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Katrak Çeşitleri

Belgede Katrakta Mermer Plak Kesimi (sayfa 9-13)

1. KATRAKLAR

1.2. Katrak Çeşitleri

A sociedade de hoje é industrializada, consumerista, amplamente informatizada, a ponto de falar-se em sociedade de massa. Surgem grandes corporações, e conglomerados se fortalecem nas áreas de prestação de serviços (saúde, educação), de venda de produtos de primeira necessidade, de turismo (lazer), etc. Assim, a responsabilidade civil, acompanhando a evolução, passa a proteger a pessoa não só como indivíduo, mas como coletividade.

      

184 BUONAURO, Carlo Il danno all’immagine della Pubblica Amministrazione in Temi…, cit. p. 8 185 CASTRO, Sandro. Il danno all’immagine.Torino: G. Giappichelli Editore, 2000.p. 215.

Com a promulgação da Constituição-cidadã, houve acentuada valorização dos princípios da função social da propriedade, da função social do contrato, da boa-fé objetiva, com inovação significativa na área dos direitos de família, tudo a garantir a dignidade da pessoa humana em toda a sua extensão.

Essa reviravolta permitiu a chamada socialização, ou seja, a prevalência do coletivo sobre o individual. Assim, como ressalta Carlos Alberto Bittar Filho, “os reflexos desse panorama de mudança estão fazendo-se sentir na teoria do dano moral, dando origem à novel figura do dano moral coletivo”.186

Para esse autor, a coletividade – em maior ou menor grupo – é titular de valores a serem protegidos, como os relativos ao meio ambiente; ao consumidor; ao patrimônio artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico etc., enfatizando que um valor caracterizado precisamente como coletivo é a honra. Com esteio na visão de De Cupis, afirma que “a ‘honra’ significa tanto o valor moral íntimo do homem, como a estima dos outros, ou a consideração social, o bom nome ou a boa fama, como, enfim, o sentimento, ou consciência, da própria dignidade pessoal”. 187

De modo que a honra biparte-se em honra objetiva, encarada como a reputação, o respeito que se desfruta no seio da sociedade e honra subjetiva, como a estima que cada qual tem de si próprio.

Bittar Filho informa que sob o prisma coletivo, as duas faces da honra – objetiva e subjetiva – se fazem sentir, uma vez que a coletividade também apresenta sua auto-estima. Trazendo em perspectiva que outro valor coletivo é a dignidade social, representada pelos símbolos nacionais (emblemas, hinos, bandeiras, escudos, brasões, insígnias etc). O Estado, promovendo o bem comum, a convivência pacífica de seus cidadãos, permitindo desfrutarem de uma vida digna, materializa tais valores através dos símbolos. O autor afirma ainda que quando se fala em dano moral coletivo, está-se fazendo menção ao fato de que o patrimônio valorativo de certa comunidade (maior ou menor), idealmente considerado, foi agredido de maneira absolutamente injustificável do ponto de vista jurídico; quer isso       

186 Cf. BITTAR FILHO, Carlos Alberto. Estudos do dano moral coletivo. Entrevistado por Eunice Nunes especial para Tribuna do Direito ano 14, n. 158, junho 2008.

187 Cf. BITTAR FILHO, Carlos Alberto. Estudos do dano moral coletivo. Entrevistado por Eunice Nunes especial para Tribuna do Direito, cit.,

dizer, em última instância, que se feriu a própria cultura, em seu aspecto imaterial. A coletividade, sentindo-se lesada em seus valores institucionais, teria legitimidade para pleitear a reparação, como o dano ambiental; a violação à honra de determinada comunidade como a negra ou a judaica através de publicidade abusiva; o abuso à bandeira brasileira etc. 188

O caráter indivisível dos valores coletivos que, obviamente, não se confundem com os de cada elemento, cada indivíduo da coletividade, fazem resgatar as incisivas palavras de José Carlos Barbosa Moreira que diz que

“Em muitos casos, o interesse em jogo, comum a uma pluralidade indeterminada (e praticamente indeterminável) de pessoas, não comporta decomposição num feixe de interesses individuais que se justapusessem como entidades singulares, embora análogas. Há, por assim dizer, uma comunhão indivisível de que participam todos os possíveis interessados, sem que se possa discernir, sequer idealmente, onde acaba a "quota" de um e onde começa a de outro. Por isso mesmo, instaura-se entre os destinos dos interessados tão firme união, que a satisfação de um só implica de modo necessário a satisfação de todas; e, reciprocamente, a lesão de um só constitui, ipso facto, lesão da inteira coletividade. Por exemplo: teme-se que a realização de obra pública venha a causar danos graves à flora e à fauna da região, ou acarrete a destruição de monumento histórico ou artístico. A possibilidade de tutela do "interesse coletivo" na preservação dos bens em perigo, caso exista, necessariamente se fará sentir de modo uniforme com relação à totalidade dos interessados. Com efeito, não se concebe que o resultado seja favorável a alguns e desfavorável a outros. Ou se preserva o bem, e todos os interessados são vitoriosos; ou não se preserva, e todos saem vencidos”.189

Interessante exemplo de avanço nesse campo é a decisão do Superior Tribunal do Trabalho que, conhecendo de ação civil pública para a defesa do meio       

188 Disponível em <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=6183>. Acesso em 05/06/06 Do

dano moral coletivo no atual contexto jurídico brasileiro. Carlos Alberto Bittar Filho Procurador do

Estado de São Paulo, Doutor em Direito pela USP.

189 Cf. BITTAR FILHO, Carlos Alberto. Estudos do dano moral coletivo. Entrevistado por Eunice Nunes especial para Tribuna do Direito ano 14, n. 158, junho 2008.

ambiente do trabalho, deferiu a indenização do dano moral coletivo, pois o meio ambiente, que deve ser adequado à saúde e à segurança dos trabalhadores, é encarado como complexo social inserido em seus valores íntimos, em especial a própria dignidade humana. 190

A aceitação de que a tutela dos valores morais não está restrita apenas aos valores morais individuais da pessoa natural, inaugura-se a possibilidade da reparação do dano moral coletivo em face da coletividade. O ente coletivo possui um patrimônio ideal que deve ser protegido.

Pense-se ainda no dano ecológico uma vez que a lesão ao meio ambiente afeta outros valores da coletividade, como a saúde, a qualidade de vida. Todos esses valores estão interligados. Luis Henrique Paccagnella refere que

“O dano ao patrimônio ambiental, ou dano ecológico, é qualquer alteração adversa no equilíbrio ecológico do meio ambiente (...) Por sua vez, o dano moral ambiental não tem repercussão no mundo físico, em contraposição ao dano ao patrimônio ambiental. Esse dano moral ambiental é de cunho subjetivo, à semelhança do dano moral individual. Só que o dano moral ambiental é o sofrimento de diversas pessoas dispersas em uma certa coletividade ou grupo social (dor difusa ou coletiva), em vista de um certo dano ao patrimônio ambiental (...)

Exemplificando, se o dano a uma certa paisagem causar impacto no sentimento da comunidade daquela região, haverá dano moral ambiental. Também vislumbramos dano moral ambiental na exploração predatória de uma jazida mineral que venha a deixar indelével marca em paisagem significativa de uma cidade, na contaminação da Baía de Guanabara, quando toda a coletividade sofreu abalo na sua auto-estima e imagem, ao presenciar os gravíssimos danos materiais impostos ao ecossistema, na contaminação desencadeada em Rio Grande pelo Navio Bahamas, nas hipóteses de poluição sonora e atmosférica em que ocorre perturbação do sossego e diminuição da qualidade de vida da

coletividade, dentre outros exemplos.       

Nesses casos, então, será perfeitamente possível cumular obrigações de fazer com indenização por dano extrapatrimonial”. 191 Liliane Garça Ferreira, trata do tema com acuidade, ressaltando que o Código de Defesa do Consumidor, em seu art. 6º, incisos VI e VII, de maneira expressa, prevê o dano extrapatrimonial tanto na hipótese de violação de direitos individuais, quanto coletivos e difusos. Mesmo porque, a coletividade, apesar de ser ente despersonalizado, possui um patrimônio ideal, nele considerado o meio ambiente ecologicamente equilibrado. 192

Justamente o alargamento do conceito de dano moral permitiu incorporar o chamado dano moral coletivo e que pode e deve ser tutelado, legitimando-se os órgãos de classe, o Ministério Público, os órgãos de defesa dos chamados interesses coletivos e difusos a defendê-lo.

Se à coletividade, lesada por situações que violam o meio-ambiente, as relações de consumo, o ambiente cultural, histórico, artístico etc, tem-se negado a indenização por danos morais, mesmo diante da ferrenha insistência do Ministério Público e dos órgãos de defesa do consumidor, com supedâneo nos permissivos das leis especiais (Código do Consumidor, Lei do Meio Ambiente), como ficará a legitimidade da pessoa juridica de direito público para pleiteá-la? O Ministério Público de Minas Gerais ingressou com ação por danos materiais e morais por danos ambientais sob o argumento de que a Constituição Federal de 1988 no que concerne à proteção do dano moral possibilitou ultrapassar a barreira do indivíduo para abranger o dano extrapatrimonial à pessoa jurídica e à coletividade, mas saiu-se vencido, apesar do magnífico voto do Ministro Luiz Fux. 193

Mas a proteção do dano moral coletivo não exclui, nem suplanta a legitimidade da pessoa jurídica de direito público.

Consuelo Yatsuda Moromizato Yoshida, traz uma visão poliédrica do patrimônio público como bem público (estatal) e como bem difuso (da coletividade). Assegura que

      

191 <http://www.mp.rs.gov.br/ambiente/doutrina/id378.htm> Acesso em 06/06/06

192<http://www5.mp.sp.gov.br:8080/caouma/doutrina/Amb/Teses/Liliane%20Garcia%20Ferreira.htm > Acesso em 05/06/06.

“Um mesmo bem jurídico pode ser simultaneamente objeto de direito ou interesse difuso, coletivo ou individual, dependendo do ponto de vista que o mesmo é analisado. O patrimônio público pode ser interpretado como um bem da entidade estatal respectiva (bem coletivo), e como bem de interesse da coletividade em geral, contribuinte dos tributos que o alimentam (bem difuso)”. 194

Diante da lesão, e até mesmo de ameaça de lesão ao patrimônio público, são atingidos os interesses da coletividade, extrapolando-se a esfera de interesses da pessoa jurídica titular desses bens. Consuelo Yoshida sublinha que o critério da lesividade, ou da simples ameaça de lesão, é que torna o patrimônio público objeto de interesse difuso, provocando a atuação dos legitimados para propor as ações coletivas, com a necessária e obrigatória intervenção do Ministério Público. Para a professora

“O patrimônio público, quando lesado ou ameaçado de lesão, deixa de ser interesse meramente estatal, da pessoa jurídica de direito público correspondente (União Federal, Estados, Municípios e respectivas autarquias) e passa a ser interesse de toda a coletividade, tutelável por todos aqueles legitimados pelo art. 5º da Lei nº 7.357/85 e art. 82 da Lei nº 8.078/90, ensejando, ainda, a intervenção obrigatória do Ministério Público com fulcro no art. 82, III, do Código de Processo Civil, na qualidade de custos legis. (...) A partir da Constituição de 1988 está superado aquele entendimento que preconiza que o interesse público não se confunde com o interesse meramente patrimonial da Fazenda Pública. Havendo lesão ou ameaça de lesão ao patrimônio público deixa de haver interesse meramente estatal, o chamado interesse público secundário, e concomitantemente surge o interesse público primário ou interesse social ou, ainda, interesse difuso, de toda a coletividade, cuja defesa é função institucional do Ministério Público, entre outros legitimados”. (grifos da pesquisadora)

      

194 YOSHIDA, Consuelo Yatsuda – O Ministério Público e sua função institucional de defesa do

patrimônio público lesado ou ameaçado de lesão. Boletim dos procuradores da República 18 de

“O patrimônio público lesado ou ameaçado de lesão é simultâneamente bem público (estatal) e bem difuso (da coletividade). O interesse na tutela do patrimônio público, nestas situações, deixa de ser exclusivo das entidades estatais e passa a ser de toda a coletividade, contribuinte dos tributos que o alimentam”. 195

Rafael Viola, criticando a terminologia “dano moral coletivo” (pois o dano moral tem caráter subjetivo e individual), assume que não se pode negar que a violação dos interesses difusos e coletivos, acarreta um dano extrapatrimonial. Mas indaga acerca da possibilidade de enquadrar o dano ambiental e o dano de massa na categoria de danos morais: “existe dor, sofrimento ou humilhação? Existe lesão ao direito da personalidade ou da dignidade da pessoa humana, que são exclusivos da pessoa humana? A resposta a todas essas indagações, diz, é negativa, pois não é possível conceituar o dano ambiental ou o dano de massa como um dano moral. Para Viola, o dano extrapatrimonial não se confunde com o dano moral em que pese a positivação do termo dano moral coletivo no artigo 6º, incisos VI e VII do Código de Defesa Consumidor e do caput do artigo 1º da Lei 7.347/85. 196

Belgede Katrakta Mermer Plak Kesimi (sayfa 9-13)

Benzer Belgeler