O texto original das filosofias da empresa, já apresentadas no início do capítulo, foi repassado pelo diretor 1 por meio de um material institucional e esse gestor comentou:
O grande desafio da empresa está na nossa visão que é “ser referência em mídia regional”, esse é o nosso foco. Porque o diferencial no futuro da mídia televisiva não será exibirmos Rede Nacional 1 ou 3 ou qualquer outra emissora, e sim termos conteúdos regionais, ou seja, falando de você para
você e para seus familiares, porque com o advento da TV Digital acaba-se a obrigatoriedade do compromisso da Rede Nacional 1 ir ao ar via Emissora 1. A Rede 1 poderá entregar via satélite seu sinal, entrando em Maringá, sem passar pela Emissora 1. Mas esse é o desafio de todas as emissoras, essa visão se fortalece por conta disso, para termos a certeza de que a Rede Nacional 1 sempre usará a Emissora 1 em Maringá para colocar seus produtos, só será possível, se tivermos uma proximidade muito grande com as pessoas locais, comunidade, sendo forte regionalmente para que ela (Rede Nacional 1) opte em não buscar outra emissora – no sentido assim: “ah seu eu colocar o sinal direto lá eu não vou ter os telespectadores da Emissora 1”. Este é o maior fundamento, e exige-se muito investimento para fazer dessa visão uma realidade. A missão nos leva a “Interagir com os mercados regionais produzindo e distribuindo conteúdos”, bem focado na regionalização também, e os princípios e valores vem, desde ética, moral, enfim pluralidade de pensamento e qualidade, enfim, não apenas o que define nossos costumes e práticas, mas também o da companhia. (Informação oral do diretor 1)
Diante de sua resposta, o diretor foi questionado sobre qual a relação da reintrodução do departamento de jornalismo regional com essa proposta da missão e da visão e respondeu:
Totalmente a ver. O jornalismo, eu diria, é o início para você regionalizar. Eu não consigo ser percebido por uma comunidade se ela não consegue ver na minha programação rostos amigos. Uma coisa é eu assistir uma Rede Nacional 1 falando do Brasil, de vez em quando falando do Paraná, de algum lugar do Paraná, ou até mesmo da cidade, mas é muito de vez em quando, não é algo cotidiano. Então, estar no cotidiano das pessoas... e quem consegue fazer isso é o jornalismo, é ele que leva a marca para rua e simboliza os anseios dessa população na sua comunicação. A população tem no microfone, seja da Emissora 1 ou de outras emissoras, o apoio constante para levar a voz dessa população em busca das respostas de seus anseios e necessidades, entendeu? O objetivo principal de uma emissora, no que tange a finalidade de uma concessão, é o de dar eco, transparência e tratamento para os anseios da população, fazendo crer e valer para estas pessoas, que a emissora levará suas necessidades até as pessoas responsáveis para que tomem conhecimento e resolvam. Sendo assim, essa é a primeira bandeira da regionalização. Eu não gosto de falar da concorrência, mas é inevitável apontar que hoje a Rede 1 é a única emissora no Brasil que mais abertura tem dado para a regionalização, situação esta confirmada por um estudo feito pela ONG - Observatório do Direito à Comunicação, contramão da concorrente. Mas isso (a regionalização) não é feito só via jornalismo, mas é via jornalismo dentro de sua programação regional. (Informação oral de diretor 1)
O processo de construção dessas filosofias de acordo com o diretor 1 envolveu gestores de todas as afiliadas do grupo 1:
[...] no final do ano passado nós começamos uma série de treinamentos entre lideranças para que todo esse conteúdo, disseminação destes conceitos passasse para o operacional para que as pessoas entendessem o grau de importância disso e não ficassem apenas no aspecto executivo e sim descesse
para as bases e para fora da empresa. Esse treinamento é feito por reuniões comandadas pelo RH e Marketing. E assim fizemos cerca de cinco reuniões de gestores focando a disseminação de conteúdo, com gestores do Paraná todo, que se reuniram em Curitiba. E depois esses conceitos foram disseminados pelos gestores, que estavam lá, em seus ambientes de trabalho no Paraná. Maringá, Londrina, aí, por exemplo, reuniam-se com os seus subordinados, cada um na sua área e passavam as informações colhidas lá, com material didático junto, com tudo. Porque o nascimento desses conceitos foi formado da base para a alta cúpula; foram feitas quatro reuniões de planejamento estratégico que fundamentaram o grande planejamento estratégico nosso para os próximos oito anos, E dentro desse planejamento estratégico, junto com essas lideranças regionais, a gente sugeriu a visão, missão, princípios e valores. (Informação oral de diretor 1) Os gestores das áreas operacional e marketing em comunicação ratificaram esse trabalho citado pelo diretor. O gestor operacional resumiu assim as filosofias: “Crescimento, atendimento ao cliente, melhor imagem, melhor conteúdo, esse monte de coisa, sabe? Eu devo ter aí um livro, alguma coisa” (Informação oral de gestor operacional 1). E a gestora de marketing ressaltou: “Foi elaborado em 2007. Antes de pregar, reunimos, fazendo o comitê gestor para debater, porque não adianta pregar se eles não souberem a essência, até para deixar claro o impacto para cada um deles e quais atitudes passariam a ser exigidas” (Informação oral de gestora de marketing em comunicação 1).
O chefe de redação não soube falar sobre as filosofias, pediu checagem no site e acrescentou:
Existe um manual de normas e procedimentos que trata da contratação de pessoas, uso das dependências internas da TV, normas como: uso de crachás, procedimentos gerais. Inclusive, a empresa é bastante exigente quanto a isso, por exemplo, não permite que o colaborador entre para trabalhar sem passar o crachá, nem o jornalista no caso de querer adiantar alguma coisa. (Informação oral de chefe de redação 1).
Possivelmente, o jornalista não tenha participado da criação e socialização das filosofias por meio das reuniões mencionadas, considerando ser novo na empresa, o que reforça a importância da documentação para atualização dos entrantes.
Quanto aos colaboradores, a maioria reconhece que a empresa lhes transmite essas filosofias.
As filosofias da empresa são transmitidas aos colaboradores? 70% 20% 10% Sim (7) Não (2) Não sei (1)
Gráfico 8: Transmissão das filosofias da emissora 1 aos colaboradores Fonte: Elaborado pela autora
Somente dois colaboradores da área operacional disseram que não há transmissão ou divulgação das filosofias da empresa e um colaborador do jornalismo declarou não saber se são divulgadas. Nas justificativas dadas à questão está bem clara a predominância do método de transmissão oral das filosofias.
Divulgação das filosofias da empresa - justificativas às respostas “SIM” 1) Reuniões, e-mails, e outros (Questionário- colaborador do jornalismo)
2) Passado pelo gestor do departamento (Questionário- colaborador do operacional) 3) Lembramos sempre pois estão nas paredes (Questionário- colaborador do jornalismo) 4) Investimentos - rumo a liderança (Questionário- colaborador do jornalismo)
5) Apesar de haver comunicação, a empresa falha ao atender sua própria filosofia – a transmissão ocorre pelos gestores. (Questionário- colaborador do operacional)
Quadro 26: Justificativas dos colaboradores sobre divulgação das filosofias da emissora 1 Fonte: Elaborado pela autora
Vale esclarecer, a partir da justificativa de número 3 do quadro, que não se percebeu nenhuma documentação desse tipo durante as visitas técnicas à televisão, e os gestores também não indicaram esse tipo de registro. Por fim é preciso destacar a justificativa de número cinco em que o colaborador tece uma crítica à empresa, que será melhor compreendida a partir das respostas dele a outras questões da pesquisa, tratadas mais adiante.
Embora o processo de divulgação oral das filosofias seja percebido pela maioria, acredita-se na importância da documentação dessas premissas, bem como do uso de mecanismos de reforço periodicamente para que o índice cresça. Ainda mais considerando que as equipes são enxutas e precisarão ser ampliadas.
4.4.4 Percepção dos gestores sobre a comunicação no departamento de jornalismo da