2.5 Katalitik Konvertör
2.5.6 Katalitik Konvertörün Yapısı
No Renascimento se deu a união teórica do belo com a arte. A natureza, então, passou a ter lugar privilegiado na esfera da beleza, ou seja, a natureza passou a ser a fonte do belo e esta tinha que ser revelada pelo pintor com as suas produções. A Arte se sujeitou a uma beleza natural, evocando apenas aquilo que estava dentro de certos limites. Já no século XVIII, admitiu-se “que essa beleza natural está esparsa nas coisas, onde se oferece ao deleite do espírito por intermédio da vista e do ouvido. As obras de arte também proporcionam o mesmo deleite àqueles que sabem encontrar nelas as marcas universais do belo”190. Foi nesse século que surgiu uma nova disciplina filosófica, com o objetivo de estudar o belo e suas manifestações na arte. Seu fundador, Alexander Gottlieb Baumgarten (1714 – 1762) conceituou essa disciplina como ciência do belo e da arte.
A reflexão filosófica em torno da arte derivou, assim, para uma ciência que fez da apreciação da beleza o seu tema fundamental. [...] A nova ciência concebeu a arte como aquele produto da atividade humana que, obedecendo a determinados princípios, tem por fim produzir artificialmente os múltiplos aspectos de uma só beleza universal, apanágio das coisas naturais191.
Tillich critica a concepção de que a arte deve criar a beleza, valorizando o belo como critério para esse fim. Se o belo significa uma criação cujas formas produzem prazer imediato, apenas poucos e questionáveis estilos artísticos referem-se ao belo. Se o belo significa o poder de mediar um âmbito especial de sentidos, pela transformação da realidade, a arte deve ser bela. Comumente, o termo é usado no primeiro sentido. É a arte pela arte, que não leva em conta o conteúdo e o sentido das criações artísticas em função
189 Ibid., p. 40.
190 NUNES, B. Op. cit., p. 10. 191 Ibid., p. 10.
de sua forma, privando a arte de seu caráter existencia l192. Mas a transformação e a beleza podem significar algo bastante diferente. Elas podem significar que o dado é transformado de tal forma que se torna um símbolo do que transcende o dado.
Nenhuma expressão artística é possível sem a forma racional criativa, mas a forma, mesmo em seu maior refinamento, é vazia se não expressa uma substância espiritual. Inclusive a criação artística mais rica e profunda pode ser destrutiva para a vida espiritual se for recebida em termos de formalismo e esteticismo. As reações emocionais da maioria das pessoas contra o esteticismo são erradas em seu juízo estético, mas acertadas em sua intenção fundamental193.
De acordo com Tillich, a arte faz três coisas: expressa, trans forma, e antecipa. Ela expressa o temor humano da realidade que ele descobre. Ela transforma a realidade comum a fim de dar a ela o poder de expressar alguma coisa que não é ela mesma. Ela antecipa as possibilidades de ser que transcendem as possibilidades dadas. “Expressão” é a categoria universal que se refere a tudo o que é. Pode-se e deve-se ser entendida filosoficamente. Mas, no campo do ser, à medida que as potencialidades se tornam verdadeiras no mundo da aparência, o termo expressão pressupõe a distinção daquilo que é expresso e em que é expresso. Objetivando uma melhor clareza desses aspectos, Tillich distingue entre dois níveis da expressão artística. O primeiro refere-se à expressão como característica geral da arte, à medida que expressa a qualidade da realidade que transcende a mera objetividade e a mera subjetividade194. Isto é, a arte expressa um nível da realidade e ao fazê-lo preenche nosso desejo de nos reunirmos com o sentido da totalidade. O segundo nível em que o significado da expressão aparece é – já vimos anteriormente – a forma expressionista de arte. Ela não apenas se expressa, mas também mostra que é expressiva.
A segunda característica da criatividade artística, Tillich chama de “transformação”. Aqui, a arte precisa transformar a realidade dada em uma forma que expresse a dimensão da realidade. Esta transformação é determinada por regras artísticas que tem um lado universal e outro particular. Em muitos casos é duvidoso se uma forma de transformação nega a arte como arte, ou apenas como um estilo especial da arte195. Algumas pessoas dizem que o critério apropriado é que a realidade não é transformada, mas imitada. Ainda assim, para o teólogo, não há nenhuma imitação que não seja
192 TILLICH, P. On art and architecture, p. 21. 193 Idem. Teologia sistemática, p. 103. 194 Idem. On art and architecture, p. 19. 195 Ibid., p. 9.
transformação. Isto é, um espaço infinito separa as formas de arte mais imitativa da realidade. As formas artísticas e as formas naturais nunca são as mesmas. Isso pode introduzir um elemento de risco nas transformações artísticas. Mas, como assinala Tillich, deve-se assumir o risco em todos os aspectos da vida.
A terceira característica é o que Tillich cha ma de “antecipação”. O que é a antecipação? Para Tillich é a coragem de tirar a própria angústia, finitude, falta de significado, e expressar a coragem em forma artística. Este é o elemento de antecipação, até mesmo nas formas de artes mais distorcidas.
Diante desses elementos apresentados por Tillich, fica explicito que a arte não somente caracteriza-se por produzir prazer, mas possibilita a abertura de esferas que transcendem a realidade dada. Em sua Teologia Sistemática, Tillich assinala que a intenção principal da função estética é expressar qualidades do ser que podem ser captadas somente pela criatividade artística. Em outras palavras, uma obra de arte é autêntica, se expressa o encontro entre a mente e o mundo, em que uma qualidade de outra forma de uma porção do universo se une ao poder receptivo, de outro modo oculto, da mente.
No encontro estético se chega a uma união real entre o eu e o mundo. Existem graus de profundidade e autenticidade nesta união [...] Uma obra de arte é uma união entre o eu e o mundo dentro de limitações, tanto da parte do eu quanto da parte do mundo. A limitação da parte do mundo é que, embora se alcance, na função estética como tal, uma qualidade de outra forma oculta do universo, a realidade última, que transcende todas as qualidades, não é alcançada; a limitação da parte do eu consiste no fato de que, na função estética, o eu capta a realidade em imagens e não com a totalidade de seu ser. O efeito desta dupla limitação na função estética vai fazer com que a unidade de sujeito e objeto tenha um elemento de irrealidade. Ela é “aparente”; antecipa algo que ainda não existe196.
A ambigüidade da função estética é sua oscilação entre realidade e irrealidade. A função estética não se restringe à criatividade artística, assim como a função cognitiva não se limita à criatividade científica. Como nos propõe Tillich, o esteticismo priva a arte de seu caráter existencial, substituindo a união emocional por julgamentos imparciais de gosto e sutileza do crítico.
Ademais, como destaca Antonio Magalhães, a arte é a asseveração de algo que de mais intenso pode ser experimentado na existência humana. “Benção porque se revolta contra as atrocidades que se desenvolvem contra a vida. Deificação porque eleva
esse sentido mais profundo ao sentido último, a um telos da existência”197. Características bem visíveis em Menino morto.