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4. BULGULAR ve TARIŞMA

4.2. Fermantsyon Deneyleri

4.2.2 Kesikli İmmobilize Hücre ile Fermantasyon

Os esclarecimentos foram uma modalidade de intervenção que ofereceu às crianças a possibilidade de pensar sobre suas produções, buscando esclarecer suas dúvidas e qualificá-las. Trata-se de situações pedagógicas de ensino, propriamente ditas, e que fazem parte da posição de ensinante do sujeito, características do ambiente escolar. Sobre isso, Fernández (1991) afirma que o conhecimento se transmite por meio de um recorte, de uma visão do ensinante, ou seja, por meio de sinais, ―para que o sujeito possa, transformando-os, reproduzi-lo. O conhecimento é conhecimento do outro, porque o outro o possui, mas também porque é preciso conhecer o outro, quer dizer, pô-lo no lugar do professor‖ (p. 52) e isso demanda vinculação.

A primeira situação aqui apresentada é a forma utilizada para aproximar a criança de um gênero. Embora já tivessem tido contato com ele, na sua maioria, não o conheciam em seus detalhes, pois faziam uso dele apenas como forma de diversão. Assim, a partir de um elemento concreto (o vídeo em si), passou-se à análise, sob o ponto de vista das crianças, mas com intervenções dos adultos, de forma a se pensar as etapas necessárias para concretização de um vídeo como aquele. A situação de ensino aqui foi a de promover a aproximação com o gênero, de analisá-lo e de reconstituí-lo. Tal processo permitiu às crianças que pensassem e obtivessem maior consciência sobre a tarefa que estava sendo proposta, criando espaço para que pudessem construir suas primeiras hipóteses sobre a estruturação de um roteiro. Cabe aqui ressaltar, mais uma vez, que as crianças dessa faixa etária ainda necessitam do apoio do concreto para poderem compreender a realidade, assim, optou-se pela exibição de um minimetragem, para que elas conseguissem entender a proposta do gênero.

Trecho 125 (referente ao relato do dia 08/05/2015):

Passamos à apresentação do vídeo. A partir disso, conversamos inicialmente sobre as partes de uma história e quais os objetivos de cada uma delas (Introdução: introduzir a situação ou problema a ser desenvolvido; Desenvolvimento: desenvolve fatos para a resolução dos problemas da situação; Conclusão: conclui a situação problema que foi desenvolvida). Passou-se à descrição, pelas crianças, da história do vídeo.

A partir do desafio de elaborar um minimetragem, surgiram, em várias partes do processo, questionamentos relacionados à escrita. A exemplo disso, cita-se o trecho 126. Nesse relato é colocado que, inicialmente, as ministrantes explicaram ao grupo como seria a tarefa do dia: a escolha do tema do vídeo que seria produzido. Em seguida, uma criança apresenta sua hipótese, a ministrante o apoia, esclarecendo novamente o que é um tema de uma história. Cabe aqui

destacar que a criança em questão apresenta dificuldade em sala de aula para compreender as propostas escolares, necessitando de apoio mais próximo, situação que não foi diferente na Oficina. Aqui, a questão do esclarecimento segue no sentido de a criança conseguir ampliar a compreensão sobre a escrita com o apoio do adulto, ou seja, suas hipóteses são acolhidas e esclarecidas.

Trecho 126 (referente ao relato do dia 15/05/2015):

Falamos sobre o que é o tema de um texto, que era o que precisavam desenvolver neste dia, exemplificando com o tema do minimetragem da Peppa Pig, mostrado no outro encontro. [...] Sávio sugeriu o início da escrita do tema como “Era uma vez…” Expliquei que assim costuma ser o início de muitas histórias que lemos, mas que no tema ainda não era a história em si, era a ideia inicial da história que depois eles detalhariam.

Os questionamentos das crianças se seguiram, transpondo a questão da escrita. Elas buscavam esclarecimentos sobre diferentes situações, como quando não sabiam como fazer elementos de cenário ou sobre movimentação de objetos e personagens. Tal fato é ilustrado no trecho 127, quando a criança, não tendo sucesso em sua empreitada, busca esclarecimento sobre como poderia fazer um elemento de modo a atingir seu objetivo de forma satisfatória.

Trecho 127 (referente ao relato do dia 19/06/2015):

Máximo desenhou os troncos e tentou fazer as copas com recortes, mas acabava saindo formas quadriculadas, Máximo então pede: “Sora, como se faz árvores?” Eu disse: “Tu pode recortar nuvenzinhas”. [...]

Outro esclarecimento dado à criança é sobre separar o universo do desejo e do prazer do universo da realidade. Essa situação é ilustrada mo trecho 128, em que a criança manifesta que não quer fazer a aula seguinte, alegando que era chata. Nessa situação, coube à ministrante falar à criança sobre sua capacidade de se empenhar nas propostas e na necessidade de transpor isso para outros momentos da vida que não lhe proporcionavam tanto prazer, mas nos quais esperavam dele a mesma dedicação.

Trecho 128 (referente ao relato do dia 19/06/2015):

Máximo ficou depois que todos saíram. Ele disse que essa era a melhor aula que ele tinha, que as outras eram muito chatas e que ele não queria ir para aula de música. Expliquei que na vida não gostamos de tudo, mas que isso também faz parte e que era importante que ele se empenhasse nas outras aulas da mesma forma como ele se empenhava na oficina.

Cabe ressaltar que os acontecimentos acima descritos, que tratam de solicitações de esclarecimentos (diretos ou indiretos) sobre a escrita, a organização dos cenários, a animação e a vinculação com a realidade, só aconteceram por duas razões: a primeira, porque a criança conseguiu reconhecer o que lhe falta, o que lhe provoca dúvida, ou seja, sua ignorância (PAÍN,

1999). A segunda razão, é que a pergunta só surgiu porque a criança confiou naquele que o acompanhava, de forma a expor sua falta. Quanto a isso, Fernández (1991) afirma que ―não aprendemos de qualquer um, aprendemos daquele a quem outorgamos confiança e direito de ensinar‖ (p. 52). Desta forma, conforme a autora, o conteúdo de um conhecimento provém de um ensino; no entanto, a viabilidade de ―processar esse conteúdo depende da presença no sujeito, de uma estrutura cognitiva, adequada ao nível de compreensão requerido e de um vínculo que possibilite representar esse conhecimento‖ (p. 72). Assim, por tal perspectiva, cabe destacar como valor (psico)pedagógico da Oficina de Aprendizagem a promoção de espaços vinculares na escola, que permitam a exposição da pergunta e o reconhecimento da falta sob seu ponto de vista positivo.

Benzer Belgeler