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A análise térmica é um conjunto de técnicas que envolvem a medição de propriedades físicas e químicas de substâncias capazes de sofrer variações em função da temperatura. Nas propriedades físicas incluem-se massa, temperatura, entalpia, dimensão, características dinâmicas e outras. Convencionalmente, a análise térmica tem sido empregada como ferramenta de pesquisa e desenvolvimento para o controle de qualidade de materiais e de processos (CIENFUEGOS, VAITSMAN, 2000, p. 523).

Quando se trabalha com elevadas temperaturas (90 a 200 °C), principalmente as encontradas nos poços de petróleo, deve-se ter cuidado com os aditivos usados nos fluidos de perfuração, em especial com os emulsificantes. Uma vez que, havendo mudança nas propriedades dessas substâncias, pode-se ocasionar quebra da emulsão, gerando graves danos à formação rochosa e até mesmo a zona produtora. Portanto, torna-se imprescindível o uso da análise termogravimétrica no estudo da estabilidade térmica dessas substâncias usadas nas formulações dos fluidos de perfuração.

A curva de análise térmica para o Tri-éster Lipofílico em atmosfera de nitrogênio apresentou duas etapas de degradação térmica, como mostrada na Figura 33. A primeira degradação apresentada pelo pico endotérmico ocorreu à 87,21 °C com 5,009 % de perda de sua massa referente a desidratação sofrida pela amostra. Enquanto que a segunda está representada pelo pico exotérmico, que teve início na temperatura de 202,83 °C, que se refere ao início da combustão sofrida pelo TEL.

Figura 33 - Análise térmica realizada em atmosfera de N2 para o Tri-éster Lipofílico. 100.00 200.00 300.00 400.00 500.00 Temp [C] 0.00 20.00 40.00 60.00 80.00 100.00 % TGA -4.00 -2.00 0.00 2.00 mg/min DrTGA -20.00 0.00 20.00 uV DTA 87.21x10C 186.88x10C -0.593x10mg -5.009x10% 35.32x10min 202.83x10C 65.15x10min 354.33x10C -10.961x10mg -92.592x10% DTA TGA DrTGA Fonte: Autor, 2010.

A degradação sofrida pelo TEL em 202,83 °C (397,1 °F) revela que este apresenta excelente estabilidade térmica para uso como aditivo em fluidos de perfuração usados, não somente, nos poços do Rio Grande do Norte, onde a média de temperatura é cerca de 120 °F (48,88 °C), como também, em poços onde a temperatura pode atingir 400 ° F (204 °C).

5.5 MEDIDAS DE TENSÃO SUPERFICIAL

5. 5. 1 Tensões superficiais (TEL + óleo mineral)

Foram preparados cincos soluções contendo TEL e óleo mineral com concentração variando de acordo com a Tabela 10. Nesta tabela, também são mostrados os valores da tensão

superficial do óleo puro para simples conferência. A curva de tensão superficial em função da concentração das soluções do TEL em óleo mineral (Figura 34).

Tabela 10 - Medidas de tensão superficial do óleo mineral puro e das soluções contendo Tri-éster Lipofílico em

óleo mineral.

Concentração em g/L Tensão superficial em mN/m

Óleo puro 30,0816 0,1 29,74635 0,5 29,24685 1 29,02385 1,5 28,6955 2 28,38155 Fonte: Autor, 2010.

Os dados da Tabela 10 apontam que mesmo em concentrações mais elevadas do Tri-éster Lipofílico, quando comparada com a tensão superficial do óleo mineral puro, o mesmo não apresentou uma diminuição significativa da tensão superficial entre o óleo e o ar.

Segundo Opawale (1998, p. 142-150), o valor elevado da concentração micelar crítica (CMC) em uma análise de tensão superficial ou interfacial pode estar relacionado com a grande solubilidade do tensoativo em apenas uma das fases. Observando a Figura 34, revela-se que não foi possível a determinação da CMC do TEL em óleo nesta faixa de concentração. Este fato está diretamente ligado à grande afinidade do TEL a fase oleofílica (BHL = 3,75). Portanto, torna-se necessária uma avaliação da tensão superficial em concentração mais elevada para aquisição da CMC na fase óleo.

Figura 34 - Gráfico de tensão superficial versus concentração das soluções do TEL em óleo mineral, à temperatura

Soluções do TEL em óleo mineral 28,2 28,4 28,6 28,8 29 29,2 29,4 29,6 29,8 30 30,2 0 0,5 1 1,5 2 2,5 Concentações (g/L) Te ns ã o (m N /m )

Soluções do TEL em óleo mineral

Fonte: Autor, 2010.

5.5.2 Tensões superficiais (TEL + água destilada)

Os resultados da tensão superficial do Tri-éster Lipofílico em água nas concentrações descritas neste trabalho (0,01 a 0,5 g/L) são mostrados na Tabela 11. A Figura 35 apresenta os resultados em forma de curva de tensão superficial em função da concentração das soluções aquosas contendo o TEL.

Tabela 11 - Medidas de tensão superficial em soluções aquosas contendo Tri-éster Lipofílico

Concentração (g/L) Tensão superficial (mN/m)

0 72,0188 0,01 51,2592 0,03 47,1261 0,05 45,09241 0,07 44,08753 0,1 37,89215 0,2 37,3307 0,5 37,46465 Fonte: Autor, 2010.

No experimento de análise de tensão superficial em soluções aquosa, usou-se concentrações mais baixas. Este fato deve-se a seu caráter lipofílico (BHL = 3,75), que reflete em baixa solubilidade em meio aquoso. Também, nessas análises, verificou-se que em concentrações acima de 0,5 g/L, houve formação de duas fases (mistura heterogênea), tornando a determinação da tensão superficial, nesta condição, inviável.

Ainda observando a Tabela 11, o TEL promoveu redução significativa da tensão superficial da água de 72,0188 mN/m para 51,2592 mN/m, mesmo em concentrações muito baixas de tensoativo. A presença de grupos hidrófobos na molécula favorece a adsorção na interface líquido-ar, visto que estes grupos tendem a migrar para a superfície da solução, a fim de minimizar o contato com a fase aquosa. Esse comportamento refletiu, também, em um baixo valor de CMC, (SKALLI et al, 2006, P. 253-260), (KOKAL, 2005, P. 6-7). Observando o gráfico de tensão superficial do TEL em meio aquoso, Figura 35, obteve-se a CMC em 0,1 g/L.

soluções aquosa do TEL 0 10 20 30 40 50 60 70 80 0 0,1 0,2 0,3 0,4 0,5 0,6 Concentrações (g/L) Te ns ã o (m N /m )

soluções aquosa do TEL

Figura 35 - Tensão superficial versus concentração das soluções aquosas contendo o Tri-éster Lipofílico.

Fonte: Autor, 2010.

5.6 RESULTADOS DA APLICAÇÃO DO TEL EM FLUIDOS DE PERFURAÇÃO DE EMULSÃO INVERSA.

5.6.1 Fluidos a base de éster

5.6.1.1 Comportamento reológico

O comportamento reológico para as formulações fabricadas com Éster A e Éster B nas ROA 70/30 e 60/40 são mostrados em curvas de fluxo, Figuras 36 e 37. Através dessas Figuras, observa-se que os fluidos preparados ROA 70/30, tanto para a fase oleofílica Éster A quanto Éster B apresentaram valores de coeficientes de correlação próximos de 1 (R2≈ 1), indicando que estes se aproximaram melhor do modelo de Binghan.

Analisando as curvas de fluxos para formulações fabricadas com Éster A (Figura 36). Os fluidos produzidos com o Emulsificante comercial-1 (EA.73.EC1 e EA.64.EC1) apresentaram comportamento Binghamiano não importando a razão água/óleo usada. Já para formulações fabricadas com TEL (EA.73.TEL e EA.64.TEL) e com Emulsificante comercial-X (EA.73.ECX e EA.64.ECX) tiveram variação no seu comportamento, passando de Binghamiano (70/30) para Pseudoplástico (60/40), ao aumentar a porcentagem de água de 30 para 40 %.

Figura 36 - Curvas de fluxos para fluidos fabricados com Éster A nas razões óleo em água 70/30 (a) e 60/40 (b).

(a) Formulações a ROA 70/30.

(b) Formulações a ROA 60/40.

A Figura 37 apresenta os comportamentos dos fluidos preparados com Éster B. Os fluidos fabricados com Emulsificante Comercial-1 (EB.73.EC1 e EB.64.EC1) descreveram comportamento de fluido Binghamiano mesmo variando a razão água/óleo. Já para formulações fabricadas com Tri-éster Lipofílico (EB.73.TEL e EB.64.TEL) e Emulsificante Comercial-X (EB.73.ECX e EB.64.ECX) apresentaram mudança em seu comportamento ao variar a concentração de água, passando de Binghamiano (ROA 70/30) para Pseudoplástico (ROA 60/40),

Figura 37. Curvas de fluxos para as formulações fabricadas com Éster B nas razões água/óleo, 70/30 (a) e 60/40 (b). (a) Formulações a ROA 70/30

(b) Formulações a ROA 60/40

De acordo com os comportamentos reológicos mostrados nas curvas de fluxo para cada fluido, verificou-se que todas as formulações fabricadas com o TEL apresentaram comportamento característico dos fluidos de perfuração normalmente usados em campo, ou seja, comportamento não Newtoniano.

5.6.1.2 Leituras reológicas e estabilidade elétrica

Observam-se na Tabela 12, os valores das leituras reológica (600 rpm e 3 rpm) juntamente com a estabilidade elétrica, ambas obtidas a 135 ºF (57,22 °C), dos fluidos fabricados com Éster A e Éster B nas razões óleo e água 70/30 e 60/40.

Tabela 12 - Parâmetros dos fluidos a base de ésteres testados

Fluido ROA Éster Emulsificante 600 rpm 3 rpm

Est. Elétrica

- % Tipo Tipo Grau Volt

EA.73.EC1 70/30 Éster A EC-1 50 4 98 EA.73.TEL 70/30 TEL 35 2 194 EA.73.ECX 70/30 EC-X 30 2 110 EA.64.EC1 60/40 EC-1 58 5 165 EA.64.TEL 60/40 TEL 49 3 102 EA.64.ECX 60/40 EC-X 30 2 71 EB.73.EC1 70/30 Éster B EC-1 65 5 403 EB.73.TEL 70/30 TEL 33 2 306 EB73.ECX 70/30 EC-X 44 3 305 EB.64.EC1 60/40 EC-1 142 11 103 EB.64.TEL 60/40 TEL 74 4 199 EB.64.ECX 60/40 EC-X 110 11 90 Fonte: Autor, 2010.

O valor da deflexão a 600 rpm, no viscosímetro Fann, está relacionado com a perda de carga que ocorre durante a circulação de um fluido de perfuração. Altos valores de L600 geram maiores perdas. Em termos de leitura a 3 rpm (L3) é desejável que fluido apresente valores mais elevados para garantir uma boa capacidade de transporte e sustentação dos cascalhos no interior do poço.

Como se vê na Tabela 12, as leituras em 600 rpm dos fluidos variaram de acordo com as formulações. Para fluidos fabricados com o Éster A, o menor valor de L600 foi obtido para as formulações com Emulsificante comercial-X, independente da concentração de água. O fluido contendo o tensoativo TEL apareceu logo em seguida, sendo que para as formulações 70/30 houve uma pequena diferença nos valores de L600 e para as formulações 60/40 a diferença entre os valores L600 foi mais pronunciada. Os fluidos mais viscosos foram os fabricados com o EC-1. Por isso, eles apresentaram também maiores valores de L3, sugerindo, que seriam mais eficientes na limpeza do poço. Contudo, não podemos garantir isso, uma vez que os fluidos fabricados com EC-1 foram realmente mais viscosos. Como os valores de L3 para os fluidos fabricados com TEL e EC-X foram muitos baixos, é possível aumentar estes valores, fazendo-se uso de agente viscosificante, já que estes fluidos apresentaram baixos valores de L600.

Para o Éster B, observou-se comportamento similar para os valores de L600 e L3, entretanto os menores resultados foram medidos para fluidos formulados com emulsificante TEL. Tal como sugerido para o Éster A, adição de agentes viscosificante aos fluidos fabricados com TEL seria uma opção para aumentar os valores de L3, melhorando a capacidade de limpeza do fluido.

Ainda observando a Tabela 12, o fluido fabricado com Éster A e com TEL apresentou valor de estabilidade elétrica superior aos fluidos aditivados com emulsificantes comerciais na ROA 70/30 e valor compatível com esses fluidos na razão 60/40. Desempenho parecido também ocorreu com fluidos preparados com Éster B, pois o fluido preparado com TEL teve valor de estabilidade elétrica compatível com o fluido aditivado com emulsificante comercial-X na razão óleo e água 70/30 e valores superiores as formulações fabricadas com os aditivos comercias numa razão de água mais elevada, indicando que essas formulações apresentaram excelente performance. Pois, sabe-se que quanto maior for a voltagens lida no equipamento de medição de estabilidade elétrica, significa que as moléculas que participam da formação da micela estão fortemente ligadas, tornando mais difícil a quebra dessas emulsões.

5.6.1.3 Medida da separação de fase durante sete dias de repouso e volume de filtrado em HPHT

As Figuras 38 e 39 apresentam os valores de separação de fase dos fluidos fabricados com Éster A e Éster B, respectivamente, em diferentes razões óleo e água (70/30 e 60/40).

Os fluidos fabricados com Éster A e aditivados com o TEL apresentaram menores valores de separação de fase do que as formulações preparadas com os emulsificantes comerciais (Figura 38), não importando a razão óleo água usadas. Já na Figura 39, revela-se que os fluidos fabricados com o TEL e Éster B apresentaram valores compatíveis com as formulações preparadas com EC-X, principalmente na maior concentração de água usada (60/40).

Figura 38 - Volume em porcentagem de separação de fase durante sete dias de repouso para as formulações

fabricadas com Éster A, (a) ROA 70/30 e (b) 60/40. (a)

(b)

Figura 39 - Volume em porcentagem de separação de fase durante sete dias de repouso para as formulações

fabricadas com Éster B, (a) ROA 70/30 e (b) 60/40 (a)

(b)

Fonte: Autor, 2010.

O volume de filtrado para os fluidos preparados com Éster A e Éster B, nas razões água e óleo 70/30 e 60/40 são mostrados nas Figuras 40 e 41. De acordo com essas Figuras, revelam que os fluidos fabricados com Tri-éster Lipofílico apresentaram menor volume de agregação da fase água no filtrado, quando comparamos com os fluidos preparados com aditivos comerciais (EC-1 e EC-X), independentemente do tipo de éster utilizado ou da razão óleo-água empregada no fluido. Isto implica que os fluidos formulados com TEL são os mais estáveis dentre os testados, pois uma boa estabilidade da emulsão é também identificada por um baixo volume de filtrado e,

principalmente pela ausência de água no mesmo, ou ainda por um volume reduzido de fase água contido no filtrado.

Figura 40 - Volume de filtrado em alta temperatura e alta pressão (HTHP) das formulações preparadas com Éster A,

nas ROA (a) 70/30 e (b) 60/40. (a)

(b)

Figura 41 - Volume de filtrado em alta temperatura e alta pressão (HTHP) das formulações preparadas com Éster B,

nas ROA (a) 70/30 e (b) 60/40. (a)

(b)

5.6.2 Fluidos à base de biodiesel

Em 2005, o governo brasileiro lançou um programa de produção de biodiesel em escala comercial. Como conseqüência, a Petrobras vem desenvolvendo estudos com diferentes matérias- primas para produção de biodiesel, especialmente, óleo da mamona, (COSTA et al, 2000, p. 531). Diante desse quadro, resolveu-se testar o biodiesel derivado do óleo da mamona como fase contínua para fluidos de perfuração de emulsão inversa.

5.6.2.1 Comportamento reológico

O comportamento reológico dos fluidos fabricados com biodiesel derivado do óleo de mamona é mostrado a partir de curvas de fluxo, Figuras 42 (a e b). É possível observar que modelo de Bingham aplicado se ajustou bem aos dados experimentais, visto que os valores dos

coeficientes de correlação foram próximos de 1 (R2 ≈ 1). Além disso, a partir da equação da reta,

que descreve o modelo de Bingham (τ = aγ + b), para cada formulação é possível obter os valores de viscosidade plástica (

μ

p) fornecida pelo coeficiente linear “a” e de limite de escoamento (

τ), a

partir do coeficiente angular

, “

b

”.

A Figura 42 mostra as curvas de fluxos para formulações fabricadas com biodiesel na razão óleo e água (ROA) 70/30 (a) e 60/40 (b). Pode-se perceber que os fluidos fabricados com diferentes emulsificantes apresentaram o mesmo comportamento reológico, independente da razão óleo e água empregada, ou seja, os fluidos apresentaram comportamento Binghamiano.

Figura 42 - Curvas de fluxos dos fluidos fabricados com biodiesel, na razão óleo e água (ROA) (a) 70/30 e (b)

60/40. (a)

(b)

De acordo com os dados mostrados anteriormente, com relação ao modelo de comportamento dos fluidos analisados, verificou-se que as formulações B.73.TEL e B.64.TEL fabricadas com o Tri-éster Lipofílico apresentaram o mesmo comportamento de formulações fabricadas com aditivos comerciais usadas em campo, ou seja, não Newtoniano.

5.6.2.2 Leituras reológicas e estabilidade elétrica

Para melhor avaliação das características das formulações fabricadas com biodiesel, é necessário analisar detalhadamente os dados da Tabela 13. Esta tabela mostra os valores das leituras obtidas a 135 ºF, no viscosímetro rotativo modelo FANN 35A (L600 e L3), e os dados de estabilidade elétrica depois do envelhecimento.

Tabela 13 - Valores das leituras reológicas realizadas a 135 °F e medidas de estabilidade elétrica depois do

envelhecimento.

Fluidos ROA Emulsificante 600 rpm 3 rpm Est. Elétrica

- % Tipo Grau Volts

B.73.EC1 EC-1 54 2 136 B.73.TEL 70/30 TEL 102 7 208 B.73.EC2 EC-2 110 12 182 B.64.EC1 EC-1 66 3 66 B.64.TEL 60/40 TEL 155 23 128 B.64.EC2 EC-2 180 30 129 Fonte: Autor, 2010.

Observando a Tabela 13, os valores dos ângulos de deflexão obtidos em L600 dos fluidos variaram de acordo com as formulações. O menor valor de L600 foi adquirido para as formulações com o EC-1, independente da concentração de água. O fluido contendo o TEL aparece logo em seguida, mas com valores muito próximos dos fluidos fabricados com EC-2, que mostraram ser mais viscosos. Por isso, eles apresentaram também maiores valores de L3, o que induz a pensar, que seriam mais eficientes na limpeza do poço. Contudo, valores muito elevados de L600, mostrados pelos fluidos fabricados com Tri-éster Lipofílico e o EC-2, podem gerar

maior perda de carga, podendo danificar os equipamentos usados durante a perfuração. Porém, esses valores podem ser facilmente atenuados com a diminuição da quantidade de agente viscosificante, gerando formulações de menor custo.

A estabilidade elétrica é um dos parâmetros de grande importancia quando se deseja avaliar a qualidade de um fluido de emulsão inversa. Visto que, ela é um indicativo de quão fortemente a água está emulsionada numa base orgânica. Quanto maior for o valor da estabilidade elétrica mais estável será a emulsão e necessitará de maior magnitude de voltagem para que as gotículas de água se unam. De acordo com a Tabela 13, as emulsões fabricadas com emulsificante TEL nas razões óleo e água 70/30 apresentaram melhores valores de estabilidade elétrica, quando comparadas com outras formulações fabricadas com emulsificante comercial. Enquanto que nas formulações de ROA 60/40 apresentaram valor compatível com o fluido fabricado com Emulsificante comercial-2.

5.6.2.3 Medida da separação de fase durante sete dias de repouso e volume de filtrado em HPHT

A estabilidade da emulsão é um fator de grande importância para boa qualidade de um fluido de emulsão inversa. Uma boa estabilidade da emulsão é identificada por valores elevados de estabilidade elétrica, como mencionado no item anterior, mas, como também, por um baixo volume de filtrado em HPHT, principalmente, pela ausência de água no mesmo, e uma baixa taxa de separação da fase contínua durante período de repouso.

As Figuras 43 e 44 mostram, respectivamente, os valores de separação de fase durante sete dias de repouso e volume de filtrado realizado em HPHT (200 °F e 500 psi).

Figura 43. Volume em porcentagem de separação de fase durante sete dias de repouso para as formulações fabricadas a ROA 70/30 (a) e 60/40 (b).

(a)

(b)

Figura 44 - Volume de filtrado em HTHP das formulações fabricadas com biodiesel, nas ROA 70/30 (a) e 60/40 (b)

(a)

(b)

Fonte: Autor, 2010.

De acordo com as Figuras 43 e 44, os fluidos que apresentaram menor volume de fase água no filtrado foram aqueles fabricados com EC-2 e o Tri-éster Lipofílico, independentemente da ROA empregada. Isto implica que os fluidos formulados com estes emulsificantes são mais estáveis dentre os testados, pois além de resultarem em menores volumes de filtrado, apresentaram também menores volumes de água no filtrado. Já os fluidos fabricados com

Emulsificante comercial-1 foram os que resultaram maiores valores, indicando que essas emulsões foram menos estáveis. Isto foi confirmado também pelas altas porcentagens de separação de fase contínua e baixos valores de estabilidade elétrica, mostrado na Tabela 13, apresentados por essas formulações.

5.6.3 Fluidos à base de n-parafina

5.6.3.1 Comportamento reológico

O comportamento reológico para cada formulação fabricada com n-parafina tanto nas ROA 70/30 e 60/40. Foi avaliado a partir de curvas de fluxo, com mostra a Figura 45. Os valores dos coeficientes de correlação próximos de 1 (R2≈1) indicam que o modelo de Bingham é o mais adequado para descrever o comportamento do fluido.

Figura 45 - Curva de fluxo para os fluidos fabricados com n-parafina nas ROA 70/30 (a) e 60/40 (b).

(a)

(b)

De acordo com a Figura 45, os fluidos de perfuração fabricados com emulsificante Tri- éster Lipofílico (TEL) apresentaram o mesmo comportamento reológico dos fluidos fabricados com aditivos comerciais, ou seja, comportamento Binghamiano, não importando a concentração de água (70/30 e 60/40) empregada na preparação dessas formulações.

5.6.3.2 Leituras reológicas e estabilidade elétrica

Como já foi mencionado anteriormente, para uma boa compreensão das formulações fabricadas com n-parafina é necessário observar os valores das leituras reológicas, principalmente, L600 e L3. Essas leituras estão dispostas na Tabela 14, juntamente com os valores de estabilidade elétrica à 135 °F (57,22 °C).

Tabela 14 - Valores de leituras reológicas e estabilidade elétrica a 135 °F (57,22 °C) para os fluidos fabricados com

n-parafina.

Fluidos ROA Emulsificante 600 rpm 3 rpm Est. Elétrica

- % Tipo Grau Volts

P.73.EC1 70/30 EC-1 21 1 84 P.73.TEL TEL 20 2 798 P.73.EC2 EC-2 23 2 291 P.64.EC1 60/40 EC-1 16 2 75 P.64.TEL TEL 14 4 623 P.64.EC2 EC-2 12 2 291 Fonte: Autor, 2010.

Observando a Tabela 14, os fluidos fabricados com Tri-éster Lipofílico (TEL) apresentaram valores de leituras reológicas em L600 e L3 compatíveis com os fluidos aditivados com emulsificantes comerciais, não importando a razão óleo e água empregada na fabricação desses fluidos. Também foi observado que nenhum dos fluidos fabricados com n-parafina apresentou valores de L3 adequados para limpeza do poço profundos (em torno de (6 a 12). Contudo, já se esperava esse resultado, visto que os fluidos a base de n-parafina normalmente são

caracterizados por apresentar leituras reológicas muito baixas, (MAS, 1999, P. 1-2). Entretanto, muitas vezes, deseja-se que os fluidos apresentem tal característica. Porque, no decorrer da perfuração dá-se a incorporação de sólidos perfurados, resultando assim no aumento dos valores reológicos. Portanto, é comum iniciar-se a perfuração de uma dada fase com baixos valores de L600 e de L3 (fluido novo) e perceber-se o contínuo aumento dos mesmos com o avanço da perfuração.

Como se registrou anteriormente, uma boa estabilidade da emulsão está diretamente relacionada com valores elevados de estabilidade elétrica, baixos volume de filtrado e de separação de fase do fluido em repouso. Volume de filtrado e volume de separação de fase discutir-se-ão no próximo item. Ainda observado a Tabela 14, os fluidos fabricados com TEL apresentam estabilidade elétrica bastante elevada quando comparada com as formulações fabricadas com o EC-1 e EC-2 não importando o tipo de razão óleo e água (ROA) empregada. Através desse resultado, pode-se dizer que as formulações fabricadas com o Tri-Éster Lipofílico apresentam emulsões mais estáveis dentre os testados, ou seja, é necessário um potencial maior

Benzer Belgeler