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7. DENEYSEL ÇALIŞMALAR

8.2. Kaynaklı Bağlantıların Mikro Yapı Değerlendirmesi

Construir uma teoria acerca da semântica enquanto parte de uma linguística geral tem sido desafiador por duas razões:

1. Porque o maior legado da ciência do significado é dado por

filósofos e lógicos e não por linguistas.

2. Porque não é tarefa fácil agrupar propriedades da linguagem

que satisfaçam aos linguistas.

A linguística, como qualquer outra ciência, constrói um sistema de conceitos abstratos a fim de explicar propriedades concretas, no caso, propriedades oriundas da atividade da linguagem apreensível por meio das línguas naturais.

Para o filósofo Karl Popper (1963), faz-se ciência desde que:

(i) Construa-se um sistema abstrato para explicar a estrutura. No nosso caso, o sistema seria a própria atividade metalinguística e a estrutura, a linguagem.

(ii) Investiguem-se as consequências da criação desse sistema. No nosso caso, como se transpõem as representações mentais às linguísticas.

(iii) Rejeite-se o sistema ao predicar certos fatos que não ocorrem na realidade. No nosso caso, forçar uma transformação do aceitável no inaceitável e vice-versa.

(iv) Substitua-se esse sistema por um alternativo e compatível. No nosso caso, ter-se-ia a própria atividade epilinguística dos sujeitos como ferramenta de acesso à linguagem.

O que parece inegável é que a tradição linguística confere à semântica o estudo do significado. Isso tanto é verdade que essa área é definida nos manuais como a ciência do significado.

À luz da filosofia, a ciência que preconizou inquietações acerca do que vem a ser o significado, aqui falaremos um pouco da difícil definição desse conceito ao mesmo tempo fulcral e movediço.

Pensamos que uma resposta bem contornada a um questionamento do que vem a ser o significado não é possível porque o que se espera é um parecer concreto para um conceito abstrato. Não se trata apenas de não conseguirmos encontrar definições que pressuponham algum tipo de existência, as quais só corroborariam um reducionismo do conceito de linguagem enquanto uma articulação entre som e significado. O que daria a ela (à linguagem) uma concretude na qual não acreditamos. Ao contrário, nossa tomada de posição é claramente aquela em que a linguagem é uma energia humana que só ganha contorno na e pela atividade linguística.

Lyons resume bem a concepção tradicionalista de significado:

De acordo como o que foi durante muito tempo a teoria semântica mais difundida, os significados são idéias ou conceitos que se podem transferir da mente do falante para a do ouvinte por encarnar-se, por assim dizer, nas formas de uma ou outra língua. (1981, p. 133).

Identificar o significado com o conceito para resolver o problema só será eficiente desde que a definição de conceito seja bem torneada sem que se aproxime, ingenuamente, conceito de imagem visual, pois tal concepção só se validaria defronte a alguns nomes. Uma simples marca linguística (como um conectivo, por exemplo) tornaria tal concepção falsa.

Mesmo os nomes não dão uma estabilidade confortável para o caso, pois a imagem de qualquer termo passa, irrefutavelmente, por um filtro subjetivo, o que faz com que uma imagem não se equipare a outra. Sempre haverá determinadas propriedades que só são ressaltáveis à pertinência que cada sujeito dá (ou não) a elas.

Kempson (1980) aponta que uma teoria semântica deve não apenas apreender a natureza exata da relação entre o significado lexical e o significado do enunciado, mas também dar conta de explicar como essa relação depende de outros aspectos da estrutura gramatical do enunciado.

Em adição, a linguista admite que a ambiguidade é um conceito obscuro e incide de várias maneiras e sua explicação cabe a uma teoria semântica de forma que a construção dessa teoria implica em admitir que léxico e enunciado têm significados relacionados com os significados de outro léxico e de outros enunciados. Em verdade é um pensamento que dialoga com a premissa culioliana de que não existe um enunciado isolado em língua. Cada enunciado seria uma resposta (mesmo que virtual) a outros enunciados.

A análise componencial, apesar de ser um método de análise consagrado entre semanticistas e considerar que os significados das palavras são analisáveis como complexos feitos de componentes semânticos, não é de todo profícua, sobretudo quando se pretende compreender mais profundamente a relação dialética entre sentido e referência.

Das inúmeras críticas que cabem a esse tipo de análise, merece destaque a de que ela não dá conta de casos como os termos /solteira/ e /solteirona/, haja vista que apesar de ambos abarcarem propriedades em comum (humano, sexo feminino, não casado), não recuperam o mesmo sentido. Em outros termos, uma análise componencial não dá conta de determinados ajustes e de determinadas sutilezas das línguas.

Vejamos como o termo /solteirona/ pode assumir sentidos quase que opostos, dependendo da enunciação:

(1) “Maria está solteirona, ficou para titia, coitada”.

(2) “Maria está solteirona de novo, que maravilha, hein?”

Fazendo uma análise componencial simplista, enquanto na ocorrência (1) teríamos: humano; feminino; adulto; não casado; não cobiçado, na (2), teríamos: humano; feminino; adulto; não casado; cobiçado.

Note-se que só a enunciação é capaz de determinar o sentido (e as diferenças possíveis) entre diferentes ocorrências de um mesmo termo. Assim, enquanto a ocorrência (1) é aquela que mais se aproxima da acepção cristalizada, a (2) seria uma espécie de contraleitura que atribui ao termo outras propriedades, assim por dizer, nada pejorativas como as observadas em (1).

Também não podemos deixar de considerar uma terceira possibilidade que remeteria o termo a uma análise componencial focada em propriedades prioritariamente físicas.

(3) Maria é grande em tudo: altona, bonitona, fanfarrona e solteirona!

Aqui, em verdade, o termo /solteirona/ mantém as propriedades triviais: (humano, feminino, adulto, não casado) e deixa indeterminadas propriedades oriundas dos acordos e percepções de ordem sociopsicológica do termo. Com isso, tanto podemos entender que solteirona é um atributo positivo (sobretudo se o associarmos à ideia de que Maria é bonita, e interessante) ou que é um atributo negativo (sobretudo se o associarmos à ideia de que Maria é extravagante).

Sem intenção de esgotarmos o assunto, o que quisemos demonstrar é que postular e explicar o significado lexical não nos dá bases consistentes para levantar qualquer discussão acerca de uma teoria do significado, pois se faz necessária (como já vimos insistindo ao longo desse trabalho) traçar a relação entre léxico e enunciado como meio mínimo para qualquer pretensão de compreensão do problema.

Ademais, a análise componencial tem sua aplicabilidade restrita a uma determinada língua sem que nos sejam dadas condições de estabelecer um paralelo entre duas ou mais línguas, pois esse tipo de análise trata de postulados de significados inerentes à linguagem. Do outro lado, a inserção de mecanismos que relacionem léxico e sintaxe numa análise que visa à explicitação de sentidos por meio dos fenômenos da linguagem, a partir de línguas individuais, nos dá aparatos investigativos mais firmes e seguros.

Kempson (1980) resume bem a diferença do que seria uma análise componencial (postulação de significado formal) de uma representação semântica (articulação entre léxico e sentenças):

Relacionar a interpretação dos itens lexicais com a interpretação de sentenças para mostrar a natureza composta do significado de sentenças envolve uma formulação da inter- relação entre a estrutura sintática da sentença e os significados dos itens lexicais dessa sentença, tal como faz uma regra de projeção. Por outro lado, isolar o que é comum aos postulados

de significado através das linguagens exige enunciar esse elemento comum, tendo, portanto o efeito equivalente de identificar os conceitos ou componentes do significado universais e independentes da linguagem. (1985, p. 187)

Em outras palavras, o que a linguista faz é assumir uma posição intermediária ao expor o que já é do nosso conhecimento: que uma análise componencial formal nos permite somente uma explicação parcial e reducionista do significado lexical.

A nosso ver, tal partição é mais grave por separar, constante e radicalmente, sentido e referência. Afinal, também é sabido que qualquer teoria acerca do significado requer subsídios colhidos do universo extralinguísticos (sobretudo na relação homem-mundo) que constituem, sobretudo, o que entendemos pelo sentido de um determinado termo. O termo /solteirona/ registra muito bem esse processo.

Benzer Belgeler