BÖLÜM 1: OSMANLI ÖNCESİ DÖNEM: BİZANS HAKİMİYETİNDEN GELİBOLU HAKİMİYETİNDEN GELİBOLU
1.3. Batı Anadolu Beylikler Dönemi
1.3.1. Karasi Beyliği
Ao longo deste trabalho, discuti como Aristófanes fez alusões a determinados políticos, kommodoumenoi, com exceção de Alcibíades, zombados por sua origem não aristocrata, por serem bajuladores do povo e carecerem de educação formal, assim corrompendo-o e mostrando-se, portanto, incapazes de liderar a cidade.
As Rãs, entretanto, não são um tratado político e Aristófanes deve apresentar essas questões de maneira poética. Desse modo, no seu papel de poeta, defende que a arte dramática também tem a função de transformar a sua comunidade – para melhor ou para pior – e que, assim, pensar o papel do poeta enquanto conselheiro da pólis é tão importante quanto se discutir os seus líderes.
A partir disso, então, escolhendo uma solução fantasiosa para um problema real de Atenas, que, como já demonstrei, é uma característica da comédia aristofânica, o poeta põe frente a frente dois tragediógrafos de gerações diferentes, para, desse modo, discutir qual tipo de ensinamento que cada um deles traz. Eurípides, objeto inicial do interesse de Dioniso, sai perdedor ao final dessa disputa e, aqui, faz-se necessário pensar como Aristófanes lidou com ele em sua obra, para que fique mais clara a sua escolha.
1. Aristófanes e Eurípides
Como já foi dito, Aristófanes faz referências a diversas personalidades conhecidas do público ateniense: políticos, personalidades públicas, como Sócrates e Eurípides. Devemos concordar com Murray (1968:106) que algumas de suas cenas mais brilhantes são inspiradas nas tramas trágicas, nos disfarces e intrigas euripidianos, além da presença constante de paródias trágicas. Eurípides foi personagem de diversas peças, não somente de Aristófanes, mas sabe-se de fragmentos de outros comediógrafos em que ele é referência.141
Aristófanes produziu cerca de 40 peças durante a sua carreira, das quais apenas 11 nos restaram. Em três dessas, Eurípides surge como personagem: Acarnenses (425a.C.), As Tesmoforiantes (411a.C.) e As Rãs (405a.C.). Em Acarnenses, ele é uma personagem secundária, sendo o poeta ao qual Diceópolis recorre no momento em que
141Segundo Dane (1988:26-7), em diversos fragmentos há evidências de que Eurípides era personagem dessas peças. Por exemplo: No fragmento 12 de Cálias, Eurípides aparece disfarçado de mulher e o mesmo parece acontecer no fragmento 12 de Strattis.
precisa se disfarçar e se preparar para um discurso público diante dos inimigos. Em As Tesmoforiantes, ele ganha maior destaque, é o alvo das conspirações das mulheres que ἵἷlἷἴὄἳmΝ ὁΝ ὄiὈὉἳlΝ ὀἳὅΝ ἦἷὅmὁἸóὄiἳὅέΝ ἠ’Ν As Rãs, peça encenada após a morte do tragediógrafo, Eurípides aparece como o poeta do qual Dioniso tem saudades.
Gilbert Murray (1933:106) ressalta que Aristófanes cita pelo menos 21 autores das gerações anteriores a ele, de Homero a Ésquilo, e o dobro disso em relação aos seus contemporâneos, com destaque para Eurípides. É difícil apontar o que Aristófanes sentia em relação a Eurípides, mas Murray defende que certamente ele o admirava, era fascinado pela sua poesia e a compreendia, pois o modo como ele a parodia com habilidade é evidência para isso.
Para que se compreenda como Aristófanes retrata Eurípides em suas comédias, é interessante que se passe em revista, mesmo que muito brevemente, alguns dos principais estudos sobre as peças que tratam dele. Assim, para que haja clareza na discussão, discutirei, primeiramente – de modo breve – os principais estudos concernentes ao modo como Eurípides é retratado em Acarnenses e As Tesmoforiantes, para, em seguida, pensar sobre essa questão ὀ’ As Rãs.
2.1 Eurípides em Acarnenses e n’As Tesmoforiantes
Em 1964, Cedric Whitman, faz um estudo sobre Acarnenses em que analisa a personagem de Eurípides em contraposição à de Diceópolis. O nome do herói cômico fala muito sobre si: ele é aquele cidadão correto, responsável, é aquele que chega cedo à assembleia. É um conservador, que gosta de Ésquilo e odeia Teógnis, tragediógrafo contemporâneo a ele. Já Cleão, o demagogo, é seu alvo de ódio. Um dos momentos mais felizes da vida do herói é quando ele vê Cleão vomitar os cinco talentos (vv.5-8).142
É interessante notar que, a partir do momento em que ele encontra uma solução para os seus problemas na assembleia – solução essa tipicamente cômica, que é a paz
142“ἓὉΝὅἷiΝὃὉἷΝmἷΝἳlἷgὄὁὉΝὁΝἵὁὄἳὦὤὁΝὃὉἳὀἶὁΝviήὁὅΝἵiὀἵὁΝὈἳlἷὀὈὁὅΝὃὉἷΝἑlἷὤὁΝvὁmiὈὁὉέήἑὁmὁΝmἷΝἶἷlἷiὈἷiΝἵὁmΝ
iὅὅὁΞΝἓΝἷὉΝἳmὁΝὁὅΝἵἳvἳlἷiὄὁὅ,ήpὁὄΝἵἳὉὅἳΝἶἷΝὅἷὉΝὈὄἳἴἳlhὁέ”Ν( ΰ ΥΝ φΥΝ ΰ Ν ὸ εΫαλΝ φλΪθγβθΝ υθ,Ν κῖμΝ πΫθ Ν αζΪθ κδμΝ κ μΝ ΚζΫπθΝ ιάη θέΝ Σα γΥΝ μΝ ΰαθυγβθ,Ν εαὶ φδζ κὺμΝ ππΫαμΝ δὰ κ κΝ κ λΰκθ·ἦὄἳἶὉὦὤὁΝmiὀhἳ)έΝἡlὅὁὀΝ(ἀίίἀμἄἄ-67) explica que há o relato de que Cleão recebera uma propina, no valor de cinco talentos, de alguns ilhotas, pelo fato de o demagogo ter diminuído o valor de um tributo que deveriam pagar (), mas foi forçado pelos cavaleiros a devolver o dinheiro. Entretanto, o fato de Cleão ter sido demagogo até o fim de sua vida, em 421, deixa evidente que ele não foi processado como se tivesse agido contra os interesses do povo ateniense, pois isso teria lhe custado a perda dos direitos de cidadão.
individual, apresentada na forma de odre de vinho – Diceópolis deixa o seu conservadorismo de lado e é consistente apenas consigo mesmo. Então, quando se encontra em uma situação na qual precisa defender-se dos seus inimigos, abre mão de purismos e não hesita em procurar a ajuda de Eurípides, com suas ferramentas retóricas, para isso.
Sobre Eurípides, Whitman nota que essa criação aristofânica, pela primeira vez apresentada aqui, será revisada ao longo da vida do comediógrafo. É notório que o tragediógrafo seja sempre retratado de uma maneira quase igual: é poeta de versos paradoxais, que rebaixam a solenidade trágica ao nível de fofocas de cozinha ou comparado a um sofista, que rebaixa os valores morais de seu público. É sempre um misógino e tem predileção por trazer reis em farrapos em suas tragédias. Nada é dito, entretanto, sobre a genialidade dos seus grandes trabalhos, como Bacantes, Troianas, Alceste e Héracles. Assim, o Whitman ressalta (1964:65):
É suficiente notar aqui que a Aliança de Diceópolis com Eurípides, embora conduzida de modo irônico, é uma aliança real e alinha o herói, de certo modo, não somente ao poeta impostor, que é frequentemente é criticado por encher as suas peças com charlatanice e perversidade moral, mas também ao impostor Sócrates, que consegue ganhar um processo, independentemente do lado em que esteja, e provavelmente ἳὁὅΝ ‘ἶiὅἵὉὄὅὁὅΝ ἶἷΝ ἷὅὈὄἳὀgἷiὄὁὅ’,Ν ὈἳlvἷὐΝ ἶἷΝ ἕóὄgiἳὅΝ ἶἷΝ Leontino, de cujas trapaças Aristófanes clama ter preservado seus conterrâneos.143
Fica evidente, portanto, a associação feita por Aristófanes, nesta peça, entre o engano e a retórica euripidiana e também a crítica subentendida à sua arte. O herói cômico deve seguir apenas ao princípio de poneria, ou seja, aquele caráter de esperteza, vileza, que faz que o herói transponha os obstáculos e sobreviva, não importa a custo de quê. Entretanto, quando o engano é retirado do discurso de uma personagem trágica, que deveria ser um exemplo de homem superior, percebemos que há um perigo iminente nas tragédias de Eurípides, que trariam maus exemplos à audiência, corrompendo-a como
143Tradução minha.“ἙὈΝiὅΝἷὀὁὉghΝὈὁΝὀὁὈἷΝhἷὄἷΝὈhἳὈΝDiἵἷὁpóliὅ’ΝἳliἳὀἵἷΝwiὈhΝἓὉὄipiἶἷὅ,ΝhὁwἷvἷὄΝiὄὁὀiἵἳllyΝ
conducted, is a real one, and it aligns the hero, in a way, not only with the impostor poet whom he so regularly assailed for filling his plays with clever chatter and moral perversity, but also with impostor Socrates, who can win either side of a case, and probablyΝἳlὅὁΝwiὈhΝὈhὁὅἷΝ‘ἸὁὄἷigὀΝὅpἷἷἵhἷὅ’,ΝpἷὄhἳpὅΝἴyΝ ἕὁὄgiἳὅΝὁἸΝἜἷὁὀὈiὀi,ΝἸὄὁmΝwhὁὅἷΝἶἷἵἷpὈiὁὀὅΝχὄiὅὈὁphἳὀἷὅΝἵlἳimὅΝὈὁΝhἳvἷΝpὄἷὅἷὄvἷἶΝhiὅΝἸἷllὁwΝἵiὈiὐἷὀὅέ”