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B. Taşımacılık Sektörüne Genel Bir Bakış 1 Taşımacılık Kavramı

1. Karayolu Taşımacılığı

A necessidade de uma prática socioespacial comprometida com a produção democrática do espaço urbano é de fundamental importância para conceber os espaços públicos como lócus da cidadania, da vida democrática e do respeito ao próximo, por meio de uma sociabilidade que reconhece as diferenças e conflitos existentes na cidade.

Parte das discussões contemporâneas sobre o espaço público associa a ideia de cidadania à necessidade de uma maior sociabilidade nesses espaços. O espaço público assume um relevante papel ao possibilitar o encontro e a co-presença de indivíduos diferentes, que pela civilidade estabelecem um contrato social de convivência e respeito mútuo nesses espaços. Nesse contexto, Gomes (2012, p. 30) salienta que o espaço público

é o terreno permanente de tensão entre as diferenças e a possibilidade da vida em comum. Ele aparece, por isso, como condição primeira da expressão de uma individualidade que deve conviver com um universo plural – ele depende, pois, da permanente reafirmação do contrato social que o funda.

Para o autor, a natureza do espaço público é normativa, onde a única identidade que deve existir nesse espaço relaciona-se à questão da cidadania, como elemento constitutivo de uma prática plural que permite desdobrar-se em democrática. A formação de uma cultura pública não exige que os cidadãos renunciem às diferenças, uma vez que ela é política e civil, pois permite reconhecer as diferenças individuais, já que “conflitos de interesse que aí advêm são incontornáveis e devem ser regulados de forma contratual, por meio de compromissos fundados na racionalidade e na justiça”. (GOMES, 2012, p.31).

O espaço público “é a base e a condição fundamental para a experiência da liberdade individual, vivida dentro de uma coletividade plural” (GOMES, 2005, p. 251). Observa-se que a existência e a apropriação do espaço público são condições fundamentais para a prática da democracia na cidade. Sendo um local de diversidade, no espaço público a sociedade deve exercer sua cidadania através do

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respeito às diferenças, contribuindo assim para uma prática social efetivamente democrática.

A sociabilidade, entendida como interação social, permite que os espaços públicos de lazer sejam efetivamente apropriados pela sociedade. Para Leite (2007, p. 194) “falar de uma sociabilidade pública implica referir-se ao modo através do qual uma sociedade constrói estilos de vida e articula padrões diferenciados do que considera ‘civilizado’.” Para o autor, a sociabilidade é entendida como "o conjunto de práticas interativas, conflitivas ou não, que se estruturam no curso da vida pública cotidiana” (p.74). Nesse sentido, Carlos (2001, p. 35) salienta que “as relações que os indivíduos mantêm com os espaços habitados se exprimem todos os dias nos modos de uso, nas condições mais banais e acidentais, na vida cotidiana”.

Os espaços públicos materializam no cotidiano a espacialidade de relações sociais que neles se desenvolvem, evidenciando, nos comportamentos e nas formas de uso desses espaços, a existência de uma diferenciação social. Carlos (2007a. p.51) esclarece que na rua, em nosso caso entendido como espaço público,

se tornam claras as formas de apropriação do lugar e da cidade, e é aí que afloram as diferenças e as contradições que permeiam a vida cotidiana, bem como as tendências de homogeneização e normatização impostas pelas estratégias do poder que subordina o social.

Para Gomes (2012, p. 29) “civilidade é o comportamento esperado nesse tipo de espaço, é a maneira de ser nesse espaço. A cidade é esse universo de trocas cotidianas em seus diferentes e variados espaços públicos”. Nesse sentido o autor destaca a necessidade de regras sociais no espaço público:

as regras do debate e da coabitação respeitosa devem obrigatoriamente estar presentes. A acessibilidade não pode estar condicionada a nenhum critério, senão àqueles previstos pela lei e legitimados por causa da igualdade de condições do respeito às liberdades individuais e ao bom convívio social. Consequentemente esse espaço pode ser visto como o território da lei democrática, seu lócus. No espaço público devemos ser neutros às diferenças, seguindo um código de respeito mútuo. Assim, afinidades particulares, estatutos sociais, identidades grupais ou qualquer outra preferência devem se submeter às regras de coabitação, ou, em uma palavra, à civilidade. (GOMES, 2012, p. 29).

Para Gomes (2006, p. 162) “o espaço público é o lugar das indiferenças, ou seja, onde as afinidades sociais, os jogos de prestígio, as diferenças, quaisquer que sejam, devem se submeter às regras da civilidade”.

Sennett (1998, p.323) define civilidade como “a atividade que protege as pessoas umas das outras e ainda assim permite que elas tirem proveito da companhia umas das outras. Usar máscara é a essência da civilidade.” Assim, de acordo com o autor:

A representação teatral, na forma de boas maneiras, convenções e gestos rituais, é a própria substância de que são formadas as relações públicas e da qual as relações públicas auferem sua significação emocional. Quanto mais as condições sociais degradam o fórum público, mais as pessoas se tornam rotineiramente inibidas em exercerem a capacidade de representar. Os membros de uma sociedade intimista tornam-se artistas desprovidos de arte. (SENNETT, 1998, p.46).

Sendo um local de diversidade, no espaço público a sociedade deve exercer sua cidadania através do respeito às diferenças, contribuindo assim para uma prática social efetivamente democrática. Para Gomes (2006, p. 162) a condição primordial do espaço público ao permitir o acesso e participação de qualquer pessoa deve ser uma “norma respeitada e revivida, a despeito de todas as diferenças e discórdias entre os inúmeros segmentos sociais que aí circulam e convivem, ou seja, as regras de convívio e do debate devem ser absolutamente respeitadas.”

Gomes (2005) salienta que o espaço público pode ser entendido como o lugar da discussão e vivência da liberdade, um espaço de coabitação e de encontro, fundamental para que haja comunicação na sociedade.

Desse modo, a manutenção e o incremento da sociabilidade urbana nos espaços públicos é condição essencial para o fortalecimento da cidadania e para práticas socioespaciais efetivamente democráticas nas cidades.