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Para a avaliação da personalidade de acordo com o modelo dos Cinco Grandes Fatores há uma série de escalas e testes. A escala dos Cinco Grandes Fatores foi desenvolvida por Goldberg (1999) a partir dos marcadores presentes em seu inventário elaborado em 1992 com 50 itens para a mensuração de cada uma das cinco dimensões da personalidade. Há dez marcadores para cada fator, sendo que eles se correlacionam com valores positivos e negativos que compõem cada traço de personalidade. Tal escala foi criada pelo pesquisador para disponibilizá-la no ambiente digital denominado Int ernat ional Personalit y It em Pool (IPIP) de forma gratuita para fins de pesquisa. Conforme Goldberg (1999) um contributo inovador de tal escala para a área de avaliação da personalidade é apresentar pequenas frases que representariam, de forma mais adequada e contextualizada os cinco grandes traços de personalidade ao invés de adjetivos. Os adjetivos que codificam, tradicionalmente, os traços de personalidade apresentam um nível extremamente elevado de abstração. Assim, como consequência da abstração dos adjetivos de cada traço, muitas vezes não é possível encontrar traduções para eles em diferentes línguas (GOLDBERG, 1999).

A proposta do pesquisador ao criar o IPIP e disponibilizar escalas e testes de personalidade era proporcionar meios para a avaliação de personalidade que pudessem ser utilizados pelos pesquisadores em âmbito internacional sem as possíveis limitações impostadas pelos direitos autorais para o uso, reprodução e alteração do conteúdo (GOLDBERG, et al. 2006).

Os testes psicológicos são tradicionalmente aplicados presencialmente em um ambiente onde há um controle sobre as variáveis externas para garantir uma uniformidade nos dados coletados. Contudo, a aplicação de testes psicológicos tem sido realizada, de forma acentuada, no âmbito internacional nos últimos anos via online devido às amplas vantagens que tal meio proporciona, como é o caso da presente pesquisa.

Conforme Naglieri et al. (2004), as vantagens na aplicação online se relacionam com a rapidez da Internet para a aplicação, manipulação e divulgação dos resultados, o

amplo alcance de indivíduos e a possível economia nos produtos e serviços referentes ao teste. Por exemplo, fazer atualizações nos testes é um processo muito mais fácil e barato na Internet, pois revisar um teste no papel requer a impressão e distribuição do mesmo, bem como seus manuais.

Corroborando, Pettit (2002) afirma que os testes aplicados online apresentam menos erros nas respostas obtidas devido à falta de problemas com a caligrafia dos respondentes, assim como menor porcentagem de respostas em branco, pois o teste pode ser estruturado para não permitir que questões permaneçam sem resposta.

Há limitações relacionadas à aplicação online, sendo que elas se referem à integridade dos resultados, devido ao fato de que o ambiente controlado e monitorado, que garante uma maior uniformidade na entrada dos dados no meio tradicional de aplicação, não pode ser garantido. O respondente pode estar em ambiente que não é propicio para a realização do teste com variáveis externas, as quais interferirão na resposta do mesmo. Ainda, o respondente pode “falsificar” os resultados de forma mais fácil ou preencher o teste repetidas vezes. Neste sentido, a aplicação online requer certos cuidados e o uso de métodos confirmatórios para mitigar as possibilidades de inconsistência nos resultados obtidos.

Os resultados obtidos na aplicação online podem apresentar diferenças quando comparados com os resultados obtidos tradicionalmente (NAGLIERI et al. 2004), devido ao ambiente controlado e monitorado que garante uma maior uniformidade na entrada dos dados.

Buchanan, Johnson e Goldberg (2005) concluíram a partir do estudo das propriedades psicométricas dos testes de personalidade online que os testes mediados via Internet são válidos e consistentes. As versões online e presencial do mesmo teste podem ser equivalentes, todavia, elas não são idênticas.

Assim, pode-se considerar que a aplicação de testes semelhantes por caminhos distintos (via Internet/presencialmente) apresentam características e preocupações próprias. Acerca disso, Gosling et al. (2004) afirmam que há um preconceito na área acerca da validade dos dados obtidos via Internet, porém, os autores alegam que tal contestação não possui fundamentação já que os resultados obtidos via Internet também são válidos e apresentam consistência com os resultados obtidos tradicionalmente. Eles ainda afirmam

que os resultados obtidos na web não parecem ser corrompidos com dados falsos ou apresentados repetidamente pelos respondentes. Em suma, os dados coletados a partir de testes aplicado em ambientes digitais não são tão falhos como comumente se acredita (GOSLING et al., 2004).

No âmbito nacional, contudo, Primi (2010), em um artigo acerca do panorama da avaliação psicológica no Brasil, afirma que o uso de tecnologias para a aplicação de testes, correção e confecções de relatórios é apenas uma das direções futuras da área, não se concretizando como realidade atualmente.

Dito isso, o presente trabalho se pautará nas instruções, recomendações descritas na literatura internacional da área de psicologia a fim de minimizar os aspectos negativos relativos à aplicação de testes psicológicos por meio, especificamente, da internet (GOSLING et al., 2004; BUCHANAN; JOHNSON; GOLDBERG, 2005).

No caso de uso de instrumentos comerciais, há as questões de copyright e de segurança tanto dos dados contidos no teste como dos resultados obtidos. Como esse aspecto não se aplica na presente pesquisa, o aspecto da segurança do teste não será aprofundado. Tendo sido mencionado de forma indicativa devido à importância de tal questão para a área de psicologia.

No que se refere às instruções para os respondentes acerca do preenchimento do teste, é necessário fornecer, em um primeiro momento, informações sobre o teste psicológico e sua finalidade para o respondente a fim de assegurar que ele concorde com aplicação do mesmo. É necessário, também, fornecer instruções claras para o respondente no que se refere ao controle das possíveis variáveis a fim de garantir um contexto mais apropriado para a aplicação. Como, por exemplo, solicitar ao respondente que esteja em um ambiente silencioso e sem a presença de terceiros, bem como é preciso informar meios de contato com o responsável para aqueles que possuem dúvidas quanto às instruções (GOSLING et al. 2004).

As recomendações para a prevenção de resultados errôneos afirmam que os testes devem ser adequados para o público-alvo que terá acesso a ele, isto é, é preciso ter o cuidado com as questões linguísticas, culturais na aplicação online devido ao amplo alcance da internet (GOSLING et al. 2004).

De acordo com Buchanan, Johnson e Goldberg (2005) as duas maiores ameaças a integridade dos resultados são: a entrada repetida de dados, e de respostas mal- intencionadas. Os autores apresentam possíveis alternativas para tais ameaças, sendo elas a restrição do preenchimento do teste a um endereço de IP, ou a um correio eletrônico; e a procura por padrões irreais nos dados coletados, como, por exemplo, dados demográficos discrepantes: alunos de doutorado com 20 anos de idade, os quais quando encontrados serão descartados da pesquisa.

Diante do exposto, ressalta-se que a presente pesquisa visa explorar a relação da personalidade com o comportamento informacional com base no Modelo dos Cinco Grandes Fatores. Conforme já mencionado, Buchanan, Johnson e Goldberg (2005) afirmam que a mensuração da personalidade é de pouca utilidade se não prever quaisquer resultados no comportamento dos indivíduos. Desta forma, esta investigação está de acordo com as preocupações da Psicologia ao se estudar a relação entre os comportamentos de busca e uso da informação com os cinco traços essenciais da personalidade.

A seguir será apresentada uma pesquisa da área de Ciência de Informação que investigou a relação entre a personalidade e o comportamento informacional dos usuários e que serviu como base para o desenvolvimento da presente pesquisa.

Benzer Belgeler