BÖLÜM 2: SURİYE’DEKİ SELEFİ HAREKETLER
2.2 Nusret Cephesi
2.3.1. DAİŞ’in El-Nusra (el-Kaide) ile Arasındaki Farklılıklar
Para Emir Sader, o “Oto” da Direção Nacional do POC, a Revolução Cubana funcionou como “um divisor de águas no marxismo latino-americano”, tendo sido, segundo ele, mais impactante no continente do que a fora a própria Revolução Russa.299 E isso se devia a vários motivos. O primeiro a ser apontado por Sader foi a “atualização da revolução” na região. Isto é, Cuba se transformou em referência a uma experiência revolucionária bem-sucedida recente, sendo uma alternativa ao distante 1917 russo.300E, ao mesmo tempo,
o sucesso das colunas de Fidel Castro, mostrou a viabilidade de um processo revolucionário diferente do padrão soviético, isto é, que não depender de um partido proletário. Resumindo, conforme Sader, tudo isso se converteu “na legitimação da heterodoxia política e ideológica”.301
O sucesso cubano, ainda segundo Emir Sader, atualizou também a teoria da “revolução permanente”. Isto porque, como dissemos, a revolução passou de uma fase – a nacional-burguesa – imediatamente, quer dizer, no intervalo curtíssimo de apenas um ano, para a fase socialista. E, ao mesmo tempo, ela reafirmava o internacionalismo revolucionário, tal como previa essa mesma teoria de Leon Trotsky.
Finalmente, a experiência cubana, ainda na avaliação deste dirigente do POC, também teria reforçado o “romantismo revolucionário”, graças à construção da lendária figura do barbudo guerrilheiro que, emergia das profundezas das florestas tropicais para libertar a humanidade. E, nesta construção, a figura de “Che” fora emblemática
299 SADER, Emir - “Cuba no Brasil: influências da revolução cubana na esquerda brasileira”, in
REIS FILHO, Daniel Aarão et al – História do Marxismo no Brasil. Volume I (“O impacto das revoluções”). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1991, p. 160.
300 Ídem, p.167. 301 Ídem, p. 168.
Por essas razões, dentre outras, o sucesso da experiência revolucionária cubana fez eco entre os países da América Latina, atualizando e contextualizando em terras do continente, como foi dito, o sonho inaugurado pelo já longínquo outubro de 1917.
E, o elemento fundamental para a vitória em Sierra Maestra, foi a adoção da estratégia do “foco guerrilheiro”. Desde então essa estratégia passou a ser teorizada – a teoria do foco, ou “foquismo”- e difundida como a fórmula a ser seguida pelos revolucionários latino-americanos. E, o principal responsável pela teorização e divulgação do foquismo foi o francês Regis Debray, com a sua obra “Revolução na Revolução”, de 1967. Nela, o ex-guerrilheiro que combatera ao lado de Guevara na Bolívia, sistematizou as experiências do “foco guerrilheiro”, tal como ocorrera vitoriosamente em Cuba, e redundara em trágico fracasso na Bolívia.
2.2.1.1. “Che” Guevara: o precursor do “foquismo”
Há que se dizer, contudo, que as primeiras tentativas de sistematização da experiência guerrilheira cubana partiriam do seu mais proeminente protagonista, o argentino Ernesto “Che” Guevara. Logo após a tomada vitoriosa de Havana pelas colunas revolucionárias em 1º. de janeiro de 1959, Guevara se pôs a escrever sobre a guerrilha, publicando no ano seguinte o livro “La Guerra de Guerrillas”. De pronto, no segundo parágrafo do texto, “Che” sentenciava:
Consideramos que três aportaciones fundamentales hizo La Revolución cubana a La mecánica de los movimientos revolucionários en América, son ellas: (1) Las fuerzas populares pueden ganar una guerra contra el ejército. (2) No siempre hay que esperar a que se den todas las condiciones para la revolución; el foco insurreccional puede crearlas. (3) En la América subdesarrollad ael terreno de la lucha armada debe ser fundamentalmente el campo.302
302
GUEVARA, Ernesto “Che” - La Guerra de Guerrillas, 1960. Disponível em http://www.angelfire.com/de2/cheguevara/arquivos.htm, acesso em 22/09/2013.
Como se vê, o “foco insurrecional” ganhava “status” de estratégia revolucionária, influenciando fortemente toda a esquerda latino-americana, inclusive a brasileira.303
O POC, que não ficou à margem desse processo político, sintetizou o modelo insurrecional bolchevique de 1917 com a prática guevarista no “foco catalizador”. No tópico 4, “A Guerra Revolucionária” do “Programa Socialista para o Brasil”, podemos ler,
A revolução no Brasil será proletária ou deixará de ser revolução, e isso significa a necessidade da insurreição operária como ato de tomada do poder. (...) Nossa tarefa como vanguarda é enfrentar todas as situações com os recursos que temos à mão em cada fase da luta. Um dos recursos (...) é a guerra de guerrilha travada no campo, que aproveita o potencial revolucionário local como catalisador de um movimento em escala nacional.304
Apenas um ano após a publicação do “La Guerra de Guerrillas”, em abril de 1961, o “Comandante Che” publicaria o artigo “Cuba: exceção histórica ou vanguarda na luta anti-colonialista?”. Com o claro objetivo de reforçar a argumentação do texto anteriormente publicado em prol da universalidade da estratégia “foquista”, Guevara considerava que, afora algumas especificidades cubanas, “ninguém poderia afirmar que havia em Cuba condições político- sociais totalmente diferentes das de outros países da América”.305 E, essas
semelhanças seriam, segundo Guevara, o latifúndio e o imperialismo, uma vez
303A influência da revolução cubana no Brasil dos anos sessenta foi especialmente fecunda,
pois, encontrou terreno fértil devido à crise pela qual passava o PCB e a urgência de muitos em reagir à implantação da ditadura. Neste sentido, sugerimos de Denise Rollemberg, O apoio de
Cuba à luta armada: o treinamento guerrilheiro, Rio de Janeiro: Mauad, 2011. E também Jean Rodrigues Sales - O impacto da revolução cubana sobre as organizações comunistas brasileiras (1959-1974), Campinas, IFCH/UNICAMP, 2005. E, revestindo-se de
especial importância, pois, se trata de um dos militantes mais proeminentes do POC, há ainda o artigo de Emir Sader, “Cuba no Brasil: influências da revolução cubana na esquerda brasileira”, incluso na coletânea organizada por Daniel Aarão REIS FILHO et al, História do
marxismo o Brasil, vol. I, Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1991, p. 167-171.
304 POC
– “Programa Socialista para o Brasil, op. cit.
305
GUEVARA, Ernesto “Che”- “Cuba: exceção histórica ou vanguarda na luta anticolonialista?” (1961), in Textos Escolhidos. 2ª edição. São Paulo: Centro Editorial Latino-Americano, 1980, pp. 29.
que estes, historicamente, criavam as condições objetivas para a revolução; enquanto “as subjetivas são criadas pela luta armada no campo”.306
O artigo também se ocupou em descartar uma a uma as demais modalidades de luta revolucionária ensejadas nos diferentes países da América Latina. Assim, foi rechaçada, logo de pronto, a idéia de se estabelecer alianças com setores das burguesias nacionais, pois estas, afirmou Guevara,“não são capazes, regra geral, de manter uma atitude consequente de luta perante o imperialismo”.307 Em seguida, “Che” descartaria a possibilidade de uma
transição pacífica, via eleitoral para o socialismo, pois, mesmo se eleito, esse governo seria deposto pelas forças reacionárias tão logo iniciasse as reformas mais profundas.308 De fato, isso viria a ocorrer no Chile de Allende uma década depois. E, com esta análise, “Che” dava argumentos àqueles que criticavam a linha dita “pacifista” e “reboquista” do PCB.
Também a luta guerrilheira urbana seria descartada por Guevara, pois, na sua avaliação, as condições de vida dos trabalhadores urbanos seriam “menos duras que o habitual”, o que os levava a preferirem formas institucionais de luta, e não o enfrentamento revolucionário.309 Além disso, advertia “Che”, mesmo mantendo-se pequeno e clandestino, um grupo guerrilheiro urbano poderia ser facilmente denunciado ou simplesmente descoberto pela repressão após investigação.310
Quanto ao foco guerrilheiro, operando a partir de remotíssimas zonas rurais e fracamente povoadas, as chances de sucesso seriam bem maiores, previa Ernesto Guevara. Isto porque, ao agir em regiões onde a miséria e a 306 Ídem, p. 31. 307 Ídem, p. 37. 308 Ídem, p. 39. 309 Ídem, p. 38. 310 Ídem, p. 40.