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Cabe destacar que desde o reconhecimento no artigo 80 da Lei de Diretrizes e Bases da Educacional Nacional (LDB), Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que a EAD vem assumindo papel de relevo no elenco das políticas públicas; sendo alvo desde então, de várias regulamentações legais. São resoluções, portarias e decretos que indicam os caminhos permitidos e normativos para o reconhecimento de suas ações; no entanto, vamos nos ater neste estudo às mais importantes, destacando-se, aquelas que, até o presente momento, são reguladoras da EAD como um todo.

Em 10 de fevereiro de 1998, o Decreto n. 2.494 regulamenta o Art. 80 da LDB (Lei n. 9.394/96) e estabelece:

Art. 1º Educação a distância é uma forma de ensino que possibilita a auto- aprendizagem, com a mediação de recursos didáticos sistematicamente organizados, apresentados em diferentes suportes de informação, utilizados isoladamente ou combinados, e veiculados pelos diversos meios de comunicação.

Parágrafo Único - Os cursos ministrados sob a forma de educação a distância serão organizados em regime especial, com flexibilidade de requisitos para admissão, horários e duração, sem prejuízo, quando for o caso, dos objetivos e das diretrizes curriculares fixadas nacionalmente (BRASIL, Decreto n. 2.494, de 10 de fevereiro de 1998).

Em 7 de abril de 1998, o MEC publica a Portaria n. 301 que normatiza os procedimentos de credenciamento de instituições para oferta de cursos de graduação e educação profissional tecnológica a distância. Esta norma é específica para a EAD. Ainda em 1998, a Secretaria de Educação a Distância (SEED) elaborou uma proposta de Padrões de Qualidade para cursos de graduação a distância.

Em 18 de outubro de 2001, a Portaria n. 2.253 autoriza a inclusão de disciplinas não presenciais em cursos superiores reconhecidos, estabelecendo que é possível, mesmo em instituições não credenciadas, introduzir disciplinas que, em seu todo ou em parte, utilizem método não presencial, respeitando o limite de 20% do tempo previsto para integralização do respectivo currículo presencial. A formulação se apresenta transcrita nos seguintes termos:

Art. 1º As instituições de ensino superior do sistema federal de ensino poderão introduzir, na organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores reconhecidos, a oferta de disciplinas que, em seu todo ou em parte, utilizem método não presencial, com base no art. 81 da Lei nº 9.394, de 1.996, e no disposto nesta Portaria.

§ 1º As disciplinas a que se refere o caput, integrantes do currículo de cada curso superior reconhecido, não poderão exceder a vinte por cento do tempo previsto para integralização do respectivo currículo.

§ 2º Até a renovação do reconhecimento de cada curso, a oferta de disciplinas previstas no caput corresponderá, obrigatoriamente, à oferta de disciplinas presenciais para matrícula opcional dos alunos.

§ 3º Os exames finais de todas as disciplinas ofertadas para integralização de cursos superiores serão sempre presenciais.

§ 4º A introdução opcional de disciplinas previstas no caput não desobriga a instituição de ensino superior do cumprimento do disposto no art. 47 da Lei nº 9.394, de 1996, em cada curso superior reconhecido (BRASIL, Portaria n. 2.253, de 18 de outubro de 2001).

Em abril de 2001, a Resolução CNE/CE 1/2001 refere-se à oferta de cursos de pós-graduação (stricto sensu e lato sensu) a distância, a serem oferecidos exclusivamente por instituições credenciadas.

Em 2002, o MEC designou por meio da Portaria n. 335, de 6 de fevereiro de 2002 e Portarias n. 698/02 e 1.786/02, uma comissão assessora para Educação Superior a Distância para apoiar a Secretaria de Educação Superior na elaboração de proposta de alteração das normas que regulamentam a oferta da EAD no nível superior e nos procedimentos de supervisão e avaliação do ensino superior a distância. Em agosto de 2002, esta comissão apresenta nova proposta de regulamentação da EAD.

Em 10 de dezembro de 2004, a Portaria n. 4.059, revoga a Portaria n. 2.253/2001, de 18 de outubro de 2001, publicada no Diário Oficial da União de 19 de outubro de 2001, Seção 1, páginas 18 e 19, e passa a regulamentar a oferta de disciplinas não presenciais em cursos presenciais reconhecidos, estabelecendo a seguinte normatização:

Art. 1º As instituições de ensino superior poderão introduzir, na organização pedagógica e curricular de seus cursos superiores reconhecidos, a oferta de disciplinas integrantes do currículo que utilizem modalidade semi-presencial, com base no art. 81 da Lei n. 9.394, de 1.996, e no disposto nesta Portaria. § 1º Para fins desta Portaria, caracteriza-se a modalidade semi-presencial como quaisquer atividades didáticas, módulos ou unidades de ensino- aprendizagem centrados na auto-aprendizagem e com a mediação de recursos didáticos organizados em diferentes suportes de informação que utilizem tecnologias de comunicação remota.

§ 2º Poderão ser ofertadas as disciplinas referidas no caput, integral ou parcialmente, desde que esta oferta não ultrapasse 20 % (vinte por cento) da carga horária total do curso.

§ 3º As avaliações das disciplinas ofertadas na modalidade referida no caput serão presenciais.

§ 4º A introdução opcional de disciplinas previstas no caput não desobriga a instituição de ensino superior do cumprimento do disposto no art. 47 da Lei nº 9.394, de 1996, em cada curso superior reconhecido.

Art. 2º A oferta das disciplinas previstas no artigo anterior deverá incluir métodos e práticas de ensino-aprendizagem que incorporem o uso integrado de tecnologias de informação e comunicação para a realização dos objetivos pedagógicos, bem como prever encontros presenciais e atividades de tutoria. Parágrafo único. Para os fins desta Portaria, entende-se que a tutoria das disciplinas ofertadas na modalidade semi-presencial implica na existência de docentes qualificados em nível compatível ao previsto no projeto pedagógico do curso, com carga horária específica para os momentos presenciais e os momentos a distância.

Art. 3º As instituições de ensino superior deverão comunicar as modificações efetuadas em projetos pedagógicos à Secretaria de Educação Superior - SESu -, do Ministério da Educação - MEC -, bem como inserir na respectiva Pasta Eletrônica do Sistema SAPIEns, o plano de ensino de cada disciplina que utilize modalidade semi-presencial.

Art. 4º A oferta de disciplinas na modalidade semi-presencial prevista nesta Portaria será avaliada e considerada nos procedimentos de reconhecimento e

de renovação de reconhecimento dos cursos da instituição (BRASIL, PORTARIA n. 4.059, DE 10 DE DEZEMBRO DE 2004).

Em 19 de dezembro de 2005, surge um novo marco na EAD, o Decreto n. 5622 que regulamenta o art. 80 da Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que determina em seu artigo 1º e 3º:

CAPÍTULO I

DAS DISPOSIÇÕES GERAIS

Art. 1o Para os fins deste Decreto, caracteriza-se a educação a distância como modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos. [...]

Art. 3o A criação, organização, oferta e desenvolvimento de cursos e programas a distância deverão observar ao estabelecido na legislação e em regulamentações em vigor, para os respectivos níveis e modalidades da educação nacional (BRASIL, Decreto n. 5.622, de 19 de dezembro de 2005). Destaca-se ainda que, com o decreto acima, ficam revogados o Decreto n. 2.494, de 10 de fevereiro de 1998, e o Decreto n. 2.561, de 27 de abril de 1998.

Em 9 de maio de 2006, o Decreto n. 5.773 dispõe sobre o exercício das funções de regulação, supervisão e avaliação de instituições de educação superior e cursos superiores de graduação e sequenciais no sistema federal de ensino. A formulação se apresenta nos seguintes termos:

Art. 5º No que diz respeito à matéria objeto deste Decreto, compete ao Ministério da Educação, por intermédio de suas Secretarias, exercer as funções de regulação e supervisão da educação superior, em suas respectivas áreas de atuação.

[...]

§ 4º À Secretaria de Educação a Distância compete especialmente:

I - exarar parecer sobre os pedidos de credenciamento e recredenciamento de

instituições específico para oferta de educação superior a distância, no que se

refere às tecnologias e processos próprios da educação a distância;

II - exarar parecer sobre os pedidos de autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento de cursos de educação a distância, no que se refere às tecnologias e processos próprios da educação a distância;

III - propor ao CNE, compartilhadamente com a Secretaria de Educação Superior e a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica, diretrizes para a elaboração, pelo INEP, dos instrumentos de avaliação para credenciamento de instituições específico para oferta de educação superior a distância;

IV - estabelecer diretrizes, compartilhadamente com a Secretaria de Educação Superior e a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica, para a elaboração, pelo INEP, dos instrumentos de avaliação para autorização de cursos superiores a distância; e

V - exercer, compartilhadamente com a Secretaria de Educação Superior e a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica, a supervisão dos cursos de graduação e seqüenciais a distância, no que se refere a sua área de atuação (BRASIL, Decreto n. 5.773, de 9 de maio de 2006).

Em 12 de dezembro de 2007, o Decreto n. 6.303, altera os dispositivos dos Decretos nos 5.622, de 19 de dezembro de 2005, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, e 5.773, de 9 de maio de 2006, que dispõe sobre o exercício

das funções de regulação, supervisão e avaliação de instituições de educação superior e cursos superiores de graduação e seqüenciais no sistema federal de ensino,estabelecendo no Art. 5º, parágrafo 4:

§ 4o À Secretaria de Educação a Distância compete especialmente:

I - instruir e exarar parecer nos processos de credenciamento e recredenciamento de instituições específico para oferta de educação superior a distância, promovendo as diligências necessárias;

II - instruir e decidir os processos de autorização, reconhecimento e renovação de reconhecimento de cursos superiores a distância, promovendo as diligências necessárias;

III - propor ao CNE, compartilhadamente com a Secretaria de Educação Superior e a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica, diretrizes para a elaboração, pelo INEP, dos instrumentos de avaliação para credenciamento de instituições específico para oferta de educação superior a distância;

IV - estabelecer diretrizes, compartilhadamente com a Secretaria de Educação Superior e a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica, para a elaboração, pelo INEP, dos instrumentos de avaliação para autorização de cursos superiores a distância; e

V - exercer a supervisão dos cursos de graduação e seqüenciais a distância, no que se refere a sua área de atuação (BRASIL, Decreto n. 6.303, de 12 de dezembro de 2007).

A relevância da EAD está evidenciada em diversas medidas institucionais desencadeadas pelo MEC como ações regulatórias. A partir da criação dos Referenciais de Qualidade para a modalidade de educação superior a distância, em agosto de 2007, evidencia-se que a preocupação central era apresentar um conjunto de definições e conceitos de modo a, de um lado, garantir qualidade nos processos de Educação a Distância e, de outro, coibir a precarização da educação superior.

Assim, tal regulamentação se faz com o objetivo de disciplinar alguns modelos de oferta de EAD, quanto a sua oferta indiscriminada e sem garantias das condições básicas para o desenvolvimento de cursos com qualidade. Consoante com esta perspectiva o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP) elaborou os Instrumentos de avaliação em EAD utilizados para o credenciamento de instituições para oferta de cursos nesta modalidade, credenciamento de polos de apoio presencial e para autorização de cursos.

Esses instrumentos foram homologados pela Portaria do MEC n. 1.047 e pela Portaria n. 1.050 disciplinando as diretrizes e os instrumentos de avaliação para o credenciamento de instituições de educação superior e de seus polos de apoio presencial e pela Portaria n. 1.051, de 08 de novembro de 2007, disciplinando os instrumentos de avaliação do INEP para autorização de curso superior na modalidade a distância.

Cabe destacar que os referidos instrumentos de avaliação inserem-se no ordenamento legal que permite operacionalizar o Sistema Nacional de Avaliação da

Educação Superior (SINAES)24, criado em 14 de abril de 2004, pela Lei n. 10.681.

Pode-se inferir que nesse processo de aprimoramento atualiza-se os procedimentos de EAD.

Em 18 de novembro de 2010, o MEC publica a portaria n. 1.326, que aprova, em extrato, o Instrumento de Avaliação de Cursos de Graduação: Bacharelados e Licenciatura, na modalidade de educação a distância, do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior - SINAES. Esse instrumento apresenta três dimensões, contempladas da seguinte forma: 1) Organização didático- pedagógica, 2) Corpo Social e 3) Instalações Físicas.

De 2010 a maio de 2011, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), por meio da Diretoria de Avaliação da Educação Superior (DAES), coordenou a revisão dos instrumentos de avaliação utilizados no Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES). Este trabalho surgiu em observância ao disposto na Lei n. 10.861, de 14 de abril de 2004, no Decreto n. 5.773, de 09 de maio de 2006, que define como uma das competências do INEP elaborar os instrumentos de avaliação e na Portaria Normativa n. 40, de 12 de dezembro de 2007, consolidada e publicada em 29 de dezembro de 2010, que atribui à Diretoria de Avaliação da Educação Superior - DAES/INEP as decisões sobre os procedimentos de avaliação.

A reformulação dos instrumentos foi realizada pela Comissão de Revisão dos Instrumentos de Avaliação, coordenada pela DAES, mediante solicitação da Comissão Nacional de Avaliação da Educação Superior (Conaes), em reunião ordinária. Por meio da Portaria INEP n. 386, de 27 de setembro de 2010, publicada no DOU em 28/09/2010, Seção 2, página 18, a comissão foi oficializada.

Como resultado dessa reformulação, o INEP divulgou uma Nota Técnica, publicada em 1o de junho de 2011, que reformula o Instrumento de Avaliação de

Cursos de Graduação – Bacharelados, Licenciaturas e Cursos Superiores de Tecnologia (presencial e a distância) - permanecendo as dimensões Organização Didático-Pedagógica, Corpo Docente e Infraestrutura, porém alterando os seus indicadores. Esta Nota Técnica tem como objetivo informar sobre a reformulação dos Instrumentos de Avaliação de Cursos de Graduação e apresentar a proposta elaborada pela Comissão de Revisão dos Instrumentos, aprovada pela Conaes em reuniões realizadas nos meses de abril e maio de 2011.

24 O SINAES tem como uma de suas finalidades aferir a qualidade para a melhoria da educação superior.

A avaliação entendida como um processo exige uma medida operacionalizada por instrumento que possibilita o registro de análises quantitativas e qualitativas em relação a uma qualidade padrão.

Em síntese, com toda a evolução histórica da EAD e seu desenvolvimento no país tanto na esfera conceitual quanto de legislação disciplinadora, tratadas neste tópico, é possível perceber que caminhamos para um novo momento da EAD. Ressaltando a importância da legislação como instrumento de análise Reis (2002) e Preti (2009) apontam:

o aparato legal constitui um instrumento importante para análise e interpretação da realidade social, na medida em que nos permite captar o subjacente ao texto legal, colocando em evidência as contradições entre os distintos interesses presentes na realidade (REIS, 2002, p. 255).

De acordo com Preti (2009, p. 116), “a legislação educacional é resultado das pressões sociais, em particular da comunidade educativa, em defesa da democratização da educação em confronto com os interesses de outros grupos”.

Portanto, diante deste cenário, dar-se a continuidade à análise da EAD, discutindo no tópico subseqüente, a Educação a Distância e o contexto brasileiro, traçando, desta forma um quadro teórico que possa subsidiar o entendimento do profissional da informação nas equipes de produção de materiais didáticos na modalidade a distância.

Benzer Belgeler