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O artigos de Drnevich e Kriauciunas (2011) e Miller e Shamsie (1996) (artigos 4 e 5 da amostra) exemplificam a tradição da GE, de utilizar métodos

69 quantitativos, em busca da compreensão da performance da firma, especialmente, em comparação com a indústria. O primeiro texto faz parte da linha de pesquisas em capacidades ordinárias e dinâmicas, enquanto o segundo da visão baseada em recursos. Os textos se somam a um grande número de artigos que, através de diferentes tipos de regressões, buscam estudar a causalidade do desempenho, contribuindo para o arcabouço moderno/ modernista de GE (WHITTINGTON, 2004), suportado pelo cientificismo positivista da universalidade eurocêntrica, assumida pelos EUA no pós- Guerra (FARIA; WANDERLEY, 2013).

Como destacado na definição de GE, elaborada por Nag, Hambrick e Chen (2007), a preocupação com a melhoria do desempenho é central nesse campo de estudos. Na pesquisa de Furrer, Thomas e Goussevskaia (2008) o termo performance foi identificado como a palavra-chave mais empregada dentro da bibliografia de GE, estando presente em 36,6% da amostra de seu estudo, que considerou artigos publicados em quatro journals de alta influência no período de 1980 a 2005. Richard et al. (2009) também chamam a atenção para a importância do construto dentro do contexto da mercadização:

Organizational performance is the ultimate dependent variable of interest for researchers concerned with just about any area of management. Market competition for customers, inputs, and capital make organizational performance essential to the survival and success of the modern business. As a consequence, this construct has acquired a central role as the deemed goal of modern industrial activity. (RICHARD et al., 2009)

Ao mesmo tempo em que se apóia no cientificismo positivista da universalidade eurocêntrica, o conceito de desempenho da firma (firm performance) também sofre críticas pela dificuldade de ser pesquisada de forma cientificamente rigorosa. As dificuldades metodológicas surgem nos estudos que definem o desempenho como variável dependente, e têm como objetivo identificar as variáveis independentes, que nela produzem variações (MARCH; SUTTON, 1997; MILLER; WASHBURN; GLICK, 2013). Shadish, Cook e Campbell (2002) recuperam as condições críticas da causalidade enumeradas pelo filósofo John Stuart Mill:

70 a) a causa deve preceder o efeito;

b) quando a causa assumir diferentes níveis, em uma forma sistemática, deve haver variação correspondente no efeito;

c) o pesquisador deve ser capaz de deduzir todas as outras explicações plausíveis, o efeito, além daquela causa hipotética.

March e Sutton (1997) apontam algumas complicações metodológicas que impedem o pleno atendimento às condições de causalidade: a instabilidade da vantagem competitiva, a complexidade causal, envolvendo o desempenho, e as limitações em utilizar dados baseados na recordação retrospectiva de informantes. Há dificuldades de inferir a relação causal gerada por histórias organizacionais, em especial quando correlações podem estar implícitas nos procedimentos de mensuração utilizados. Devido às demandas e às recompensas de um lado, por insights sobre como melhorar a performance, e de outro, pela aderência aos padrões científicos rigorosos, a comunidade de pesquisa acadêmica organizacional, muitas vezes, responde, afirmando que inferências sobre performance não podem ser feitas pelos dados disponíveis, mas faz as inferências ao mesmo tempo.

Miller, Washburn e Glick (2013) encontraram, como fonte primária de inconsistência, o uso de uma conceptualização abstrata na construção da teoria, combinada com a adoção de poucos aspectos limitados no trabalho empírico, o que cria dificuldades para a interpretação efetiva da pesquisa. Os autores apontam que, por uma perspectiva institucional, o conceito de desempenho da firma afigura-se como um instrumento de legitimidade, ao invés de um instrumento científico para o diálogo e a acumulação do conhecimento.

Os curtos exemplos, rotineiramente utilizados em GE, são criticados por Froud et al. (2006), que respeitavam os longos estudos historiográficos de Chandler. A utilização de vinhetas, para esses autores, iniciou-se com Porter, nos anos 80, e, nos anos 90, foi usada para previsões especulativas por Prahalad e Hamel. Esse recurso serve para capturar uma audiência não-acadêmica, e está relacionada à falta de mais evidências sobre desempenho, de empiricismo sistemático, que busca demonstrar uma relação genérica que se aplica em muitos casos, e de investigações profundas através de casos de grande extensão. Estudos mais longos evitam as armadilhas de retirar uma amostra curta de uma longa trajetória e ser questionado quanto às mudanças inesperadas na performance e no julgamento do mercado, e de apresentar poucas quantidades de

71 evidências confirmatórias, que impeçam o leitor de discordar com o estudo de caso. Richard et al (2009) ainda propõem que a pesquisa em desempenho devem trabalhar com a triangulação de múltiplas medidas, dados longitudinais e formulações metodológicas alternativas para alinhar o contexto da pesquisa com a mensuração da performance da organização.

Heugens e Mol (2005) pesquisaram o departamento de estratégia das principais escolas de negócios do mundo, e identificaram a ortodoxia quantitativa como dominante do campo de GE. Muitos dos departamentos pesquisados eram ou altamente quantitativos ou qualitativos em sua orientação, sendo as escolas americanas tão quantitativas que quase não admitiam abordagens alternativas.

Apesar das críticas metodológicas, GE mantém-se firme na tradição quantitativa, desde seus estudos iniciais até hoje. Críticos defendem que são frágeis as relações de causalidade que explicam as vantagens competitivas através de regressão, e que casos empresariais muito curtos não permitem uma robusta validação de explicação do desempenho. Entretanto, a metodologia quantitativa permite a esse campo do conhecimento se apoiar no cientificismo universalista, que juntamente aos casos curtos buscam explicações generalizáveis de sucesso empresarial.

Benzer Belgeler