As armas de letalidade reduzida são empregues num largo espetro das operações militares. Sendo assim as mesmas enquadram-se na ajuda humanitária, nas operações de apoio à paz e nas operações de segurança, excluindo deste modo as operações de guerra em que a escala de violência é bem superior e onde é necessário armamento convencional. Percebe-se que a utilização deste tipo de armamento está diretamente ligada com as missões no âmbito das ORC já que o seu emprego alberga todo o tipo de missões que podem ser desempenhadas aqui (Martins, 2012).
Figura nº 2 - Espetro de aplicação das ALR nas operações militares (Martins, 2012)
Ainda que a intensidade do combate aumente drasticamente, cada vez mais as ALR são passíveis de serem usadas em menor quantidade, uma vez que, a tecnologia não para de evoluir e sendo esta ideia aplicável às ALR é necessário que haja um controlo para que se possa constatar qual será a melhor escolha para um determinado tipo de missão, testando a capacidade deste armamento e para poder determinar quais são as armas mais eficazes. A OTAN devido à grande diversidade de armamento realizou testes em ambientes específicos de combate para avaliar a eficácia militar das novas tecnologias,
situações estas que versam sobretudo as ORC. Estes cenários apresentaram vários tipos de ambientes previstos que possam vir a ocorrer em 2020. Para tal alcançou-se uma fragilidade para o emprego das ALR que são situações onde se podem realizar Operações de Paz (OP), Assistência Humanitária (AH) e zonas muito próximas situações de combate convencional quente a este ambiente que foi intitulado Three Block War18(Martins, 2012).
Para prevalecer neste tipo de ambiente torna-se crucial que as forças nele inseridas reúnam as capacidades para isolar cada zona dependendo do que nas mesmas vai ocorrendo, onde o discernimento é esbatido pela dificuldade de identificar todos os combatentes e diferenciá-los dos que não o são (Martins, 2012).
O Research and Technology Organisation (RTO) concluiu que é altamente provável que as forças da OTAN num futuro próximo tenham de maioritariamente conduzir operações em teatros de áreas edificadas. Este tipo de ambiente promove desafios altamente complexos como resultado de um dos fatores de decisão mais importantes, terreno, a grande densidade de infraestruturas, o vetor multidimensional deste tipo de operações que permite a força entrar em combate a partir de qualquer posição, sendo o combate no subsolo, dentro de edifícios, no topo dos mesmos, viável para conduzir qualquer tipo de operação em áreas edificadas (OTAN, 2004).
As situações mais importantes onde o uso deste tipo de armamento é empregue passam obviamente pelo controlo de tumultos ou de multidões, podendo este ponto incidir sobre uma série de cenários possíveis como embaixadas, prisões, pontos de controlo, ou mesmo infraestruturas do governo como aconteceu a 16 de outubro de 2012 junto ao palácio de São Bento onde a polícia foi chamada a intervir como força de controlo de tumultos, o qual provocou 11 feridos ligeiros, 10 dos quais eram polícias (Fialho, 2012).
Outra situação, que pode inclusivamente provocar o caos económico numa determinada região, sob a forma de sansão a um país, passa pelo uso substâncias cáusticas, deteriorando estradas, sapatos ou mesmo pneus, criando engarrafamentos e obstruções capazes de impedir a livre circulação de veículos (Santos, 2011).
As ALR são de uma diversidade tão grande que podem também desencorajar um estado de tomar medidas beligerantes contra outro, por exemplo sob a forma de vírus informático que atuando em diversos pontos-chave, tais como telecomunicações,
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As forças militares da atualidade devem ser capazes de participar tanto em operações de combate como em ações de ajuda humanitária ou em missões de apoio à paz. É hoje aceite que os militares e respetivos meios devem estar aptos a levar a cabo todos estes diferentes tipos de operações, se necessário, “no mesmo dia”, ou seja, com um tempo de preparação muito curto e quase e sempre em espaços urbanos. Podem mesmo ter que efetuar estas diferentes operações, em simultâneo, em espaços geográficos muito próximos uns dos outros (Machado, 2009).
indústrias, fornecimento de energia elétrica, etc., desencorajando as intenções de conflito armado (Santos, 2011).
No âmbito de operações especiais, por exemplo no resgate de reféns, a arma ideal deveria neutralizar por completo os sequestradores sem provocar ferimentos ou lesões nas vítimas. Portanto qualquer efeito neutralizador deve ser controlável, de modo a que os reféns possam utilizar os seus próprios meios para uma eventual fuga. As ALR empregues neste tipo de situações podem variar, passando por tasers, granadas com explosivos luminosos, lasers para encadeamento, tudo dependendo do cenário, não podendo ser recomendado em nenhuma ação de formação sobre este tema que tipo de arma deverá ser utilizada, pois as variáveis podem ser imensas, desde os acessos em potencial do grupo de resgate, as capacidades e intenções dos terroristas, o uso de atiradores de elite entre outros fatores estão em jogo (Santos, 2011).
Ainda no âmbito de ações de antiterrorismo e para impedir o tráfego de droga as ALR têm um importante papel a desempenhar, nomeadamente em viaturas equipadas com determinados sensores ou até meios aéreos telecomandados (drone19) capazes de vigiar e intimidar criminosos, mostrando-se estes últimos bastante eficazes em conflitos passados como na guerra do Golfo ou da Somália (Santos, 2011).
Há um princípio que deve ser aplicado sempre que for possível num conflito, a regra da proporcionalidade, onde este último evoca um relacionamento razoável entre a destruição infligida e a significância militar do ataque. Por isso nos conflitos em zonas urbanas, a premissa chave contra uma insurreição é conquistar os corações e mentes da população afetada. Os insurgentes que se infiltram entre civis, são especialmente difíceis de neutralizar, todavia não é necessário ou desejável matá-lo para o derrotar. A habilidade de neutralizá-los tem a vantagem de conseguir tirar informações que podem ser críticas para a resolução da insurgência (Santos, 2011).
Algumas tecnologias não letais promissoras contra insurreições incluem químicos e gases lacrimogêneos, agentes calmantes, armas que provocam cegueira temporária, armas acústicas, armas de micro ondas ou até outras mais usuais tais como canhões de água ou projeteis não penetrantes (Santos, 2011).
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