1. İNSANLARI TURİSTİK HAREKETLERE YÖNELTEN SEBEPLER VE TURİZM
1.4. Turizm Çeşitleri
1.4.4. Katılanların Amacına Göre Turizm Çeşitleri
O Regime Geral da Previdência Social (RGPS) prevê a possibilidade de equiparação de determinados menores a filho, a fim de que possam contar com a proteção previdenciária.
A redação original do §2º do art. 16 da Lei 8.213/91 previa que se equiparavam a filho, mediante declaração do segurado, o enteado, o menor que, por determinação judicial, estivesse sob a sua guarda e o menor que estivesse sob sua tutela e não possuísse condições suficientes para o próprio sustento e educação.
Antes de adentrarmos a polêmica atinente ao tema, parece-nos imprescindível tecer breve explanação sobre o conceito e abrangência dos termos utilizados para designar os equiparados.
Leciona Marcos de Queiroz Ramalho que “para o Direito Previdenciário, o enteado é, por definição, o filho apenas de um dos cônjuges ou do companheiro/companheira, que reside com o casal e por eles é sustentado financeiramente”84. A figura do enteado é popularmente conhecida, apenas sendo interessante destacar que, para fins de equiparação previdenciária, deve-se comprovar que o enteado dependia financeiramente do de cujus.
Sobre a tutela civil, Maria Helena Diniz85 ensina que o instituto possui caráter assistencial, visando à substituição do poder familiar. O intuito é proteger o menor não emancipado e o seu patrimônio diante da impossibilidade de seus pais o fazerem.
Pode dar ensejo à instituição de tutor, consoante redação do art. 1.728 do Código Civil, a morte dos pais do menor, a declaração de ausência destes ou, ainda, a destituição ou suspensão do poder familiar. Em resumo, o tutor substituirá a atuação dos pais do menor, quando esses não se encontrarem em condições de exercer o poder familiar, zelando por sua formação, educação e proteção.
Acrescente-se que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) também discorre acerca do instituto. Dispõe o art. 36 do citado diploma legal:
Art. 36. A tutela será deferida, nos termos da lei civil, a pessoa de até 18 (dezoito) anos incompletos.
Parágrafo único. O deferimento da tutela pressupõe a prévia decretação da perda ou suspensão do poder familiar e implica necessariamente o dever de guarda.
84 RAMALHO, Marcos de Queiroz. A pensão por morte no Regime Geral da Previdência Social. 2.ed., São
Paulo: LTr, 2010, p. 101.
85
A tutela é um múnus público, o que significa possuir ela caráter obrigatório, não podendo o nomeado recusar-se a exercer suas funções de tutor, salvo em determinadas situações especialmente previstas em lei.
A guarda é um instituto civil que se encontra diretamente relacionado ao exercício do poder familiar.
O instituto em epígrafe pode se apresentar de maneiras diversas. A primeira e mais comum refere-se ao caso em que há disputa pela guarda de filho como decorrência da dissolução da sociedade conjugal ou de união estável. Nessa hipótese, em conformidade com o Código Civil, o detentor da guarda do menor terá o benefício de sua companhia e as atribuições que dela decorrem. Destaque-se, contudo, que a não obtenção da guarda de filho não obsta o exercício do pátrio poder nem exime o genitor de suas obrigações decorrentes do vínculo de filiação.
Na situação exposta, não há que se falar em equiparação, já que, nesse caso, o menor sob guarda enquadra-se no rol de dependente na condição de filho.
Há, ainda, a possibilidade de concessão de guarda de menor nos caso de processo de adoção ou de tutela, com o intuito de conceder provisoriamente o poder familiar, até que seja proferida decisão judicial final. É a denominada guarda provisória. Nesta hipótese, o menor apenas seria merecedor de proteção previdenciária se enquadrado no rol de possível equiparado ao filho.
Ressalte-se que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabeleceu uma modalidade especial de guarda, denominada pela doutrina de guarda permanente. Nessa hipótese, o menor é colocado em família substituta86, a qual ficará responsável por sua guarda e por seu amparo. Trata-se de hipótese sui generis, já que o guardião é apenas responsável pelo menor, e não seu representante ou assistente legal. Lembra Heloisa Hernandez Derzi87 que, nesse caso, há uma transferência, a título precário, de alguns dos direito e obrigações inerentes ao exercício do poder familiar.
Sobre esse assunto, o art. 34, caput, da Lei 8.069/90 (ECA) dispõe, inclusive, que “o poder público estimulará, por meio de assistência jurídica, incentivos fiscais e subsídios, o acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou adolescente afastado do convívio familiar”.
86 Lei 8.069 (ECA), Art. 28. A colocação em família substituta far-se-á mediante guarda, tutela ou adoção,
independentemente da situação jurídica da criança ou adolescente, nos termos desta Lei.
O Estatuto, ademais, inova, introduzindo a espécie designada guarda peculiar, cujo objetivo é suprir a ausência dos pais ou dos responsáveis, possibilitando o exercício de representação pelo guardião em determinadas situações.
Resta evidente a preocupação da Lei 8.069/90 em proporcionar proteção ao menor que esteja em situação de necessidade, em especial ao órfão e ao abandonado, garantindo-lhe amparo material e moral88. O mencionado diploma legal reservou, inclusive, uma subseção ao tratamento do instituto em epígrafe.
O §3º do art. 33 do ECA, indo além, determina que “a guarda confere à criança ou adolescente a condição de dependente, para todos os fins e efeitos de direito, inclusive
previdenciários” (grifo nosso).
Observe que o Estatuto da Criança e do Adolescente e a legislação previdenciária encontravam-se em perfeita sintonia em relação ao tratamento do menor sobre guarda como dependente previdenciário.
Em 1997, por meio da Lei nº. 9.528, a redação do §2º do art. 16 da Lei 8.213/91 foi alterada. A nova redação do dispositivo deixou de prevê expressamente a equiparação do menor sob guarda a filho do segurado.
De imediato, iniciaram-se as divergências no que tange a abrangência do §2º do art. 16, Lei 8.213/91, diante da modificação exposta. É que, com a edição legal, haveria surgido uma antinomia, já que o dispositivo acima mencionado vai de encontro à previsão do §3º do art. 33 do Estatuto da Criança e do Adolescente.
O INSS, após a alteração, passou a não mais reconhecer o direito do menor sob guarda à concessão do benefício. Para o órgão administrativo, não obstante a previsão expressa do §3º do art. 33 do ECA, a legislação previdenciária é cronologicamente posterior, devendo prevalecer sobre às disposições do Estatuto. Ademais, a observação do critério da especialidade ratifica que a alteração verificada não caracteriza vício de legalidade, visto que a Lei 8.213/91 trata especificamente dos benefícios previdenciários.
A questão controversa, rapidamente, foi levada à apreciação dos Tribunais Federais, os quais, via de regra, procuraram corrigir essa considerável injustiça social. É o que se observa, a título de exemplo, com a transcrição da ementa do seguinte julgado:
PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE. MENOR SOB GUARDA. CORREÇÃO MONETÁRIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. CUSTAS PROCESSUAIS.
88
Lei 8.069/90 (ECA), art. 33. A guarda obriga a prestação de assistência material, moral e educacional à criança ou adolescente, conferindo a seu detentor o direito de opor-se a terceiros, inclusive aos pais.
1. A concessão do benefício de pensão por morte depende da ocorrência do evento morte, da demonstração da qualidade de segurado do de cujus e da condição de dependente de quem objetiva a pensão.
2. A nova redação dada pela Lei n.º 9.528/97 ao § 2º do art. 16 da Lei n.º 8.213/91 não teve o condão de derrogar o art. 33 da Lei n.º 8.069/90 (ECA), sob pena de ferir a ampla garantia de proteção ao menor disposta no art. 227 do texto constitucional, que não faz distinção entre o tutelado e o menor sob guarda. Permanece, pois, como dependente o menor sob guarda judicial, inclusive para fins previdenciários. 3. A atualização monetária, a partir de maio de 1996, deve-se dar pelo IGPDI, de acordo com o art. 10 da Lei nº 9.711/98, combinado com o art. 20, §§5º e 6º, da Lei nº 8.880/94.
4. Os honorários advocatícios devem ser fixados em 10% sobre o valor da condenação, excluídas as parcelas vincendas, considerando como tais as vencidas após a data da sentença, face ao que dispõe o art. 20, § 3º, do CPC e a Súmula 111 do STJ.
5. As custas processuais devem ser fixadas pela metade do valor, de acordo com a Súmula 02 do extinto TARGS.89
Ademais, em nosso sentir de maneira acertada, a Turma Nacional de Uniformização (TNU) já se manifestou no sentido de reestabelecer a proteção suprimida pelo legislador previdenciário ao menor sob guarda.
A TNU, no julgamento do Processo nº. 2006.71.95.1032-2, realizado no dia 16/11/09, destacou o inequívoco caráter alimentar que reveste o benefício de pensão por morte. Desta feita, concluiu que a exclusão do menor sob guarda pela lei previdenciária infringiria o comando constitucional que dispõe que o direito a alimentação à criança e ao adolescente deverá ser absolutamente priorizado, assegurando-lhes direitos previdenciários e estimulando o instituto da guarda aos menores desamparados, conforme determina o artigo 227 da Constituição Federal.90
A decisão destacou, por fim, que a distinção no tratamento conferido ao tutelado e ao menor sob guarda é injustificável, ferindo o princípio da isonomia, postulado constitucional do Estado Brasileiro.
A controvérsia chegou ao Superior Tribunal de Justiça através da Questão de Ordem no EResp 727.716/CE, suscitada pelo Ministério Público Federal. O Parquet pedia o reconhecimento da inconstitucionalidade da exclusão do menor sob guarda do rol de dependentes previdenciários, visto que atentaria contra a proteção proposta pela Carta Constitucional.
89 BRASIL. Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Recurso nº 400171948. Relator: Ricardo Teixeira do Valle
Pereira, RS, Julgado em 20 de out. de 2008.
90 BRASIL. Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais. Recurso nº
No julgamento da questão, a Terceira Seção do STJ, por unanimidade, acolheu a preliminar de inconstitucionalidade do art. 16, § 2º, da Lei n. 8.213/1991, na redação da Lei n. 9.528/1997.
Tudo levava a crer que esse seria o posicionamento adotado, a partir de então, pelo Tribunal, mas não foi isso o que aconteceu.
Em fevereiro de 2011, a Corte Especial do egrégio Tribunal exarou entendimento no sentido de que não haveria inconstitucionalidade a ser declarada. A Corte, contudo, utilizou-se do argumento de que a nova redação do dispositivo não negou o direito à equiparação, mas apenas se omitiu em prevê-lo. Acrescentou, por fim, que eventual vazio normativo deveria ser colmatado por preceitos constitucionais.
Apesar de contrária à decisão da Terceira Seção, o fundamento utilizado pela Corte parecia sugerir que a omissão legislativa deveria ser mitigada pela atuação do Judiciário, em favor da manutenção da proteção ao menor em situação de necessidade.
Em agosto de 2011, todavia, surpreendentemente e contrariando o entendimento acima exposto, o STJ uniformizou a jurisprudência no sentido de que o menor sob guarda não deve ser considerado dependente para fins previdenciários. É o que se observa através da transcrição integral da ementa do acórdão abaixo:
RECURSO ESPECIAL. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 1.523/96, REEDITADA ATÉ SUA CONVERSÃO NA LEI Nº 9.528/97. MENOR SOB GUARDA EXCLUÍDO DO ROL DE DEPENDENTES PARA FINS PREVIDENCIÁRIOS. RECURSO ESPECIAL PROVIDO.
I. A questão sub examine diz respeito a possibilidade do menor sob guarda usufruir do benefício de pensão por morte, após as alterações promovidas no art. 16, § 2º da Lei nº 8.213/91, pela Medida Provisória nº 1.523/96, reeditada até sua conversão na Lei nº 9.528 em 10 de dezembro de 1997 que, por sua vez, o teria excluído do rol de dependentes de segurados da Previdência Social.
II No julgamento dos Embargos de Divergência nº 727.716/CE, Rel Min. CELSO LIMONGI (DESEMBARGADOR CONVOCADO), a Corte Especial, apreciando incidente de inconstitucionalidade do art. 16, § 2º, da Lei nº 8.213/91, na redação dada pela citada Medida Provisória, exarou entendimento de que, como a lei superveniente não teria negado o direito a equiparação, mas apenas se omitido em prevê-lo, não haveria inconstitucionalidade a ser declarada.
III. O entendimento já assentado no âmbito da Terceira Seção é no sentido de que a concessão da pensão por morte deve se pautar pela lei em vigor na data do óbito do segurado, instituidor do benefício. IV. Após as alterações legislativas ora em análise, não é mais possível a concessão da pensão por morte ao menor sob guarda, sendo também inviável
a sua equiparação ao filho de segurado, para fins de dependência. V. Recurso especial provido91.
Lamentavelmente, parece que a supressão do menor sob guarda do rol de beneficiários da Previdência Social teve como objetivo a diminuição de despesas para os cofres públicos. O legislador, mais uma vez, deixou de lado o fundamento que deve dar sustento a concessão de benefícios previdenciários, qual seja a impossibilidade do segurado ou do dependente de prover o seu sustento.
Tratar-se de mais um exemplo de posicionamento de Tribunal Superior que compromete a proteção securitária proposta pela Constituição92. Neste caso, a supressão apresenta-se de maneira mais gravosa, já que a não concessão do benefício deixará à margem de proteção uma criança ou um adolescente que, por óbvio, não se encontra em condições de prover o próprio sustento.
Destaque-se, ainda, que não há qualquer fundamento jurídico razoável que explique a distinção entre o tratamento previdenciário conferido ao menor sob guarda e ao tutelado. Essa distinção desarrazoada pode comprometer, assim, a aplicação do postulado constitucional da isonomia.
É inaceitável que motivações políticas continuem a comprometer a proteção social garantida pela Constituição. Se há falhas no sistema - seja em decorrência de uma legislação em certos pontos discrepante, seja devido à insuficiência da atuação da Administração - que essas sejam sanadas através de atuação governamental séria e planejada.
91
BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial nº 720.706. Relator: Gilson Dipp, RS, Julgado em 09 de ago. de 2011.
92 Constituição federal, Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao
adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. (...) §3º. O direito a proteção especial abrangerá os seguintes aspectos: (...) II - garantia de direitos previdenciários e trabalhistas; (...).
5 CONCLUSÃO
Com o advento da Constituição de 1988, instituidora de uma nova ordem social no Brasil, o legislador infraconstitucional regulamentou o plano de benefícios previdenciários de maneira ampla, preocupado com a efetividade dos ideais constitucionais propostos.
A presente pesquisa objetivou expor as principais polêmicas persistentes no que concerne a concessão do benefício da pensão por morte no Regime Geral da Previdência Social (RGPS). O intuito era analisar a legislação do mencionado instituto, observada a realidade social hodierna, tecendo as críticas consideradas necessárias. Ademais, objetivava- se demonstrar que certos posicionamentos consolidados pelos Tribunais Superiores brasileiros estão em descompasso com a finalidade protetiva do modelo previdenciário pátrio.
Através da análise comparativa da evolução do regramento do benefício no ordenamento jurídico brasileiro com a legislação vigente, entendeu-se que o legislador, imbuído pelos mencionados ideais constitucionais, acabou por exagerar na proteção proposta a determinados grupos de pessoas, como, por exemplo, no que tange à concessão do benefício ao cônjuge ou companheiro do segurado.
Ademais, supõe-se que o legislador esqueceu-se de adequar as disposições legais previdenciárias à atual conjuntura social. Como consequência imediata dessa exacerbação legislativa, entende-se que houve uma oneração demasiada dos cofres da Previdência Pública brasileira.
Por óbvio, os problemas existentes no regulamento da Previdência Social não se restringem ao benefício da pensão por morte, o que, certamente, agrava o desequilíbrio financeiro do sistema.
Sem adentrar o mérito da real existência de déficit da Previdência Social, o fato é que incongruências legislativas acabam por agravar a situação, que, de acordo com autoridades do Governo, já é bastante preocupante.
É dentro dessa realidade que o Poder Judiciário, chamado a se manifestar acerca de diversas questões polêmicas que envolvem a concessão do benefício da pensão por morte, vem firmando entendimentos que favorecem aos cofres públicos e buscam equilibrar os gastos com a Previdência, em detrimento da proteção securitária proposta pela Carta Constitucional de 1988.
Observou-se, no decorrer deste estudo, que, não obstante o Direito Civil reconheça a possibilidade da manutenção da percepção de alimentos ao universitário que tenha alcançado
a maioridade, para o Superior Tribunal de Justiça, a manutenção do benefício previdenciário da pensão por morte, na mesma hipótese, não é cabível. Exarou-se, àquele momento, o entendimento de que o posicionamento do mencionado Tribunal é contraditório e inadequado ao atual contexto social. Ademais, destacou-se que a supressão do direito ao benefício nesses casos pode comprometer a finalidade protetiva da Previdência Social.
No que diz respeito ao posicionamento do INSS no que tange a concessão de pensão por morte em casos de invalidez, ressaltou-se que condicionar o direito a percepção do benefício à constatação da invalidez antes de atingida a maioridade previdenciária também pode colocar em risco a subsistência de potenciais dependentes que se encontram em real situação de necessidade, deixando-se, novamente, de lado os ideais de seguridade.
Por fim, mencionou-se que a exclusão do menor sob guarda do rol de equiparados ao filho como dependente previdenciário é desprovida de qualquer fundamento jurídico razoável, em especial quando se observa que há previsão expressa da concessão do benefício ao menor tutelo, o que, de certo, pode comprometer a aplicação do postulado constitucional da isonomia.
A pesquisa objetivou o estudo do benefício da pensão por morte no Regime Geral da Previdência Social, analisando as incongruências legislativas existentes investigando a eventual influência desses vícios nas decisões dos Tribunais Superiores pátrios.
Concluiu-se que, já que, em determinadas situações, a legislação vincula as concessões administrativas, os Tribunais, visando ao reestabelecimento da saúde financeira do sistema e encontrando “brechas” na lei, acabam por negar proteção previdenciária ao cidadão que se encontrava em situação real de necessidade.
Ressalte-se que a finalidade primordial dos sistemas de previdência social é garantir a subsistência de segurados e dependentes quando esses não se encontram em condições de provê-la. No caso do instituto da pensão por morte na legislação previdenciária brasileira, no entanto, constata-se que, em determinados casos, como na hipótese de percepção de benefício pelo cônjuge ou companheiro, esse benefício poderá ser concedido sem que haja qualquer situação de perigo e risco que ameace o dependente, o que, certamente, não condiz com as finalidades do instituto e onera em demasia os cofres da Previdência.
Desta feita, entende-se ser imprescindível e urgente a realização de alterações na legislação previdenciária pátria. Não se pode mais aceitar que o Poder Judiciário continue a proferir decisões políticas, com o nítido objetivo de tentar contornar um desequilíbrio financeiro que se considera decorrência lógica de incongruências legislativa e da má gestão de
recursos públicos. Essas decisões acabam por colocar em risco a finalidade protetiva da Previdência Social no Brasil.
Salutar destacar que os benefícios previdenciários não devem ser entendidos como uma recompensa àqueles que foram acometidos por situações indesejadas. À Previdência, é atribuído o dever de amparar os que, diante de um fato inesperado, são colocados em uma situação de risco, que ameace sua sobrevivência.
Deve-se ter em mente que é indispensável ao funcionamento de um sistema de previdência pública a existência de uma legislação coerente. Reitere-se que a manutenção de privilégios previdenciários àqueles que não se encontram em situação de risco pode comprometer a proteção securitária daqueles que, em situações especiais, necessitam de benefícios para sobreviver.
Desta feita, fica-se à espera da atuação do Poder Legislativo, destacando que o intuído das mudanças propostas deve ser adequar o regramento específico à realidade social contemporânea e garantir a efetividade da proteção securitária. Ao nosso sentir, o equilíbrio financeiro do sistema não se apresenta como um objetivo da reforma, mas sim como uma consequência lógica e inevitável da estruturação de uma legislação coerente e bem elaborada.
REFERÊNCIAS
ASSOCIAÇÃO NACIONAL DOS FISCAIS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
A previdência ao redor do mundo. Brasília: 1997. vol. 3.
AURVALLE, Luís Alberto d’Azevedo. A pensão por morte e a dependência econômica
superveniente. Revista da Doutrina da 4. Região, Porto Alegre, n. 18, jun. de 2007.
Disponível em: http://www.revistadadoutrina.trf4.gov.br. Acesso em: 14 de out. de 2011. BALERA, Wagner (coord.). Curso de Direito Previdenciário. 5. ed. São Paulo: LTr, 2002.