4.1. E-ticarette Ödeme Yöntemleri
4.1.1. Kartlı Ödemeler
No movimento de reforma psiquiátrica brasileira, concepções e conceitos ligados ao processo saúde/doença mental foram redesenhados, tendo como marco referencial teórico a psiquiatria democrática e a experiência basagliana na Itália. Floresceu, sistematicamente, uma nova conjuntura paradigmática na área de psiquiatria, onde confluem novos termos e conceitos nesse campo (HIRDES, 2009). Nessa perspectiva, discutem-se a seguir conceitos de três importantes termos que emergiram nesse movimento, a saber: saúde mental, desinstitucionalização e território.
Os termos “saúde mental” e “atenção psicossocial” passaram a ser adotados como conceitos que incorporaram esse novo pensamento de atenção, de aporte social complexo e dinâmico, que inferem uma ideia não somente restrita ao pensamento biomédico de saúde, mas refletem o próprio conceito de saúde ampliado e processual (AMARANTE, 2008a).
Dessa forma, pensar o conceito de saúde mental significa, antes de tudo, entendê-lo como uma concepção de campo, concomitantemente complexo, amplo, dinâmico e político, previsto e definido por Franco Rotelli (1990). E, nessa perspectiva, Amarante (2008a), comunga a ideia de processo complexo ao termo, e que nele emergem constantemente novos elementos, atores, reflexões, questionamentos e pensamentos, não cabendo, pois, uma definição reducionista ou simplificada.
Outro termo relevante nesse debate é “desinstitucionalização”, originado dos preceitos reformistas italianos, que, segundo Rotelli (1990) não pode ser entendido tão somente como a mudança de centro ou de foco da atenção de um modelo institucional para o de base social e comunitária. Corroborando nesse sentido, Hirdes (2009, p. 299) afirma que a “desinstitucionalização tem uma conotação muito mais ampla do que simplesmente deslocar o centro da atenção do hospício, do manicômio, para a comunidade ”.
A desistitucionalização se configura como o novo paradigma da Reforma Psiquiátrica no Brasil, na medida em que propõe a reabilitação e reinserção psicossocial das pessoas com transtornos mentais e comportamentais, a partir de um modelo de atenção focado não na doença, mas no sujeito social. Pensar nessa perspectiva significa conceber a pessoa
com transtorno mental e comportamental numa dimensão mais subjetiva, como sujeito inserido num contexto biopsicossocial, onde seu modo de vida, cultura e realidade se inter- relacionam entre si (CAVALHERI, 2010).
Amarante (2003) observou que o termo “desinstitucionalização” no Brasil assumiu três características distintas na medida em que estes aportes conceituais influenciaram a reforma psiquiátrica e apresentavam resquícios de outras reformas de outros países: desinstitucionalização como desospitalização; desinstitucionalização como desassistência; desinstitucionalização como desconstrução.
O entendimento sobre o conceito da desinstitucionalização como desospitalização, cujo foco centra-se na crítica ao modelo hospitalar psiquiátrico, não se configura numa mudança de atenção propriamente dita. Essa concepção partilha com a corrente reformista da psiquiatria preventiva e comunitária americana que perdurou durante o governo do Presidente Kennedy, com fim administrativo e burocrático (AMARANTE, 2003).
O entendimento sobre a desinstitucionalização como desassistência tem por base o pensamento conservador, que divulgava a ideia de que a extinção dos serviços promoveria a não continuidade da assistência à pessoa com transtorno mental e comportamental. Nesse plano estão incluídos alguns grupos econômicos (donos de instituições, médicos psiquiatras e outros que lucraram, historicamente, com a expansão dos asilos e manicômios pelo país) e conservadores que defendiam a hegemonia biologicista da psiquiatria (AMARANTE, 2003).
O entendimento conceitual sobre a de desinstitucionalização como desconstrução foi construído sobre o processo peculiar da reforma psiquiátrica brasileira. Rompe com o paradigma psiquiátrico vigente, a partir de uma atenção em saúde mental centrada na comunidade e no território. O êxito da experiência francesa basagiliana contribuiu para esse pensamento, especialmente com a promulgação da Lei 180 – conhecida como de Lei de Basaglia (AMARANTE, 2003).
O pensamento de desconstrução, então concebido pelo movimento de reforma psiquiátrica brasileira, confluiu, em alguns momentos, com a ideologia do movimento sanitarista, na medida em que pregava a reformulação das práticas e ações tecnicistas e medicamentosas no campo da saúde. Um exemplo disso foi a VIII Conferência Nacional de Saúde (1986), que desencadeou, em 1987, na I Conferência Nacional de Saúde Mental (OGATA; FUREGATO; SAEKI, 2003).
As concepções sobre a desinstitucionalização identificadas por Amarante (2003), como desospitalização e como desassistência influenciaram o conjunto de atores envolvidos,
requerendo esclarecimentos conceituais, no sentido de fazer prevalecer a desinstitucionalização como desconstrução do modelo hospitalocêntrico. Ainda há confluência desses conceitos na vida cotidiana dos sujeitos psicossociais.
No cenário brasileiro, a rede de atenção à saúde mental vem sendo fundamental no processo de consolidação dos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) e que propõe a implementação de ações e serviços de maneira hierarquizada e descentralizada, nos diferentes níveis de complexidade. Essa concepção de rede conduz para o processo de reforma psiquiátrico, tendo em vista o envolvimento do conjunto de serviços substitutivos articulados entre si e com outros serviços comunitários; além da interligação com os demais setores que compõem a rede pública de saúde em prol da assistência à pessoa com transtorno mental (BRASIL, 2005).
Outro ponto relevante nessa discussão de rede de cuidados se refere ao conceito de território, geograficamente conceituado por Santos (2002) como sendo dinâmico e vivo de inter-relações. No campo da saúde mental, Hirdes (2009), com base em outros estudos, como Yasui (2006), destaca que a partir do território são pensadas estratégias de cuidado em saúde mental, sendo este um espaço em que se produz sentido e se habitado cotidianamente. Assim,
Trabalhar no território significa assim resgatar todos os saberes e potencialidades dos recursos da comunidade, construindo coletivamente as soluções, a multiplicidade de trocas entre as pessoas e os cuidados em saúde mental. É a idéia do território, como organizador da rede de atenção à saúde mental, que deve orientar as ações de todos os seus equipamentos (BRASIL, 2005, p. 22).
Com a promulgação da Constituição de 1988, no processo de luta pelos direitos de cidadania e de saúde, e a instituição do Sistema Único de Saúde (SUS), esses dois movimentos foram se distanciando, especialmente no que tange às suas proposições e ideologias. Sobre esse contexto, Ogata, Furegato e Saeki (2003, p. 68) destacam que:
Neste período, o movimento de Reforma Psiquiátrica desvinculou-se da Sanitária. Esta esperava transformar as macroestruturas com mudanças administrativas no Sistema de Saúde. Já a Reforma Psiquiátrica entendia que o processo de desconstrução/construção devia dar-se nas microestruturas.
Amarante (2008a) acrescenta que a Reforma Psiquiátrica não se manteve unicamente no plano teórico referencial, pois implementaram-se transformações no campo da atenção psiquiátrica nacional.
Nesse cenário, a IV Conferência Nacional de Saúde Mental selou no cenário público a luta em prol dos direitos humanos como direitos e compromisso de todos; reforçou as necessidades de se avançar em direção à consolidação da rede de atenção psicossocial e da intersetorialidade entre os serviços de saúde mental (MIRANDA, 2010).
Ademais, adensam-se as recomendações da OMS através do Relatório de Saúde Mental 2011, ao conclamar as nações de todo mundo, inclusive o Brasil, para a necessidade de maiores investimentos no campo da assistência em saúde mental e na busca pela melhoria da qualidade de vida das pessoas (WHO, 2011).
2.3 TRAJETÓRIA DA REFORMA PSIQUIÁTRICA NO RIO GRANDE DO NORTE E EM