A Research Investigating the Critical Factors, Advantages and Disadvantages of E-Logistics System
2. KAVRAMSAL ÇERÇEVE
As visões e sonhos visadas nesse capítulo são vistas como tentativas de John Bunyan, para que o leitor compartilhe, ou ao menos vislumbre um universo simbólico capaz de transformar suas ações sociais e comportamentos, reorganizando seu modo de viver. Nesse sentido, a experiência religiosa na qual surgem os sentimento de esperança e alegria, não deixam de ser uma espécie de êxtase, real ou imaginariamente visado. Veja-se a esse respeito, mais um trecho da obra de Bunyan O Peregrino ( 1969, 72: 74):
Viram dois seres resplandecentes, que lhe disseram: Vinde. Cada um dos seres deu o seu braço a um peregrino, e dessa maneira, subir a montanha foi fácil. Cheios de ânimo, diziam os peregrinos admirados: _ “agora vemos a glória e formosura inefáveis. Eis ali o monte Sião e a Jerusalém celestial”. E os seres resplandecentes ajuntaram: _ “ quando entrardes na cidade, recebereis vestiduras brancas, e vossa comunhão com o Rei será por toda a eternidade” (...)”Que
faremos no lugar santo?” – “Alí serão consolados de todo o vosso trabalho, e vossas tristezas se tornarão em gozo. Colhereis o que tendes semeado, até mesmo o fruto de todas as vossas orações, lágrimas e sofrimentos porque passaste durante todo o caminho, por amor ao Reis. Recebereis coroas de ouro e gozareis de visões perpétuas Daquele que é o Santo – pois ali O vereis como Ele é. E também o servireis continuamente, com louvores e ações de graças, prestados Àquele que desejastes no mundo”.
Nessa visão da Cidade Celestial, os males e as dores da existênc ia são anulados60, ocorrendo a fusão com o sagrado que consola as infelicidades anteriormente vividas. Parece uma visão de imersão no espaço sagrado onde o tempo é eterno e há uma intensa comunhão com Deus, promovendo a crença nas benesses do sagrado. A criação dessas imagens é uma afirmativa do Paraíso e de como é possível alcançá-lo através de uma peregrinação, onde as dificuldades são os obstáculos a serem vencidos, para se chegar ao êxtase eterno. Visualizá-la além de gerar um imaginário socialmente compartilhado pelos leitores, é tanto a realização fantasiosa de um desejo, quanto uma promessa de satisfação no devir. Presente e futuro de unem em uma mesma dimensão temporal.
A essa altura do texto, vale lembrar que segundo a Psicanálise, os sonhos diurnos partilham de várias características comuns ao sonho noturno, como por exemplo: a realização de desejos, assentam-se nas impressões retidas do contato com o meio ambiente, beneficiam- se da indulgência da censura, “descarregam” as angústias do sonhador, sugerem soluções aos conflitos. A diferença reside que nos sonhos diurnos a atividade da consciência se mostra diferenciada, no sentido de usar as faculdades de atenção, memória, figuração, linguagem de forma a fazer correspondência com a realidade, o que não ocorre nos sonhos noturnos. Além disso, as formas, bem como a linguagem não se apresentam submetidas aos processos de deformação, podendo a representação ter similaridades significativas com a percepção do contexto sócio-cultural no qual se encontra o sonhador. Segundo Laplanche e Pontalis (1977, p.635) quando se examina a estrutura dos sonhos diurnos, percebe-se que o motivo do desejo
60 De acordo com Bucke (1992, p. 88) o termo Nirvana se aplica a extinção das faculdades mentais inferiores que
se relacionam ao sentimento de pecado, o medo da morte, o desejo de riqueza. Há então uma morte simbólica, que dá lugar a uma nova condição e a criação do novo. Jesus teria chamado esse novo estado de Reino de Deus ou Reino dos Céus o que pode ser atribuído a paz e a felicidade e que constituem seus traços mais importantes. São Paulo a chamou de “Cristo” e chamou-se a si mesmo de “um homem em Cristo” e aqueles que o seguem dos que “estão em Cristo”. Também os chama de “o Espírito” ou ainda de “o Espírito de Deus”.Quem assim vive alcançou a consciência cósmica, e vivia a vida de Jesus que representava um outro modelo de individualidade, um outro ser, com quem estava fusionado. Deste modo o homem cotidiano tem uma dupla consciência: a de si mesmo no mundo e a consciência cósmica, ou a unida a Deus. Esta é vivida de modo secreto e íntimo, podendo em certos casos ser compartilhada socialmente. No caso do romance de Bunyan, pode-se pensar que o personagem Secreto poderia representar a presença dessa consciência, ou o seu chamado.
que atua na sua produção misturou o material de que são construídos, alterou-lhe a ordem, para constituir um novo conjunto “que poderia ser chamado de fantasia criativa”. De acordo com Maurice Dayan (1996) os sonhos são expressos geralmente no pretérito, referindo-se ao tempo que já passou. Já quando a expressão é empregada no presente o sentido de refere mais aos “sonhos diurnos”, ou seja, os que acontecem ao sonhador no estado de vigília, tratando-se geralmente de uma fantasia ou um desejo consciente enquanto utopia. Esse último termo pode ser entendido pelo sonhador e seu grupo como ilusão, desejo, devaneio. A afetividade presente nesses sonhos confere um sentido de realidade, diferente da expressão do pensamento, cuja lógica é passível de questionamento. De certo modo, a emoção pode ser censurada, mas não pode ser negada em sua natureza o que lhe dá propriedades de veracizar uma representação ao sonhador.
Aldous Huxley (1982) explica que no misticismo visionário há um componente comum nas suas formas, que é a luz61. Distingue dois tipos de luminosidade: diferenciada e indiferenciada. A primeira contorna ou envolve objeto, paisagens, ou pessoas. Costumam acompanhar a constituição das imagens do paraíso, ou o sinal de sua proximidade, incluindo as cenas com o fogo, e estão presentes em todas as tradições religiosas do mundo. As figuras visionárias geralmente são rostos estranhos, indicando sua origem relacionada ao sagrado, e diferenciando-as dos demais humanos que possam estar presentes na sociedade. A experiência de luminosidade que é indiferenciada inunda a totalidade da cena, sendo indicativa de uma experiência mística total. Caracteriza-se por transcender a relação sujeito-objeto, havendo um sentimento de total solidariedade com os outros seres humanos e com o universo de maneira geral. Surge também um sentimento de gratidão pelo privilégio de estar vivo em um universo extraordinário e maravilhoso em seu conjunto. Um exemplo comparável é a experiência luminosa de São Paulo na rota de Damasco, mas pode ocorrer com qualquer pessoa no seu cotidiano.
A experiência mística visionária pode ser um dos elementos compreensivos da passagem da uma religiosidade interior à uma prática ética social e individual provocadora de transformações sociais; ou o contrário: a impossibilidade da vivência de um pedacinho de paraíso na terra, conduzindo a uma radicalização da individualidade e da alienação do mundo
61 Aldous Huxley (1992) cita que existe a luz boa e a luz má. Como exemplo dessa última pode-se lembrar que
na obra O Paraíso Perdido de Milton há a iluminação do inferno, também chamada de escuridão visível. Outro exemplo é a luz sinistra e ainda o negro dos pesadelos e das visões dos esquizofrênicos (p.73:74).
social. Neste sentido torna-se cabível pensar que esse tipo de obra propaga o misticismo protestante clássico,não com exclusividade, que Mendonça (1998, p.10) diz tratar-se de uma experiência individual ou em pequenos grupos que tem como característica fundamental, três elementos: ocorre na borda das instituições, geralmente prática uma ética conflitante com a realidade, e é encontrável em uma literatura que é ao mesmo tempo cognoscitiva, curativa e exemplar. Afirma ainda esse autor que como todo misticismo é contrario aos dogmas e instituições, que não são vistos como fundamentais para se viver a fé no mundo.
O espaço intelectual e religioso dos místicos protestantes conforme afirma Mendonça (1998) embora constituído de um vasto e polimorfo espectro, pode ser descrito a partir do cotidiano, do espaço de vida. Trata-se de assumir o risco de vivê-lo no dia-a-dia, correndo os enfrentando os riscos necessários para tal, assim como se encontra no trecho da obra na qual Christã e os demais personagens chegam ao Desfiladeiro da Dificuldade e são levados próximos da Fonte que se encontrava nas redondezas. Surge nessa parte do enredo O Grande Coração que guia o grupo, observando que a água boa e cristalina, ficou turva por causa dos pés de algumas pessoas que não gostam que os peregrinos matem a sede. E aconselha o grupo a colocar a água no copo para que o pó se assente e que ela fique transparente. Em seguida o guia aponta os atalhos no fundo do desfiladeiro, onde “Formalista” e “Hypocrisia” se perderam.
Estes caminhos, disse, são perigosos. Dois homens perderam aqui a vida (...) o que me admira é que possam entrar por aquelles caminhos sem quebrar a cerviz” (...) se alguém os chama para avisar que estão em caminhos maus e perigosos, respondem com galhofas e dizem: a palavra que nos fallaste em nome do Senhor não ouvimos de ti; antes queremos pôr por obra a palavra que saiu da nossa boca.(...) Além daquellas correntes e barranco, tapou-se a passagem com uma sebe. Ainda assim, teimam em passar. Antes querem andar em armadilhas do que subir esta encosta e andar o resto do caminho que conduz ao céu ( 1915, p. 53).
Esse trecho aponta para desvios do caminho que deveria ser seguido pela peregrina para ser considerada cristã. Faz-se menção clara aos processos de mascaramento nas relações sociais, bem como a sua formalização. Podem estar apontando para os processos compatíveis com a institucionalização da religião. Segundo Rubem Alves (1979, p. 87), é possível estabelecer uma relação entre a obra O Peregrino e o quadro “os dois caminhos”, ícone do movimento protestante. Em ambos o homem é posto como estranho na terra e sua pátria é o céu. Os dois caminhos são possibilidades de escolhas, que estão em oposição. Assim como empreender ou não a viagem para a Cidade Celestial ou seguir na cidade da Destruição. O
primeiro conduziria a Deus (Rei), sendo o Puritanismo o mapa para a chegada. O segundo é um desvio do primeiro através da escolha sustentada pelas vaidades. Nos escritos de Freud, de 1914, o narcisismo, é uma forma de prazer, especialmente desenvolvida na modernidade, onde o homem toma a si mesmo como um objeto de amor. O espelho que aponta para a rota das vaidades é construído por valores sociais, especialmente herdados pelas gerações passadas, cuja realização de desejos de viu obstaculizada e demanda assim à posteridade essa satisfação. Dessa maneira, uma geração projeta na outra a esperança de sua continuidade, de sua realização, ou de sua morte. O acordo para o conflito entre a realização do desejo ou sua postergação, pode ocorrer através da moral e dos costumes, considerados relevantes para um grupo. O modelo narcísico do grupo aponta para o devir do comportamento de seus integrantes e aqueles que dele se afastam pagam o preço, através da exclusão. Destruir-se ou encontrar o paraíso, através da escolha de atitudes, é uma ótica possível para abordar as representações alegoricamente escritas nesse trecho. Neste sentido as regras do comportamento religioso, parecem estabelecer um padrão grupal e social, enquanto a teologia liberal estimula simultaneamente experiências religiosas singulares, nas quais um certo tipo de misticismo pode habitar. Enquanto se trata de comportamentos sociais ascéticos, há a prática de um certo humanismo, mas quando se trata de ir ao encontro de Deus, é necessário um busca solitária e íntima do indivíduo62, consigo mesmo63.
Na contemplação e no entendimento dos valores enunciados imageticamente, o Protestantismo bunyano exalta a subjetividade, embora relacionado-a com o modo de ser social onde são feitas as opções que conduzem a atitudes e práticas religiosas ou não. É no mundo que está a possibilidade de uma vida que segue valores puritanos que condenam certos tipos de prazer, especialmente os sexuais. Pode-se pensar que é uma escolha entre formas de prazer: o imediato ou o mediato. O mediato segue os ditames da imaginação e dos valores propostos pelo novo movimento religioso que se tece. As escolhas dos peregrinos diante de
62 Segundo Bucke (1992) em sua obra Cosmic Consciousness a individualidade, é uma pré condição para o
desenvolvimento da consciência cósmica, o que implica em uma formação ética e educativa. As características de uma consciência cósmica são: a luz subjetiva, elevação moral, iluminação intelectual, sentido de imortalidade, perda do medo da morte, perda do sentimento de pecado, prontidão para o despertar, atração por relações com outros homens e mulheres com afinidades por esse tipo de consciência. São pré-requisitos para a consciência cósmica: o caráter intelectual, moral e físico do homem, que se desenvolve no seu cotidiano, não de forma excepcional, mas o suficiente para que isso ocorra. Trata-se de um certo modo de viver que propicia o alcance da experiência cósmica.
63 Huxley (19--?), p. 85) afirma que a definição teológica de uma visão, incluindo as experiências místicas, é
vista como uma “graça gratuita”. No caso de uma atitude de colaboração do(s) visionário(s) para com ela, geralmente ocorrem modificações nas relações sociais e na visão de mundo. São atribuídos significados profundos a suas imagens o que promove modificações de significados das condutas sociais.
cada tentação mundana indicam a utilização da razão que habita a temporalidade do presente, mas conduz-se por uma porta que se abre desde o futuro iluminado pelas relações com a fé. É uma fé que se formataria pelo Iluminismo, como “luz interior”, desenhando-se mais um modelo de em mística protestante: a mística da razão.
Um outro ponto de vista que permite a abordagem da obra, na direção pretendida pela pesquisadora, é o que trata da fé como imaginação. Fowler (1992, p. 32) esclarece que a fé, enquanto imaginação, apreende as condições últimas da existência, unificando-as em uma imagem abrangente, que modelas as respostas comportamentais, bem como atitudes, iniciativas, refletindo assim formas de interação com as forças sociais vigentes. A fé pode ser vista como um processo dinâmico, nascente de movimentos interativos, com pessoas, instituições, eventos que formam o estofo da vida social. A observação das formas imaginativas, criadas pelo processo humano de experiência da fé, permite analisar processos sociais que se dão em certas situações contextuais, bem como detectar sua natureza e representatividade da dinâmica social em curso. Acrescenta ainda Fowler (1992) que a palavra imaginação remete ao poder de integrar em uma unidade, elementos diversos, conflitivos e contraditórios. Deste modo traços históricos e imagens do futuro, entram em ressonância possibilitando organização e relações com os sentimentos. Essa ótica permite a visão do ambiente social, como “ambiente ideal”, ou seja, utópico e ao mesmo tempo como retrato das condições sociais presentes em um dado contexto. Partindo da idéia que as imagens da fé se relacionam com formas comunitárias de expressão social, torna-se possível traçar algumas considerações sobre as ações dos personagens de Bunyan:
Caminhava João Bunyan por um lugar desértico, certo dia, quando, avistando uma árvore frondosa cuja sombra refrescante convidava ao repouso, resolveu descansar um pouco. No sonho viu um homem mal vestido, tendo nas costas pesada carga. Chamava-se Cristão. Bunyan reparou então que o homem trazia um livro na mão, que lia à medida que caminhava. E exclamava com desespero: _ “Que hei de fazer?”. Neste estado de animo Cristão voltou a sua casa tentando conter sua aflição diante da esposa, mas não pode dissimulá-la. Abriu o coração e disse: _ “ Querida esposa, filhos do coração, não posso resistir por mais tempo ao peso deste fardo que me esmaga Sei que a cidade em que habitamos vai ser consumida pelo fogo de céu, e que todos pereceremos em tão horrível catástrofe se não encontrarmos meio de escapar (...) Encontra então Evangelista que lhe dá um rolo de pergaminho no qual estava escrito: “Fugi da ira vindoura” e
apontando um vasto campo disse: _ “Não estás vendo aquela porta. Não percas de vista aquela luz e dirige-te diretamente para ela. Quando bateres, alguém te dirá o que te convém fazer “. Bunyan (p.15-16).
No trecho que se segue Cristão encontra dois personagens, Vacilante e Obstinado que questionam sua crença na veracidade do livro que carrega. A resposta vem de imediato, afirmando que para desfrutar dos prazeres do reino de Deus a condição é a seguinte: “Se verdadeiramente desejamos essas bênçãos, Ele no-las concederá de graça” (Bunyan p. 20) Caminhando sozinho, Cristão encontra o personagem Sábio-Segundo-o-Mundo, que lhe aconselha a ir procurar um homem chamado Le galidade para se aliviar do fardo de culpa, dúvida, temores e apreensões que lhe oprime as costas. O filho de Legalidade que era Urbanidade, também seria encontrado na cidade, cujo acesso por um caminho montanhoso e íngreme, constituíam um desvio para Cris tão. Então ouve uma voz conhecida, vinda de Evangelista que lhe disse, (p. 26): “o homem justo viverá pela fé, e se retroceder, nele não se compraz a minha alma”(Hb 12, 25 e 10,38).Evangelista ainda esclarece para Cristão que o caminho que ele deve seguir é o mesmo por onde passaram os profetas, os patriarcas e os apóstolos, de vendo prosseguir então em direção a casa de Interprete que lhe diria coisas úteis e excelentes.
As imagens da fé parecem relacionar-se com o desejo de encontrar a divindade, que tem o poder de promover uma transformação de estados de pecado, para estados de bem estar, de estados de sofrimento e injustiça, para os de saúde e justiça. Assim, a cidade da Destruição o locus onde as relações humanas e as condições de vida são promotoras do mal. Há referência clara a legalidade como um processo herdeiro da urbanização, indicando as modificações sociais do meio rural ao urbano. As imagens ilustrativas do livro mostram uma paisagem típica do campo com árvores, montanhas, caminho de terra. Os poucos elementos mobiliários que surgem são rústicos, assim como a vestimenta é simples e sem adornos.
Em várias cenas os personagens aparecem no interior de ambientes, descalços, com roupas rasgadas e cercados de objetos como vassoura, peneira, cuias, jarros de barro pouco trabalhados. Esses aspectos indicam que Cristão era um personagem do meio rural, em contato com o meio urbano, implicado nos processo de mudanças sociais correspondentes. Surge a perspectiva de destruição da cidade pelo fogo, exterminando as práticas sociais geradoras de sofrimento, exclusão e falta de identidade. Tais processos expressam as aflições vividas pelo personagem e o preço pago para habitar a cidade da Destruição: teria que adotar as práticas cotidianas dos personagens de quem fugiu ao longo do seu caminho: (Paixão) paixão e prazer em gastar dinheiro; (Enjaulado) enjaular ao desânimo e a melancolia de quem
ofendera a Palavra de Deus e o Espírito Santo; Preguiçoso que só queria descansar; Desconfiado, que colocava tudo em dúvida e Tímido, que se encolhia e tinha falta de iniciativa. Estes últimos personagens parecem se relacionar com as práticas capitalistas nascentes e as atitudes humanas e sociais que a ela se associam, bem como a melancolia por um sistema social que se transformava, do mundo rural ao mundo urbano. A referência aos personagens Bíblicos importantes, parece oferecer ao fiel confiabilidade nos ensinamentos do livro sagrado e segurança de sua escolha, estimulando a persistência no encontro com personagens como Dificuldade e a Morte.
Vacilante e Obstinado64 parecem representar dois tipos de atitudes diante das escolhas religiosas, que se mostravam como matrizes culturais aparentemente diferenciadas: catolicismo e protestantismo. O problema da identidade e da diferença, afirma Stein (2001) coloca uma das interrogações mais decisivas não só do ponto de vista filosófico, mas de forma mais abrangente para a cultura. A facticidade da vida chega a um ponto crucial, quando o homem se depara com a possibilidade da morte. Aqui nasce a necessidade de construção e apropriação do signo do ser. Stein (2001) esclarece que a identidade é vista pelo filósofo da modernidade Martin Heidegger, como a afirmação da finitude, uma vez que é indicativa de escolhas diante da morte. Assim id entidade e diferença se co-produzem no pensamento heideggeriano, na medida em que se aproximam o homem da sua intuição original de a- letheia. Esse gesto de produção cultural é observável na articulação entre o novo e o arcaico, presentes na educação informal que orienta e revigora os comportamentos, crenças e valores, vindos de uma literatura popular, representativo de sua espontaneidade. Desse modo a identidade do Protestantismo, uma vez que se difunde pelas camadas populares é a criação de