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Quando um aluno ou professor vai à biblioteca, tanto física quanto virtual, na busca por informações e se depara com vários títulos, a possibilidade de contar com o auxílio do bibliotecário na orientação e no gerenciamento das ferramentas disponibilizadas (como os catálogos e a classificação dos livros), facilita o acesso às informações desejadas. Assim, a presença e a participação do bibliotecário nas equipes de EAD é um elemento de convergência entre a EAD, a Biblioteconomia e a CI, e imprescindível tanto na biblioteca física quanto na modalidade a distância (mesmo que se faça virtualmente, por meio de ferramentas de comunicação/interação). Segundo Mostafa (2003, p. 5),

A pedagogia usa, portanto estratégias muito semelhantes às estratégias informacionais, dada à semelhança do processo informacional/ pedagógico na sala de aula e na biblioteca. A professora do ensino fundamental ou médio desenvolve no aluno as mesmas capacidades superiores de raciocínio que o bibliotecário desenvolve no usuário de biblioteca. Para desenvolver no aluno capacidades de abstração necessárias ao pensamento superior e aos sentidos complexos, que são os sentidos científicos, é necessário aquele detour que vai dos dados, passa pelas informações e chega ao conhecimento (MOSTAFA, 2003, p.5, grifo do autor).

Nesse contexto, pode-se inferir que a construção de um curso na modalidade a distância deve ressaltar competências comuns à construção de uma biblioteca, seguindo seu formato e perfil, como ter acesso à informação, para possibilitar a análise e interpretação pelos usuários, reforçada pela informatização do conhecimento e aliado ao crescente uso da Internet.

Outro elemento de convergência entre as áreas é o acesso ao maior número de diversificadas fontes de informação “dantes tão renegadas aos capítulos finais dos livros, agora estão presentes no corpo dos textos e são partícipes de

estratégias de ensino e aprendizagem” (MOSTAFA, 2003, p. 4). Segundo a autora, Parte da evasão no EAD pode estar relacionada com a dificuldade do acesso a fontes de informações bibliográficas, justamente num momento de abundância informacional. As bases de dados, ao contrário, tornam-se cada vez mais ricas em informações, mas esse crescimento não corresponde a adequadas estratégias de como explorá-las. A complexidade envolvida na busca de informações é a mesma de qualquer metodologia de projetos ou de trabalho na escola. Há um papel reservado ao professor no agenciamento do processo de conhecer, da mesma forma que há sempre um papel reservado ao bibliotecário no agenciamento das fontes eletrônicas no Ensino a Distância (MOSTAFA, 2003, p.4).

A importância de um bibliotecário no auxílio ao aluno é também um elemento de convergência entre a EAD, a Biblioteconomia e a CI, haja vista que a Internet ainda não possui recursos que facilitem, de maneira eficiente e eficaz, o acesso à informação com total qualidade. Por esse motivo, a necessidade de se conhecer as fontes e saber identificar e promover o acesso à informação continua sendo um diferencial importante para os profissionais que se dedicam ao atendimento do usuário. Para Tomaél et al. (1999, p.5), “a complexidade de questões impostas na Internet, como a volatilidade, abertura, mutabilidade e dinamismo espaço-temporal, exige a necessidade de seleção criteriosa em se tratando de documentos eletrônicos”.

Além disso, todos os serviços disponíveis por meio da rede precisam igualmente ser analisados quanto à qualidade. De acordo com Tomaél et al. (2001, p.23), “para avaliar uma fonte é fundamental identificar o indivíduo ou instituição responsável por sua compilação”. Assim, é pela credibilidade que um indivíduo ou instituição se apresenta que se determinará o grau de confiabilidade das informações contidas em uma determinada fonte de informação.

É dentro deste contexto que se pode apropriar dos critérios de qualidade propostos por Tomaél et al. (1999), e tomá-los como base para uma avaliação da informação na EAD: a) Informações Cadastrais; b) Consistência das informações; c) Confiabilidade das informações; d) Adequação da Fonte; e) Links; f) Facilidade de Uso; g) Mídias Utilizadas; h) Restrições Percebidas e i) Suporte ao Usuário. Tais critérios podem ser avaliados facilmente por um bibliotecário, já que trabalham diretamente com informações e possuem o conhecimento tácito para caracterizá-la.

A importância de uma biblioteca virtual é também um elemento de convergência uma vez que as bibliotecas tradicionais já não são mais as únicas alternativas de fontes de informação; surgiram novas concepções como a biblioteca Virtual.

No cenário da EAD, o aluno também precisa de uma biblioteca, já que a mesma é sinônimo de informação selecionada, organizada e tratada. Mesmo sendo a aula em grande parte virtual, nada mais justo que sua biblioteca além de existir

fisicamente, também exista virtualmente.

Com isso legitimam-se as novas competências para o bibliotecário, como a preocupação com os direitos autorais, sua obtenção e pagamento, o treinamento e referência online, entre outros serviços. Mostafa (2003, p.4) explicita:

Nesse sentido a Internet é também uma grande biblioteca. E pode ser explorada enquanto tal e enquanto fonte para a construção de bibliotecas virtuais dos cursos de EAD. Nos dois casos, a presença do bibliotecário é tão importante quanto à presença do professor no ensino e aprendizagem. Donde a figura do bibliotecário na famosa equipe de EAD. De tal sorte que a biblioteca virtual do curso de EAD seja um produto customizado ao curso e construído conjuntamente no planejamento do próprio curso (MOSTAFA, 2003, p.4).

Podemos ressaltar várias formas de procurar informação na Internet, tecnologia preferida da maioria dos cursos de EAD. Sendo a) pela busca Web, através de motores de busca, ou pelos mapas conceituais dos sites, b) através das bases de dados bibliográficas que traz a segurança do texto revisado pelos pares; c) através das bibliotecas virtuais como as pioneiras do Prossiga/CNPq e da maioria das bibliotecas universitárias que tem disponibilizado, além do seu catálogo de livros, também um conjunto de links por assunto; d) através das bibliotecas digitais: as bibliotecas universitárias disponibilizando de forma online suas teses e dissertações dando origem a bibliotecas digitais da sua produção científica; e) catálogos de bibliotecas reais disponibilizados na Internet.

Assim, tendo esses aspectos como elementos de interlocução entre a EAD, a Biblioteconomia e a CI, pode-se inferir que o processo de ensino- aprendizagem funciona como uma mediação entre o objeto de ensino no qual se constituem os conhecimentos científicos e tecnológicos e o objeto a ensinar no qual se constituem os saberes acadêmicos (os conteúdos). Para que o primeiro se transforme no segundo é preciso articular um conjunto de saberes pedagógicos (didática, estratégias de ensino, sequenciação de conteúdos, teorias sobre currículo, métodos de avaliação), cerne do processo educacional. É disso que trata a Educação como campo de conhecimento. E é com isso que temos de interagir ao nos aproximarmos do campo educacional.

Benzer Belgeler