• Sonuç bulunamadı

Esta pesquisa parte de uma abordagem qualitativa e utiliza a observação participante, conversas, entrevistas semiestruturadas e a análise de documentos e de outras materialidades para a condução de um estudo de caso único, que tem no Programa de Promoção da Igualdade de Oportunidade para Todos sua principal unidade de análise. Robert E. Stake (2005, p. 443) salienta que o “estudo de caso não é uma escolha metodológica, mas uma escolha do que será estudado”. O autor acrescenta que qualquer que seja o método escolhido para conduzir o estudo, o pesquisador, ou a pesquisadora, estará concentrado não no método, mas no caso.

E foi esta a nossa opção: o caso Programa de Promoção da Igualdade de Oportunidade para Todos. E para compreendê-lo, desde a sua concepção até os resultados que ainda tem conseguido produzir, lançamos mão das técnicas e estratégias de pesquisa que se mostraram necessárias. Também fomos guiados pelo caso na escolha dos entrevistados, das variáveis de análise e do referencial teórico que auxiliaram o processo de análise do estudo.

Nossa opção de primeiro olhar para o caso empírico e depois escolher as variáveis de análise e dimensões teóricas da pesquisa guarda relação muito próxima com a proposta metodológica sugerida por Klaus Frey (2000) para estudos que visem a análise de políticas públicas. Frey argumenta que, no que diz respeito à criação de pressupostos que nortearão o estudo de caso para análises de políticas, não seja possível e nem se justificaria uma dedução meramente teórica e apriorística das variáveis de análise a serem consideradas, sendo

indispensáveis representações modelares sobre as possíveis explicações, o que pode ser obtido por meio de estudos empíricos preliminares, conclui o autor.

A proposição de Stake de que, para os estudos de caso, o pesquisador deve se concentrar no caso e não nos métodos de pesquisa – o que a nosso ver equivale a dizer que ao pesquisador é franqueada a utilização das técnicas e métodos que se mostrarem necessários para a compreensão do caso –, é bem recepcionada pela perspectiva epistemológica que orientou a produção desta tese: a perspectiva pós-construcionista que, no sentido que a ela atribuímos, admite o uso de múltiplos e diferentes métodos dentro de uma mesma iniciativa de pesquisa, sem que haja preocupação com argumentos sobre triangulação ou compatibilidade, uma vez que diferentes estudos podem requerer a conjugação de diferentes métodos para que sejam conduzidos de modo mais efetivo (SPINK, 2003, 2008).

Para Stake (2005, p. 445-6), os estudos de caso podem ser de três tipos: intrínsecos, instrumentais e múltiplos. Os estudos do primeiro tipo teriam um interesse especialmente centrado no caso e, dessa forma, o esforço de pesquisa não se justificaria pelo fato de o caso representar outros casos ou ilustrar um problema particular, mas pela própria particularidade do caso. Aqui, o propósito do pesquisador não seria o de compreender fenômenos genéricos ou quaisquer tipos de construções abstratas por meio do caso. O autor, porém, não é ingênuo e admite que mesmo em estudos deste tipo, o pesquisador poderia subordinar outras curiosidades a seu primeiro interesse, que estaria centrado no caso.

Os estudos instrumentais e os múltiplos guardariam relação porque, nesses tipos de pesquisa, o caso não seria o ponto central da questão, mas um instrumento para a compreensão de determinados fenômenos ou mesmo para a generalização de princípios. Os estudos do tipo casos múltiplos se distanciam dos dois primeiros uma vez que seu interesse está não em um único, mas em diversos casos, que não são necessariamente analisados por suas peculiaridades, mas apenas para facilitar a compreensão de fenômenos, populações ou condições gerais.

Já os estudos de casos intrínsecos e instrumentais guardam mais íntima relação entre si do que qualquer um dos dois guardaria com os de casos múltiplos, uma vez que aqueles primeiros têm interesse em uma única unidade de análise, caracterizada por certos atributos que lhe são peculiares. Para Stake, não é possível encontrar uma divisória densa que separe os estudos intrínsecos dos instrumentais, mas uma zona de propósitos combinados (p. 445).

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É nessa zona fluida que se localiza o nosso estudo do caso Programa da Promoção da Igualdade para Todos. É um estudo de caso intrínseco porque, na verdade, estamos muito interessados no Programa em si. Ele simboliza a primeira tentativa séria do País no sentido de implementar uma ação afirmativa para negros no mercado de trabalho. Vimos que essa é uma medida que se fazia necessária desde 1888 e vivenciamos as mazelas sociais que a ausência de semelhante ato acarreta, constatações que reafirmam a importância do PPIOT. Mas é também um estudo de caso instrumental porque acreditamos que uma análise das relações que desencadearam o Programa e daquelas que dele decorreram contribui para o aperfeiçoamento das políticas de promoção da igualdade racial.

Kathleen Eisenhardt (1989) sugere que os estudos de realidades empíricas, como o nosso, são excelentes fontes para a construção de teorias, e salientamos aqui que esse não é o nosso objetivo. Diferentemente, o estudo de caso desenvolvido nesta tese visa não ao desenvolvimento de teorias, mas à “geração e a mobilização de conhecimentos para a resolução” de problemas sociais relevantes (FARAH, 2012).

Por fim, destacamos que a unicidade do caso não implicará necessariamente a análise de apenas um contexto social específico. Como salientou Stake (2005, p. 449), os casos singulares podem se ramificar em diversas dimensões e domínios, e cada uma dessas ramificações pode ter seu próprio contexto. Essa característica dos estudos de caso únicos pode levar a uma pluralidade de narrativas, referentes aos diversos contextos abrangidos pelo caso em questão. Para o autor, a abordagem qualitativa convida para o exame dessas complexidades, uma vez que fenômenos sociais são situacionais e revelam vários tipos de acontecimentos. O caso analisado nesta tese é um excelente exemplo das ramificações e complexidades às quais o autor se refere. Como veremos nos próximos três capítulos, para a descrição do PPIOT e sua contextualização, recorreremos a temas, dimensões e contextos diversos, uma vez que o Programa não poderia ser compreendido em sua riqueza se mantivéssemos o olhar apenas em seus dois elementos centrais: o MPT e as organizações bancárias. Essa decisão está ancorada na sugestão de Stake (2005, p. 449-50), quando o autor destaca que, “talvez a regra mais simples sobre métodos para estudos de caso qualitativos seja esta: dedique o seu melhor na descrição densa do que está acontecendo”, de modo a possibilitar que os leitores revivam os acontecimentos e, a partir dali, tirem suas próprias conclusões a respeito do caso. E foi essa a nossa opção.

Construção das evidências

Como mencionado anteriormente, a pesquisa se desenvolveu em duas etapas. A primeira, que teve um caráter mais exploratório, possibilitou uma visão mais ampla acerca dos diferentes contextos nos quais o PPIOT estava inserido, permitindo uma melhor delimitação do problema de pesquisa, apresentado acima, que orientou a segunda etapa. Para operacionalizar essa agenda de pesquisa, recorremos a diferentes estratégias e técnicas de investigação, que deram corpo ao estudo de caso. Importante frisar que o fato de dividirmos a pesquisa em dois momentos não é o mesmo que dizer que fizemos primeiro uma pesquisa de campo e, depois, nos retiramos para um laboratório para analisar os dados. Não foi isso que ocorreu. Estamos situados no campo do tema Programa da Promoção da Igualdade de Oportunidade para Todos, desde o primeiro momento que nos vinculamos ao assunto desta pesquisa (SPINK, 2003, 2008). Por exemplo, as conversas com interlocutores no campo-tema foram mais frequentes e intensas no inicio do processo, mas ocorreram mesmo durante o período de produção deste texto. Da mesma forma, a busca por documentos que serviram como fonte de produção de evidências foram mais intensas entre o início do processo e o final do que temos chamado de primeira fase da pesquisa, mas ocorreu de acessarmos novas fontes durante a última etapa também. Estávamos o tempo todo no campo- tema e dele dispúnhamos conforme a necessidade.

Os Quadros 2.1 e 2.2, apresentados a seguir, revelam as principais fontes recorridas para a produção de evidências para cada etapa da pesquisa. Dizemos construir as evidências porque, como salientou Spink (2003, p. 37), “não há dados nas nossas investigações”, pois, continua o autor, “não há fatos empíricos esperando pacientemente e independentemente para serem interpretados”, noção compartilhada com Paul Rabinow (2000), que argumenta que os dados etnográficos não são dados, nem pedras brutas que podem se recolhidas no campo para posterior análise, mas são construções que derivam de interações dialógicas entre o pesquisador e seus interlocutores.

É oportuno salientar, que muitas das evidências produzidas no que tem sido chamada de primeira etapa serviram de fonte para a segunda e vice-versa, não havendo assim uma distinção tão demarcada entre um e outro momento. Eles de fato ocorreram, mas não de modo tão linear, tendo havido, muitas vezes, sobreposições. Por exemplo, as entrevistas realizadas com representantes do Ministério Público do Trabalho ocorreram na primeira fase, mas também serviram como fonte para a etapa seguinte. Por outro lado, a entrevista com o representante da

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ONG Educafro, ocorreu em novembro de 2011, ou seja, já na segunda etapa da pesquisa. Mas, além de ter fornecido informações valiosas sobre o processo de negociação na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados Federais, contribuiu também para a melhor compreensão dos eventos que deram origem ao PPIOT, tema que fazia parte da primeira fase da investigação. Assim, é apenas aparente a rigidez dos quadros e o valor deles decorre do fato de se constituírem em instrumentos que permitem a síntese e a fácil visualização.

Primeira etapa

Principais fontes Conversas e entrevistas semiestruturadas com os seguintes atores: (i) ativistas do Movimento Negro; (ii) representantes do MPT; e (iii) gestores e alunos da Faculdade Zumbi dos Palmares.

Documentos: Peças iniciais e decisões de primeira instância das ações civis públicas; Tese de Santiago Falluh Varella.

Quadro 2.1. Principais fontes de produção de dados – primeira etapa. Segunda etapa Pergunta de pesquisa Principais fontes

Por que os bancos implementavam programas de diversidade e buscavam alunos da Faculdade Zumbi dos Palmares?

Conversas e entrevistas semiestruturadas com os seguintes atores: (i) gestores da Faculdade; (ii) ativistas do Movimento Negro; e (iii) representantes do MPT.

Documentos: Atas das reuniões na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados Federais; Relatórios da CMDH, de 2005 a 2009;

Como funcionavam esses programas?

Conversas e entrevistas semiestruturadas com alunos e gestores da Faculdade Zumbi dos Palmares;

Documentos: Balanços sociais da Febraban para o as anos-base de 2001 a 2012 e diversas outras publicações e livros institucionais editados entre os anos de 2009 a 2012; Tese do Pedro Jaime Coelho Júnior.

Especialmente no que concerne à questão racial, o

Conversas e entrevistas semiestruturadas com os seguintes atores: (i) gestores da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR); (ii)

Programa de Valorização da Diversidade é uma iniciativa que se sustenta sem a pressão do Ministério Público do Trabalho e do Judiciário?

alunos da Faculdade Zumbi dos Palmares.

Documentos: Balanços sociais da Febraban para o anos-base de 2001 a 2011 e diversas outras publicações e livros institucionais editados entre os anos de 2009 a 2012; Tese do Pedro Jaime Coelho Júnior.

Planilha de controle de estágios da Faculdade Zumbi dos Palmares. O Programa Febraban de

Valorização da Diversidade resolverá os problemas de desigualdade que o PPIOT visava resolver?

Revisão de literatura acadêmica nacional e estrangeira sobre gestão da diversidade; revisão de literatura sobre desigualdades raciais no Brasil e políticas de promoção da igualdade racial; e revisão da literatura sobre desigualdades duráveis.

Quadro 2.2. Principais fontes de produção de dados – segunda etapa.

Apontadas as principais fontes recorridas, apresentamos a seguir os valores e ocorrências que de modo mais marcantes caracterizaram o nosso contato com elas.

Conversas e entrevistas

Ao longo de todo o processo, conversamos com muitas pessoas, destas, 29 se deram com hora marcada e com a presença de blocos de anotações e gravadores. Para simplificar a compreensão, as 29 conversas gravadas são aqui chamadas de entrevistas semiestruturadas e se estenderam por um período mínimo de 30 minutos, com a maioria alcançando de 60 a 90 minutos. Estas foram conduzidas, ao longo de todo o processo de pesquisa, com alunos e gestores da Faculdade Zumbi dos Palmares; representantes do Ministério Público do Trabalho; gestores de recursos humanos de organizações não-bancárias; ativistas dos movimentos sociais negros e representantes da Secretaria de Políticas de Igualdade Racial (SEPPIR), conforme especificado no Quadro 2.3, a seguir. As conversas não gravadas se deram mais especialmente com os alunos, uma vez que era com eles que mantínhamos contato mais direto durante os dois anos e meios que permanecemos na Faculdade Zumbi os Palmares. De igual modo, conversamos muito com o coordenador do curso de Administração de Empresas, que acumulava responsabilidade não de diretamente fazer os lançamentos, mas zelar para que fosse mantida atualizada a planilha de controle de estágio, que comentaremos a seguir. Com menos frequência, tivemos também a

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oportunidade de dialogar com ativistas dos movimentos sociais negros e profissionais de responsabilidade social e gestão de pessoas. Dentre essas conversas, as que de modo especial nos chamaram a atenção tiveram fragmentos do seu conteúdo registrados em um caderno de notas.

Alvesson, (2003) sugere que as entrevistas são comuns para o levantamento de informações sobre o conhecimento, experiência e práticas sociais dos diversos atores, e foi por isso que lançamos mão das conversas/entrevistas para levantar informações de modo direto ou indireto sobre o PPIOT. As que se deram com os dois representantes do Ministério Público do Trabalho, com os dois representantes da SEPPIR e com quatro ativistas dos movimentos sociais negros trataram diretamente do Programa de Promoção da Igualdade de Oportunidade para Todos. As que se deram com os dois gestores da Faculdade Zumbi dos Palmares, seu presidente e o coordenador de curso mencionado acima, trataram do Programa, mas não de modo direto, sendo o centro da questão, neste caso, a relação dos bancos e outras empresas com a Faculdade, interessava-nos saber além dos bancos quais outras empresas buscavam a Faculdade, qual razão que as levava a buscar a Faculdade, qual era o número de alunos em estágio/trabalho em banco e em outras empresas, qual o conteúdo das parcerias, e outras questões como estas predominaram na conversa/entrevista.

Nas primeiras conversas/entrevistas com os alunos raramente tocávamos no PPIOT, uma vez que predominava o desejo de saber como eles sentiam no novo ambiente de trabalho, o que era bom e o que era ruim, como viam a relação estabelecida com colegas e chefias, como viam e avaliavam o programa de diversidade racial do banco em que estavam inseridos. As conversas nos levaram a ter informações sobre a sustentabilidade dos programas de diversidade. Mas, devemos confessar que não foi essa a nossa primeira motivação. O que nos motivava a ouvi-los era uma empatia.

E, para mais bem falar sobre isso, peço licença para escrever no singular. Eu sou preta. Já fui jovem preta e sei como é difícil galgar espaço em nosso mercado de trabalho, acho que até hoje ainda não consegui fazer isso. É muito difícil para uma pessoa negra se inserir nos espaços predominantemente brancos, porque somos olhados e tratados de modo diferente, não por todos, mas pela maioria das pessoas brancas (e muitas vezes pelas próprias pessoas negras, geralmente dos níveis hierárquicos inferiores) desses espaços, e isso não tem nada a ver com a posição que ocupam ali. Na FGV, por exemplo, sou frequentemente apontada, por pessoas de todos os níveis hierárquicos, como estrangeira, aluna de intercâmbio, em que pese o fato de estar há quatro anos

circulando por aqui. Mas, isso não vem ao caso, apenas ajuda a entender que o que eu queria saber dos alunos era se os programas de diversidade dos bancos conseguiam fazer com que se sentissem mais em casa e não estrangeiros no próprio País. Queria ver como estavam sendo formatados os programas dos bancos, o que estavam mobilizando para criar um ambiente de trabalho, de fato, mais diverso. Sabemos que a fomentação de ambientes de trabalho diversos implica uma gestão ativa do processo e atitudes que vão além de admissão das pessoas tidas como ‘diversas’, como, por exemplo, oferecer informações sobre o tema e formação àqueles considerado o status quo ou ‘não diversos’, além da adoção de outras medidas (NAFF; KELLOUGH, 2003).

Vale salientar que tivemos a oportunidade de conversar com quatro alunos que iniciaram seus estágios no ano de 2006. Neste ano, como será visto no quinto capítulo, foi quando os bancos se mobilizaram de modo mais sistematizado para a contratação de estagiários/profissionais negros. Dos quinze alunos cujas entrevistas foram gravadas, cada grupo de cinco era vinculado a uma instituição bancárias específica. Dessas três instituições bancárias, duas haviam sido investigadas e levadas a juízo pelo MPT.

Relação de conversas/entrevistas semiestruturadas gravadas

Número Atores Anos

2009 2010 2011 2012

10 Alunas 7 3

5 Alunos 5

2 Representantes de empresas não bancárias 2

1 Representantes da Faculdade Zumbi dos Palmares9 1 1

2 Representantes do Ministério Público do Trabalho10 2 1

7 Representantes do Movimento Negro 3 3 1

2 Representantes da Secretaria de Políticas de Igualdade Racial 2

29 Total 8 5 7 11

Quadro 2.3. Número de entrevistados por tipo de ator

9 Entrevistamos a mesma pessoa em duas ocasiões diferentes. 10 Entrevistamos uma das duas pessoas em duas ocasiões diferentes.

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Documentos e outras materialidades

Os documentos, que se constituíram em outra fonte valiosa para a produção das evidências, não estavam todos reunidos em um único espaço físico ou virtual. Tivemos que realizar diferentes buscas e algumas delas sem saber bem o que estávamos procurando. Este foi o caso, por exemplo, dos relatórios da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados Federais (CDHM). Quando encontramos o documento, no sítio Google, estávamos buscando apenas uma das atas das seis reuniões de um grupo de trabalho, encontros que ocorreram entre os anos de 2006 e 2007 naquela instituição e sobre eles trataremos no capítulo cinco desta tese. E só buscávamos uma das atas porque já tínhamos cópias das demais. Cópias das cinco atas e de um conjunto de outros documentos – dentre os quais da petição inicial de uma das ações civis públicas do MPT, memorandos do IARA ao OIT, MPT, e outros órgãos, de representações por discriminação no trabalho apresentadas às Procuradorias Regionais do Trabalho – foram cedidas pelo Instituto de Advocacia Racial e Ambiental, em visita realizada á sede da organização, no Rio de Janeiro, em janeiro de 2010. O relatório da CDHM de 2006, trazia a ata que não tínhamos, além de outras informações acerca do Programa, que apesar de não acrescentarem muito ao que já conhecíamos a seu respeito, possibilitou-nos apreender o sentindo que a CDHM atribuía ao Programa. A maioria dos documentos institucionais utilizados para a realização da pesquisa foi encontrada na Internet, e da referência constam o domínio e a data de acesso.

As teses de Santiago Falluh Varella (UNB, 2009) e Pedro Jaime Coelho Júnior (USP, 2011) foram duas fontes de informação muito importantes. A primeira, elaborada pelo coordenador técnico do PPIOT, dedicou-se a compreender as resistências apresentadas pelo Poder Judiciário Trabalhista da 10ª Região, no Distrito Federal, tanto para identificar a discriminação racial como para adotar políticas em seu combate. Para encaminhar sua agenda de pesquisa, o autor recuperou as trajetórias das cinco ações civis públicas, impetradas pelo MPT e os argumentos mobilizados por ambas as partes do litígio judicial, os bancos e o próprio MPT. O trabalho de Varella foi amplamente utilizado no capítulo quatro da presente tese, em que descrevemos a primeira etapa da implantação do PPIOT.

O trabalho de Coelho Júnior não teve o PPIOT como centro da atenção. Antes, propôs-se a pensar sobre a questão do racismo e da diversidade no mundo empresarial em São Paulo, a partir das trajetórias profissionais de executivos negros. Mas, no início de 2007, o autor estava realizando, para uma pesquisa que guardava certa relação com seu trabalho de tese, um estudo de

caso no Comitê de Mulheres na sede paulistana de um grande banco privado do País. Nesse período, esse banco iria retomar as reuniões do Comitê de Negros e uma gestora do departamento

Benzer Belgeler