2. BÖLÜM
3.4. Bulgular ve Yorumlar
3.4.5. Kendini İşe Verememenin Tanımlayıcı Özelliklere Göre
Apesar de ter publicado vários trabalhos de grande influência no pensamento social moderno, uma pesquisa nos periódicos mais representativos no campo das ciências humanas e sociais, indica, ainda, uma utilização relativamente modesta do ferramental analítico desenvolvido por Bourdieu. Everett (2002) também identificou essa tendência, acrescentando que a perspectiva reflexiva e crítica levada a cabo por Bourdieu na sua investigação científica do mundo social representa uma contribuição potencial para os estudos organizacionais. A Tabela 2 a seguir, apresenta um quadro resumo com referências de alguns trabalhos teóricos e
teórico-empíricos que buscaram inspiração, em maior ou menor grau, na teoria social de Bourdieu.
Tabela 2: Apropriações da obra de Bourdieu
Periódico Título do Artigo Autores Ênfase
Administrative Science Quarterly
Business planning as pedagogy: Language and control in a changing institutional field.
(OAKES, TOWNLEY e
COOPER, 1998) teórico-empírico The structuring of organizational
structures. (RANSON, HININGS e GREENWOOD, 1980) teórico
Advances in Consumer Research
Consumption and social
stratification: Bourdieu's Distinction. (ALLEN e ANDERSON, 1994) teórico
American Journal of Economics & Sociology
What Do You Know, Who Do You Know?: School as a Site for the Production of Social Capital and its Effects on Income Attainment in Poland and the Czech Republic.
(BUERKLE e GUSEVA, 2002) teórico-empírico American Sociological Review
The Academic Caste System: Prestige Hierarchies in PhD Exchange Networks.
(BURRIS, 2004) teórico-empírico Cultural and educational careers: The
dynamics of social reproduction.
(ASCHAFFENBURG e MASS, 1997)
teórico-empírico Social capital and finding a job: Do
contacts matter? (MOUW, 2003) teórico-empírico
Annual Review of Sociology
Religious nationalism and the problem of collective representation.
(FRIEDLAND, 2001) Teórico
Cadernos
EBAPE.BR Reprodução das Elites, Consumo e Organização do Espaço Urbano: Questões Comparativas entre a Barra da Tijuca e a Zona Sul do Rio de Janeiro.
(LEMOS, 2004) teórico-empírico
Politizando o conceito de redes organizacionais: uma reflexão teórica da governança como jogo de poder.
(GOBBI et al. , 2005) teórico O campo da saúde suplementar no
Brasil à luz da teoria do poder simbólico de Pierre Bourdieu.
(VILARINHO, 2004) teórico-empírico
EnANPADs Formação e estruturação de campos organizacionais: um modelo para análise do campo cultural.
(LEÃO JUNIOR, 2001) teórico Campo de poder e ação em
Bourdieu: implicações de seu uso em estudos organizacionais.
Pelo Primado das Relações nos Estudos Organizacionais: Algumas Indicações a partir de Leituras Enamoradas de Marx, Bourdieu e Deleuze.
(MISOCZKY, 2003) teórico
Carnaval, Bourdieu e teoria
institucional. (SILVA e PACHECO, 2004) teórico-empírico
Ethnography The Power of Violence in War and Peace: Post-Cold War Lessons from El Salvador.
(BOURGOIS, 2001) teórico-empírico
Organization The new structuralism in
organizational theory. (LOUNSBURY e VENTRESCA, 2003) teórico
Organization
Studies Talking in Organizations: Managing Identity and Impressions in an Advertising Agency.
(ALVESSON, 1994) teórico-empírico
Organizações &
Sociedade Alice através do espelho ou macanuaíma em campus papagalli? Mapeando rotas de ensino dos estudos organizacionais no Brasil.
(FISCHER, 2003) teórico
RAE-Revista de Administração de Empresas
Estrutura e ação nas organizações:
algumas perspectivas sociológicas (PECI, 2003) teórico
Revista Brasileira de Ciências Sociais
Participar é preciso! Mas de que
maneira? (DONADONE e GRUN, 2001) teórico
Revista Brasileira de Educação
As apropriações da obra de Pierre Bourdieu no campo educacional brasileiro, através de periódicos da área. (CATANI, CATANI e PEREIRA, 2001) teórico Revista de Sociologia e Política
Capital político e carreira eleitoral: algumas variáveis na eleição para o congresso brasileiro.
(MIGUEL, 2003) teórico-empírico
Social Forces Decomposing the Intellectuals' Cass Power: Conversion of Cultural Capital to Income Hungary, 1986.
(BOROCZ e
SOUTHWORTH, 1996) teórico-empírico
Sociological Review
Social explanation and socialization: on Bourdieu and the structure, disposition, practice scheme
(NASH, 2003) teórico
The American Behavioral Scientist
Global habitus, local stratification,
and symbolic struggles over identity (ILLOUZ e JOHN, 2003) teórico-empírico
The American Journal of Sociology
Forms of capital and social structure in cultural fields: Examining Bourdieu's social topography.
(ANHEIER, GERHARDS e
ROMO, 1995) teórico-empírico
As contribuições da obra de Bourdieu para a teoria e para a prática de pesquisa no campo dos estudos organizacionais podem ser elencadas em dois grandes grupos:
i) Primeiro, por meio dos insights trazidos por Bourdieu a partir da sua postura crítica diante de questões fundamentais da ontologia, da epistemologia e da metodologia de pesquisa nas ciências sociais;
ii) Segundo, a utilização dos conceitos bourdieusianos pode trazer avanços significativos nas discussões atuais sobre construção de teorias e metodologias relacionais no campo de pesquisa das organizações através da conexão entre agência e estrutura, situando indivíduos dentro do contexto da organização e das suas próprias relações, e situando organização e cultura organizacional no contexto mais amplo da sociedade e da história.
Os conceitos de disposições, formas de capital, habitus e campo oferecem a oportunidade de empreender uma revisão crítica de algumas noções tradicionais do "management", tais como cultura, atitudes, capital humano, trabalho em equipe e meritocracia, por exemplo, que as universidades e escolas de negócio americanas se encarregaram de propagar pelo mundo nas últimas décadas, um corpo de conhecimento que se costuma rotular de "mainstream acadêmico".
Além disso, os conceitos propostos por Bourdieu estão mais preparados, tanto no plano teórico como no prático (mesmo que, para Bourdieu, essa distinção simplesmente não exista na realidade social e por isso deva ser combatida), para capturar a natureza estratificada, intersubjetiva e interdependente dos fenômenos sociais, do que os conceitos do "mainstream acadêmico", os quais são desenvolvidos para "ler" as organizações exclusivamente através de perspectivas objetivistas ou subjetivistas, fortemente viesados pela visão sistêmica-funcionalista que ainda caracteriza os estudos organizacionais.
Para explicar a capacidade dos agentes de se adaptarem às condições objetivas, bem como às situações, e para superar a oposição problemática entre indivíduo e sociedade (seja sob o ponto de vista teórico ou prático), sabe-se que Bourdieu identifica em cada agente uma competência geradora de condutas e práticas a partir de princípios socialmente inculcados segundo à sua origem e à sua trajetória de vida, a qual chama de habitus (BOURDIEU, 2004b).
De maneira geral, portanto, Bourdieu considera as práticas como temporalmente estruturadas, mas não de modo determinista. Isso sugere aos pesquisadores, em especial os pesquisadores de organizações, a necessidade de reconstituir as possibilidades que se oferecem aos agentes num determinado momento, e de delimitar de que modo se estabelece um triagem – individual ou coletiva – dessas possibilidades para a realização de novas práticas ou para a reprodução de práticas já existentes. É exatamente esse “modo de estabelecer uma triagem”, esse ato de escolha no espaço dos possíveis, que restaura a
capacidade inventiva aos agentes, ainda que estejam permanentemente expostos a coações estruturais.
Portanto, o habitus combina “inércia” e “inventividade”, e se realiza, por assim dizer, no “campo”, arena de lutas mais ou menos padronizadas onde os agentes se confrontam pelos “lucros” que estão em jogo. A existência de um campo especializado e relativamente autônomo está diretamente relacionada à existência de alvos que estão em disputa e de interesses específicos: através dos investimentos econômicos e psicológicos que esses interesses suscitam entre os agentes portadores de um determinado habitus, o campo, e tudo que nele está em jogo, produzem investimentos de tempo, dinheiro, trabalho etc. Todo o campo, enquanto produto histórico, gera o interesse que é, simultaneamente, condição e produto de um campo. Como condição, na medida em que serve para estimular as pessoas à luta e à competição: a magia social pode constituir praticamente tudo como “interessante”, e instituí-lo, assim, como um alvo de disputas. Como produto, na medida em que é gerado a partir de uma determinada categoria de condições sociais, ligado a uma história original e particular, que só pode ser conhecida mediante o conhecimento histórico revelado empiricamente (BOURDIEU, 2004b).
Aplicar o referencial bourdieusiano à análise de fenômenos organizacionais, implica considerá-los numa perspectiva relacional, imbricados numa arena permanente de disputas, simultaneamente limitados por estruturas objetivas e impulsionados pela capacidade de improvisação dos agentes. Implica considerar, numa visão ampliada que afirme a historicidade constitutiva dos agentes e de seu espaço de ação, uma definição realista da razão econômica, que passa a ser entendida como um encontro entre as disposições socialmente construídas em relação a um campo e as próprias estruturas desse campo (que, por sua vez, também é socialmente construído). Dessa forma, agentes – sejam grupos de agentes ou organizações – criam seu espaço, nesse caso, o campo econômico, cuja condição de possibilidade é a própria existência dos agentes em seu interior, que deformam o espaço a sua volta conferindo-o uma certa estrutura. Dito de outra maneira, é na relação entre os diferentes agentes, definida pelo volume e pela estrutura de capital específica que possuem, que o campo e as relações de força que o caracterizam são engendradas.
Para a análise das confrarias, farei uso da noção de campo projetada sobre o espaço da organização investigada. Isso não significa, no entanto, confinar a análise a um microcosmo, a partir de fronteiras definidas artificialmente, mas entender o fenômeno como um produto de relações sociais construídas historicamente e continuamente submetidas a coações estruturais. Essa abordagem permite mostrar de que modo se realiza nas práticas de cada agente ou grupo
de agentes, um ajuste entre disposições para pensar e agir, que interiorizam, a um só tempo: i) formas de apreciação e percepção, competências adquiridas, representações sociais e outros adestramentos; ii) as estruturas e os objetivos da organização - a empresa - com seus princípios e lógica de funcionamento característicos. No primeiro caso, expressam os efeitos dos mecanismos de controle social sobre a construção do habitus dos agentes exercido pela sociedade, por meio das estruturas sociais, da ordem social vigente e dos processos de socialização. No segundo, correspondem aos efeitos exercidos pelos diversos mecanismos de controle exercido pelo mercado – o espectro da lógica capitalista - cuja essência reside na manutenção da lógica da eficiência, da maximização dos lucros, e na imposição dos imperativos da utilidade e da produtividade.