bağımlılık
2.3.2. Kişiler arası Bağımlılığa Kuramsal Bakış
Não existiu outro tipo de relação entre os moradores de Zumbi e a empresa além da preocupação em não cercar a área que era utilizada pelos moradores (provavelmente com vistas à contribuir para a aceitação do empreendimento), e da reunião que serviu
apenas para comunicar o início da construção do empreendimento e tirar dúvidas. Em nenhum momento os moradores tiveram voz ativa para decidir sobre a implementação do projeto. Sobre este assunto, Devine-Wright (2005a) afirma existirem diferentes modelos de envolvimento da comunidade local em projetos de energia. O exemplo mais superficial é aquele em que a população local é informada de um empreendimento proposto; nesse nível não há envolvimento da população local no desenvolvimento do projeto a não ser como recebedores passivos de informação. Este é o caso dos moradores de Zumbi, que assistiram como meros espectadores à implementação do projeto sem qualquer participação além do trabalho durante a obra e tirando algumas dúvidas durante a reunião, de forma que continuam neste papel e até hoje: apenas testemunhando passivamente o que ocorre com a comunidade. Em contrapartida, no outro lado do espectro estão aqueles projetos que possuem alto grau de controle local. Conforme o autor, entre esses dois extremos há uma gama de posições que podem ser descritas com vários graus de parceria entre a população local, grupos de interesse, instituições de estatuto, tais como autoridades locais e incorporadores do setor privado. Para Pol e Moreno (2002), optar por informar ou não a população a respeito do empreendimento, assim como a forma e o período de fazê-lo pertence à esfera da política de gestão. Neste âmbito entra em jogo um problema de conflitos de valores e interesses entre os interesses e desejos locais e o que pode ser considerado um interesse geral de ordem superior.
Em seu estudo, Loring (2007) utiliza 6 critérios para avaliar o nível de participação da comunidade no projeto: o primeiro analisa o quanto os participantes são representativos da visão da maioria das pessoas potencialmente afetadas; o segundo leva em consideração o quanto barreiras para o envolvimento da comunidade local no processo de planejamento são minimizadas; já o terceiro, se existe o impacto das decisões de membros da comunidade sobre projeto; o quarto critério verifica se os membros da comunidade têm uma parte nos lucros do projeto; o quinto, quando o projeto foi iniciado por um indivíduo local ou um grupo; e, finalmente, no sexto investiga-se o quanto a comunidade tem o envolvimento continuado no projeto depois da construção. Para a autora, existem formas de a comunidade continuar seu envolvimento com o projeto depois da construção. Poucos membros talvez tenham envolvimento na manutenção das turbinas, ou outros assuntos técnicos e/ou econômicos. Mas, um centro de visitação pode ser montado para atrair turistas e educar crianças em período escolar. Sendo assim, poderiam ser promovidas atividades de
capacitação para a comunidade, principalmente crianças, para participar no trabalho de turismo. Isto contribuiria para aproximação entre o PERF e Zumbi de uma forma positiva e também poderia vir a desenvolver noções, ou até mesmo, ações de cuidado ambiental. Igualmente, dessa forma, a permeabilidade não adquirida durante todas as fases de implementação do projeto poderia ocorrer. Conforme uma pesquisa mencionada por Devine-Wright (2005b), não há identificação de conseqüências negativas dos parques eólicos nas indústrias de turismo; além disso, 80% dos respondentes que não tinham um parque eólico próximo às suas casas mostraram interesse em visitar este tipo de empreendimento.
A impermeabilidade do PERF no cotidiano dos moradores de Zumbi aliada à forma passiva com que a população foi incluída nesta nova realidade, conduziu a falta de entendimento sobre o projeto do parque eólico. Esta realidade conduz a confusões no entendimento a respeito do funcionamento do parque, e em alguns casos o surgimento de receios tecnicamente infundados a respeito do empreendimento. Para Pol e Moreno (2002), algumas vezes os supostos e temidos efeitos que a população possui podem não ter nada a ver com a realidade objetiva dos impactos que o projeto pode causar, que podem ser de natureza distinta à dos argumentados no rechaço social, podendo ser estes mais benévolos ou mais prejudiciais. Na mesma direção, Wolsink (1988) afirma que, na falta de disponibilidade de informações, fatores psicológicos influenciam nas respostas dos entrevistados. Os receios sobre o parque eólico, (por exemplo: não poder tomar banho nas lagoas por medo de choques elétricos), bem como algumas das explicações técnicas a respeito dessa construção, (por exemplo, que o parque eólico produz uma energia para os ricos), confirmam as suposições dos autores. Por conseguinte, estes receios e informações podem ser utilizados por pessoas que são contra estas construções, no intuito de colocar a população contra o projeto; assim como os efeitos positivos podem ser utilizados para sustentar a confiança e aceitação deste empreendimento (Devine-Wright, 2005a). Para este autor, percepções negativas de parques eólicos podem motivar não apenas avaliações negativas do impacto visual, mas também promover um sentimento de falta de controle sobre o desenvolvimento ou no processo de planejamento de uso do lugar e insatisfação com estes procedimentos. Mas, Loring (2007) afirma que a ausência de uma rede estável das pessoas que são contrárias ao empreendimento contribui de forma expressiva para a aceitação do projeto e o sucesso em receber a permissão de construção – no caso da realidade européia. Contudo, até o momento, estes receios não foram utilizados de forma negativa contra o
PERF, e podem não ter ocorrido por não haver opositores engajados contra este empreendimento. No entanto, os benefícios do parque eólico, como emprego para os locais durante a construção, ou deixá-los utilizar o terreno, foram aplicados com intuito de facilitar a aceitação da comunidade. No trabalho de Wolsink (1988), a implantação do projeto superou ou ao menos alcançou as expectativas. Esta realidade é um pouco diferente no caso do PERF, já que hoje os locais não possuem contato com o empreendimento.
No caso de Zumbi, não houve praticamente nenhuma oposição ao empreendimento. Se houvesse sinais de rejeição, estes poderiam surgir devido à forma apática com que a comunidade participou do projeto, pois a falta de participação da população local nas decisões é uma das principais causas para a rejeição de empreendimentos apontada com unanimidade pelos autores pesquisados (Devine- Wright 2005a, 2005b; Ek, 2005; Loring, 2007; Pol, 2006; Wolsink, 2000). Segundo Loring (2007), projetos com altos níveis de participação da comunidade no planejamento são mais prováveis de serem publicamente aceitos e bem sucedidos. Para Wolsink (2000), um forte apoio público não é suficiente para o desenvolvimento da capacidade de energia eólica, mas contribuirá favoravelmente para a política de construção. Tanto para este autor como para Devine-Wright (2005a), a promoção de uma abordagem mais cooperativa; por exemplo, ao convidar moradores locais a participar dos primeiros estágios de planejamento e implantação de projetos eólicos, são instrumentos que reduzem problemas com a resistência local. Portanto, no caso brasileiro, deve-se ter muita atenção durante a inserção de um projeto em uma comunidade. Mesmo que esta localidade tenha recebido positivamente a implementação, outros parques eólicos podem vir a ser rejeitados pela população vizinha. Para Pol (2006), entre as medidas que devem ser tomadas a fim de diminuir a relutância de um empreendimento estão: aumentar o prestígio da administração pública; oferecer informações transparentes a respeito do problema e as soluções; assegurar as contínua manutenção do empreendimento; e conceder a participação da sociedade no acompanhamento da gestão.