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Kentin Adı ve Kökeni

5. TİOS ANTİK KENTİ

5.2 Kentin Adı ve Kökeni

A transformação do trabalho e as estratégias de convivência com o desemprego fizeram surgir, ao longo do tempo, novas atividades de geração de renda. Catar, selecionar e coletar lixo urbano têm sido uma alternativa de muitos, surgindo, assim, a atividade dos catadores. Em seu estudo sobre as transformações no mundo do trabalho, Marinho (2005, p. 27) afirma que “o trabalho passou a ser o ‘sentido da vida’, possibilidade de enriquecimento futuro, e, para além do problema da sobrevivência, ainda que heterônomo, é proclamado como virtude”. Logo, catar

lixo, como qualquer atividade informal que agregue valor à sociedade contemporânea, é trabalho.

A relevância social dessa temática encontra subsídios a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) – Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB) 2000, segundo os quais se estima que, no Brasil, haja em torno de 24.500 pessoas trabalhando nos locais de disposição final – lixões, aterros e unidades de triagem, dentre outros.

São muitas as pessoas que sobrevivem da coleta, separação, classificação e venda de material reciclável. Na verdade, sempre estiveram presentes os que carregavam carrinhos ou sacos de objetos variados, objetos resgatados daquilo que a sociedade prefere descartar. Por muitos anos, pensava-se que coletavam coisas inúteis ou de pouco valor e não despertavam a atenção e talvez, por vezes, “nojo”.

De acordo com os dados do Movimento Nacional dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR, 2002), os catadores estão em atividade desde os anos 50 e seguem vivendo como excluídos. Com o aparecimento e a disseminação dos processos de reciclagem, os catadores passaram a ocupar um lugar na sociedade. Sua atividade pode ser única ou secundária, no sentido de visar a uma complementação de renda e, muitas vezes, representa uma alternativa à marginalidade.

Segundo Calderoni (2003), essa categoria não tem poder suficiente para determinar ou influenciar fortemente o nível de preços a ser praticado pelo mercado, apesar de as indústrias obterem a maior parte dos recicláveis dos catadores. No geral, só conseguem vender os produtos com maior valor agregado e nem sempre dão um destino adequado ao que não é vendido. Sofrem grande concorrência de outros catadores, os quais, devido ao grande número de trabalhadores desse setor, depreciam o valor da venda dos recicláveis, gerando, pois, ganhos insuficientes para a sua sobrevivência. Assim sendo, alguns catadores têm procurado se organizar em grupos ou, até mesmo, em cooperativas, como uma estratégia, para obter um volume maior de produção que permita a venda direta com maior remuneração.

Atualmente, a remuneração de catadores chega a 43 milhões de reais no município de São Paulo, com perspectiva de chegar a 100 milhões, significando uma geração de 12 mil postos de trabalho, conforme Calderoni (2003). Esses trabalhadores, sustenta o autor, são responsáveis por 37% do total de vidro reciclado e são os principais coletores de latas de alumínio para as indústrias.

Reciclar passou a ser pauta dos grandes debates contemporâneos, mas, para o mercado, esta significa uma oportunidade de ganhar em competição concorrencial, por meio de créditos, no quesito “qualidade de gestão ambiental”. Neste contexto, surge um novo segmento social que faz a ponte entre capital e meio ambiente: os catadores de lixo que, mais recentemente, são chamados de “agentes ambientais”.

Destaca-se ainda que a atividade de catador de material reciclável foi regulamentada no Brasil, em 2002, pelo Ministério do Trabalho e Emprego e consta na Classificação Brasileira de Ocupações sob o nº 5192-05. Entretanto, Miura (2004) afirma que, apesar da profissão ser reconhecida, ainda persistem condições precárias na atuação dos catadores, pois eles sofrem preconceitos, e é atribuída pouca importância a essa atividade econômica e ambiental. A atividade de catação tem fortes vínculos com níveis extremos de pobreza. Esse fator, aliado ao aumento da quantidade de resíduos e embalagens descartáveis, trouxe um significativo aumento na ação dos catadores.

Segundo Zanin (2011), é com o trabalho dos catadores que tem início todo o processo de reciclagem de resíduos domiciliares no Brasil. A UNICEF estima que sejam responsáveis por mais de 60% do papel e papelão reciclados no país, bem como 90% do material que alimenta as indústrias de reciclagem, fazendo do Brasil um dos maiores recicladores de alumínio do mundo.

A consciência ambiental, sustentabilidade e empenho na superação da miséria e da fome, de modo geral, devem ter uma atenção, em especial, para a dignidade da pessoa e o respeito aos direitos humanos. A condição de pobreza e exclusão social que afeta indivíduos nessas circunstâncias certamente precisa ser pensada em sua amplitude, na medida em que envolve as várias dimensões, como

aquelas que remetem à esfera econômica e às políticas públicas de saúde, por exemplo.

A pobreza não é uma fatalidade, e os seres humanos organizam-se em sociedade, para tratar, juntos, das necessidades da vida. Na cooperação, podem aumentar as possibilidades de desenvolvimento de sua personalidade, desenvolvendo as suas potencialidades não apenas no campo material, mas também, no nível intelectual, afetivo e espiritual. Segundo Magera (2005), os catadores são trabalhadores de um grupo de desempregados que, por idade, condição social e baixa escolaridade, não encontram lugar no mercado formal de trabalho, portanto buscam uma forma de inserção no mundo social e de trabalho, realizando uma atividade relevante para a sociedade e o meio ambiente, o que resulta no crescimento do número de catadores de materiais recicláveis.

Não há dúvidas de que o lixo hoje se traduz em fonte de renda, de sobrevivência e, por que não dizer, de oportunidade de desenvolvimento da personalidade de muitos seres humanos. A possibilidade de esgotamento das matérias-primas e a contaminação dos recursos naturais são as premissas ecológicas que justificam a necessidade de reciclar o lixo, já que esta medida consiste em submeter produtos existentes no lixo a processos de transformação, gerando um novo produto. Para Medeiros (2006), a contribuição dessa classe de trabalhadores é inquestionável sob o aspecto ambiental e, para, além disto, o fruto de seu trabalho é ponto de partida para o abastecimento, com matéria-prima, das indústrias de reciclagem.

A precariedade material que usualmente configura tal atividade é acompanhada, na maioria dos casos, de um posicionamento que atribui uma condição provisória à ocupação de catador. Autores, como Magera (2005) e Calderoni (2003), perceberam, entre as atuações de trabalho anteriores, o predomínio de inserções informais: serviços domésticos para mulheres e construção civil e indústria para os homens, entre outras. Segundo Zanin (2011, p. 365), “em geral, os trabalhadores que operam com coleta seletiva são oriundos dos estratos sociais inferiores. Excluídos pelo processo de produção capitalista, são pessoas que buscam trabalho e renda”.

O material reciclável, existente no lixo da população, possibilita que as pessoas sobrevivam da coleta, separação, classificação e venda do lixo. Os catadores de materiais recicláveis são trabalhadores que, apesar da importante função social e ambiental, enfrentam intensa discriminação social.

Ao longo do tempo, a gestão, exercida pela pesquisadora em projetos com catadores, e as observações realizadas demonstraram que as condições de trabalho do catador em unidades de triagem são precárias, envolvendo longas jornadas, intempéries, líquidos e gases tóxicos, decorrentes da decomposição do lixo, pragas e outros vetores, bem como do manuseio de materiais cortantes.

Nesse segmento, no qual o trabalhador do lixo é um agente ambiental, eis que contribui para a limpeza urbana, muito pouco se debate sobre a integralidade da saúde do catador.

A inconstância da atividade, a precariedade e o preconceito favorecem que o referido trabalhador seja mais facilmente acometido por doenças, e, por esta razão, torna-se importante que as organizações e as cooperativas possam oportunizar melhores condições de trabalho para os catadores.