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Karbon filtre (yalnızca filtreli modellerde) 13

5 Temizlik ve bakım 13

5.3 Karbon filtre (yalnızca filtreli modellerde) 13

Diversos são os meios de manifestação da categoria modalidade em língua portuguesa. Koch (1996) menciona os auxiliares modais, as formas verbais perifrásticas, as orações modalizadoras, os verbos de atitude proposicional, os advérbios de modalidade, certos modos e tempos verbais. Neves (1996) destaca verbos auxiliares modais, verbos de significação plena, advérbios, adjetivos em posição predicativa, substantivos, categorias gramaticais do verbo da proposição (tempo, aspecto e modo) e meios prosódicos (hesitações, patinações, repetições) como elementos que entram na configuração modal dos enunciados.

Mediante observação da listagem fornecida pelas supracitadas autoras, percebemos que a categoria modalidade é mais abrangente que a categoria modo. A distinção entre modo e modalidade é feita por vários estudiosos, entre eles Pottier (1976) e Hoye (1997). Segundo Pottier, o modo verbal envolve as idéias de indicativo, subjuntivo e imperativo, enquanto o termo modalidade abrange noções que vão além dessas idéias, expressando volição, desejo, possibilidade, obrigação, entre outros. Segundo Hoye, o modo refere-se a uma categoria gramatical e a modalidade refere-se ao campo completo dos contrastes modais, quer tenham sido realizados lexical, gramatical ou prosodicamente.

Outro estudioso que também adota a distinção entre modo e modalidade é Palmer (1986). Objetivando explicar o porquê do uso restrito do termo modo em seus estudos, e a consequente necessidade de ter seu trabalho recebido o título de modo e modalidade (Mood and Modality), ao invés de simplesmente Mood, ou de simplesmente Modality, o autor considera três questões, as quais expomos sucintamente.

Primeiramente, lembra-nos Palmer de que o termo modo é tradicionalmente restrito a uma categoria expressa pela morfologia verbal. Tradicionalmente, a natureza verbal da categoria modo não é posta em dúvida. Ela é formalmente uma categoria morfossintática do verbo, como tempo e aspecto, embora sua função semântica relacione-se a toda a sentença. Citando Jespersen, Palmer concorda que se trata de uma categoria sintática, não nocional, a qual se apresenta na forma do verbo. Assim, a restrição do termo modo à morfologia verbal o torna não aplicável a todo um sistema gramatical não marcado pelo verbo. Afinal, a modalidade não é expressa em todas as línguas nos limites da morfologia verbal. Ela pode manifestar-se por meio de verbos modais (que estão pelo menos ainda dentro do elemento verbal da sentença, como destaca Palmer) ou mediante particípios, os quais estão um tanto

distanciados da categoria verbo. As marcas formais da modalidade são, pois, encontradas no interior da gramática das línguas, embora nem sempre no interior do verbo.

Como segundo argumento a favor da distinção entre os termos modo e modalidade, o estudioso analisa como se dá a escolha entre as várias funções semânticas pertencentes aos modos encontrados nas línguas que nos são familiares. Essa escolha é mais guiada por aspectos gramaticais que pela análise dos significados modais. Como exemplo, o autor menciona o subjuntivo, que, embora seja usado em comandos diretivos, é tipicamente considerado o modo usado nas sentenças subordinativas, daí não ser coincidência que o termo subjuntivo seja uma tradução do grego hypotaktiké, o qual significa subordinada, função esta que é apenas uma das funções do subjuntivo.

O terceiro argumento a favor da distinção entre os termos modo e modalidade, segundo Palmer, é que a categoria de modo, geralmente, restringe-se à indicação de subjuntivo, imperativo e optativo. Mas, em muitas línguas do mundo, existem outras categorias, algumas delas totalmente marcadas na morfologia verbal, que não podem ser facilmente designadas por nenhum desses termos.

Registramos a adoção, em nossa pesquisa, da separação entre modo e modalidade, pois a julgamos propícia à percepção de semelhanças e diferenças entre essas distintas categorias linguísticas, percepção essa que será útil por ocasião da discussão das categorias de análise e dos dados do corpus desta pesquisa.

Quanto à diversidade de meios de lexicalização da categoria modalidade, segundo mencionamos no primeiro parágrafo desse tópico, é mister considerarmos que ela não nos poupa de um problema que torna dificultoso o estudo da modalidade, a saber, a ambiguidade percebida em construções modalizadoras. Segundo aponta Tolonen (1992; apud NEVES, 1996, p. 165, 166):

[...] um dos principais problemas no estudo da modalidade é apresentado pela tendência que as línguas naturais têm de empregar os mesmos meios lingüísticos para diversas finalidades comunicativas, das quais a modalidade é uma apenas. O reverso disso é o fato de que muitos meios se usam para os mesmos fins.

É no uso dos verbos auxiliares modais que verificamos essa multiplicidade interpretativa. Digno de nota é o fato de que a ambiguidade inerente aos modais não é fenômeno circunscrito à Língua Portuguesa. Sweetser (1990) registra a percepção da

ambiguidade em modais na Língua Inglesa, nas línguas indo-européias, nas semíticas e nas Filipinas.

Assim, o verbo poder, por exemplo, em enunciado descontextualizado: ―João pode recorrer ao STF a fim de reverter a situação que lhe é desfavorável‖, assumirá interpretações tais quais:

(11) Capacidade – João tem capacidade, quer física, quer moral, quer intelectual, para recorrer em favor de seus interesses. Essa interpretação nos faria entender o enunciado como a expressão da capacidade dinâmica.

(12) Permissão – Alguém concede permissão a João, a fim de que ele possa recorrer. Essa interpretação nos levaria a considerar esse enunciado como a expressão de uma permissão deôntica.

(13) Possibilidade – Os meios à disposição de João permitem que ele recorra. Daí interpretarmos o enunciado como expressão da possibilidade epistêmica.

Para precisarmos o sentido de enunciados cuja presença de verbos como poder e dever e de perífrases verbais como ter que/de se fazem notar, temos de conceder atenção ao contexto e à situação comunicativa. Desta feita, a análise da enunciação para dirimir questões de ambiguidade interpretativa é crucial.

Percebemos, assim, que a manifestação da categoria modalidade dá-se tanto por meios gramaticais, lexicais quanto prosódicos e que, embora a gama de meios lexicais de manifestação da categoria seja vasta, a ambiguidade, resultante da tendência das línguas naturais de empregar meios linguísticos idênticos para diversos fins, especialmente notória em verbos auxiliares modais, torna a análise da enunciação imprescindível à interpretação das modalidades.

Desta feita, a opção pela orientação retórico-funcional como ferramenta para descrição e análise da categoria modalidade no modo de discurso argumentativo dá-se tanto pelos objetivos sobre os quais já discorremos, como em decorrência da complexidade do próprio fenômeno em estudo. Assim, embora saibamos que várias são as possibilidades para o tratamento das modalidades: quer se privilegiem aspectos relativos à forma, quer aspectos relativos à Semântica e/ou à Pragmática, estamos convencidos, em consonância com Palmer (1979), da dificuldade de análise resultante da adoção de apenas um ou outro critério, por isso concluímos ser a consideração tanto dos aspectos formais quanto dos semânticos, dentro de

uma perspectiva que contemple os aspectos pragmáticos, a opção mais acertada à compreensão da categoria modalidade em razão do discurso.

3.5 Síntese

Neste capítulo, objetivamos respaldar a proposta de compreensão retórico- funcional da categoria modalidade. Para tal fim, o iniciamos com a apresentação da concepção de modalidade presente na obra Tratado da Argumentação A Nova Retórica. Como vimos, a compreensão esboçada no Tratado restringe o fenômeno ao que estudos linguísticos de base funcionalista, tais quais os empreendidos por Hengeveld e Mackenzie, consideram ―sentenças identificadas como instâncias de tipos específicos de atos de fala‖. Por sua vez, à luz desses estudos linguísticos, é possível compreender a categoria modalidade como concernente à modificação do conteúdo dos atos de fala. Por esse prisma, a modalidade correlaciona-se aos tipos ilocucionários, mas com eles não se confunde. Essa compreensão dá-nos uma visão da categoria mais condizente com seus modos de atuação nos intercâmbios reais pela linguagem verbal.

Na sequência, visando à compreensão do leitor da terminologia para subtipos modais presente em vários estudos linguísticos (―modalidade deôntica‖ e ―modalidade epistêmica‖), realizamos breve incursão a noções oriundas dos modelos idealizados pelos lógicos. Para tal fim, noções como a de necessidade e a de possibilidade, bem como a de eixos conceptuais (o da existência, o do conhecimento e o da conduta) foram considerados.

Após breve histórico de como a modalidade vem sendo objeto de estudo desde a Lógica Formal até a Linguística, centramos atenção nas propostas tipológicas da categoria modalidade no âmbito da Linguística, com especial atenção às ponderações de Lyons e Palmer.

Por fim, discorremos acerca dos meios linguísticos de manifestação da categoria modalidade, quando concedemos especial atenção à distinção entre modo e modalidade, dicotomia adotada nesta pesquisa.

Desta feita, ao longo do capítulo III, expomos, à apreciação crítica do leitor, características da categoria modalidade, como é compreendida na seara da Linguística, das quais nos valemos na análise empreendida nesta pesquisa.

CAPÍTULO IV

4 A CATEGORIA MODALIDADE SOB O PRISMA DA LINGUÍSTICA DE BASE

Benzer Belgeler