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2.8. VERİ ANALİZ YÖNTEMLERİ

2.8.2. Çok Değişkenli Analiz Yöntemleri

2.8.2.1. Faktör Analizi

2.8.2.1.1. Keşfedici Faktör Analizi

Considerando-se a terceira hipótese formulada neste trabalho, que previa que quanto maior a proficiência linguística do aprendiz em sua L1 (LIBRAS), maior a sua influência sobre a L3 (LI), que se encontra em estágio inicial de aquisição, pode-se afirmar que a suposição mencionada foi confirmada parcialmente.

Nos estudos do multilinguismo, há consenso entre os linguistas (DE ANGELIS 2007, WILLIAMS; HAMMARBERG 2009) de que a transferência tende a ocorrer nos estágios iniciais de aquisição da língua-alvo (L3). No início do processo de aprendizagem da L3 existe a necessidade de completar as lacunas do conhecimento nessa língua, mas à medida que a proficiência na L3 aumenta, o aprendiz não tem tanta necessidade de recorrer a uma língua-fonte para os objetivos de comunicação na L3. Como os informantes desta pesquisa são aprendizes iniciais de LI, por vezes, eles recorreram à LIBRAS, língua na qual detêm maior fluência, assim como à LP, para suprir as lacunas na LI.

O aluno surdo brasileiro, normalmente, tem mais competência linguística na LIBRAS (L1) do que na LP (L2). Em geral, a LP é aprendida quando ele ingressa na escola e, devido à privação auditiva, o processo de aprendizagem é lento e, muitas vezes, com resultados insatisfatórios no que se refere à proficiência nessa língua. É relevante referir que todos os informantes surdos deste trabalho são aprendizes tardios da LIBRAS, no entanto a percepção que se tem do nível de desenvolvimento linguístico desses informantes, bem como a certificação de proficiência desses informantes na LIBRAS atestam o nível intermediário em LIBRAS (L1) e básico em LP (L2). Logo, é a língua materna que os surdos utilizaram como língua fonte para a transferência lexical.

Tendo como base a certificação da proficiência dos informantes em sua L1, infere-se que esse resultado está de acordo com as pesquisas de Abutalebi, Cappa e Perani (2005) de que a exposição e uso que se tem em uma língua é mais relevante do que a idade em que ela foi aprendida. Ainda que todos os participantes da pesquisa tenham aprendido a LIBRAS tardiamente, a idade de aquisição não impediu que os mesmos obtivessem fluência intermediária em sua L1, contrariando, assim, os postulados da HPC.

De igual forma, as proposições de Bongaerts et al. (1997) e Birdsong (2006) de que a motivação do indivíduo em relação à aprendizagem e o acesso ao input da

língua-alvo são fatores relevantes para a aprendizagem de uma língua puderam ser confirmadas neste estudo. Os participantes surdos se mostram muito motivados em aprender a L1, e a escola onde estudam proporciona as condições para que eles possam interagir diariamente com seus pares e com as professoras que utilizam a LIBRAS como língua de instrução.

Como já discutido na primeira hipótese deste trabalho, a influência da LIBRAS (L1) sobre a LI (L3) nos testes desta pesquisa corrobora a Hipótese da Interdependência Linguística de Cummins (1981), segundo a qual há interdependência mesmo entre línguas de modalidades distintas. Da mesma forma, esses resultados comprovam as proposições de Capovilla e Raphael (2001) e Morford et al. (2011) para quem existe relação entre os componentes quirêmicos das LSs e a modalidade escrita das línguas orais. De fato, esse referencial teórico encontra-se em consonância com alguns achados desta pesquisa como no instrumento (a), LIBRAS-LI, em que foi evidenciada diferença estatisticamente significativa entre o RT dos distratores quirêmicos e alfabeto/manual/letra (Tabela 2). Por sua vez, no instrumento (c), pares de palavras em LI, também pôde ser percebida a presença parcial da LIBRAS na leitura de palavras em LI devido ao maior valor de RT utilizado pelos alunos surdos nos pares de palavras semanticamente não relacionados, mas fonologicamente similares em LIBRAS (Tabela 4). A partir dessas constatações, verifica-se que, mesmo uma língua visual como a LIBRAS (L1), pode influenciar e transferir seus padrões linguísticos para outra língua de modalidade oral-auditiva como a LI (L3).

Por outro lado, a LP (L2) também pode ser utilizada como fonte de transferências para a LI (L3). Nesse momento, vale discutir as condições em que a L2 pode se fazer presente sobre a L3, uma das propostas apresentadas por Hammarberg (2001) com línguas orais e que podem ser válidas para esta pesquisa. Segundo o autor, a influência da L2 sobre a L3 poderá ocorrer principalmente se o aprendiz apresentar um nível elevado de proficiência na L2 e que a mesma tenha sido aprendida em um ambiente natural de aprendizagem. As conclusões de Hammarberg (2001) acerca da transferência na direção L2-L3 podem servir para a explicação dos resultados que indicam a influência parcial da LP (L2) sobre a LI (L3) encontrada neste trabalho.

Na situação dos informantes deste estudo, ainda que a LP seja a língua majoritária do Brasil e seja a L2 desses sujeitos, o acesso à mesma é restrito devido

à privação auditiva desses informantes. Para esses sujeitos, o contato com a língua oral na forma escrita somente é efetivado por meio da instrução formal de aprendizagem em que, via de regra, os alunos surdos não apresentam um nível compatível com seus pares ouvintes. De fato, os participantes surdos desse estudo tiveram sua proficiência linguística em LP considerada básica, e sabe-se que o contato dos mesmos com essa língua foi oportunizado em ambiente formal de ensino, assim como o aprendizado da LI.

Ainda em relação às condições em que a L2 pode exercer influência sobre a L3, o efeito da psicotipologia de Sikogukira (1993) fornece explicações que dão conta da transferência da L2 sobre a L3. Segundo a hipótese da psicotipologia, o ambiente de aprendizagem e o método de ensino podem gerar o efeito de similaridade entre diferentes línguas, ocasionando a transferência entre as mesmas. O contexto de aprendizagem dos informantes deste estudo em que tanto a L2 (LP) como a L3 (LI) são aprendidas em ambiente formal (sala de aula) se mostrou relevante em parte, ocasionando transferência da L2 para a L3 no instrumento (d). Contribui para essa conclusão o fato de que tanto a LP como a LI serem línguas com representação escrita, diferentemente da LIBRAS.

O fato de não terem sido encontrados resultados que indicassem a transferência da L2 sobre a L3 de forma mais consistente (instrumento (b), LP-LI), talvez possa ser explicado com base no efeito da psicotipologia, que, ao que parece, não é tão forte entre a L2 (LP) e L3 (LI) quanto à relação observada entre a L1 (LIBRAS) e a L3 (LI).

Outro elemento que se mostra relevante para as transferências interlinguísticas no sentido L2-L3 e que é investigado com as línguas orais em contexto de aquisição multilíngue é o “efeito da língua estrangeira” de Williams e Hammarberg (1998). Segundo esse conceito, o aprendiz suprime a competência linguística de sua L1, língua “não estrangeira”, lançando mão de seus conhecimentos na L2 porque ela possui status de “língua estrangeira”, assim como a L3 que ele está aprendendo. Ao que parece, os alunos surdos deste estudo, com os níveis de proficiência que detêm nas três línguas investigadas, não bloquearam totalmente a L1 (LIBRAS) nas tarefas de compreensão deste trabalho (instrumentos (a) e (c)). No entanto, a produção escrita do instrumento (d) revela que o aluno surdo suprimiu totalmente sua L1 ao escrever palavras em LI. Possivelmente a natureza da tarefa em que o aluno era solicitado a traduzir em LI o sinal apresentado tenha

sido relacionada com a prática que os informantes já possuem de que a associação entre a relação alfabeto manual e letra nem sempre é possível.

Conclui-se a discussão da terceira hipótese deste trabalho com a ideia de que o fator proficiência linguística nas línguas aqui analisadas, em que a L1 desponta como a língua mais sólida, seja determinante por desencadear a influência prevalecente da L1 (LIBRAS) sobre a L3 (LI), ainda que de forma parcial. Embora a L2 (LP) também tenha demonstrado ser fonte de transferência para a L3 (LI), os resultados desta pesquisa indicam menos indícios de transferência no sentido L2 (LP)-LI (LI).