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2.2. İşitme Fizyolojisi

2.2.2. İşitme

2.2.2.1. İletim (conduction) fazı

A síntese das discussões acima permite, então, construir um framework de análise da Gestão Estratégica, que esclarece a íntima relação desse campo de conhecimento com o ordenamento geopolítico e econômico contemporâneo da globalização neoliberal. Este item do trabalho articula as principais questões que emergiram do debate deste capítulo no formato de um roteiro que pode ser aplicado a um conjunto de textos de GE, permitindo sua apurada análise e a aproximação das perspectivas críticas com a literatura mainstream. O roteiro está sumarizado na Apêndice A.

Na utilização do framework, é importante iniciar mapeando algumas características importantes do artigo. Deve então ser registrado seus autores e objetivos,

53 além de ser registrada a abordagem epistêmica e metodológica, considerando características da amostra no caso dos artigos que abordem investigações empíricas. Avaliando a metodologia, podemos examinar principalmente como GE se utiliza do positivismo cientificista para gerar regras universais sobre o desempenho da firma e para se apoiar como campo do conhecimento.

O próximo passo é procurar elementos que nos remetam à geopolítica do conhecimento.Traços da centralidade estaduniedense na geopolítica do conhecimento são esperados. Indícios de hierarquização de povos, países e conhecimentos também retratam traços do ordenamento geopolítico. Uma das possibilidades é verificar se no artigo em questão é feita distinção entre atuação doméstica e internacional, ou se há menção à países emergentes.

A seguir, são exploradas as conceituações de mercado que permeiam os artigos de GE. O objetivo é analisar principalmente as concepções de mercado e não- mercado consideradas nos artigos, se são adotadas visões economicistas simplistas, ou se são consideradas concepções mais complexas desse ambiente, com maior potencial explicativo, incluindo construtos e conceitos sociológicos como poder e política, e ainda relacionadas à hegemonia. Em estudos quantitativos é especialmente interessante para esse objetivo verificar as métricas consideradas na representação do ambiente externo. Compreende ainda a análise decorrente da segunda perspectiva nuanças referentes à constituição de estruturas político-econômicas que permitam a legitimação da atuação da corporação.

Esta aplicação de framework deve verificar se os artigos em questão exercitam argumentos relacionados à formato organizacional, se são encontrados nuanças de legitimação da corporação ou de algum outro formato organizacional. Formatos organizacionais diferentes da corporação possuem desafios diferentes de governança na medida em que: I) podem atribuir maior peso para stakeholers que não os acionistas e agentes financeiros, como a sociedade ou o governo no caso de estatais, empresas de capital misto ou de organizações sui generis como o SESC (ESPÍRITO SANTO, 2014), ou ainda a família controladora, no caso de empresas familiares; e II) possuem objetivos outros que se somam à maximização da riqueza, como por exemplo o caso narrado por Sawitzki (2013) de uma empresa de capital misto que, além de sua agenda econômica, se insere no plano diplomático do país.

Por fim, além de estar atento a outros elementos que podem ser interessantes, deve ser verificado também se o artigo contempla debates sobre o

54 ordenamento geopolítico e econômico contemporâneo. São encontrados algumas argumentações explícitas favoráveis ao capitalismo neoliberal, convergente com o argumento de Levy (2008) do propósito de criação de “mercados livres da literatura de gestão, e também de Faria (2009) que chama a atenção para: “a expansão do modelo de economia liberal de mercado em escala global vem sendo acompanhada pela maciça disseminação de discursos acadêmicos que ajudam a escamotear o fato de que ‘mercado livre’ e princípios neoliberais correspondentes beneficiam uma minoria, em detrimento da maioria excluída” (FARIA, 2009, p. 74).

55 4 METODOLOGIA

Após a introdução, neste trabalho, buscou-se construir um retrato amplo do contexto intelectual, que envolve a Gestão Estratégica, feito no segundo capítulo. Foi apresentado como se desenvolveu a filosofia política e econômica neoliberal, a globalização e a financeirização, e, em parceria com esses processos, o conhecimento em management, com destaque para o strategic management. A seguir, as perspectivas críticas sobre o campo de estudos de GE foram articuladas em um framework, que permitiu explicitar suas íntimas relações com a ordem econômica e geopolítica atual.

A inspiração na historiografia dos capítulos anteriores vai na contramão ao tratamento aistórico decorrente do cientificismo que informou o desenvolvimento de áreas como Estudos Organizacionais, GE e Marketing ao longo da segunda metade do século XX (SAUERBRONN; FARIA, 2009). A contextualização histórica do conhecimento contribui para o objetivo e para o caráter crítico deste trabalho, permitindo-o explorar as forças e o acontecimentos que contribuem para moldar o paradigma dominante em GE, caracterizado por “[...] monismo metodológico, [...] importação teórica, [...] princípios empíricos e [...] busca por leis universais” (SAUERBRONN; FARIA, 2009, p. 92).

O framework se inspira na análise hermenêutica crítica, sendo uma ferramenta que se encarrega da busca, nos textos examinados, de ilustrações de formas através das quais o contexto influenciou o pensamento na época em que foram escritos. Tal método se mostra interessante ao objetivo deste trabalho pois “requires the researcher to simultaneously study both the text itself and the context, be that social, political, cultural, and/or historical, in which the text was written and has been, or still is, interpreted” (MCLAREN; MILLS; DUREPOS, 2009, p. 390-391). Sendo assim, após o exame do contexto nos capítulos 2 e 3, o framework nos fornece os elementos a serem procurados e analisados na bibliografia selecionada, que o conectam com o contexto da globalização neoliberal. A qualificação hermenêutica paulatina do mestrando foi evidente ao longo do trabalho, na medida em que era desafiado pelo orientador. O trabalho que iniciou com um objetivo bastante diferente e um tanto desfocado transmutou-se atá cristalizar-se neste que aqui se apresenta.

No exemplo de utilização do método de McLaren, Mills e Durepos (2009) foram examinados 507 textbooks americanos da área de gestão, e foi encontrado que o

56 mais citado educador em gestão é Peter Drucker, ao mesmo tempo que suas ideias são muito pouco discutidas e expandidas. As autoras e o autor interpretam a partir do resultado que as referências a Drucker servem mais à legitimação dos pontos selecionados pelo livro-texto do que para a discussão e avanço do seu trabalho. As partes da sua obra que atendiam à alegoria dominante e inquestionável do conhecimento em administração prosperaram, enquanto outras, como a necessidade de gestão socialmente responsável, não foram desenvolvidas ou não figuraram nos livros-texto. Em convergência com o argumento central deste trabalho, o caso ilustra a influência do contexto sócio-político no que é estudado e ensinado:

Analysis of the socio-political contexts in which textbooks are produced suggests two main influences – one, the influence of the broader socio-political context (viz World War II, and the Cold War era) on the structuring of North American (i.e. US and Canadian) management textbooks and, two, the influence of the academy on the legitimacy of North American English speaking business education (specifically in the Depression era, and the early 1960s). Both cohered to shape accepted notions of business research as scientific, incremental, apolitical, ahistorical and geared to outcomes of efficiency and productivity to the neglect of broader social concerns. (MCLAREN; MILLS; DUREPOS, 2009, p. 389)

Tendo em vista uma maior compreensão da natureza deste trabalho, antes da aplicação do framework se faz necessária um breve exame da perpectiva de pesquisa crítica dominante neste trabalho, a partir da articulação de Orlikowski e Baroudi (1991). Baseados principalmente na classificação de Chua (1986), a autora e o autor propõem que são três as posturas filosóficas de cientistas sociais verem e investigarem o mundo: positivista, interpretativista e crítica.

A primeira delas, positivista, tem suas raízes nas ciências naturais e marca a ciência ocidental. Entre os principais pressupostos filosóficos que a formam, está a existência um mundo físico e social objetivo, independente dos humanos e separável do pesquisador. A ação humana é tida como razoavelmente racional e intencional, e a realidade social é tida como relativamente estável e ordeira, sendo então os conflitos entendidos como disfuncionais, logo, devendo ser suprimidos ou superados. A forma de validação do conhecimento é a testabilidade empírica, e a relação entre o conhecimento

57 e o mundo é meramente técnica. Sendo o conhecimento livre de valor, não podem os pesquisadores se envolver em julgamento moral ou opinião subjetiva

Na busca da identificação de leis universais, na forma de relações de causalidade entre construtos, são utilizados métodos de pesquisa consagrados, como questionários com tratamento estatístico das respostas. No intento, os positivistas comumente negligenciam condições históricas e contextuais que podem deflagar eventos e influenciar a ação humana. Ademais, a busca positivista por explicar e prever uma realidade externa implica que pessoas não são ativas na construção de suas realidades físicas e sociais.

A perspectiva interpretativista difere da positivista principalmente pela pressuposição de construtivismo social, ou seja, a noção de que a realidade e o conhecimento dela são produtos sociais “and hence incapable of being understood independent of the social actors (including the researchers) that construct and make sense of the reality” (ORLIKOWSKI; BAROUDI, 1991, p. 13). Ontologicamente, é enfatizada a importância de significados subjetivos e da ação simbólica e sócio-político nos processos de construção e reconstrução da realidade humana. Pesquisadores interpretativistas acreditam que não se pode “descobrir” uma realidade social objetiva, apenas interpretá-la. Como os significados são formados, transferidos, usados e negociados, as interpretações de realidade podem se alterar seguindo mudanças nas circunstâncias, objetivos e grupos. Tal interpretação ou explicação também é causal, mas não no sentido unidirecional positivista, sendo utilizadas modelagens circulares ou de interação recíproca.

Nessa tradição, o método de pesquisa apropriado para gerar conhecimento válido é a pesquisa de campo, em que o pesquisador busca derivar seus construtos através do exame em profundidade do fenômeno e exposição à ele, ao invés de ir à campo portando um bem definido conjunto de construtos e instrumentos. O pesquisador nunca pode assumir uma postura neutra em valor, e é sempre implicado no fenômeno estudado; seus pressupostos, credos, valores e interesses sempre atuam na molde das investigações.

A principal contribuição dessa forma de organizar o conhecimento é que ela revela as conexões implícitas entre diferentes partes da realidade social, examinando as regras sociais e significados que fazem práticas sociais possíveis. Por outro lado, a perspectiva não examina as condições que levam a certos significados e experiências, se

58 omite de explicar as consequências involuntárias de ações, não endereça conflitos estruturais na sociedade e nas organizações e não explica mudanças históricas.

Mais do que o positivista ou o interpretativista, que se contentam em prever ou explicar o status quo, o pesquisador crítico busca avaliar criticamente e revelar as contradições e conflitos inerentes à estruturas da realidade social em investigação, para contribuir na sua transformação. Um pressuposto central dessa perspectiva é que a realidade social é constituída historicamente, logo, seres humanos, organizações e sociedades não estão confinados a existir em um estado particular.

Apesar da crença em que as pessoas podem atuar na mudança das circunstâncias materiais e sociais, sistemas prevalecentes de autoridade econômica, política e cultural podem alienar esse potencial. Através de conscientização e compreensão de condições sociais existentes, pesquisadores críticos acreditam ajudar na superação de relações sociais opressivas. Outro pressuposto importante é a totalidade: um elemento particular existe apenas no contexto da totalidade das relações de que faz parte, e uma ligação essencial o conecta com o todo, formando uma relação dialética entre os elementos e a totalidade, que é moldada por condições históricas e contextuais. Estudos nessa tradição tendem a ser longitudinais, sendo métodos comuns estudos históricos de longo-prazo e etnografias. Coleta e análise de dados quantitativos podem contribuir acessoriamente.

A perspectiva filosófica crítica, enfatiza o desenvolvimento processual do fenômeno. Entende-se que os humanos produzem e reproduzem a realidade social, que, por sua vez, possuem propriedades objetivas que tendem a dominar a experiência humana. Relações sociais estão sempre em estado de mudança, sendo a instabilidade conceitualizada nos termos das contradições fundamentais inerentes às relações sociais e práticas das sociedades e organizações, que levam à desigualdades e conflitos, de onde surgirão novas formas sociais: “Contradictions arise because of opposition among certain parts within the totality, and because of incompatible developments among the parts constituting the totality” (ORLIKOWSKI; BAROUDI, 1991, p. 20).

Enfatizado o caráter crítico desta dissertação, voltemos à aplicação do

framework. Para escolha dos artigos e a sua posterior contraposição ao framework

foram utilizadas algumas técnicas derivadas da “Revisão Sistemática de Literatura”, apesar dos objetivos tradicionais da aplicação dessa metodologia serem bastante diferentes dos deste trabalho. Fink (2005) a descreve como: “systematic, explicit, and reproducible method for identifying, evaluating, and synthesising the existing body of

59 completed and recorded work produced by researchers, scholars and practitioners.” Para Booth, Papaioannou e Sutton (2011), independente do campo sobre a qual se faça a

review, existe uma longa e antiga concordância sobre seus propósitos:

a) posicionar cada trabalho no contexto de como ele contribui para um entendimento de um assunto sendo revisado;

b) descrever como cada trabalho se relaciona com outros em consideração; c) identificar novas formas de interpretar, além de clarificar gaps em

pesquisas anteriores;

d) identificar e resolver conflitos entre estudos prévios e contraditórios; e) identificar o que foi coberto por acadêmicos anteriores para prevenir a

desnecessária duplicação de esforços;

f) para sinalizar o caminho para pesquisas a serem desenvolvidas; g) localizar o trabalho original dentro da literatura existente.

Do ponto de vista prático, ainda indicam que a revisão serve para adquirir as habilidades de reconhecer a necessidade de informação e a localizar, avaliar e utilizar efetivamente. Essas habilidades ganham maior importância no contexto atual de produção massiva de dados, informação e conhecimento; dentro e fora da academia.

Foram escolhidos artigos para esta aplicação do framework, e não livros, por que para esse formato existem relatórios que elencam a representatividade dos periódicos, facilitando a procura por textos que alcançaram maior destaque na comunidade acadêmica de GE. Em termos de estratégia de procura, tendo em vista localizar produções científicas importantes na área de GE, o primeiro passo foi verificar a listagem das publicações mais relevantes na área de gestão, por meio de consulta na publicação Journal Citation Reports, da editora Thomson Reuters, referente ao ano de 2014. A Tabela 1 mostra a listagem dos 20 journals mais relevantes2 e o respectivo país de origem. Foi considerado como critério de relevância o fator de impacto de cinco anos, índice tradicional, formado pela divisão do número de citações dos artigos de um

journal, durante um período, pelo número de artigos publicados pelo mesmo. Foi

considerado o período de cinco anos (e não o de 1) para refletir a relevância em um maior período de tempo e evitar possíveis flutuações atribuíveis a apenas 1 ano.

2 Na procura, realizada em 12 ago. 2015, 16:40, foram consideradas as seguintes três categorias: 1) BUSINESS; 2) BUSINESS, FINANCE; e 3) MANAGEMENT.

60 Tabela 1 – Publicações científicas mais influentes em management

Ranking Periódico País Fator de Impacto

5 anos

1 ACADEMY OF MANAGEMENT ANNALS Estados Unidos 10,866

2 ACADEMY OF MANAGEMENT REVIEW Estados Unidos 10,736

3 ACADEMY OF MANAGEMENT JOURNAL Estados Unidos 9,812

4 JOURNAL OF MANAGEMENT Estados Unidos 9,238

5 MIS QUARTERLY Estados Unidos 8,490

6 JOURNAL OF APPLIED PSYCHOLOGY Estados Unidos 7,753

7 JOURNAL OF OPERATIONS MANAGEMENT Holanda 7,692

8 JOURNAL OF FINANCE Estados Unidos 7,546

9 JOURNAL OF MARKETING Estados Unidos 7,421

10 ADMINISTRATIVE SCIENCE QUARTERLY Estados Unidos 7,313

11 ORGANIZATION SCIENCE Estados Unidos 6,309

12 PERSONNEL PSYCHOLOGY Estados Unidos 6,227

13 REVIEW OF FINANCIAL STUDIES Estados Unidos 6,192

14 JOURNAL OF INTERNATIONAL BUSINESS STUDIES Inglaterra 6,067

15 STRATEGIC MANAGEMENT JOURNAL Estados Unidos 6,061

16 JOURNAL OF MANAGEMENT STUDIES Inglaterra 5,883

17 JOURNAL OF FINANCIAL ECONOMICS Suíça 5,876

18 LONG RANGE PLANNING Inglaterra 5,765

19 INTERNATIONAL JOURNAL OF MANAGEMENT REVIEWS Inglaterra 5,726

20 ORGANIZATIONAL RESEARCH METHODS Inglaterra 5,465

Fonte: JOURNAL CITATION REPORTS (2014)

Para a escolha dos temas e dos artigos a serem incluídos na amostra, primeiramente, foram consideradas algumas obras, que tratavam dos principais temas de GE. Artigos e temas mais relevantes em GE foram verificados na pesquisa, no item 2.3 deste trabalho, além de ter sido tema de reunião com o Professor orientador e entrevista com um segundo Professor dedicado à pesquisa em GE. Com as principais correntes de pesquisa elencadas, foram investigados manualmente rankings de artigos mais citados, baixados ou acessados e, também, listagens de artigos premiados, nas principais publicações em gestão da Tabela 1, contribuindo para a localização e escolha de artigos relevantes. Por fim, ainda foi considerada a escolha pessoal do autor.

Escolhidos os artigos para comporem a seleção, o próximo passo o foi desenvolvimento de um roteiro simplificado derivado do framework (Apêndice A), ao qual cada artigo foi submetido após criteriosa leitura, servindo como ferramenta de extração de dados. A síntese e análise dos resultados encontrados estão apresentados no item 4.2, organizada no entorno de cinco itens. Em termos de critérios de avaliação, foram considerados, como norte do debate, os critérios elencados por Hart (1998): apropriada extensão, profundidade, rigor, consistência, claridade, brevidade e efetiva análise e síntese.

61 5 ANÁLISE DE ARTIGOS SELECIONADOS

Neste item, o trabalho avança com a aplicação do framework em uma seleção de artigos de relevância na pesquisa acadêmica contemporânea em Gestão Estratégica. Uma primeira contribuição esperada é uma validação da pertinência das críticas. Outra decorrência direta esperada, do exercício do framework,é que emerja um debate que aproxime as principais linhas de pesquisa em GE às perspectivas críticas apresentadas, trabalhadas por um número crescente de acadêmicos ao redor do mundo. Na primeira parte deste capítulo, são apresentados os artigos que se submeteram a análise inspirada na crítica hermenêutica, e na segunda são apresentados os resultados encontrados, ou seja, os reflexos do ambiente mais amplo da globalização neoliberal na seleção de artigos de GE.

Benzer Belgeler