1. İNSANLARI TURİSTİK HAREKETLERE YÖNELTEN SEBEPLER VE TURİZM
1.3. İnsanları Turistik Hareketlere Yönelten Sebepler
1.3.1. İç Faktörler
Conforme já explanado, o filho não emancipado, de qualquer condição, menor de 21 anos é enquadrado no rol dos dependentes previdenciários.
Mencionou-se em momento anterior que, não obstante a redução da maioridade civil pelo Código de 2002 (que passou de 21 para 18 anos), vigora o entendimento de que, sendo a lei previdenciária específica, deve prevalecer sobre a lei geral. Sendo assim, para fins previdenciários, a maioridade continua a ser alcançada aos 21 anos de idade, mesmo após o advento do novo diploma civil.
Destaque-se, ainda, que o mencionado entendimento parece ter sido confirmado. É que o aludido dispositivo foi alvo de recente alteração, em agosto de 2011, optando o legislador pela manutenção da idade de 21 anos como marco previdenciário.
[...] correta a manutenção do limite atual de 21 anos, pois o plano de custeio já abrange fonte de recursos para a manutenção de benefícios até essa idade, e a mesn
legis do novo Código Civil certamente não é excluir direitos, mas sim ampliá-los.
Esta foi, inclusive, a razão da redução de idade para a maioridade civil70.
Dessa forma, parece não mais haver dúvidas quanto à manutenção do marco de 21 anos como maioridade previdenciária.
Importante lembrar que, em regra, o direito à percepção de pensão para o filho, pessoa a ele equiparada ou irmão extingue-se quando completados 21 anos de idade.
Questionamentos, então, surgiram no que se refere à situação do estudante que, não obstante tenha atingido a maioridade previdenciária, ainda esteja cursando estabelecimento de Ensino Superior ou de Escola Técnica.
Neste ponto, mais uma vez será necessário adentrar o ramo do Direito Civil, para que se entenda os motivos que fizeram o aludido questionamento ganhar vulto.
Quando se discorreu acerca da proteção oferecida ao ex-cônjuge pela vigente legislação previdenciária, fez-se referência ao instituto civil dos alimentos. Foram apontadas suas principais características e alguns comentários foram expostos. Observe-se, contudo que, àquele momento, tratava-se da situação do ex-cônjuge, ou seja, de pessoa que, por determinado lapso temporal, firmou vínculo com o segurado, os quais foram desfeitos também por ato volitivo.
Apontou-se, naquela oportunidade, que o Direito Civil moderno passa a considerar indispensável a análise dos postulados da razoabilidade e da proporcionalidade para que se constate a real necessidade de provimento de prestação de alimentos ao requerente. Repita-se, neste momento, que não se pode deixar de levar em consideração a atual conjuntura social, em especial no que tange à gradual e crescente inclusão da mulher no mercado de trabalho. Reitera-se que a obrigação civil seria decorrente de um vínculo que existiu, mas que já foi desfeito.
Passar-se-á a tratar agora da questão referente à proteção do filho, deixando desde então expresso que há diversas diferenças legais e valorativas entre os tratamentos destinados ao cônjuge e ao descendente. Ressalte-se que o objetivo não é, de maneira alguma, hierarquizar a importância dos entes mencionados, o que, de certo, só seria possível através da análise do caso concreto. O que se pretende é demonstrar que o legislador civil parece ter sido
mais sensível ao perceber as diferenças existentes, o que refletirá diretamente no reconhecimento do direito à prestação em determinadas situações.
Inicialmente, destaca-se que a Constituição Federal tratou de equiparar o tratamento jurídico destinado aos filhos, sejam eles ou não decorrentes de casamento ou de união estável, seja o vínculo existente biológico ou afetivo.
O art. 1.703 do Código Civil dispõe expressamente que “para a manutenção dos filhos, os cônjuges separados judicialmente contribuirão na proporção de seus recursos”. Aqui, mais uma vez, resta evidente a imposição da aplicação da proporcionalidade quando do respaldo financeiro oferecido pelo genitor ao seu descendente.
A obrigação de prestar alimento, consoante já explanado, decorre do princípio da dignidade da pessoa humana e da solidariedade familiar. No que diz respeito à proteção dispensada ao filho menor, parece dispensável fundamentar o que motivou o legislador a impor esse dever de cuidado. Ora, mesmo que se deixasse de lado a abordagem valorativa, ainda assim chegar-se-ia à de conclusão de que as atribuições decorrentes do vínculo jurídico da filiação são imprescindíveis à efetivação da proteção proposta pela Constituição Federal à família e ao menor.
Pertinente mencionar que o contexto social influencia diretamente na modificação e na aplicação do Direito. Essa ponderação é feita porque se entende que a hodierna realidade familiar influenciou na consolidação de alguns posicionamentos dos Tribunais e de algumas disposições legislativas atinentes ao Direito Civil.
Salutar destacar que, há poucas décadas, a realidade social era diversa da atual. Homens e, principalmente, mulheres constituíam vínculos conjugais quando ainda se encontravam com pouca idade, abandonando, desde logo, a casa de seus pais e assumindo responsabilidades. A liberdade reduzida e o moralismo social exagerado existentes àquele momento fomentavam no jovem o desejo de contrair matrimônio.
Ademais, o número de pessoas que ingressavam no Ensino Superior e o concluíam era ínfimo quando comparado com a situação hodierna. Isso não se justificava, apenas, pela menor exigência de qualificação profissional para adentrar o mercado de trabalho, mas também pelo reduzido número de cursos e universidades distribuídos pelo país.
Observa-se, assim, que a conjuntura social justificava o tratamento legislativo voltado ao amparo, apenas, do filho menor, já que se poderia presumir que, após atingida a maioridade, o descendente, provavelmente, não mais estaria vivendo as expensas de seus pais.
Ocorre que não paira qualquer dúvida quando a intensa modificação no contexto social acima descrito. O que se observa na maioria das famílias, atualmente, é que o jovem vem
deixando o lar de seus genitores com idade bem superior à verificada em momento anterior. Ademais, a juventude desfruta de uma liberdade não existente em gerações pretéritas. Por fim, com o grau de especialização que vem sendo exigido para ingressar no mercado de trabalho de maneira satisfatória, é crescente o número de pessoas que concluem o Ensino Superior no país.
Pode-se concluir que, hodiernamente, o alcance da maioridade por filho não mais pressupõe a sua independência econômica. Na verdade, atualmente, poucos são os casos de jovens que, ao atingir a maioridade, já são integralmente responsáveis pelo provimento de sua subsistência.
Atento às alterações sociais expostas, os Tribunais passaram a adotar uma postura diferenciada no que tange a prestação de alimentos ao credor que atinge a maioridade, mas que ainda não concluiu os estudos, proferindo decisões que reconheciam a manutenção do direito aos alimentos na mencionada hipótese.
Vale lembrar que a comprovação da necessidade do alimentando é, em regra, um dos requisitos ao provimento de decisão que estabeleça a obrigação alimentar. 71
Consolidando o entendimento supramencionado, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula 358, a fim de que não pairasse qualquer controvérsia acerca da questão. Dispõe o aludido enunciado: “o cancelamento de pensão alimentícia de filho que atingiu a maioridade está sujeito à decisão judicial, mediante contraditório, ainda que nos próprios autos”.
Significa dizer que a extinção da obrigação de alimentar não é automática, devendo o juiz declará-la após a análise das condições e particularidade do caso.
O Egrégio Tribunal firmou, outrossim, o entendimento de que, tratando-se de genitor, a obrigação de prestar alimentos a filho universitário pode prolongar-se até a conclusão de seus estudos. É o que se constata com a leitura da seguinte ementa:
AGRAVO REGIMENTAL. CIVIL. FAMÍLIA. EXONERAÇÃO DE ALIMENTOS. MAIORIDADE. UNIVERSITÁRIO. EXTINÇÃO AUTOMÁTICA. IMPOSSIBILIDADE. JULGAMENTO EXTRA PETITA. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7. - No caso de rejeição de embargos de declaração sem o saneamento de omissão ou contradição apontada, cabe ao recorrente alegar ofensa ao Art. 535 do CPC, pedindo a anulação do julgado e o exame da questão necessária ao deslinde da controvérsia. - O STJ já proclamou que o advento da maioridade extingue o pátrio poder, mas não revoga, automaticamente, o dever de prestar alimentos, que passam a ser devidos por efeito da relação de parentesco. - A teor dessa orientação, antes de extinguir o encargo de alimentar, deve-se possibilitar ao alimentado demonstrar, nos mesmos autos, que
continua a necessitar de alimentos. - "A pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial."72
Nesse sentido, ainda, o Enunciado n. 334 do Conselho da Justiça Federal, o qual dispõe que “a obrigação alimentar originada do poder familiar, especialmente para atender às necessidades educacionais, pode não cessar com a maioridade”.
Considera-se, inclusive, que o entendimento firmado representa um estímulo a conclusão de curso universitário, já que possibilita uma maior dedicação do estudante a sua formação acadêmica (estudo, pesquisa, estágio, etc.).
Firmado esse entendimento na seara civil, logo se passou a questionar se seria possível a aplicação analógica da Súmula 358 do STJ ao universitário maior de 21 que estivesse em gozo de benefício previdenciário. Se a jurisprudência brasileira passou a entender que caberá aos pais, em determinadas situações específicas, continuar a pagar alimentos ao filho maior, por que quando da morte de um genitor não poderia o dependente permanecer percebendo a prestação previdenciária?
Algumas decisões de Tribunais brasileiros chegaram a dar provimento ao pedido de prorrogação do benefício ao universitário até que completados 24 anos de idade, entendendo que não seria razoável a interrupção do desenvolvimento pessoal e a qualificação profissional do beneficiário. Ressaltava-se, ademais, que não havia qualquer argumento que justificasse o tratamento diverso daquele conferido aos alimentos cíveis, já que ambos possuem nítido e expresso caráter alimentar. É o que se observa com a leitura das seguintes ementas:
PREVIDENCIÁRIO. PENSÃO POR MORTE. DEPENDENTE. ESTUDANTE. MANUTENÇÃO DO BENEFÍCIO.
1. A pensão por morte pode ser prorrogada até o beneficiário completar 24 anos de idade se estiver cursando ensino superior, porquanto não se mostra razoável interromper o seu desenvolvimento pessoal e a sua qualificação profissional. Precedente da Turma.
2. Hipótese em que o pagamento do benefício deverá ser mantido somente enquanto a pensionista estiver freqüentando o curso, bem como deverá cessar quando ela completar 24 anos de idade.
3. Agravo de instrumento parcialmente provido.73
PENSÃO POR MORTE. FILHO MAIOR DE IDADE. ESTUDANTE UNIVERSITÁRIO. DEPENDÊNCIA ECONÔMICA. CARÁTER ALIMENTAR. I – Filho de segurado da previdência social faz jus à pensão por morte até os vinte e quatro anos de idade, desde que comprovado o seu ingresso em universidade à época em que completou a maioridade e a dependência econômica, a fim de assegurar a
72 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Agravo Regimental nº 655.104. Relator: Humberto Gomes de Barros,
SP, Julgado em 22 de ago. de 2005.
73
BRASIL. Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Agravo de Instrumento nº 2003.04.01.049020-7. Relator: Nylson Paim de Abreu, RS, Julgado em 11 de fev. de 2004.
verdadeira finalidade alimentar do benefício, a qual engloba a garantia à educação. II – Devido à natureza alimentar, não há argumento que justifique conferir à pensão por morte uma aplicação diversa da que é atribuída aos alimentos advindos da relação de parentesco, regulada pelo Direito Civil, sendo certo que nesta seara vigora o entendimento segundo o qual o alimentando faz jus a permanecer nesta condição até os 24 (vinte e quatro) anos de idade se estiver cursando faculdade. III – É preciso considerar o caráter assecuratório do beneficio, para o qual o segurado contribuiu durante toda a sua vida com vistas a garantir, no caso de seu falecimento, o sustento e o pleno desenvolvimento profissional de seus descendentes que, se vivo fosse, manteria com o resultado de seu trabalho, por meio do salário ou da correspondente pensão. IV – Recurso provido.74
O Superior Tribunal de Justiça, todavia, chamado a se manifestar sobre a questão, decidiu que a Súmula 358 não se aplica, por analogia, ao beneficiário da pensão por morte. Para esse Tribunal, a legislação previdenciária é expressa ao estipular a extinção do direito ao benefício quando completados 21 anos de idade. Ressaltou que o Direito Previdenciário, por ser um ramo autônomo do Direito brasileiro, deve submeter-se às suas regras próprias, não havendo que se falar em aplicação de leis ou súmulas “estranhas ao âmbito da Previdência Social”. É o que se constata no julgado abaixo:
ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. PENSÃO POR MORTE. FILHA NÃO-INVÁLIDA DE SERVIDORA PÚBLICA FALECIDA. CESSAÇÃO DO BENEFÍCIO AOS 21 ANOS DE IDADE. PRORROGAÇÃO ATÉ OS 24 ANOS POR SER ESTUDANTE UNIVERSITÁRIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO NA LEI 8.112/90. IMPOSSIBILIDADE.
1. Esta Corte Superior de Justiça possui jurisprudência no sentido de que, ante a ausência de previsão legal – uma vez que a Lei n.º 8.112/90 é taxativa ao determinar que, após completados de 21 anos de idade, somente o(a) filho(a) inválido(a) tem o direito de continuar percebendo a pensão – é impossível a prorrogação do benefício aos que, não possuindo invalidez, ultrapassaram o mencionado marco temporal, ainda que estudantes universitários.
2. A propósito da alegada incidência analógica da Súmula 358 desta Corte, entendo desarrazoada a pretensão, pois a lide de natureza previdenciária admite apenas interpretação da própria lei de regência, sendo incabível julgar a controvérsia com alicerce em exegeses analógicas de leis – ou mesmo súmulas de tribunais – estranhas ao âmbito da previdência social.
3. Agravo regimental desprovido75.
No mesmo sentido, a Súmula nº 37 da Turma Nacional de Uniformização (TNU), a qual dispõe que “a pensão por morte, devida ao filho até os 21 anos de idade, não se prorroga pela pendência do curso universitário”.
Entende-se, todavia, que o posicionamento firmado pelo Egrégio Tribunal é merecedor de críticas. Simone Barbisan Fortes e Leandro Paulsen ensinam que “o direito a pensão por
74
BRASIL. Tribunal Regional Federal da 2ª Região. Embargos Infringentes em Apelação nº 99.02.12515-8. Relator: André Fontes, RJ, Julgado em 26 de jun. de 2002.
75 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Agravo Regimental no Recurso Especial nº 945426. Relatora: Laurita
morte possui a mesma razão do instituto do Direito Civil de alimentos76”, não havendo, assim, razoabilidade na distinção imposta pelos Tribunais.
É oportuno lembrar que a Previdência Social exerce, nas hipóteses de morte do segurado, uma função reparadora dos danos advindos desse evento inevitável. A percepção do benefício previdenciário em comento será, em muitas hipóteses, imprescindível à manutenção da subsistência do universitário.
Saliente-se que não estamos defendendo o ócio do dependente. De maneira nenhuma! Com efeito, o maior de 21 anos, presumidamente, estará apto a exercer atividade remunerada a fim de prover o seu sustento. Defendemos, contudo, que considerar essa assertiva como verdade absoluta poderá, certamente, comprometer os ideais de proteção propostos pela Seguridade Social. Não se pode deixar de lado a possibilidade de existência de situações especiais, nas quais o estudante ficaria impossibilitado de prover o seu sustento através do trabalho.
Pensemos no caso de um jovem universitário que ingressou no Ensino Superior em curso que exija dedicação integral. Em regra, após a aprovação, o estudante deverá frequentar a universidade por, em média, cinco anos, a fim de que possa graduar-se. Parece que a possibilidade desse aluno concluir seus estudos até completar 21 anos de idade é bem remota.
Imagine, então, que, no decorrer do curso, antes de completados 21 anos, sofra o aluno a perda de seus genitores. Passará ele a receber a pensão do INSS, se preenchidos os pressupostos básicos a sua concessão. Ocorre que, certamente, completará 21 anos antes de concluir seus estudos. Pergunta-se: ficará esse estudante desamparado quando do alcance da maioridade? Com efeito, estaria apto ao exercício de atividade remunerada. Mas seria viável exigir que uma pessoa que enfrente uma jornada integral de estudos precisasse, ainda, trabalhar a fim de prover a sua subsistência?
Salutar destacar, ainda, que a maioria dos jovens ingressa em instituições de ensino particulares. Nesses casos, a perda dos genitores poderá ser financeiramente mais gravosa, já que o estudante, se maior de 21 anos, deverá, além de prover a sua subsistência, custear as despesas com seus estudos.
Chega-se a conclusão lógica de que, diante desse evento imprevisível e inevitável, muitos universitários ver-se-ão impossibilitados de concluir seus estudos, diante da necessidade do exercício de atividade remunerada que possa financiar o seu sustento.
76 FORTES, Simone Barbisan; PAULSEN, Leandro. Direito da Seguridade Social. Porto Alegre: Livraria do
Ressalte-se que estamos diante apenas de exemplos. Observa-se que a vida acadêmica exige dispêndio de tempo e dinheiro. Assim, outras situações específicas poderão surgir, deixando desprotegido o cidadão que realmente necessita de proteção.
Carlos Alberto Pereira Castro e João Batista Lazzari consideram “cabível a prorrogação do benefício previdenciário de pensão por morte até que o dependente complete 24 anos de idade, na hipótese de ser estudante de curso universitário”77. Citam, ademais, que:
[...] é possível ser aplicável, ainda, por analogia, o disposto no art. 35, §1º, da Lei n. 9.250/95 (legislação que trata do imposto sobre a renda), para que a pensão por morte seja mantida enquanto o dependente estiver cursando o ensino superior, devendo o benefício cessar quando o mesmo completar 24 anos de idade.
Acrescente-se, ainda, que através da análise sistêmica da legislação previdenciária, poder-se-ia chegar à conclusão de que a restrição jurisprudencial beira o absurdo.
Imprescindível lembrar que, conforme explanado anteriormente, para o Regime Geral da Previdência Social, o cônjuge e o companheiro enquadram-se na primeira classe do rol de dependentes, fazendo jus à percepção do benefício previdenciário da pensão por morte independentemente da comprovação de dependência econômica. Ademais, não há qualquer delimitação temporal para fins de concessão do benefício, ou seja, a prestação continuada protrair-se-á no tempo por prazo indefinido. Àquele momento, deixamos claro o nosso entendimento de que a previsão legislativa seria exagerada, podendo ocasionar o desvirtuamento da função protetiva da seguridade social. Não se pode esquecer que a Previdência Social existe para amparar o segurado e seus dependentes nos casos em que a impossibilidade de exercer atividade remunerada possa comprometer o sustento próprio ou da família.
Se, no caso do consorte, o legislador previu a concessão de pensão de maneira indiscriminada, para o estudante universitário maior de 21 anos, em casos específicos de real necessidade, houve uma restrição total do direito à percepção do benefício.
Entende-se que o legislador, ao editar o regramento vigente, tomou por base a legislação anterior, sem adequá-la, todavia, à realidade social contemporânea.
Vislumbra-se, ademais, que o atual entendimento dos Tribunais poderia ser uma consequência da incongruência legislativa, cumulada com o suposto déficit da Previdência. Ora, se o regramento vincula a ação da autarquia previdenciária em determinados casos, restará ao INSS, com a ratificação do Poder Judiciário, restringir a concessão de benefícios
77
CASTRO, Carlos Alberto Pereira de; João Batista Lazzari. Manual de Direito Previdenciário. 12. ed. São José: Concito Editorial, 2010, p. 663.
em situações em que a lei deixa “brechas”, buscando reestabelecer o equilíbrio financeiro do sistema.
Importante lembrar que o Governo manifesta-se constantemente sobre a suposta impossibilidade de arcar com as despesas advindas do modelo de previdência vigente. Com efeito, as discrepâncias apontadas neste estudo são atinentes apenas à pensão por morte no Regime Gera da Previdência Social (RGPS). Certamente, há outros grandes problemas no regramento previdenciário em vigor, o que poderá representar uma oneração demasiada da Previdência.
Sem adentrar o mérito da questão do déficit das contas públicas, o fato é que sua suposta existência parece motivar decisões de Tribunais Superiores, as quais, por razões óbvias, possuem nítido caráter político.
O que se deve deixar claro, contudo, é que a manutenção de dispositivos controversos com a consequente prolação de determinadas decisões pelos Tribunais podem comprometer a proteção proposta pela Carta Constitucional de 1988.
Entende-se, assim, que a aplicação analógica da Súmula 358 ao beneficiário universitário maior de 21 anos seria perfeitamente justa e coerente com a interpretação sistêmica do Direito brasileiro, com a realidade social contemporânea e com a finalidade protetiva da Previdência Social brasileira.
Observa-se que o enunciado sumulado apenas impõe a não extinção automática do direito aos alimentos civis pelo alimentado. Ao juiz caberá a análise do caso concreto para determinar a real necessidade de manutenção da prestação. Significa dizer que, caso a disposição civil fosse aplicável no âmbito previdenciário, diante da negativa de concessão da pensão pelo INSS, ao magistrado seria dada a incumbência de determinar, observadas às particularidades da lide, se teria o dependente direito à manutenção do benefício.