O THCP está sendo criado por uma equipe do Laboratório de Avaliação das Diferenças Individuais (LADI-UFMG) desde fevereiro de 2008. O processo de construção do instrumento está envolvendo duas etapas, que serão descritas a seguir:
3.3.1. Estudo Teórico:
Nesta fase, a equipe de pesquisa realizou uma revisão dos principais estudos publicados sobre avaliação de habilidades importantes para o desempenho escolar em crianças pequenas. Como há poucos artigos brasileiros sobre o tema, a revisão baseou-se principalmente em pesquisas realizadas nos Estados Unidos e Canadá, onde o tema tem sido foco de muitos estudos. Foi feito também um levantamento acerca dos principais instrumentos existentes no Brasil e nos Estados Unidos5, a fim de verificar quais seriam as características comumente avaliadas e as formas mais comuns de avaliação.
5
A lista de testes existentes no Brasil foi extraída do Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI), disponível em http://www.pol.org.br/satepsi/sistema/admin.cfm?lista2=sim e os detalhes sobre os testes foram extraídos nos sites das respectivas editoras. Com relação aos testes disponíveis nos Estados Unidos, as informações foram extraídas do Test Reviews Online, disponível no site do Buros Institute of Mental Measurements:
41 Outra forma de levantamento de dados sobre o assunto foi o levantamento de informações com base nas diretrizes curriculares de uma amostra de escolas de ensino infantil da cidade de Belo Horizonte e uma consulta ao Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (MEC, 1998). Tais dados forneceram informações quanto aos conteúdos que eram ensinados para crianças de quatro a seis anos e o que se espera que elas aprendam antes da entrada para o ensino fundamental.
Com base nesses dados foi elaborado um questionário (Anexo E1) que visou verificar a opinião dos educadores quanto à importância de cada habilidade para o bom desempenho na primeira série. O questionário foi composto por 99 itens, para os quais os educadores deveriam responder em uma escala de três pontos (1- sem importância; 2- importante; 3- imprescindível). Ao todo, 52 educadores, com experiência em ensino de 1ª série, responderam ao questionário. O rank com os principais resultados são mostrados no Quadro E2. Os itens foram construídos tendo como referência as informações levantadas no estudo teórico. Sendo assim, foram construídos 56 itens, distribuídos nas cinco escalas já descritas anteriormente.
3.3.2. Estudo Empírico:
As avaliações foram realizadas individualmente nas escolas por duas psicólogas e por um grupo de estudantes de psicologia previamente treinados. Os avaliadores foram instruídos a prestar atenção ao comportamento das crianças durante as avaliações e a registrar qualquer irregularidade que sugerisse déficits motores ou cognitivos. O tempo médio de avaliação, tanto com o THCP quanto com o ENE, foi de aproximadamente 40 minutos. Como forma de reduzir a possibilidade de efeito do cansaço sobre o desempenho das crianças nas subescalas finais do THCP, uma parte da amostra (38%) realizou o teste na ordem inversa. Para a subamostra submetida aos dois testes, as avaliações foram
42 realizadas em dias diferentes. O intervalo médio entre uma aplicação e outra foi de três meses, e as aplicações do ENE ocorreram sempre posteriormente às avaliações com o THCP.
Após a coleta de dados, iniciou-se a análise dos critérios de correção para as tarefas Labirinto e Cópias, que compõem a escala HPM. Para Labirinto, utilizou-se como base os critérios para correção do subteste Labirintos da Escala de Inteligência Wechsler para Crianças (WISC-III - Wechsler, 2002) e a análise qualitativa de uma amostra de protocolos (n=30), provenientes de diferentes faixas etárias, na qual foram verificados os principais erros cometidos por cada faixa etária. A verificação foi realizada por duas psicólogas, e estas analisaram número e tipos de erro cometidos e a associação entre estes erros e desempenho no restante da escala HPM. A partir destas análises, decidiu-se por criar dois escores. O primeiro se refere à execução da tarefa (0 – não executou, 1 – executou) e o segundo ao número de erros. Como os critérios para esta tarefa foram objetivos, não foi necessário realizar estudo de precisão.
Para Cópias, foi necessário realizar estudos de concordância entre avaliadores, a fim de verificar a objetividade dos critérios. O crivo com os critérios de correção das cópias do THCP foi construído com base em estudos acerca do desenvolvimento do grafismo durante o início da infância (Nicola, 2004; Palácios et. al., 2004) e consulta a outros crivos para tarefas semelhantes (Sisto, Noronha & Santos, 2005; Wechsler, 2002). A primeira versão do crivo foi analisada pelas próprias criadoras dos critérios, através da correção de uma amostra de protocolos com cópias realizadas por crianças de diferentes faixas etárias. O objetivo deste primeiro estudo foi verificar se diferentes padrões de desenhos poderiam ser corrigidos com uso dos critérios sem gerar dúvidas. A partir das observações realizadas para esta primeira versão, foi criada uma segunda versão dos
43 critérios, para serem utilizados pelos avaliadores. Após concordância dos avaliadores em participar, estes receberam 30 protocolos com as cópias realizadas pelas crianças, sendo 10 de cada faixa etária (quatro, cinco e seis anos) e um formulário de instruções. Os avaliadores foram instruídos a seguir estritamente os critérios presentes no formulário e, caso discordassem ou não compreendessem algum deles, registrar ao final da avaliação. Ao todo foram realizados três estudos de concordância, com os grupos de avaliadores já descritos, e amostras de protocolos selecionadas aleatoriamente.
Após definidos os critérios, foi realizada a digitação dos protocolos e análise da matriz de dados. Nesta etapa, foram verificados os registros feitos pelos examinadores acerca das avaliações e retirados das análises os casos onde houve erros de aplicação, falta de motivação ou recusa por parte da criança em participar do estudo. Os casos com suspeita de déficits cognitivos e motores foram marcados e não fizeram parte das análises de itens do THCP, mas foram mantidos para estudos com o ENE. O mesmo ocorreu com os casos em que a criança deixou de responder a mais de 25% dos itens do THCP. No caso do ENE, nenhuma criança deixou de responder a mais de 25% e, portanto, nenhum caso foi excluído. Para as demais, os itens não respondidos foram pontuados como zero, já que os registros indicaram que a falta de resposta se devia a falta de conhecimento ou habilidade por parte da criança.