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İbn Kayyim El Cevziyye

1.4. İlmi-Selefiye

1.4.2. İbn Kayyim El Cevziyye

Mas, em se tratando de um partido “operário”, qual seria sua política para o movimento estudantil? E, como o estudante era concebido no interior da organização?

Para responder a essas questões, na pesquisa documental retroagimos à fase imediatamente pré-POC da POLOP, mais precisamente, após o Congresso de setembro de 1967. Constatamos que desde este período a organização considerava que o movimento estudantil deveria organizar-se a partir da perspectiva do movimento operário “integrando-se a ele como força auxiliar”. E, essa concepção era compartilhada pela militância de origem estudantil, a exemplo de Estrella D‟alva Bohadana, Em 1968, com 17 anos, era militante secundarista o PCdoB em célula operária em Volta Redonda quando foi cooptada pela POLOP, depois POC: “a revolução dificilmente sairia dos estudantes, nós apenas iríamos apoiar. Mas era importante o trabalho de conscientização junto aos operários e camponeses.” 261

260 Depoimento ao autor, 19/03/2015. 261

Depoimento de Estrella D‟alva Bohadana, à “Comissão da Verdade” de Volta Redonda, 28/7/2014. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=IgPeZLlQtvg. Acesso em 29/7/2015.

Em tempo, essa era a proposta também da UNE neste momento em que o POC fazia parte da direção.

E, além disso, cabia aos militantes da organização “fazer com que o estudante que entra na universidade pública em busca de ascensão social” adotasse a perspectiva dos trabalhadores. Ou seja, que abdicasse da sua origem social pequeno-burguesa e incorporasse os valores da classe operária. A pequena-burguesia, camada social intermediária entre o proletariado e a burguesia, portanto, uma não-classe, comportava-se de modo vacilante, ora apoiando os trabalhadores, ora ansiando ser a burguesia. Por ser em grande parte composto por membros da pequena-burguesia, o POC manteria durante toda sua existência, uma atitude ambivalente em relação ao movimento estudantil, por vezes criticando, por vezes querendo hegemonizá-lo.

Essas críticas também eram dirigidas aos secundaristas, pois, na ótica do POC, assim como todo o movimento estudantil, era encarado como uma manifestação do inconformismo da pequena-burguesia. Esta, frustrada cada vez mais nos seus anseios de ascensão social devido à concentração da renda típica do capitalismo monopolista se debate contra essa situação. E, nessa condição, alguns elementos mais radicais podem se aproximar do marxismo. Ao mesmo tempo, o ensino já não é mais a promessa de ascensão social. Muitas carreiras universitárias estão em franco processo de proletarização e, o ensino está cada mais voltado para os interesses do capital. Por isso, camadas cada vez maiores de estudantes estão negando a sociedade burguesa.

Particularmente entre os secundaristas, essas contradições eram tidas como ainda mais fortes, pois neles havia elementos de todas as classes sociais, diferentemente dos universitários, onde predominava a pequena-

burguesia. E, além disso, as escolas públicas estavam espalhadas por todos os bairros, acolhendo, portanto, estudantes de todos os níveis de renda. Isso fazia com que a composição social de cada colégio variasse em função da sua própria localização.

2.1.1. Inserção do POC no ME: exemplo do PR e SP

Efetivamente, a maior parte da militância do POC era de origem estudantil. Exemplo disso é o “Ativo de Fundação” do POC no Paraná. Em setembro de 1969 militantes remanescentes da antiga POLOP, somados a novos recrutados, sobretudo, no ME secundarista e universitário, realizaram no balneário de Caiobá o “Ativo da Fundação do POC – PR”. Estavam presentes dezoito delgados, representando militantes de células de faculdades de UFPR (Filosofia e Engenharia), do grupo dos secundaristas, e de uma atuante célula de Apucarana. Na ocasião, além da escolha da direção estadual, também foram definidas os coordenadores dos setores e os assistentes das respectivas células. Quanto aos setores, o organograma do POC paranaense em nada diferia do nacional, ou seja, contando com os setores “estudantil”, “operário” e de “imprensa”.

A célula de Apucarana, com ramificações também em Maringá e Londrina, controlava a Associação Estudantil Secundarista. Na UEL, controlava o diretório do Jornalismo e era bastante influente na Filosofia.262 De forma geral, o movimento estudantil era ativo na UEL, com a presença da POLOP, depois POC, ALN, AP, PCB, dentre outras. Esta célula de Apucarana foi desbaratada pela repressão generalizada ao movimento estudantil que se seguiu ao Congresso de Ibiúna. Todavia muitos desses secundaristas não se

262 Depoimento de Antonio Narciso Pires de Oliveira à Comissão da Verdade do Paraná,

desmobilizaram, passando a militar em outras organizações que atuavam no capital do estado, a exemplo do POC.

Além do interior, o POC contava com células nas faculdades de Filosofia e de Engenharia na UFPR, além de uma célula no município de litorâneo de Caiobá.

Através das células estudantis do norte do Paraná, o POC tentava criar bases junto aos camponeses, e com este objetivo, passou a editar o jornal “Ação Camponesa”, que circulava nos municípios de Maringá, Londrina, Floresta.263 Aliás, esta é a única tentativa de aproximação do POC com os

camponeses que tivemos conhecimento.

Visando ganhar maior visibilidade, era prática comum no estado, diferentes organizações se associarem quando da realização de ações. Neste sentido, o Setor Estudantil do POC-PR buscava formar chapas com a AP nas eleições para os diretórios estudantis e a célula de Apucarana, realizar pichações em parceria com a VPR e a ALN. Em 68 a chapa AP-POC venceu as eleições para a UEE local.

Em outro exemplo, destacamos a atuação do POC no movimento estudantil paulistano, disputando com a AP e o PCB sua hegemonia. Seu maior reduto era na Filosofia da USP, sobretudo no curso de Geografia, onde a célula com seis militantes e 10 opp‟s chegou a contar, durante 1968, com 11 grupos de 10 estudantes para atuar nas passeatas e manifestações estudantis. Conforme Nilton Barbosa,

Eu trabalhava com grupos de universitários. Quando se tinha alguma ação, alguma manifestação, eu também ficava responsável para organizar o pessoal da minha opp. Aí, tinha que montar como é que vai para a

263

Depoimento de Reinoldo Atem à “Comissão da Verdade” no Paraná. Disponível em

http://www.dhpaz.org/dhpaz/depoimentos/detalhe/87/depoimento-para-a-historia-a-resistencia- a-ditadura-militar-no-parana. Acesso em 28/12/2014.

passeata, para a manifestação. As opp‟s não eram grandes, 8-10 pessoas, coisa assim. Houve situações de grupos maiores, depois diminuía. Eu ficava responsável por acompanhar o grupo. Dava orientações de como se proteger numa situação de confronto com a polícia.264

Neste ano, o POC estava presente em 8 dos 13 departamentos que compunham a Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, conforme informação de Sinclair Cecchini.265

A forte atuação estudantil do POC em São Paulo foi rapidamente identificada pela polícia política. É possível ler nas páginas do inquérito policial, denominado de “Relatório do IPM – CRUSP”, e que deu origem ao “BNM 055”, a seguinte informação sobre o POC

partido ilegal e exercitante de atividades prejudiciais e perigosas à segurança nacional, tais como reuniões em locais fechados, públicos ou em automóveis, conferências, viagens e montagens de „aparelhos‟, impressão e distribuição de publicidade subversiva, comícios e panfletagens em fábricas, pixações [sic] e colocação de cartazes subversivos, feitura de documentos falsos, arrecadação de donativos para o Partido, levantamentos e até expropriações (assaltos) para a Organização (...).266

O Relatório do “IPM CRUSP” (18/12/1968) registrava a atuação de lideranças do POC no movimento estudantil desta moradia da USP.267 A organização correspondia à de uma célula, com coordenação (Carlos Alberto Afonso), militantes-quadros e simpatizantes (OPP‟s). Além do esforço na mobilização dos estudantes através assembléias, o “Relatório” informava também a forte atuação no processo de invasão da Reitoria da Universidade (maio/1968). Conforme o relatório policial, a célula cruspiana do POC também editava o jornal “Unidade Leninista”, que era distribuído entre os estudantes. O documento apontava, também, para a presença do POC nos meios estudantis de Marília, Bauru, Campinas, Ribeirão Preto, Araraquara e Sorocaba.

264 Depoimento ao autor, 28/04/2015. 265 Depoimento ao autor, 20/03/2015. 266

Projeto “Brasil: Nunca Mais”, processo 055, p. 5. Disponível em http://bnmdigital.mpf.mp.br. Acesso em 10/10/2013.

267Nunca é demais lembrar que o CRUSP foi invadido por forças do Exército no dia 17/12/1968,

A marcante presença do POC no movimento estudantil paulista, também se deu através do MUC, e pode ser confirmada pelo depoimento de Ana Mércia Silva Roberts. Ela informou ter aderido ao partido, por influência do “Movimento Universidade Crítica”, quando cursava Pedagogia na USP em 1969. E, mesmo oriunda do meio estudantil, era frequentemente mobilizada para dar apoio às células operárias de Osasco, sobretudo nas ações de panfletagem.

Em relação aos secundaristas, a diretriz da Direção Nacional para as Secretarias Estaduais era a de que o partido concentrasse seus esforços nas escolas que reunissem alunos-operários e membros da pequena-burguesia assalariada, isto é, onde as contradições do sistema eram mais fortemente sentidas. A atuação deveria se dar na própria sala de aula, questionando os métodos e os conteúdos de ensino. Propunha-se também organizar grupos de quatro a cinco estudantes, para a atuarem nos bairros das escolas.

Benzer Belgeler