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1. BÖLÜM

3.3. Kümbetler ve Mezar Taşları

3.3.1.4. Kayseri Huand Hatun Kümbeti

No início da aquisição/aprendizagem de LE, a produção do aprendiz tende a se aproximar mais da LM. Com o passar do tempo, o desenvolvimento e o aperfeiçoamento da LE propiciam ao aprendiz um maior distanciamento da sua língua, de modo que ele se aproxime gradativamente do novo idioma. Esse deslocamento levou alguns teóricos a refletirem sobre o processo relacionado à produção dos aprendizes de LE e às particularidades envolvidas em tal processo. Corder (1967) foi o primeiro a escrever sobre a hipótese da Interlíngua, reconhecendo que nem todos os erros eram ocasionados pelo fenômeno de transferência da LM e, sim, pela testagem de hipóteses que o aprendiz faz para tentar controlar as regras da língua que pretende usar e estabelecendo as bases de investigação da AE. Todavia, o termo “Interlíngua” (IL) foi cunhado por Selinker (1972) para definir esse processo transitório da aquisição/aprendizagem de LE9. Outros termos como “dialeto idiossincrático” (CORDER, 1991) e “sistema aproximativo” (NEMSER, 1971) são empregados como sinônimos de IL.

Entende-se por IL uma série de sistemas entrelaçados formando um continuum

interlinguístico que não se identifica nem com a LM nem com a LE, “no qual

funcionam basicamente as estratégias comunicativas criadas pelos estudantes e que evolui de modo natural, segundo seu nível de aprendizagem ou aquisição na nova

língua” (SANDES, 2010, p.29). É um sistema não nativo no qual subsiste o erro, cuja

origem pode não ser explicada por influência da LM e sequer aparecem na LE. Procuramos ilustrar melhor esse conceito na figura que se segue:

9 Selinker (1972) emprega o termo “língua objeto” (LO) para se referir à “segunda língua” (L2) que um aluno tenta aprender, e que convencionamos chamar indistintamente de LE.

Selinker (1972, p.83) assevera que os únicos dados sobre os quais se podem fazer previsões teóricas são aqueles obtidos por meio da produção dos aprendizes que tentam se expressar na LE. Essas produções não são, para a maioria dos alunos que aprendem

uma LE, idênticas ao “conjunto hipotético” das produções de um falante nativo que

tenta expressar o mesmo significado do aluno. Baseado no fato de as locuções dos aprendizes não serem idênticas às de um falante nativo é que o autor tece sua teoria a respeito da existência de um sistema interlinguístico independente, cujos dados observáveis resultam da intenção do aluno numa produção correta em LE.

Para desenvolver sua teoria sobre a interlíngua, Selinker (1972) parte do pressuposto básico – de raízes claramente chomskyanas – de que existem duas estruturas latentes, presentes no cérebro humano, envolvidas no processo de aquisição/aprendizagem de uma LE: “estrutura psicológica latente” e “estrutura latente da linguagem”. Na primeira, ocorreriam as identificações linguísticas, ou seja, essa estrutura seria ativada quando um aluno começa a aprender uma LE, além disso, ela não desencadeia o desenvolvimento da gramática de uma língua; não oferece a garantia de que a intenção de aprendizagem resulte no êxito e pode sofrer a sobreposição de outras estruturas do intelecto. Já a segunda, herdada geneticamente, é colocada em funcionamento durante a aquisição da LM e a criança a transforma numa língua concreta: trata-se da gramática universal.

Essa distinção se faz necessária porque o indivíduo que alcança a competência de um falante nativo na LE, não pode tê-la aprendido e, sim, ter reativado a estrutura latente da linguagem, o que seria constatado em pouquíssimos casos. Contrariamente, a grande maioria dos aprendizes de LE ativa a estrutura psicológica latente e isso não se dá da mesma forma em todos os indivíduos, daí resultam as especificidades da interlíngua. (SELINKER, 1972)

Podemos considerar relevantes, nas identificações interlinguísticas, três das situações de atuação significativa, que propiciam dados observáveis e resultantes da intenção do aprendiz: i) produções do aluno realizadas por ele na sua LM; ii) suas produções na IL; iii) as produções na LE realizadas por seus falantes nativos. São esses três comportamentos linguísticos, segundo Selinker (1972), que permitem ao investigador o início dos estudos dos processos psicolinguísticos responsáveis por estabelecerem o conhecimento existente nas produções da IL.

Levando-se em conta essas produções do adulto quando tenta aprender uma LE, verificam-se muitos aspectos linguísticos presentes na IL. Para analisá-los, Selinker

(1972, p.84) propõe cinco processos relacionados a IL e que estariam situados na estrutura psicológica latente: transferência linguística, transferência de instrução, estratégias de aprendizagem na LE, estratégias de comunicação na LE e hipergeneralização das regras da LE e, assim, descreve-os:

Transferência linguística: quando os fenômenos da IL podem ser

demonstrados experimentalmente como procedentes da LM;

Transferência de instrução: trata-se de resultados cujos itens podem ser

identificados no processo de instrução (tanto os livros quanto os professores) a que os aprendizes estão expostos;

Estratégias de aprendizagem na LE: quando os resultados revelam a

tentativa do aluno de aproximação do conteúdo que está aprendendo;

Estratégias de comunicação na LE: são os resultados obtidos na

comunicação do aluno com um nativo da LE;

Hipergeneralização das regras da LE: quando o fenômeno pode ser

entendido como aplicação generalizada de regras e traços sintáticos da LE.

A compreensão do conceito de “estratégia” associa-se ao fato de os aprendizes

delas lançarem mão sempre que se dão conta – consciente ou inconscientemente – de não possuírem competência de algum aspecto linguístico da LE. Selinker (1972, p.87- 88) acrescenta, ainda, que não se têm dúvidas de que várias das estratégias internas10 do aluno afetam fundamentalmente as estruturas superficiais das orações que subjazem suas produções na LE, entretanto, como são exatamente essas estruturas e como funcionam, são até o momento conjeturas. Assim, o que se pode é, de maneira aproximada, propor, por meio da análise dos resultados obtidos, a origem de uma ou de outra estratégia utilizada pelo(s) aluno(s). Um tipo de estratégia de aprendizagem, por exemplo, seria a tendência de alguns alunos à redução da LE a um sistema simples, como a construção de frases muito curtas e bastante objetivas.

Moita Lopes (1996) destaca também a importância de outras duas características concernentes à interlíngua: a permeabilidade e a reincidência de erros. O autor explica que a permeabilidade permite a penetração de regras provenientes da LM e da hipergeneralização das regras da LE, além de permitir também a alternância dessas regras, que configura um tipo de estratégia.

Durão (2007) resume com clareza o ponto central de nossas discussões, expondo que a IL é um sistema linguístico que está em construção entre uma língua e outra(s). Ela se caracteriza por sua transitoriedade, devida, entre outros fatores, à sua natureza constitutiva, na qual podemos distinguir três elementos: a língua materna dos aprendizes, a(s) outra(s) línguas que eles conhecem previamente e a língua objeto.

Benzer Belgeler